segunda-feira, 5 de abril de 2010

A DECADÊNCIA INEVITÁVEL DO BIG BROTHER BRASIL


A mídia gorda, com o apoio tímido da "mídia boazinha", e com o respaldo entusiasmado da "mídia popozuda" (mídia populista), pode fazer o possível para manter o Big Brother Brasil em pé. Mas, como médicos tentando reanimar um moribundo em estado terminal, certamente chegará um tempo em que os esforços desesperados se tornarão inúteis, diante do último suspiro do paciente.

Pois o Big Brother Brasil já teve seu auge no ano passado. Hoje parece que continuou em alta, mas não é bem assim. A mídia é que tentou pintar de vermelho o tomate podre e transformá-lo em caqui. A Rede Globo pôs celebridades para visitar a casa do BBB 10, pôs cantores para se apresentarem lá - incluindo a luso-canadense Nelly Furtado - , encheu muita linguiça para evitar o começo da decadência, e tentar transformar fracasso em sucesso retumbante. Aparentemente, conseguiu, mas pensando bem, nem tanto assim como seus defensores esperavam.

A própria decadência está na alma do BBB. Vejam como aparecem os integrantes das várias edições do BBB - desconto as raras exceções, como a ótima atriz Grazi Mazzafera e o jornalista Jean Willys, meu ex-colega da UFBA, que são talentosos e se projetaram bem antes de entrar no BBB - na mídia.

Não há variação. Somente noitadas, noitadas, noitadas. Curtição, curtição, curtição. A coisa é tão artificial, tão frouxa e superficial, que as garotas do BBB acabam ficando muitas vezes sem namorado, numa lerdeza amorosa que contrasta com a "vida movimentada" das boates a todo dia e toda hora. Ou seja, num ambiente onde elas poderiam arrumar um namorado atrás do outro, num rodízio consecutivo de uns quatro meses, elas acabam ficando meses e meses sem namorados, até que na última hora tenham que pegar meninotes que ainda estudam nas faculdades.

O que elas fazem de importante? Nada! Mas como fazem o papel de verdadeiros propagandistas de um estilo de vida que empolga a facção mais alienada e reacionária da juventude, que existe aos montes nos Orkut, Twitter e Facebook da vida, esses BBB's são "realmente muito importantes", dentro de um "ideal de vida" onde a finalidade da vida humana é ganhar dinheiro, ser famoso e ir para as boates. E cujos "heróis" musicais acabam sendo Michael Jackson, Beyoncè, Mamonas Assassinas e Ivete Sangalo.

Mas, no mundo de pessoas que não desperdiçam a maior virtude que faz o ser humano ser diferente de outros animais, que é o de pensar, os BBB's não representam outra coisa senão o vazio, o oco. Que graça tem para um homem legal namorar uma BBB que só pensa em noitadas, noitadas, noitadas e mais noitadas? O cara quer uma mulher para levar ele para exposição de artes plásticas, e ela quer ir para um desfile de moda chinfrim? O cara quer uma mulher para lhe indicar um livro bacana de um intelectual, e ela lhe vem com um reles livrinho de auto-ajuda? O cara quer uma mulher para ir com ela a um concerto de jazz, e ela o leva para um "baile funk"? O cara quer conversar coisas interessantes com ela, e ela vem com ninharias sobre amigas e ex-pretendentes?

No caso dos homens, nem se fala. Os homens do BBB também querem noitadas, noitadas, noitadas e mais noitadas. E vendo que o BBB 10 teve como vencedor o brutamontes Dourado, o pitboy da "novelinha tosca" que é o riélite, então dá para perceber que os espectadores do BBB são os mais imbecis do país, salvo os que assistiram ao programa em busca de algum erro para escrever nos seus blogs, ensaios ou monografias. Se bem que a supergracinha deliciosa, mas imperfeita, Deborah Secco, participou sozinha das mais de três mil votações no Dourado.

Anuncio aqui o começo da agonia do Big Brother Brasil. Como um médico que diz que o paciente xis está em estado gravíssimo de enfermidade. A mídia fará tudo para manter o BBB em pé, o BBB 11, comemorativo dos dez anos, deve ter até festa. Mas vou avisando que a desesperada ação da mídia em tentar salvar a atração se aproximará mais nas manobras dos jovens do filme Um Morto Muito Louco, e o BBB mais parecerá um morto-vivo a assombrar nossos lares alguns anos a mais. Quem for inteligente, que desligue a televisão. Toda a mídia sobre celebridades já fala demais das "intrigas" dos BBB's.