domingo, 2 de maio de 2010

25 ANOS DE MEAT IS MURDER, DOS SMITHS



O álbum Meat is Murder, segundo gravado pelo grupo de Manchester The Smiths, mas terceiro disco lançado (entre o primeiro álbum, homônimo, de 1984, e este, foi lançada a coletânea Hatful of Hollow, também de 1984) pela banda, e o único produzido integralmente por todos os integrantes, faz 25 anos. Foi lançado em fevereiro, mas fala-se nele hoje pois tanto faz, afinal sua popularização ocorreu ao longo do ano de 1985.

É um álbum com apenas nove faixas, todas brilhantes, como toda a trajetória do grupo inglês formado por Stephen Morrissey na voz, Johnny Marr na guitarra, Andy Rourke no baixo (ou guitarra-baixo, como frisa a ficha técnica) e Mike Joyce na bateria. As letras de Morrissey, deliciosamente musicadas por Johnny Marr - um grande guitarrista e compositor subestimado pela juventude atual - se tornaram marcantes e neste disco não é exceção.

Há temas como a educação física ("The Headmaster Ritual"), briga de rapazes durante uma festa ("Rusholme Ruffians"), delinquência ("Barbarism Begins At Home") e até mesmo bullying ("That Joke Isn't Funny Anymore"), um tema ainda considerado tabu naqueles anos 80, e do qual Morrissey era vítima, durante sua infância e adolescência (daí sua saída da escola, em 1975). Sem falar do vegetarianismo convicto e militante de Morrissey, através da faixa-título do disco, em que aparecem versos contundentes ("Aproxima-se a faca mortífera / Esta linda criatura deve morrer / E morte sem razão é assassinato") numa letra que questiona o comércio e o consumo de carne animal.

Musicalmente, há um vibrante rock de linha sessentista, como em "The Headmaster Ritual", com inclinações rockabilly ("Rusholme Ruffians", "Nowhere Fast") ou guitar surf rock ("What She Said?" e "I Want The One I Can't Have") e até baladas fortes ("That Joke Isn't Funny Anymore", "Meat is Murder" e "Well I wonder"). Mesmo um funk autêntico, ritmo aparentemente hostilizado por Morrissey, nota-se em "Barbarism Begins At Home".



Daí que Meat is Murder soa musicalmente rico. Há também a variação da versão ao vivo da faixa-título, em várias apresentações do grupo, em que a guitarra de Marr torna-se intensa, sem o acompanhamento de piano do mesmo músico, na versão em estúdio. Isso faz com que sejam duas versões diferentes, mas igualmente admiráveis, com opção para quem quer ouvir guitarra e piano ou apenas guitarra. Uma versão ao vivo chegou a tocar muito na Rádio Fluminense FM, a saudosa rádio de rock de Niterói.

Meat is Murder foi o único disco dos Smiths que atingiu o topo das paradas britânicas. Isso não é muito influente, mas noticio a título de informação. O que se sabe é que nessa época a imprensa britânica celebrava os Smiths como a salvação para a mesmice tecnopop do Reino Unido, ou uma alternativa para o estrelato de nomes como Duran Duran (que não são ruins, mas também estavam longe de serem musicalmente geniais e marcantes).

O disco foi incluído na lista dos 1001 Discos Que Você Deve Ouvir Antes de Morrer, livro sobre os discos da história da música internacional, lançado em 2006. Mas mesmo a inclusão oportunista, na Bizz de André Forastieri, na lista dos "piores discos de todos os tempos" só faz fortalecer a importância do disco, diante de uma redação de críticos boçais. Afinal, a força artística das nove canções (há a desnecessária inclusão de "How Soon is Now?", faixa de Hatful of Hollow, em algumas edições), diz tudo sobre a brilhante genialidade do disco.

Esta versão ao vivo de "Meat is Murder" foi tocada na Fluminense FM. Vejam: