quarta-feira, 24 de março de 2010

EDU LOBO DEPENDE DE TELEJORNAL PARA RETOMAR A CARREIRA


De fato, é uma notícia digna de telejornais ou artigo de imprensa. No entanto, o contexto é de pura dependência dessa mídia para a MPB autêntica, injustiçada e discriminada do grande público, manter algum cartaz na mídia, dentro do mercado perverso em que vivemos.

Enquanto mediocridades como Belo pensam em se apresentar na Europa, só esperando chegar às mãos o investimento necessário para isso - já que existem quem invista nele - , e reacionários ainda perdem tempo defendendo Alexandre Pires e Zezé Di Camargo em mensagens de baixo nível contra nosso blog, os verdadeiros artistas são os verdadeiros injustiçados.

Sim, porque enquanto um Waldick Soriano, no final da vida, se dá ao luxo de ter uma recepção digna de um velho "coronel" do Nordeste, Edu Lobo e Carlinhos Lyra, antes jovens galãs e grandes artistas, junto a Chico Buarque, da MPB engajada dos anos 60, talentos surpreendentes já naquela época, hoje são dois humildes cantores em busca de divulgação. Chico ainda parece no portal Ego (Organizações Globo) com uma possível nova paquera.

Mas Edu e Carlinhos não contam com a mesma sorte. Carlinhos Lyra, recentemente, apareceu na sede da União Nacional dos Estudantes com uma humildade autêntica que não existe num Odair José da vida. E Edu Lobo, com uma simplicidade de um artista que passou por dificuldades e ficou até doente, apareceu hoje no Bom Dia Brasil.

Edu afirma que, depois de 15 anos, quer gravar novo disco, com inéditas, e fazer concertos mostrando novas músicas e antigos sucessos, sobretudo "Arrastão", "Upa Neguinho" e "Lero-Lero". "Lero-Lero" tem um refrão que poderia ser muito bem a queixa de nós, nerds, contra as marias-coitadas que nos assediam e contra o comprometimento afetivo das mulheres classudas: "Sou brasileiro / Estatura mediana / Gosto muito de fulana / Mas sicrana é quem me quer".

Edu Lobo era um discípulo dos grandes mestres da MPB. Hoje ele também é um dos mestres. É, também, o verdadeiro representante da nossa música universitária, do contrário que os neo-bregas "universitários" de hoje, mais próximos dos "universotários" previstos por João Penca & Seus Miquinhos Amestrados nos anos 80.

E, numa época em que os ídolos popularescos tentam se enrolar na mídia com covers, duetos, DVDs ao vivo e visitas ao Faustão na TV aberta, o retorno de um grande nome da nossa música autenticamente brasileira é uma notícia e tanto.

"RIVALIDADE" ENTRE "FUNK" E PORNO-PAGODE PODE ACABAR



Ao que parece, o acordo do porno-pagode baiano e do "funk carioca" em não fazerem sucesso ao mesmo tempo pode acabar. Nem mesmo os Beatles e os Rolling Stones, que fizeram acordo para um não lançar compacto ao mesmo tempo que o outro, tiveram tamanha negociação.

Pois agora haverá uma versão funqueira do "Rebolation" (REBOLEJO), sucesso do grupo de porno-pagode baiano Parangolé. Os funqueiros Taty Gomes e MC Ronaldo, que integram o embuste A Princesa e o Plebeu, resolveram gravar a música, depois que se apresentaram no Carnaval baiano.

Agora que o "funk" firmou mercado e o É O Tchan fará 15 anos de existência, o rebolejo, herdeiro das baixarias do Tchan, conta com o apoio do "pancadão" para a "bunda music" voltar ao sucesso nacional depois de dez anos.

RIVAL DA IURD LANÇA COLETÂNEA DE RÉGIS DANESE



Coisa de louco. Ninguém prestou atenção a essa situação que contaremos a seguir.

Régis Danese, um cantor evangélico de muito sucesso nas rádios do país, é contratado pela Line Records, gravadora religiosa ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do "bispo" Edir Macedo.

Mas sua coletânea é lançada pela Som Livre, que lançou outros títulos da Line Records em outras coletâneas.

