sexta-feira, 9 de abril de 2010

MINISTRO NELSON JOBIM QUER BASE MILITAR DOS EUA NO RJ


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Ministro da Defesa, Nelson Jobim, traindo os princípios de soberania nacional, deseja que os EUA instalem base militar no Rio de Janeiro.

Um tratado indesejável

Por Mauro Santayana - 08.04.2010

Com todas as explicações, incluídas as do Itamaraty, em nota oficial, é inconveniente o Acordo Militar que o Brasil está pronto a assinar com os Estados Unidos. Podemos firmar acordos semelhantes com países que podem comparar-se ao nosso, mas não com aquela república. É lamentável que esse tratado seja negociado pelo atual governo.

Segundo a imprensa internacional, prevê-se a instalação de uma base norte-americana no Brasil. A última base americana em nosso chão se limitava ao acompanhamento dos primeiros satélites artificiais, em Fernando Noronha. Ela foi discretamente fechada em 1961, por iniciativa de Tancredo que, como primeiro-ministro, negou-se a prorrogar o convênio, sob o argumento de que ainda não obtivera a opinião das Forças Armadas. Geisel, em 1977, em pleno regime ditatorial, denunciou o Tratado Militar que tínhamos com Washington, e fora renovado em 1952, por iniciativa de João Neves da Fontoura, contra a opinião do ministro da Guerra de então, o general Estillac Leal – que se demitiu como protesto. É da restauração paulatina desse antigo Tratado que se trata.

Antes houve a base de Natal, no esforço comum da guerra contra a Alemanha nazista. Terminado o conflito, em 1945, Getúlio agradeceu muito a contribuição norte-americana e, mesmo com as pressões ianques a fim de manter o enclave militar, dispensou-os desse cuidado. Não havia necessidade de tanto dispêndio para a nossa hipotética proteção.

O fato é que as negociações para a instalação de uma base norte-americana no Brasil, para o combate às drogas, foram anunciadas, em Quito, pelo subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, e repercutiram no exterior, em que pesem os desmentidos do Brasil. Apesar de sua cuidadosa linguagem diplomática, a nota oficial do Itamaraty não é suficiente para afastar as dúvidas: trata, em termos vagos e genéricos da “cooperação em assuntos da defesa” e intercâmbio no treinamento militar. Nós conhecemos essa antiga canção, que nos remete ao centro de doutrinamento ideológico do Panamá. Ali muitos de nossos oficiais foram moldados para a submissão aos interesses norte-americanos, em nome da divisão do mundo entre os bons (os ianques) e os maus (quaisquer outros que contestassem a sua hegemonia). Foram alguns deles, com Castello Branco, Lincoln Gordon, Vernon Walters, a Quarta Frota e a CIA, que fizeram o golpe de 1964.

Os vizinhos sul-americanos – e os parceiros do Bric – se inquietam, e com razão. Eles têm contado com a firmeza do Brasil em defender a soberania de nossos países contra qualquer presença militar estrangeira no continente, como ocorreu no caso da Colômbia. A mesma firmeza deveremos ter se, amanhã, a Venezuela aceitar bases russas em seu território, ainda que a pretexto de se defender de ameaça na fronteira.

Acordos dessa natureza devem ser discutidos, previamente, com a sociedade e com o Congresso. Doutor Rosinha, deputado do PT do Paraná, membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, estranha que seu órgão não tenha sido informado do andamento do processo de negociações, cuja iniciativa é debitada ao Ministério da Defesa.

Conviria ao ministro Nelson Jobim poupar-se de outro escolho biográfico – ele que deles anda bem servido – e explicar sua posição no episódio. A reação, no Congresso, é de perplexidade. É quase certo que o Poder Legislativo negue ratificação ao Tratado. Quando se estabelecem acordos de cooperação de defesa militar, pressupõe-se que haja inimigos comuns, a serem eventualmente combatidos. Não sabemos de que inimigos se trata. Certamente não serão a China, a Índia, nem a Rússia, nossos aliados estratégicos no Bric, e tampouco a Bolívia ou a Venezuela, bons vizinhos. É inadmissível pensar que venha a ser o distante Irã. Provavelmente, um dos interesses seja sabotar os nossos entendimentos com os parceiros do Bric, e da Unasul, que nos fortalecem no mundo.

Esse Tratado compromete o futuro do país e tem um motivo estratégico maior por parte de Washington, ainda que bem dissimulado e a prazo mais longo: o controle da Amazônia e a reconquista do poder colonial sobre o continente.

