sexta-feira, 7 de maio de 2010

BBB10 LIDERA RANKING DE RECLAMAÇÕES DE TELESPECTADORES



Informa a coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo que a 10ª edição do Big Brother Brasil, o BBB10, lidera o mais recente ranking registrado pela campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

A campanha visa chamar a atenção da opinião pública contra as grosserias ocorridas na televisão brasileira, de modo que sensibilize os anunciantes a não investir em programas que cometem tais excessos.

O "riélite" já mostra sinais de decadência na medida em que, apesar da grande audiência, já causa indignação entre muitas pessoas, que, com sua iniciativa de reclamação, fazem sua modesta contribuição para o resgate da cidadania em nossa mídia.

Em segundo lugar, aparecem Pegadinhas Picantes, do SBT, e o humorístico Pânico na TV.

BARÕES DA MÍDIA USAM GÍRIA "BALADA" PARA CONTROLAR A JUVENTUDE



Parece bobagem se preocupar com o poder midiático de uma gíria. Mas não é.

Primeiro, a gíria "balada" não tem fundo social. E mesmo qualquer pretexto sobre sua origem e propagação é sempre duvidoso, pois nem as corruptelas de "embalada" ou "badalada" nem os derivativos da gíria "bala" explicam exatamente a gíria, já que se tratam de procedimentos pouco típicos entre nossos jovens.

Segundo, porque é uma gíria que não veio das ruas nem das reuniões juvenis, mas de DJs paulistas que inventaram o termo e propagaram entre o público local, há cerca de 20 anos. A gíria teria caído em desuso, não fosse a persistência da Jovem Pan Sat, primeira corporação da grande mídia a propagar nacionalmente a gíria, e, mais tarde, da Rede Globo de Televisão, em manipular a gíria "balada" para todo tipo de público, quando na verdade a gíria é relacionada ao pop dançante, ao chamado "poperó".

O que preocupa é que a gíria é usada como um teste dos barões da grande mídia em manobrar a juventude. Não bastassem os ídolos empurrados goela abaixo, fundindo a cuca da "galera pós-1978" a ponto dos mesmos playboys que, em 2000, gritavam "morte aos pagodeiros", hoje vão para a primeira fila de um festival para ver o Exaltasamba e o Alexandre Pires.

Não é por acaso que eu mesmo, no Orkut, tive que enfrentar a fúria de jovens reacionários - iguaizinhos àqueles estudantes da Mackenzie envolvidos com o Comando de Caça aos Comunistas (entre eles um hoje conhecido âncora de TV) - porque disse que "balada" não é gíria de gente inteligente (eles querem ser inteligentes por nada; escrevem mal, são brutos, odeiam livros, mas mesmo assim acham-se sábios assim, de graça; vá entender...).

É gente que finge ser "diferente", mas adere à mesmice da grande mídia. Gente pseudo-esquerdista, mas aconselhada pelos pais a cultuar o economista Roberto Campos como se fosse um santo protetor. Gente que se diz "alternativa" mas só cultua o irrit-pareide. É esse gente que entusiasmadamente fala a palavra "balada" no lugar de "festa", "boate", "noitada", "clube noturno", "encontro de amigos", empobrecendo o vocabulário oral, não bastasse a degradação ortográfica que tão orgulhosamente praticam.

Esses jovens são marionetes da grande mídia. São cães-de-guarda que os barões da mídia gorda enviam para o Orkut, Facebook, Twitter e até mesmo nos fóruns diversos da Internet. Primeiro são manipulados a bel prazer pelos pretensos totens da mídia gorda, desde a infância - sua "alfabetização cultural" foi às custas de Xuxa e Gugu Liberato, e logo em seguida conheceram também Faustão, Luciano Huck e Ratinho - , e depois passam a defender os valores míopes que aprenderam, até com certa fúria.

Pior é que eles, só por serem jovens (não têm mais que 32, 34 anos), se passam por "modernos". Espancam até empregadas domésticas, mas querem ser considerados modelo de juventude brasileira. Com vocabulário raquítico e ortografia caótica, querem ser considerados "inteligentes".

Mas, como disse Renato Russo, eles se acham tão modernos, mas é só uma questão de idade. Passando dessa fase, tanto faz se essa "galera irada" for considerada "reacionária" ou não. Até porque os atuais frequentadores das tais "baladas" estarão no Congresso Nacional preparando novos esquemas de mensalão. É esperar para ver.

MÍDIA GORDA CONSEGUE PÔR GÍRIA "BALADA" NO AURÉLIO



A gíria "balada", primeira gíria brasileira que conta com seu próprio departamento comercial, tem seu próprio esquema de marketing e faz até mershandising em novelas, telejornais e outros programas de rádio e TV, foi incluída no dicionário Aurélio, graças à pressão da mídia gorda, sobretudo dos proprietários intelectuais da gíria, a Rede Globo de Televisão e a Jovem Pan Sat.

O dicionário Aurélio, originalmente criado por Aurélio Buarque de Holanda, irmão do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e tio do cantor Chico Buarque, é considerado um dos mais populares, mas, muitos anos depois do seu criador ter falecido, o dicionário virou um ao-deus-dará, assimilando modismos vocabulares nem sempre com critério científico (que envolve análises sociológicas e linguísticas de forma crítica, sem aceitar cegamente as manobras da mídia grande). Neste sentido, o dicionário Houaiss é bem mais criterioso e prestigiado entre os verdadeiros interessados na língua.