Só que a Som Livre é propriedade das Organizações Globo, que, sabemos muito bem, é arquiinimiga da Igreja Universal do Reino de Deus, a ponto da Rede Globo e do jornal O Globo trocarem acusações com a Record e IURD por meio de "reportagens investigativas" dos dois lados.

Não bastasse ser curioso que ex-jornalistas da Rede Globo, como Celso Freitas e Lúcio Sturm, hoje fazerem reportagens em defesa da IURD, combatida pelos antigos patrões.

Vá alguém entender uma coisa dessas.

O DISCURSO HIPÓCRITA DOS FANÁTICOS MODULADOS



Na farra da Aemização das FMs atingindo seu último foco de resistência, o rádio do Rio de Janeiro, surgem da noite para o dia adeptos eufóricos em embarcar na cauda do cometa.

Eu e meu amigo Marcelo Delfino, o corajoso e atuante autor do Tributo ao Rádio do RJ, parceiro meu do blog Preserve o Rádio AM, sentimos o drama da crise mundial que sofre o rádio AM e do esnobismo com que tecnocratas do rádio, radialistas e radiófilos fazem com o rádio AM digital, que eles afirmam ser um projeto "natimorto". Preferem o rádio FM analógico, e há 40 anos ouvimos a mesma lorota de que Aemão de FM é "novidade". Seja na periferia de Xapuri, seja na Av. Paulista, em São Paulo.

Pois eles agora tentam fazer um discurso esquisito. Dizem que nós, que lutamos contra a extinção da faixa de sintonia AM (Amplitude Modulada), somos "inimigos do rádio AM". Eles, que querem matar a pauladas a Amplitude Modulada e salvar meia-dúzia de emissoras AM transferindo-as para o FM, são "os amigos do AM".

É o mesmo discurso do criminoso passional perverso que vive dizendo que tirou a vida de sua esposa porque amava ela. Ou então é a mesma retórica do Amigo da Onça, aquele personagem de cartum famoso por desejar prejuízo aos outros de forma aparentemente cordial.

Felizes porque uma Rádio Globo AM terá, no Rio de Janeiro, uma afiliada em FM, ativando a "competitividade" das "rádios AM em FM" com a Rádio Tupi, CBN, Band News e a moribunda Transamérica, esses "fanáticos modulados" partem para o ataque, como um tal de "beltrame bahia", que chamou de "latidos" os meus textos, que certamente ele nem deve ter lido direito, é desses que, quando identificam alguma discordãncia com o que eles pensam, reagem em desaforos.

Sabe-se que "fanático modulado" é aquele que é fanático por rádio FM. Preferem um rádio FM fedendo a mofo do que um rádio AM recauchutado e novo. Preferem jogar velhas fórmulas do rádio AM nas FMs - na maior parte do país, as transmissões esportivas feitas em FM parecem retiradas de arquivos de 40 anos atrás, de tão caquéticas e sonoramente velhas - do que lançar novas ideias em rádio AM.

Portanto, o "novo" que esses fanáticos modulados tanto falam é o novo de aparência, de fachada. É mudar para permanecer o mesmo. Também tantou se falou da péssima programação da TV aberta, quando dos primórdios dessas baixarias. Falava-se em "vontade do povo", "mais agilidade na televisão", "mais realidade, mais humor, mais verdade", "mais interatividade".

Também houve um tempo em que muitos que criticavam figuras como Xuxa, Ratinho, Sônia Abraão e Wagner Montes eram tidos como "saudosistas", "nostálgicos", que a exibição de glúteos rebolativos na televisão, na hora do almoço e na mais explícita exposição à criançada, era o retrato do "novo" na televisão brasileira, o qual tínhamos apenas que respeitar e aceitar.

Não falam que o brega-popularesco é a "verdadeira cultura popular" e que nós, que o criticamos, somos "preconceituosos" e "invejosos"? Mas, em 1964, também a ditadura militar, que depois custaria a vida de muitas pessoas, simbolizava o "novo" da vida política nacional, em detrimento ao "velho nacionalismo" renovado por João Goulart. Tanto que, durante muitos tempos, a ditadura militar, conhecida como "ditabranda" pelos aliados do Grupo Folha, era oficialmente conhecida como "Revolução de 1964" e o regime militar, como "governo revolucionário". E quem falava mal não só era xingado e espinafrado, como poderia ser detido (com sua casa invadida e até vasculhada pelos militares), preso, torturado e morto.

