sábado, 27 de março de 2010

CRISE NO PSOL



Divergências internas começam a dar problemas no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Consta-se que uma parte do partido não está satisfeita com a escolha de Plínio de Arruda Sampaio como pré-candidato à Presidência da República pelo partido. A coisa está tão feia que o próprio site do PSOL chegou a ficar fora do ar.

Será isso uma maldição do nefasto "funk carioca", cujo lobby havia seduzido alguns políticos do partido de linha trotskista?

BIG BROTHER BRASIL DESVIA A ATENÇÃO PARA COISAS MAIS IMPORTANTES



Infelizmente, a mídia golpista chega a investir, junto com a mídia "boazinha" e com a mídia populista - esta vista como "acima de qualquer suspeita", como um bandido que ataca de noite, às escuras - , na tolice do Big Brother Brasil e seus "dramas pessoais" que no fundo não têm importância alguma nem acrescentam coisa alguma para nossas vidas.

Cria-se um suposto machão, Dourado, e há também supostos gays e lésbicas. Cria-se um debate do nada, quando discutir o homossexualismo do BBB não vai resolver em coisa alguma a violência que os homossexuais da vida realmente real sofrem nas ruas, sobretudo de parte dos punks-fascistas.

É constrangedor ver jornais e revistas falando tantas bobagens sobre BBBs, sobre uma atração tão tola que chega a servir de "maldição" para as musas lançadas pelo programa, que passam a ter dificuldade para arrumar namorado, ou então pegam o rapazote que estiver de plantão. Se nem a bonitinha da Francine Piaia conseguiu namorado (o pretê que ela arrumou no Superpop já rompeu com ela)...

Francamente, não vejo a hora não somente do BBB 10 acabar, como se extinguir a atração como um todo. Mas a atração infelizmente faz parte do perverso projeto da mídia golpista em manipular o povo, recrutando pessoas comuns para servir de espelho para a plateia alienada. O Big Brother Brasil conta com a apresentação do poeta performático do Instituto Millenium (entidade que conta com o apoio até do medieval Opus Dei!), Pedro Bial. E é dirigido pelo yuppie-universitário Boninho, que nos anos 80 dirigiu aqueles horríveis vídeoclipes que copiavam, muito mal, a estética de "More Than This" do Roxy Music, numa época em que eu sonhava em ver clipes brasileiros em película, como os ingleses.

Mas parece que a atração, apesar de tanta apelação - convidaram até a luso-canadense Nelly Furtado para se apresentar lá - , já começa a declinar. Seu auge já foi no ano passado. A mídia popularesca tenta manter todos os valores e referenciais, mas seu declínio é certo. Mesmo com a cara feia de seus defensores, para os quais só resta agora aprender a chorar. De verdade, não de forma encenada como essa sub-novela sem pé nem cabeça que é a série Big Brother Brasil.

PARLAMENTO FRANCÊS QUER COMBATER FRAUDE DO PHOTOSHOP


PAMELA ANDERSON - O Photoshop ainda engana muitos marmanjos...

O parlamento da França lançou um projeto para alertar sobre a fraude do Photoshop para "embelezar" visualmente as modelos do mundo inteiro. O projeto foi criado pela parlamentar Valerie Boyer, para combater a prática usual de maquiagem digital feita pelas revistas e sites para manter a aparência "sempre jovem" e "em forma" das mulheres. Mas a fraude também é usada para retocar imagens de homens, sobretudo em campanhas eleitorais ou mesmo em reportagens na mídia e no colunismo social.

Todo tipo de musa é vulnerável a essa técnica, e mesmo mulheres sofisticadas como Sharon Stone e Liz Hurley, que com suas rugas são naturalmente lindíssimas, tiveram sessões retocadas com Photoshop. Mas até a supergatíssima Jessica Alba, numa campanha da bebida Campari, também recebeu o retoque digital.

Em apoio à iniciativa, a revista Elle francesa publicou uma reportagem com celebridades fotografadas sem o recurso do Photoshop. É uma forma de mostrar as pessoas de forma natural, sem a maquiagem digital.

A fraude do Photoshop foi usada por muitas sessões de revistas como Playboy, além de anúncios publicitários, seja para "rejuvenescer" ou para "emagrecer" ou "redesenhar" fisicamente muitas personalidades. No Brasil, várias musas popularescas associadas ao "funk" e ao porno-pagode teriam "torneado" seus corpos roliços com a técnica do Photoshop, aplicativo da marca Adobe muito famoso, e que o concorrente Corel tem um similar, o Photo Paint.

Mas nos EUA, vemos casos como o da atriz Pamela Anderson, que se tornou bastante feia e envelhecida devido a uma plástica mal-sucedida, se "embelezar" em certas sessões de fotos, mesmo em eventos sociais, graças ao programa Photoshop. O truque engana muita gente, porque Pamela nunca foi grande coisa (eu, por exemplo, sempre achei ela sem graça), está com aparência decadente, mas com o Photoshop há quem diga que ela "continua quente e sexy". Tudo por conta de meros arquivos JPG retocados digitalmente.

RENATO RUSSO FARIA 50 ANOS



Eu me lembro como se fosse ontem de quando a Legião Urbana lançou suas gravações em fita demo pela Fluminense FM. Bons tempos aqueles em que o rádio AM não sofria a concorrência desleal das FMs, e que a música brega-popularesca, mesmo ligada às oligarquias dominantes, não se colocava acima da MPB.