Falando nesta gíria de proveta, que toda vez que ameaça cair em desuso (destino natural das verdadeiras gírias), é relançada até em telejornais "sérios", o Jornal Hoje mostrou, dias atrás, um momento risível relacionado à gíria "balada".

Uma reportagem sobre moda, dedicada aos sapatos femininos, disse que determinados sapatos são adequados para ocasiões sofisticadas. O problema é que, quando tentou exemplificar as ocasiões sofisticadas, a repórter disparou a seguinte "pérola": "como na balada".

Desde quando "balada" é considerada situação sofisticada? E, do jeito que a mídia em geral define "balada", pode ser até um monte de idiotas sentados num bar qualquer, enchendo a cara de cerveja ao som de forró-brega e tudo. Para a mídia gorda, "balada" é qualquer tipo de lazer realizado à noite em algum bar, boate ou na rua mesmo. Nada menos sofisticado do que tudo isso.

Isso sem falar que a gíria "balada", no grosso, se relaciona tão somente ao universo clubber, de pop dançante (sobretudo a "prata da casa", ou seja, da Jovem Pan 2, Energia 97 e similares), de cantoras "polêmicas" como Britney Spears, Beyoncé e Lady Gaga, de DJs europeus decadentes vindo ao Brasil como se ainda estivessem em alta, ou de jovens alienados que só ficam bebendo, consumindo "baseado" e brincando com telefone celular.

Essas pessoas são tão preocupadas em defender seu entretenimento como se fosse "causa nobre" que não admitem ser criticadas sequer de forma construtiva, acham que suas "baladas" são o máximo em "intelectualismo", nada fazem de útil na vida mas mesmo assim querem ser respeitadas, quando a ninguém respeitam. São pessoas vazias querendo se passar por inteligentes, como uma embalagem oca que tem umas três pedrinhas dentro só para dizer que tem algum conteúdo.

Enquanto isso, no exterior, a juventude mais moderna e mais inteligente continua apostando no bom e velho "I go to the party with my friends" ("Eu vou para a festa com meus amigos"). Eles não têm ideias retrógradas para serem disfarçadas com gírias moderninhas, não.

GREVE NÃO PODE SER ABUSIVA, MAS CRIATIVA



Um dos grandes erros da esquerda é de ver a greve como uma medida absoluta e que pode ser realizada sem qualquer contexto, porque até o nada é contexto para realização de greve.

A greve é um direito dos trabalhadores para protestar contra abusos, contra limitações de toda natureza em seu cotidiano de trabalho. Dentro das condições sociais permitidas, a greve é um direito inalienável, legítimo, saudável. Só não é quando a greve se torna monótona e ameaça os direitos de outras pessoas.

Eu fui prejudicado pela greve de bibliotecários da Universidade Federal da Bahia porque eu estava estudando para o concurso do IPHAN, há cinco anos. Meu irmão Marcelo, do blog Planeta Laranja, ainda estudava na UFBA - eu já havia me formado anos antes - e pegou emprestado alguns livros para estudar. Mas não eram os livros certos para o programa de estudos, e quando pedi para o Marcelo trocar os livros por outros, houve a greve que durou dois meses. Fui prejudicado por isso, porque não consegui passar no concurso.

Além disso, será que as greves têm que ser sempre através de paralização de atividades, de férias coletivas forçadas? Que lição tem uma greve que não passa de uma folga improvisada, quando a maioria dos trabalhadores fica em casa e apenas alguns sindicalistas e raros manifestantes se reúnem para discutir os rumos da greve?

Greve não pode ser assim. A greve não pode ser abusiva, tem que ser criativa. Greve que se limita a ser mero feriado coletivo, ao sabor dos membros sindicalistas, não pode ser considerada digna. E a maior parte dos trabalhadores não sabe bem o que se decide sobre a greve.

Em tese, assembléias são convocadas, mas a convocação não passa de um pálido convite. A própria classe não é estimulada a fazer o debate, porque ela é jogada no conforto das férias forçadas e por isso chamá-la para a reunião é algo muito cansativo.

Seria melhor que se repensassem as greves. Até porque a mera paralização, por si, já deixou há muito de assustar os patrões, que até riem às costas dos trabalhadores. Isso, para não dizer das greves pelegas dos rodoviários, que servem mais para pressionar os reajustes das passagens. Fica um ato que não surpreende, não agrada a multidão, não traz credibilidade aos sindicalistas, e tudo acaba se restringindo a uma mera manobra ao sabor da vaidade sindical.

As greves deveriam ser criativas e rápidas. Por exemplo, uma greve dos rodoviários mais eficaz é a operação catraca livre. Poderiam haver, também, pequenos manifestos, de acordo com a natureza do trabalho. Por exemplo, numa greve de bibliotecários, poderia haver uma apresentação de peça de protesto, em vez da paralização. Duraria pouco tempo, e os trabalhadores poderiam voltar ao trabalho.

Por isso mesmo, é preciso que a esquerda deixe de ser burocrática e reveja suas táticas de protesto. As greves monótonas, meras férias forçadas, não assustam os patrões, e, se inquietam a sociedade, é irritando os cidadãos quando os serviços básicos se encontram prejudicados. Ou nos casos como o meu, que não pude arrumar a bibliografia exigida pelo concurso do IPHAN por causa de uma greve de bibliotecários da UFBA. Não fosse tal transtorno, já seria eu hoje um servidor estável da instituição, num cargo de nível superior.

A greve foi feita para favorecer os trabalhadores, e não como expressão dos interesses políticos de sindicatos nem para alimentar as vaidades pessoais dos sindicalistas.