A própria Aemização das FMs já é um projeto vindo da ditadura militar, das FMs interioranas de nosso país. Mas, para certos paulistanos, cariocas, gaúchos e belzontinos que vivem uma espécie de "bairrismo urbano", o latifúndio é o futuro, o coronelismo é a vanguarda. Daí defendem a "modernidade" da cultura brega-popularesca, quando ela é um subproduto do latifúndio. Daí defendem a Aemização das FMs, quando ela começou no coronelismo. Dai defendem o agronegócio, que insemina nas isoladas roças de nosso país o vírus do imperialismo que irá destruir os últimos focos de regionalismo brasileiro que existem.

No caso dos fanáticos modulados, a euforia que eles sentem em relação à entrada da "Rádio Globo AM" no rádio FM, ou na multiplicação de talk shows e jornadas esportivas, vai muito além da conta. É uma euforia maior que a festa. E, se a euforia é maior que a festa, é bom desconfiar. Algumas promessas de lucros extras, viagens para os países-sede da Copa do Mundo, assessorias em clubes esportivos, eletrodomésticos como brindes pelo apoio, enfim, é tanta mamata que não se dá conta.

É claro que ninguém vai assumir. É claro que, quando se fala que o Aemão de FM tem muito jabaculê, os caras não gostam. E jogam xingação, mensagem irritadinha, contra nós. Porque ninguém vai assumir algo que é feito às escondidas. José Roberto Arruda vai dizer que é corrupto? De jeito nenhum. Tenho pena das pessoas que, vendo que alguém é investigado por corrupção, perguntam ao corrupto se ele pratica corrupção. Ele, evidentemente, vai dizer que não.

A hipocrisia social está imensa, sobretudo através de pessoas arrogantes e metidas que se apressam em dizer, sobretudo no Orkut, que "odeiam hipocrisia". Mas praticam hipocrisias maiores do que as condenam, porque eles só condenam a hipocrisia que vai contra os interesses deles. Se ela vai a favor, eles aderem, e dizem que "não é hipocrisia".

Os fanáticos modulados agora forjam a imagem de "amigos do rádio AM". Acham que nós estamos atrapalhando o trabalho de expansão de certas emissoras tradicionais, por isso "somos inimigos do AM". Como somos "inimigos da democracia", para os militantes e membros do reacionário Instituto Millenium.

Eles defendem a supremacia de umas poucas FMs com roupagem de AM, aquelas ligadas aos detentores de poder, e pensam que defendem o rádio AM como um todo. O mesmo papo do "livre mercado" usado para justificar oligopólios, o que mostra o quanto o rádio brasileiro vive hoje uma fase de capitalismo selvagem.

Na inversão de valores causada pelo malabarismo retórico dos demagogos, nossa luta por justiça social é sempre vista como "maldade", "bondade" é defender os privilégios dos poderosos, é vibrar com as migalhas que as elites querem nos dar, como se fosse grande coisa. País recente, o Brasil ainda não consegue compreender a prepotência dos donos do poder, com suas palavras de mel que escondem peçonha nas ideias.

DESPERDÍCIO DE MATERIAL EDUCATIVO EM GOIÁS



Num depósito de lixo de Iporá, a 200km de Goiânia, foi encontrado um monte de material didático que deveria se destinar as escolas públicas de Goiás. Livros em bom estado de conservação e até relativamente novos, como alguns publicados há dois anos, estavam jogados entre o restante do lixo.

É vergonhoso que existam tantos casos assim, de desperdício de material educativo jogado no lixo, como se fosse coisa inútil. Mas para a "galera" que é viciada em entretenimento, isso tanto faz como tanto fez, porque o que esses jovens querem mesmo é curtição, noitadas, e não defender a educação pública e a cidadania. Eles escrevem mal, raciocinam mal, mas são gente abastada, protegida pelos pais ricos e bem-estruturados. Não são o povo que precisa tanto de ler livros, de aprender, de desenvolver e manter valores sociais sólidos.