MÍDIA GOLPISTA PARECE CONIVENTE COM O MACHISMO VINGATIVO


ENTREVISTA DO APRESENTADOR RATINHO AO EX-ATOR GUILHERME DE PÁDUA, UM DOS ASSASSINOS DA ATRIZ DANIELLA PEREZ.

A grande mídia segue a tradição machista, como reza o pacote da ideologia conservadora na qual a mídia segue, às vezes de forma explícita, noutras de forma sutil.

Quando Doca Street lançou, em 2006, seu livro Mea Culpa "explicando" o crime que ele cometeu contra a socialite mineira Ângela Diniz, a mídia adotou postura unilateral, com direito a Doca aparecer arrumadinho na Rede Globo, só que um tanto cafona e decadente, como se fosse um meio-irmão de Jacinto Figueira Júnior e Waldick Soriano.

O ex-playboy deu entrevista para Rede Globo, Época, Folha e o escambau querendo minimizar a culpa pelo seu crime, enquanto noutras vezes processava produtores de TV e de cinema que tentassem produzir reportagens ou longas-metragens lembrando o famoso crime da Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios (RJ) do final de 1976.

Só a revista RG Vogue, cujos sócios brasileiros são ligados a Mino Carta, da revista de centro-esquerda Carta Capital, que contesta o baronato da mídia golpista, se encorajou a entrevistar uma filha de Ângela Diniz. A grande mídia, sobretudo Folha, Veja e Organizações Globo, preferiu ficar com a visão do criminoso, porque, para ela, soa "mais jornalístico".

Juntando isso ao tratamento VIP que a imprensa paulista deu ao colega Pimenta Neves - postura que só mudou com a pressão da imprensa carioca, que bateu pesado contra o "rei da pizza com pimenta" - e até ao tratamento cordial que a imprensa dava a Guilherme de Pádua, a mídia golpista tem um quê de machista e se torna sutilmente indiferente ao sofrimento dos parentes e amigos da inocente vítima feminina. Pimenta Neves chegou ao ponto de nunca ser colocado nas retrancas policiais da imprensa paulista, ele sempre entrava na seção "País" e similares, como se ele não tivesse cometido um crime hediondo (mas legalmente classificado como apenas doloso), mas praticado um inocente ato político de âmbito nacional.

Agora o assunto é a entrevista no Programa do Ratinho do ex-ator Guilherme de Pádua, o "Alexandre Nardoni" dos anos 90 quanto à repercussão do seu crime, juntamente com a então esposa Paula Thomaz, que mataram a atriz Daniella Perez, a golpes de tesoura, no final de 1992. O fato ofuscou até o impedimento político de Fernando Collor (que, como Ratinho e De Pádua, se deram bem na mídia). Daniella foi filha da dramaturga Glória Perez.

Guilherme - que, como Pimenta, daria um ótimo "judas" para o sábado de Aleluia, porque ambos saíram da prisão em época próxima da Semana Santa - não conseguiu explicar as razões do seu crime. Até certo ponto, Ratinho se estressou e se irritou com o entrevistado. Também, por que ele chamou o hoje evangélico De Pádua para a entrevista? Tudo pelo Ibope, né? E por sinal com muito trouxa dando ouvidos ao Ratinho.

A entrevista irritou Glória Perez e outras pessoas, como o também dramaturgo Aguinaldo Silva, que, num comentário irônico no Twitter, sugeriu que Ratinho entrevistasse depois Fernandinho Beira-Mar, o casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá (assassinos da filha dele, Isabella Nardoni), ou que fizesse uma entrevista psicografada do ditador Adolf Hitler.

Mas a mídia deu mais destaque à entrevista de Guilherme. A Folha não enfatizou muito o comentário de Glória Perez no Twitter, e, se a Rede Globo é solidária a ela, é pelo fato da novelista ser contratada da casa. E Guilherme de Pádua, posando de injustiçado, quando em outros momentos teve surtos de terrível arrogância, tanto que uma vez ele ameaçou processar a própria Glória Perez por declarações que ela deu sobre o assassino da filha. Como se o crime que Guilherme cometeu não bastasse...

O machismo deveria ser desmoralizado e combatido no nosso país. A truculência masculina contra mulheres inocentes, até agora só rendeu um leve arranhão na ideologia machista como um todo. É evidente que, por baixo dos panos, os próprios machistas assassinos também vivem sua tragédia. Afinal, são pressionados pelo ódio da sociedade contra suas impunidades judiciais. Podem sair do Brasil, mas não podem ir a um reencontro com antigos colegas dos tempos de escola. Podem ir para qualquer lugar, mas não podem ir aonde os entes queridos de suas vítimas estão.

