terça-feira, 4 de maio de 2010

MODERNIDADE DO ATRASO



Não adianta. O Brasil, através das elites conservadoras, continua sendo um país atrasado, até quando tenta ser moderno.

Até algum tempo atrás, a juventude mainstream - aquela que se diz "diferente" mas faz tudo sempre igual - via como coisas modernas curtir hip hop e música techno. Achava tudo isso futurista, ainda que fosse o monocórdico gangsta rap cujo rapper não vai além do "Yo, yo, yo..." ou daquele horroroso tum-tum-tum com som de sintetizador qualquer nota que toca muito nas tais "baladas".

Esses jovens, pasmem, só curtem música com instrumentos acústicos ou elétricos (tipo guitarra elétrica) se for em eventos "especiais" como o Acústico MTV ou na mesmice pópirroque de emos, posers, grunges e similares. Acham que qualquer coisa mais elaborada e musicalmente substancial é chata, complicada, academicista e sem graça (sic).

Sentem preconceito, por exemplo, para a MPB autêntica - os grandes mestres, para esses jovens, são "grandes malas" - , para o rock mais antigo e melodioso, e o que se pode imaginar eles comentando sobre jazz e música clássica, então.

Só que eles tentam procurar a "revolução hip hop" de 1983 no gangsta rap atual e não encontram. Tentam procurar o "Verão do Amor" de 1988 na DJ culture atual e não encontram. Por quê?

Porque tudo isso está datado lá no exterior. Lá são as bandas de rock ou o soul retrô que vibram os jovens de lá (que não substituíram a palavra party por ballad, diga-se de passagem - eles não iriam mascarar a esterilidade de ideias com gírias "moderninhas" sem pé nem cabeça). Aimée Duffy, Datarock, Empire of The Sun, MGMT, o pessoal está ouvindo isso. Beyoncè, para eles, é algo ultrapassado e frouxo. Pussycat Dolls "são o máximo"? Não para eles. Jay-Z é um enrolão e até os respeitáveis Fatboy Slim, Chemical Brothers, Moby e Daft Punk estão cansando.

Mas aqui chega um Akon e a patota toda fica babando. É por isso que tem tanto DJ europeu em fase decadente chegando ao Brasil, tocando até em Cabrobró de Pirijipe, sempre anunciado como "um dos maiores DJs do mundo"! A DJ culture anda muito em baixa na Europa e nos EUA.

Não foi desta vez que a "galera irada" do Brasil acertou os relógios com a modernidade. Bando de gente atrasada. Continuam sendo uns grandes caipirões, que na hora do aperto correm para o primeiro "baile funk", micareta ou vaquejada que encontrarem pela frente.