O rol de absurdos que toma conta do nosso país é tal que não será surpresa se Luís Buñuel e Sérgio Porto renascerem das cinzas para processar a União por plagiar respectivamente O Fantasma da Liberdade
e o FEBEAPÁ.

O QUE SÉRGIO PORTO ESCREVERIA SOBRE PAULO MALUF



Se o jornalista Sérgio Porto ainda estivesse vivo, nos seus 87 anos de idade, com a paciência de ainda escrever textos satíricos através do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, certamente ele teria escrito a seguinte nota sobre Paulo Maluf:

"O ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, entrou em processo judicial contra o promotor novaiorquino que enquadrou ele e seu filho, Flávio Maluf, na lista de procurados pela Interpol.

O motivo da ação judicial, alegado pelo ex-governador, é que a inclusão na lista foi ilegal, apesar do envolvimento de Maluf e seu filho no esquema de superfaturamento de obras na capital paulista e em desvio de dinheiro público para contas no exterior.


Com isso, é iniciada a campanha de reabilitação do político paulista, que alega ter sido muito castigado pelas denúncias na imprensa e pelos processos judiciais. Espera-se também a articulação de passeatas de entidades da chamada sociedade civil, desde representantes das donas-de-casa até autoridades da Igreja Católica, para pedir o "Salve, Maluf", como forma de manifestar o carinho e o apreço pelo hoje deputado federal.

Está prevista também a realização de um grande show no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, também intitulado "Salve, Maluf", com a participação de cantores de sucesso nas rádios brasileiras.

Uma popular cantora de axé-music, cuja superexposição na mídia torna-a capaz de aparecer até em tributo de músicos esquimós da Groenlândia, teria confirmado presença".

ABSURDO: MALUF QUER PROCESSAR QUEM O PÔS NA LISTA DA INTERPOL



Brasil, país da impunidade. Impunidade não mais meramente legal, não mais meramente formal.

Agora a impunidade avança para outros meios, como a popularidade de certos corruptos e criminosos, e o direito deles de processar quem queira incomodá-los ou puni-los.

Alguém esqueceu, por exemplo, que Guilherme de Pádua quase entrou em processo contra a novelista Glória Perez, por conta de declarações desta contra o assassino da própria filha Daniella Perez? Até que ponto chegamos!!

E os processos que vários criminosos passionais fizeram contra programas e reportagens policiais que relembrassem seus crimes? Medo desses criminosos passionais morrerem de enfarte, surpreendidos na tranquilidade de suas impunidades, só pode ser. Eles que, como se não bastasse terem tirado a vida de suas mulheres, querem porque querem seduzir outras belas mulheres para serem suas namoradas.

Agora Paulo Maluf, que, junto com Fernando Collor, são os "maiores injustiçados" (sic) da política brasileira, junto com os generais da "ditabranda" de 1964-1985, quer processar o promotor que enquadrou ele e o filho Flávio na lista de procurados pela Interpol. Alega Maluf que a inclusão foi um ato ilegal do promotor.

A alma-gêmea baiana de Maluf, o ex-prefeito de Salvador, Mário Kertèsz, com um currículo político similar ao do político paulista (ambos são filhotes mimados da ditadura militar), com tantas denúncias oportunamente investigadas e divulgadas pelo meu ex-professor Fernando Conceição em 1990, já demonstrou seus dotes de astúcia e velhacaria.

Kertèsz já havia convertido seu declínio político-partidário a um sucesso fabricado como dublê de radialista e jornalista, seduzindo até políticos esquerdistas e blogueiros baianos que, frouxos, acabam murchando diante da missão de questionar as armadilhas do jogo político e midiático brasileiro, se limitando apenas a macaquear e copidescar o que eles leem em Carta Capital.

A impunidade avança seriamente que, daqui a pouco, haverá até passeata das entidades conservadoras defendendo os grandes corruptos, com direito a CD filantrópico com os "maiores" cantores brasileiros pedindo a salvação dos corruptos do ostracismo social e político.

Quanta coisa errada no nosso país. Fico bastante envergonhado com esse Brasil corrupto que insiste em existir.