sexta-feira, 2 de abril de 2010

CIRCO VOADOR TENTA RELANÇAR TATI QUEBRA-BARRACO


O EX-VANGUARDISTA CIRCO VOADOR, CASA DE ESPETÁCULOS NA LAPA, CENTRO DO RIO DE JANEIRO.

Há muito tempo, personalidades e instituições modernas, que de alguma forma representaram a vanguarda cultural de nosso país, se acomodaram e se venderam ao establishment da forma mais abjeta.

Vemos Pedro Bial, ex-poeta performático, comandando o BBB e a cúpula do Instituto Millenium (que tem até os medievais do Opus Dei). Vemos Patrícia Pillar, antiga atriz de vanguarda, se vender para um direitista brega como Waldick Soriano. Vemos outra ex-atriz de vanguarda, Regina Casé, se vendendo para o mais grotesco popularesco. Vemos Arnaldo Jabor, antiga figura dos CPC's da UNE e do Cinema Novo, se transformar num articulista reacionário e ranzinza.

Mas também as instituições se derrubam, como as pessoas. O Circo Voador já foi cenário de movimentos vanguardistas, mas se vendeu ao retrocesso do "funk carioca". Tem até um evento cinicamente batizado "Eu Amo Baile Funk", que ocorre há um bom tempo e desta vez promete relançar a decadente Tati Quebra-Barraco, que pelo jeito se limitará a mostrar seus "grandes sucessos", porque música nova ela não tem mesmo fôlego para criar e, se tentar criar uma, será apenas uma pálida sombra dos sucessos de outrora.

Pior é que mesmo a Fundição Progresso, que Perfeito Fortuna - antigo colega de Regina Casé no Asdrúbal Trouxe O Trombone - , fundador do Circo Voador, criou ao se divergir com Maria Jucá, também se vendeu ao popularesco, estabelecendo parcerias até com a horrenda FM O Dia, para apresentar grupos de sambrega, funqueiros e tudo. E também deu o mesmo aval ao "funk carioca" que o Circo Voador, ambos com base naquela campanha etnocentrista que a intelectualidade fez do ritmo popularesco, como se fosse a "dança do tamanduá africano" às avessas.

Para quem não entendeu a comparação, é bom deixar claro que houve o filme Namorada de Aluguel, de 1987, com Patrick Dempsey, o mesmo galã de Grey's Anatomy, fazendo o papel do nerd que "compra" uma garota para ser sua namorada. A certa altura, o personagem de Dempsey - que era irmão de um pirralho, vivido pelo também hoje famoso e atuante Seth Green - assiste a um programa de televisão para aprender um tipo de dança. De repente, sem ele saber, há uma dança folclórica, a "dança do tamanduá africano", que ele transforma depois num modismo dançante que empolga os colegas numa festa.

Pois o "funk carioca" tornou-se o contrário. Foi um mero modismo dançante que certos intelectuais tendenciosos queriam transformar em "dança folclórica". Numa atitude bem menos infeliz que o personagem de Patrick Dempsey.

Certamente, o Circo Voador de hoje só é "vanguardista" para os patéticos jornalistas da mídia mais populista, que nem sabem que a coisa mudou, que o passado foi traído e hoje não passa de uma lembrança frágil.

Francamente, a intelectualidade tentando fazer blindagem do "funk carioca" é a coisa mais ridícula que se viu neste país, o que não ajuda em coisa alguma na melhoria social do povo pobre, que, pelo contrário, se torna escravo de um ritmo que impõe valores sociais chulos, com o perverso cinismo de nos acusar de moralistas na medida em que rejeitamos essa grosseria sonora e todos os seus símbolos. Pois se é para ser "moralista" assim, prefiro ser um "moralista" do que ser um intelectual bundão. Não abro mão de meus princípios.

DISCO COM "PRECIOSIDADES" DE JIMI HENDRIX SÓ TRAZ UMA FAIXA INÉDITA



Por Arthur G.Couto Duarte - Estado de Minas

Na véspera do 40º aniversário de sua morte, Jimi Hendrix volta a ocupar o centro das atenções do mundo pop. Em sua última edição, publicada em 17 de março, o guitarrista não só aparece em toda a sua psicodélica majestade na capa da revista Rolling Stone norte-americana, como fez por merecer vasto artigo assinado por seu editor, David Fricke, no qual os últimos dias vividos por Hendrix, bem como suas lendárias “gravações perdidas”, são investigados em detalhe.

Em sincronia com tal data histórica, o conglomerado Experience Hendrix também disponibilizou em 8 de março o CD Valleys of Neptune (no Brasil, distribuído pela Sony Music), ao qual comparecem apenas registros inéditos em estúdio de Jimi Hendrix junto ao trio Experience. Gravado ao longo de turbulentos quatro meses, a maior parte durante a primavera de 1969, o disco traz as últimas músicas que Hendrix tocou ao lado de Noel Redding e Mitch Mitchell, ao mesmo tempo em que antecipa seu reencontro com o baixista Billy Cox, de quem era amigo desde os tempos em que servira no Exército ianque, como paraquedista.

Apesar de todo o frisson armado em torno do lançamento, Valleys of Neptune não traz novas luzes ou insights impensados sobre o legado do guitarrista dos guitarristas. Na verdade, das 12 faixas incluídas no CD, apenas uma (!) – a saber, a própria Valleys of Neptune – é rigorosamente inédita. Quanto às demais, qualquer fã de Hendrix que se preze já terá tido acesso a elas em dezenas de outras variações.

Entre sobras e reinvenções de velhas canções, os poucos destaques ficam por conta da versão – aditivada pela percussão do convidado Rocki Dzidzornu, um habitué das gravações dos Rolling Stones – de Sunshine of your love, do Cream; a suingada e bem definida releitura de Stone free e uma estupenda reedição do arrastado blues Red house.

Quanto às demais faixas “inéditas”, alguém deveria ter avisado Janie Hendrix – a famigerada meia-irmã do guitarrista e detentora de seu acervo – que Lullaby for the summer, Ships passing through the night, Crying blue rain e Mr. Bad Luck nada mais são que protótipos das conhecidas Ezy rider, Look over yonder, In from the storm e Night bird flying, respectivamente. Pelo exposto, melhor aguardar pelo há muito ansiado álbum – verdadeiramente inaudito e ainda sem título! – de Hendrix ao lado de Stephen Stills, seu parceiro desde os primórdios do Crosby, Stills, Nash & Young.

O VERDADEIRO SOM UNIVERSITÁRIO - I - ELIS REGINA


Reagindo aos ritmos "universitários" recentemente lançados, iniciamos uma nova série mostrando a verdadeira música universitária brasileira. Para começar, vamos de Elis Regina que, embora não tenha tido formação universitária, conforme a cantora disse numa antiga entrevista, fazia parte do cenário musical universitário, influenciado fortemente pelos Centros Populares de Cultura da UNE.

Aqui vemos ela interpretando "Arrastão", que Edu Lobo compôs sobre um poema feito por Vinícius de Morais.