Abomino completamente o machismo, sobretudo esse machismo vingativo, sanguinário e sem respeito ao ser humano, um machismo escravo de instintos, cruel e enrustido, um machismo que ainda vive no século XIX e quer resistir firme ao século XXI. A ponto de machistas impunes tentarem até mesmo ter novas namoradas, surpreendentemente belas e inteligentes. Um machismo que quer, de todo modo, controlar a emancipação feminina, se apropriando de nossas melhores mulheres. E deixando os antigos sub-produtos do machismo (boazudas e marias-coitadas) para os homens de bem.

É preciso dar um basta a essa vida de bem-bom dessa facção violenta dos machistas de nosso país. Sobretudo ao sutil e discreto consentimento da grande mídia, que deve ser desmascarado sem medo.

REDE GLOBO MANIPULA HORÁRIO DE PARTIDAS DE FUTEBOL



A prepotência da Rede Globo de televisão pressionou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM-SP) a vetar os projetos dos vereadores Antônio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PR - brega como cantor, mas razoável como político), restringindo o fim das partidas de futebol nos estádios da capital paulista às 23:15 h.

Dessa maneira, a Rede Globo quer que as partidas continuem até tarde, sacrificando os paulistanos que querem acordar cedo, e que já dormem muito tarde para ver seu time favorito em campo até o fim da partida. Se a Globo quiser que uma partida termine à 1h da manhã, fará tudo para isso.

Algumas emissoras concorrentes mostraram-se solidárias aos vereadores, mas, pessoalmente, não acredito que haja uma polarização, com a Globo num lado e a mídia restante no outro. É bom deixar claro, por exemplo, que Jorge Kajuru, suposto opositor da grande mídia, queria montar uma "CBN dos esportes" e mesmo as partidas esportivas que encerrariam às 23:15 renderiam entrevistas e debates, cansativos mas sedutores para os fanáticos do futebol, por cerca de uma hora e meia. Ou seja, o coitado do ouvinte só poderá ir para a cama praticamente às duas horas da manhã, e se ele mora longe do lugar de trabalho, só terá no máximo duas horas de sono.

Há outra crueldade, que é realizar partidas de futebol em datas em que os jogadores poderiam muito bem estar descansando com suas familias, como o domingo da Páscoa, o dia de Finados, o Dia da Pátria. Mas mesmo dentro do período de Carnaval, o sábado às vezes é reservado para o futebol. Muita crueldade, fruto da ganância de empurrar o espetáculo futebolístico em qualquer dia de folga.

Em Salvador (Bahia), onde transmissão esportiva é sinônimo de poluição sonora cumplicemente apoiada pela imprensa ou mesmo pelos "líderes de opinião" locais (desses que fazem blogs pseudo-esquerdistas enfeitados de notas tendenciosas sobre autoridades, sindicalistas e servidores), certamente tanto faz, para os barões da mídia baiana, se a Rede Globo defende ou não o horário tardio das partidas.

São frequentes casos em que a poluição sonora de porteiros de prédios, frentistas de postos de combustível, taxistas e de bares, sobretudo nas transmissões esportivas das rádios Metrópole, Transamérica e Itapoan, irritam seriamente os moradores próximos, que nada podem fazer. A imprensa não considera isso poluição sonora, envolvidos estão os jornalistas na cumplicidade corporativista dos radialistas esportivos, também considerados jornalistas.

Pior ainda é quando as partidas baianas acontecem até altas horas da noite. Houve caso de posto de combustível fechar e o vigia ficar com o rádio ligado, até o fim não da partida, mas do debate esportivo. E as rádios Metrópole, Transamérica, Itapoan ou qualquer outra, querem mesmo perturbar o sossego dos cidadãos, tirar o sono destes sem piedade. Com todo o cinismo que as emissoras se acham no direito. Tudo pela tal doutrina da "emoção", essa palhaçada inventada pelo radialismo esportivo.

A Rádio Metrópole, hipócrita, uma vez criou uma campanha contra a poluição sonora. Deveria olhar para ela mesma, que estimula a poluição sonora durante suas transmissões esportivas ou durante o programa do astro-rei Mário Kertèsz. Se o jogo termina meia-noite ou uma hora da manhã, pouco importa.

Na cidade sem lei que é Salvador, ainda sofrendo os reflexos do carlismo, os interesses da mídia local estão acima dos interesses dos cidadãos, que não tem a que recorrer, já que até a mídia oposicionista está do lado dos "coronéis" eletrônicos de Salvador.

