domingo, 18 de abril de 2010

JOSÉ SERRA "PAZ E AMOR" NA REVISTA VEJA


Atendendo a pedidos, revista Veja finalmente vestiu a camisa serrista. E agora mostrando o "Serrinha Ternura", com sorriso simpático para agradar sobretudo o eleitorado feminino.

As tempestades adiaram a reportagem de capa, e até muita gente estranhou, mas Veja não iria mesmo sobrecarregar com capas de José Serra toda hora, até porque isso geraria um efeito contrário.

Até que Veja se antecipou à campanha eleitoral, com a edição desta semana. Afinal, ela terá que alternar capas serristas com outros destaques, afinal Veja tem que parecer profissional. Terá que alternar capas com José Serra, FHC e o escambau com capas sobre reportagens de saúde, fenômenos da mídia, possíveis personagens policiais - tipo os casais Nardoni da vida, o psicopata goiano ou o assassino do cartunista Glauco e do filho deste - , ou futuras catástrofes a atingir o Brasil ou o mundo (tipo a do terremoto no Haiti).

REACIONARISMO EM ALTA NA INTERNET



O reacionarismo está em alta. Os defensores do establishment da mídia e do entretenimento andam patrulhando sites da Internet e reagindo a todo texto ou fórum que reprovasse algum fenômeno da mídia em evidência.

São emissoras FM dedicadas ao jornalismo conservador, ídolos popularescos e personalidades da grande mídia que passam a ser defendidos com mãos de ferro por supostos fãs, que, de uma maneira ou de outra, reagem de forma violenta a todo texto de Internet que falem mal dos seus totens.

Esse pessoal fica rastreando os mecanismos de busca, como Google, as comunidades do Orkut e do Facebook e as mensagens do Twitter para ver se a emissora tal, o radialista qual, o breganejo isso ou o sambrega aquilo, etc, receberam alguma crítica negativa, mesmo construtiva. Havendo essa crítica, eles reagem com fúria, usando toda sorte de argumento.

Os fóruns de rádio, por exemplo, estão cheios de gente reacionária defendendo a CBN FM, Transamérica e Band News e programas como Energia 97 e Na Geral. Um suposto radiófilo disse que preferia 400 rádios tocando "funk e pagode" (na verdade, favela bass e sambrega) do que música de qualidade, só porque dá mais emprego. Um missivista ouvinte da Band News FM, que por sinal não sabe a diferença entre showrnalismo e jornalismo, chamou de ridículas as críticas que eu fiz sobre o programa de Ricardo Boechat.

Na música, nomes como Alexandre Pires, Belo, Zezé Di Camargo & Luciano e mesmo o "sertanejo universitário" - muita gente não gostou quando eu critiquei o oportunismo de uma dupla se chamar João Bosco & Vinícius - também contam com defensores reacionários, que também estão por trás do "funk", do porno-pagode baiano (até Fantasmão conta com tais defensores) e do "brega de raiz".

Numa época em que o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, anunciou que fará uma guerrilha virtual no Orkut, Facebook, Twitter ou mesmo em qualquer espaço virtual de mensagens para desqualificar blogs e sites que fazem oposição a ele, é natural que, no ramo midiático e cultural, haja reacionarismo similar.

Olavo Bruno, Eugênio Raggi, Francielle Siqueira e outros tornaram-se alguns dos pistoleiros digitais a defender a mediocridade dominante no país. Mas há outros "anônimos" que fazem a mesma coisa, chegando a espinafrar até mesmo colunistas de rádio. O fã-clube do breganejo Leonardo já disparou mensagens agressivas contra o colunista Artur Xexéo, de O Globo, por ele ter falado mal de uma versão que o cantor gravou da música "Nervos de Aço", de Lupicínio Rodrigues.

Assim como o Instituto Millenium equivale ao antigo IPES-IBAD, esse reacionarismo virtual equivale ao antigo Comando de Caça aos Comunistas, CCC, que voltou à tona através do episódio de Bóris Casoy (ex-integrante do CCC) falando mal dos lixeiros. As rádios pseudo-roqueiras 89 FM, de São Paulo, e Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, já deram uma amostra da volta do clamor reacionário de jovens que usam a pouca idade e os aparatos de modernidade para defender ideias retrógradas.

EFEITO BUMERANGUE - No entanto, o reacionarismo dessas pessoas pode dar efeito contrário. Afinal, não se salva alguém dando porradas em outro, confundindo defensiva com ofensiva. A ação ofensiva dessas pessoas pode dar a impressão de que tais pessoas são temíveis, que não se pode criticar certos totens da grande mídia e do entretenimento. No entanto, a própria agressividade dessas pessoas pode gerar efeito contrário, muitas vezes causando prejuízo até mesmo para esses totens.

Olavo Bruno, o radical defensor do breganejo, por exemplo, com tanta arrogância com que falava mal da MPB autêntica e caluniava sites e pessoas, teve problemas no fórum do portal Movimento Country, um dos maiores ligados à música breganeja. Como uma pessoa que defende com entusiasmo o breganejo e colaborava com mensagens no fórum do Movimento Country praticamente desapareceu do portal, com suas mensagens posteriormente apagadas, parece mistério, mas mostra o quanto encrenqueiros podem causar problemas para seus próprios aliados.

A 89 FM e Rádio Cidade também foram prejudicadas pelo próprio reacionarismo de seus defensores, que não puderam mais esconder a briga que tinham contra o público roqueiro autêntico. Era a reconstituição do conflito USP versus Mackenzie na Rua Maria Antônia em São Paulo, em 1968, através da Internet. Mas ela gerou prejuízo para as duas supostas "rádios rock", que, mostrando que tinham adeptos violentos, caíram em popularidade.

O reacionarismo, por isso mesmo, pode gerar triunfo provisório. Na música brega-popularesca, que lida com um aparente clima de alto astral, o reacionarismo furioso de seus defensores contradiz com essa necessidade de alegria. Afinal, a fúria contradiz esse astral, e pode fazer com que nomes como Alexandre Pires, Belo, Vítor & Léo e outros sejam prejudicados pelos seus próprios adeptos, na medida em que eles reagem com fúria a textos que contestam o talento desses ídolos. Será como um bumerangue atirado contra alguém mas que volta contra quem o atirou.

Dessa forma, se um Olavo Bruno da vida aparecer no camarim de Vítor & Léo, será o fim de linha para a carreira dessa dupla. Defensor reacionário tem a cabeça quente e o pé frio.