A Legião Urbana era uma banda de rock emergente, não havia feito mais que um ano de existência em 1984, e o grupo mesclava em seu repertório músicas novas, da fase intermediária do Trovador Solitário (primeira investida solo de Renato) do tempo do Aborto Elétrico, a banda punk de Renato Russo, que marcou história no cenário de Brasília. Apesar disso, Renato era um carioca da gema, tendo nascido na Ilha do Governador há 50 anos.

Nascido Renato Manfredini Jr., ele ficou doente na infância, viveu alguns anos nos EUA, leu muitos livros, trabalhou como professor de inglês em Brasília. Era intelectualizado para os padrões meramente revoltosos do punk rock brasileiro, que era coisa de proletário ou de cidadão de classe média baixa. Mas tornou-se, mesmo assim, um importante menestrel punk, numa abordagem crítica e ácida dos fatos.

Não é preciso explicar os primeiros versos de "Que País é Este?", que o Aborto Elétrico tocava em 1978: "Nas favelas / No senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que país é este?". Retrato contundente dos tempos da ditadura? Pode ser, mas os versos fazem sentido se relacionados aos nossos dias. E qual o "funk carioca", qual a axé-music, qual a "conscientizada" dupla de "sertanejo universitário" terá coragem de escrever versos assim tão raivosos? Ninguém, é claro. Nem os funqueiros "de raiz", tão metidos a se dizerem "de protesto".

A Legião Urbana durou apenas treze anos. De 1983 a 1996. No final de 1984, foi lançado o primeiro LP, que considero o mais "cru" da banda. Tem até música que critica a juventude alienada, "A Dança", que era endereçada aos playboys dos conjuntos da Colina, em Brasília, mas pode muito bem ser endereçada aos jovens de hoje com arrogância reacionária, defendendo o brega-popularesco, o emo, as noitadas compulsivas, as gírias ridículas, o "internetês" ou qualquer onda da grande mídia com mãos de ferro.

Como os Beatles, a Legião Urbana teve duas fases. A primeira foi de 1984 a 1988, mais punk, só que dentro da perspectiva pós-punk, devido ao trabalho melódico (com ecos de U2 e Smiths). Havia ênfase nas letras políticas e nas temáticas sociais. Mas havia espaço para coisas pouco convencionais, como a longa faixa "Faroeste Caboclo", de 1987, originária da fase Trovador Solitário de Renato, com um enredo que certamente agradaria Glauber Rocha se ele tivesse vivido para ouvir a música.

Antes da segunda fase, houve um incidente em Brasília, em 18 de junho de 1988. Renato Russo se desentendeu com a plateia, que em boa parte estava desequilibrada, confusa, revoltada. Renato desistiu da apresentação e então houve um quebra-quebra, com vários feridos. A banda deixou de se apresentar em Brasília. Algo comparável ao cancelamento das apresentações ao vivo dos Beatles em 1966.

A segunda fase veio, portanto, logo depois, quando Renato Russo passou a trabalhar temas pessoais, mais emotivos e existencialistas. Seu lirismo a princípio causou estranheza, até mesmo a mim. Mas só depois pude entender o sentido de "Disciplina é liberdade" e "Você culpa seus pais por tudo / Isso é absurdo". Versos bem diferentes do que Renato escrevia cinco anos antes, mas pensando bem sempre dentro do estilo dele. Renato Russo apenas mudou seus interesses, pensava menos em política e mais nos seus dramas pessoais. Como Bob Dylan que deixou de fazer letras de protesto para trabalhar temas mais complexos e existenciais.

Renato Russo investiu depois em carreira solo. Não no contexto do Trovador Solitário, mas a princípio gravando covers. A essas alturas, ele já tornou-se querido pela MPB autêntica, compondo com Leila Pinheiro, Marisa Monte e Flávio Venturini, entre outros. Gravou música italiana, o que causou estranheza. Mas o sobrenome Manfredini explica a ascendência italiana. E Renato admitia que era um trabalho que não cabia em sua banda.

Nos últimos meses de vida, infectado pelo vírus HIV e sofrendo de anorexia, Renato estava amargurado com o país e com os dramas pessoais. Era homossexual e sofreu uma desilusão amorosa com um namorado. Mas estava revoltado com os rumos do país de FHC. O último álbum da Legião Urbana, A Tempestade ou o Livro dos Dias, foi lançado em 1996 e era melancólico. É desse álbum a música mais triste da banda, "Natália", relato amargurado dos rumos do país.

Renato Russo morreu pouco depois do lançamento do LP, em 11 de outubro, aos 36 anos. Mas tornou-se desprezado por uma geração esnobe e alienada de jovens, fanáticas por grupos tipo Charlie Brown Jr., por noitadas e curtição excessiva. A juventude dessa época personificou bem o retrato lamentado por Renato Russo em "A Dança": "Você é tão esperto / Você está tão certo / Que você nunca vai errar / Mas a vida deixa marcas / Tenha cuidado / Se um dia você dançar".

Mas um dia as bandas de proto-emo, os funqueiros, os "sertanejos universitários", todos eles passam, e a boa música é a que fica. Mesmo morto, Renato Russo vive e viverá para quem aprecia seu talento, sua obra e sua vida.