BRASIL NÃO SERÁ POTÊNCIA COM CULTURA BREGA



O Brasil é um país emergente, considerado uma potência mundial do futuro. Está na mesma situação que Rússia, Índia e China, daí formando um bloco de países emergentes que os especialistas denominam como BRIC, usando as iniciais dos quatro países.

Reconhece-se que o país progrediu muito economicamente, além do aspecto político ser legalmente democrático. Mas o país não atingiu a prosperidade esperada, estando longe até mesmo das metas que se pretendia atingir em 1964, quando o golpe militar pôs tudo a perder.

Afinal, do contrário do período 1958-1964, quando se esforçava para se ter um desenvolvimento econômico arrojado com justiça social plena, hoje temos um desenvolvimento econômico que, por mais que procure estabelecer a inclusão social, é ainda bastante excludente.

Muitos dos intelectuais que viveram entre 1958 e 1964 estão mortos. Não há mais grandes pensadores da educação e, o que é pior, há uma retórica sentimentalóide e confusa da grande mídia achando que Educação é só ensinar a criança a ler, escrever e jogar bola. As ONG's, não todas, mas parte delas, se empenham em fazer o mesmo papel dos antigos CPC's da UNE, dando sua pequena contribuição que carece do apoio das autoridades e da sociedade.

Além disso, a chamada cultura brega, lançada pelos latifundiários para transformar as classes populares em caricaturas de si mesmas, impondo-lhes conformismo, resignação social e uma personalidade patética e estereotipada, cresceu tanto nos últimos anos que hoje ameaça a sobrevida da MPB autêntica e mesmo do folclore popular, comprometendo a transmissão de conhecimento e valores sociais sólidos entre as classes mais pobres e entregando a música brasileira para a hegemonia sorridente de meros lotadores de plateias, cercados de seus defensores reacionários e esquentadinhos.

Fala-se que a cultura brega e suas ramificações neo-bregas - quando o ideal cafona se dissolve numa suposta "diversidade cultural" - é a "verdadeira cultura popular". Só porque o cantor tal e o grupo qual lotam plateias com "facilidade"? E essa declaração, tão cínica, esconde o fato de que a popularidade desses cantores e grupos se efetiva com muita campanha na imprensa, muitos factóides, muitas bobagens e muito lero-lero.

Além disso, que "força criadora" têm esses cantores que, depois de uns débeis cinco sucessos, se nivelam a meros crooners gravando DVD's ao vivo um atrás do outro, gravando covers, duetos, sem acrescentar coisa alguma de nova na música brasileira? Temos que fingir que eles são os "grandes artistas", os "grandes criadores", assim? Não criticá-los sequer nas coisas mais amenas?

O Brasil brega nunca será desenvolvido. Nunca será potência. Será uma economia "desenvolvida" de um povo subdesenvolvido. Será um grande circo do entretenimento que mal consegue disfarçar a anemia cultural do povo.

O Brasil brega mostra um povo subordinado, patético, feliz com seu sofrimento, como um débil-mental. Mostra cantores e grupos medíocres, em espetáculos superproduzidos, para disfarçar seu péssimo talento, quando muito equiparado ao dos calouros de programas de auditório, com seus talentos falhos que os defensores desses cantores e grupos se recusam a enxergar.

A mediocridade cultural não traz conhecimento, não cria valores sociais sólidos, não traz justiça social. É apenas enchimento de linguiça para garantir a audiência de rádios e TVs e os lucros das gravadoras e das casas de espetáculos. É apenas um "calmante", um "dopante", para tranquilizar as massas às custas de patéticos cantores e conjuntos de talento artístico bastante sofrível, por mais que seus irritadinhos defensores neguem isso.

Encher plateias não garante mérito algum de um cantor ou grupo medíocres, até porque, na cultura de cabresto aplicada à música brasileira, o povo é levado feito gado pela mídia para seguir os ídolos máximos da mediocridade.

É a Música de Cabresto Brasileira barrando a evolução cultural de nosso povo. E que não vai deixar o Brasil ser, de fato, um país verdadeiramente desenvolvido.

A VERDADE SOBRE A "RÁDIO GLOBO AM" EM FM



Um internauta com ideias incoerentes, talvez esquizofrênicas, anuncia, com clara retórica marqueteira, que a vinda do clone em FM da Rádio Globo AM irá "valorizar o rádio AM". Falando feito um Amigo da Onça ou como um machista sanguinário que diz que ama as mulheres, esse cara está dando muita dor de cabeça para mim e para o Marcelo Delfino, no blog que nós fazemos, o Preserve o Rádio AM, por conta da argumentação confusa desse pretenso dono da verdade.

