quinta-feira, 8 de abril de 2010

MORRE MALCOLM MCLAREN, PRECURSOR DO PUNK ROCK



Morreu na manhã de hoje, por efeitos de um câncer raro, mesotelioma, o empresário e músico inglês Malcolm McLaren, inventor dos Sex Pistols e idealizador do punk rock.

Figura das mais hilárias, até na morte ele causou controvérsias, no desencontro de informações sobre onde ele havia morrido. Um agente de McLaren disse que ele morreu em Nova Iorque. Já sua namorada disse que ele morreu num hospital da Suíça. Ele será enterrado no cemitério Highgate, em Londres.

McLaren era figura excêntrica e controversa. Formado pela St Martin's College Of Art e no Goldsmiths College, era casado com Vivienne Westwood, estilista até hoje em atividade, quando o casal, sócio da loja de roupas de Londres, Sex (antiga Let It Rock), viu os músicos Steve Jones e Paul Cook frequentarem o local e pesquisarem roupas. Os dois queriam montar uma banda, The Strand, que tinha ainda Glen Matlock e outro músico. Steve Jones seria o vocalista, e o grupo chegou a ensaiar nesta formação, até que outro frequentador, John Lydon, por sua personalidade niilista e rebelde, foi chamado para entrar no grupo, com Steve remanejado para a guitarra. Era a origem dos Sex Pistols.

Mas antes dos Sex Pistols, McLaren era empresário do grupo protopunk New York Dolls, e um dos episódios engraçados ficou por conta do fim do grupo, já que McLaren, nessa época morando em Nova Iorque, fez de tudo para manter o grupo unido, inclusive presentear o guitarrista com uma guitarra. Tudo foi em vão. Por isso é que McLaren se consolou com a impossibilidade de manter as "bonecas" unidas, investindo nos Sex Pistols.

Malcolm McLaren fez vários projetos musicais. Tinha o ideal punk em sua veia, mas dentro daquela mentalidade volúvel, sem se prender exatamente ao som. Por exemplo, o vídeo abaixo, da música "Soweto", que rolou muito na saudosa rádio niteroiense Fluminense FM - meu Deus, Malcolm McLaren morreu junto com o povo do Morro do Bumba! - , tem influências que vão do violino folk às influências de reggae misturado e pós-punk.

O mais recente disco de McLaren foi lançado no ano passado, chamado Shallow - Musical Paintings.

Puxa, vida, mas como morreu muita gente do pessoal do punk rock...

O GLOBO INVESTE CONTRA AS 40 HORAS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Se eu, pessoalmente, já acho injusto uma jornada diária de 40 horas para os trabalhadores (porque já é uma jornada longa, que ocupa todo o período diurno), imagine mais. Além disso, Veja também adotou postura semelhante anos atrás.

Por Altamiro Borges, Blog do Miro

No editorial desta terça-feira (6), O Globo voltou a atacar os avanços nos direitos trabalhistas com um discurso que lembra muito o dos escravocratas na época da abolição. No final do século 19, usando uma retórica terrorista, os senhores de escravos garantiram que o fim da escravidão levaria o país ao caos, inviabilizaria o seu desenvolvimento econômico e geraria mais miséria e depravações sociais. O Brasil foi o último das Américas a extinguir a escravidão e o presságio da Casa Grande não se confirmou; o país cresceu e se desenvolveu – ainda que de forma injusta.

Hoje, com o mesmo tom apocalíptico, a famíglia Marinho investe contra dois projetos em debate no parlamento. O editorial é taxativo: “Há prejuízos decorrentes de alguns destes projetos que são indiretos, mas nem por isso são menos deletérios. Caso das propostas de redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 e a da ampliação da licença-maternidade compulsória de quatro para seis meses. São aparentes generosidades que elevam o custo de pessoal para os empregadores e, por isso, como bumerangue, voltam na forma de menos empregos formais”.

Mentalidade escravocrata do capital

O jornal carioca, que não esconde a sua torcida pela candidatura neoliberal do tucano José Serra, também aproveita a discussão sobre os projetos de lei para fustigar a “generosidade” do governo Lula. O alvo escolhido é o ministro Carlos Lupi. “Seu ministério, o do Trabalho, funciona com uma usina demagógica de elaboração dessas propostas – e faz questão de dar um tom de ‘vitória a qualquer preço’ em defesa da candidatura de Dilma Rousseff”.

Os ataques do jornal O Globo não são gratuitos; expressam a visão retrógrada do empresariado. Num artigo recente na Folha, Benjamin Steinbruch, chefão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), que nunca reclamou da “generosidade” do governo na privataria do setor siderúrgico, também condenou a redução da jornada. Para ele, a aprovação deste projeto “seria certamente uma irresponsabilidade... O custo final dessa alteração, feita no embalo do ano eleitoral, poderia ser muito alto para o país”.

Redução estimula o desenvolvimento

Os argumentos escravocratas do jornal O Globo não têm qualquer consistência. Vários estudos demonstram que a redução da jornada, além de gerar mais vagas e permitir uma vida bem mais decente para os que já estão empregados, serviria também para impulsionar o desenvolvimento econômico do país. A medida estimularia o mercado interno ao gerar mais emprego e renda, o que eleva consumo e, conseqüentemente, a produção e a própria produtividade do trabalho. A redução da jornada não resulta em caos, mas sim em progresso econômico e social.

O Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas calcula que a medida abriria, em curto prazo, 2,3 milhões de vagas. Recente nota técnica do Dieese aponta que “num contexto de crescente demanda por mão-de-obra qualificada, a redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, poderia contribuir positivamente para este desafio, na medida em que sobrariam mais horas para o trabalhador freqüentar cursos de qualificação... Ela também tornará possível, ao trabalhador, dedicar mais tempo ao convívio familiar, estudo, lazer e descanso”.

Nada de “demagogia” ou “generosidade”

“Esses fatores desencadeados pela redução da jornada sem a redução de salários poderiam criar um círculo virtuoso na economia, combinando a ampliação do emprego, o aumento do consumo, a elevação dos níveis da produtividade do trabalho, a melhoria da competitividade do setor produtivo, a redução dos acidentes e doenças do trabalho, a maior qualificação do trabalhador, a elevação da arrecadação tributária, enfim um maior crescimento econômico com melhoria da distribuição de renda”, conclui o Dieese, desbancado as teses patronais e o editorial de O Globo.

A adoção das 40 horas também não seria nenhuma “medida demagógica” ou “generosidade”. O custo da força de trabalho no país é um dos mais baixos do mundo e a jornada encontra-se entre as mais altas. Com o crescimento da economia brasileira, as empresas têm auferido lucros recordes nos últimos anos. A elite burguesa está nadando em dinheiro e não tem do que reclamar. A sua ofensiva contra o projeto da redução da jornada, que está para ver votado no Congresso, expressa apenas a mentalidade escravocrata do empresariado e da sua mídia de aluguel.


Custo horário da mão-de-obra manufatureira em 2007:

Países US$

Noruega 48,50
Alemanha 37,66
Bélgica 35,45
Austrália 30,17
Reino Unido 29,73
Canadá 28,91
França 28,57
Itália 28,23
Estados Unidos 24,59
Espanha 20,98
Japão 19,75
Coréia 16,02
Singapura 8,35
Portugal 8,27
Taiwan 6,58
Brasil 5,96

Jornada média de trabalho (2006)

Países Horas semanais

Japão 43,5
Brasil 43,0
Chile 43,0
Suíça 41,2
EUA 41,1
Reino Unido 40,7
Canadá 39,6
Alemanha 37,6
Espanha 35,3

NITERÓI FOI MAIOR CASTIGADA PELAS CHUVAS NO RJ



Infelizmente, tinha que acontecer. E olha que os últimos anos de trovoadas, que em Niterói se concentravam sobretudo entre as áreas de Santa Rosa, Cubango e Caramujo, davam um aviso do socorro que as autoridades deveriam ter feito, salvando o degradado meio ambiente desses lugares.

A tempestade que caiu no Grande Rio castigou várias cidades. Niterói foi a pior delas, com mais de 80 mortos só até o fim da tarde de ontem. Além disso, na madrugada de ontem para hoje ainda houve outro terrível deslizamento, no Morro do Bumba, entre os bairros de Cubango e Viçoso Jardim, que atingiu mais de 50 casas. Felizmente, um amigo meu já havia saído bem antes do bairro. Salvou sua vida.

É um grande problema na Grande Niterói a favelização crescente, que degrada as áreas verdes dos morros, influindo até mesmo no clima. Nunca houve, nos últimos anos, um projeto de urbanização e inclusão imobiliária efetivos, expressivos e eficazes.

Realmente é uma decepção do prefeito Jorge Roberto Silveira, porque não teve iniciativa, nesta e nas suas gestões anteriores, de prevenir a tragédia. Hoje, não adianta dar entrevista em prantos, se nada fez para evitar tamanha tragédia, que tanta dor causa para os que ficaram e perderam seus entes.

Era preciso fazer alguma coisa para que Niterói pudesse de fato e na prática exercer o título de uma das maiores cidades em Índice de Desenvolvimento Humano.

CONGRESSO EMPURRA PROJETO FICHA LIMPA COM A BARRIGA



O congresso nacional - tenho que colocar esse nome em minúsculas - adiou a votação do projeto Ficha Limpa, de combate à corrupção eleitoral, apesar das milhares de assinaturas.

Enquanto isso, os parlamentares mantém em tramitação a chamada Lei Maluf - de autoria dele mesmo, o arquicorrupto Paulo Maluf - , que responsabiliza pessoalmente, com previsão de pagamento de indenização, o membro do Ministério Público que supostamente agir de forma política ou de má-fé. É evidente que Maluf legisla em causa própria, já que há tempos é processado por corrupção, sobretudo pelo Ministério Público.

Isso mostra o grande descaso dos membros do Poder Legislativo com o povo, salvo pequeninas exceções. Mas nem por isso se deve defender o fechamento do Congresso Nacional, como pregam alguns pseudo-rebeldes de plantão. Afinal, de que adianta fechar o Congresso e votar sempre nos mesmos corruptos? O Poder Legislativo, como instituição, é excelente, o problema são os homens que trabalham nesta esfera do poder.

Mas que o adiamento da votação do projeto Ficha Limpa nos envergonha, isso é verdade. Tudo para não punir os corruptos, pelo menos até as próximas eleições.