Ele vive no mundo dos sonhos, onde para ele só existem um punhadinho de emissoras que ele gosta: Transamérica, Tupi, Band News, Globo AM e talvez uma ou outra a mais. O "rádio AM" que ele tanto fala com entusiasmo é um pequeno planetinha de no máximo dez emissoras FM que atendem às "pragmáticas necessidades" de informação e entretenimento. E os "grandes comunicadores", para ele, são apenas aqueles que, recebendo ligação de ouvintes, sabem contar uma "boa piada" a ponto de haver até claque no estúdio para rir junto. Entenda-se "boa piada" dentro dos padrões oficiais do Pânico da Pan.

É terrível haver minorias de pessoas que querem se impor como uma maioria. No rádio, é sempre assim, um punhado de adeptos - entre os ouvintes mais fanáticos e os próprios profissionais disfarçados de pseudônimos - defendendo os interesses de uma meia-dúzia de FMs, de corporações radiofônicas interessadas no monopólio ou, pelo menos, na hegemonia de mercado.

Mas no discurso deles "não" existem interesses empresariais. Tudo é tão lindo, embora a coisa fique feia sempre que alguém discorda. Fui eu discordar de um comentário de um âncora da CBN num espaço de mensagens de um blog de rádio e o responsável disparou uma resposta irritada contra mim. E ninguém ali fala em "mídia golpista", corporações de mídia, interesses empresariais. Se a revista Veja não fosse uma revista, e sim uma emissora de FM, certamente não sria considerada "mídia golpista". Eles podem baixar a lenha até nos povos indígenas, descendentes dos primeiros povos existentes no Brasil, que os "radialistas" sempre terão razão.

Infelizmente, para esses internautas radiófilos - não falo dos bons radiófilos, que existem, até tentando dar uma luz para os tietes das rádios da moda, sejam estas 89 FM ou "Rádio Globo AM" FM - , a mídia é inocente, só pensa no cidadão etc. Eles acreditam em duendes e nós, que analisamos as contradições da mídia, é que somos "lunáticos".

A entrada da Rádio Globo AM nas ondas de FM não é algo externo aos mecanismos golpistas das Organizações Globo. Outras ilusões foram derrubadas. Até alguns anos atrás, ninguém via a CBN como um órgão das Organizações Globo, achava que a CBN era uma "mídia de esquerda mais equilibrada". Os "líderes de opinião" que constituíam, anos atrás, numa facção mais acomodada porém popular dos blogueiros, falavam mal da Rede Globo mas felizes assistiam ao Big Brother Brasil como se fosse a salvação da lavoura. Também ninguém viu no "funk carioca" uma poderosa arma de manipulação das Organizações Globo, mesmo com o estilo aparecendo, como um produto em merchandising, em tudo quanto é veículo das OG ou em programas de todo tipo da Rede Globo.

Agora, fala-se da Rádio Globo AM entrando em FM como se fosse uma rádio comunitária sendo inaugurada. Quanta tolice. A emissora até caiu em qualidade, se comparado com antes, e muita gente já se queixava disso. Nunca ficamos iludidos com o tendenciosismo que a emissora tinha, é verdade, pois até durante da crise política do governo João Goulart, já em 1963, a Rádio Globo AM montou, com a Rádio Tupi AM e a Rádio JB AM, com os microfones abertos até para o jornalista Carlos Lacerda, a Rede da Democracia, que naquele ano já havia lançado a proposta do golpe militar em vários de seus debates.

Por isso mesmo, a Aemização das FMs, seguindo o ritmo de esvaziamento gradual do dial de AM, está de acordo com os interesses de poder dos empresários de rádio. Poder econômico e poder político. Por mais que falem sempre no "cidadão". Até porque esse "cidadão" não passa de um boneco que representa os interesses empresariais, de concentração de poder econômico e político. A Holanda e a Irlanda não extinguiram o rádio AM pensando na verdadeira cidadania, mas em interesses tecnocráticos e de concentração de poder de grupos de radiodifusão.

Mas os pretensos radiófilos que só fazem falar nas colunas de rádio, juntamente com os colunistas de rádio chapa-brancas (porque acabam numa hora ou em outra defendendo os interesses empresariais) vão falar nas terríveis novidades do rádio com o deslumbramento de um filho caçula que vê o Papai Noel chegando.

E esse pessoal, quando contestado, se irrita e tenta argumentar mais do que nós. Sem serem muito convincentes, diga-se de passagem.