segunda-feira, 22 de março de 2010

"REBOLATION" CONTA COM APOIO DO PiG



A revista Tititi, na sua edição mais recente, afirmou que o "rebolation" do Parangolé fez "tremer" a Europa e os EUA. Mais uma daquelas metáforas catastróficas sobre o sucesso de mais um fenômeno da axé-music ou do porno-pagode da Bahia.

Mas a revista Tititi, conforme informamos, é publicação da EDITORA ABRIL, espécie de revista Contigo mais popularesca ainda.

Juntando as peças: a Editora Abril é uma das empresas mentoras do Instituto Millenium - entidade direitista que conta com o apoio até do medieval Opus Dei! - , que edita a horrenda revista Veja, e que estabelece parcerias com a Folha de São Paulo, em vários projetos (como o portal UOL, por exemplo).

A revista Contigo, da Editora Abril, apóia explicitamente a axé-music e a Tititi, "irmãzinha" da Contigo, vai no embalo apoiando até mesmo as manifestações mais grotescas.

O que prova por A mais B que a mídia golpista protege e estimula a hegemonia da Música de Cabresto Brasileira.

MORTE DE RAPPER DINA DI NOS PÕE A PENSAR


A RAPPER BRASILEIRA DINA DI, NUMA DE SUAS ÚLTIMAS FOTOS, COM A FILHA ALINE.

Faleceu de complicações causadas pela infecção hospitalar, depois de ter dado à luz sua segunda filha, Aline, a rapper Dina Di, uma das maiores representantes femininas do gênero. Tinha apenas 34 anos.

Embora eu não seja um grande fã do hip hop brasileiro, respeito o movimento e reconheço sua legitimidade. Seus intérpretes não contam com o suporte midiático, marqueteiro e empresarial do "funk carioca", nem compartilham da futilidade dos funqueiros. O hip hop brasileiro busca ter identidade própria, e seus intérpretes são batalhadores.

Dina Di morreu porque teve que recorrer a uma clínica que, embora particular, era menos onerosa para quem veio da periferia. A clínica Master Clin, como as clínicas particulares de segundo escalão, não teve o cuidado suficiente de manter a higiene necessária para suas atividades, e Dina poderia muito bem ter sobrevivido se houvesse todo cuidado da clínica neste sentido.

A tragédia da rapper, no entanto, faz juntar dois mundos na indiferença a esse drama. Um mundo é o das "mulheres-frutas", que não são batalhadoras nem percebem o drama que as verdadeiras mulheres da periferia sofrem. Embora várias "mulheres-frutas" sejam de origem humilde, elas são logo jogadas para a mordomia do estrelato fácil, neste Brasil onde fama é sinônimo de futilidade.

Outro mundo é o dos grandes médicos particulares, sobretudo aqueles experientes, com mais de 55 anos, que aparecem nas colunas sociais com suas esposas mais jovens que eles. Ficam eles mais preocupados com viagens e outras formalidades (almoços "sociais", festas de gala, seminários), em exibir suas noções pedantes sobre artes plásticas. Eles também não sentem o drama de uma mulher que tem que recorrer a uma pequena clínica, quando poderia ter acesso a um bom hospital, ter assistência digna, necessária, e ter um parto sem qualquer problema.

Para Dani Di, só resta ela ser enterrada e ser lembrada com saudades por seus amigos, familiares e colegas de movimento hip hop. A sua segunda filha, orfã, viverá sem ter qualquer lembrança forte de sua mãe. Enquanto isso, as mulheres-frutas, indiferentes a isso, continuarão mostrando seus glúteos na mídia. E os grandes médicos cinquentões, exibindo sua elegância exagerada e suas opiniões pedantes e artificiais sobre artes plásticas nas páginas de Caras e congêneres.

"CURITIBANIZAÇÃO" DOS ÔNIBUS É PROJETO DA DITADURA MILITAR



Observando o perfil de Jaime Lerner no Wikipedia, pude notar que as raízes da "curitibanização" dos ônibus e outras medidas pragmáticas ligadas ao transporte mostram suas raízes na ditadura militar.

O pioneirismo de Curitiba nos anos 70, por volta de 1974, ainda em pleno AI-5, e seguindo uma orientação tecnocrática que os burocratas do acordo MEC-USAID sonhavam - lembrando que o ministro que tentou criar um projeto ditatorial para a Educação e para o movimento estudantil (substituindo a UNE por uma tal Diretoria Nacional dos Estudantes, que funcionaria como um órgão do MEC), Flávio Suplicy de Lacerda, foi reitor da UFPR - , mostrou o quanto o projeto atende aos interesses tecnocráticos, e não públicos.

O projeto camufla as empresas de ônibus em cores padronizadas quanto ao percurso. Aparentemente, a organização visual por trajetos ou tipos de ônibus disciplinaria o transporte, mas na prática isso não se deu. E, a cada vez mais, o transporte "pioneiro" de Curitiba não só perdeu o título - na verdade, discutível - de "melhor sistema de ônibus do país" como os cidadãos curitibanos, cada vez mais, demonstram sua indignação e fúria quanto às irregularidades do transporte.

As empresas se camuflam e não dá para a pessoa comum identificar a empresa que comete irregularidade ou não. Pouco importa se aquele busólogo ou raros passageiros conseguem identificar os ônibus, se a maioria tem dificuldade para tal, o desastre do sistema é inevitável. Além disso, soa uma grande piada resolver o problema de pegar ônibus errado com serviço de telefone celular monitorado por satélite. Isso seria o mesmo do que resolver o analfabetismo através do verificador ortográfico do Microsoft Word ou similar.

Jaime Lerner, o arquiteto idealizador da "curitibanização" dos ônibus, tem raízes profundamente conservadoras. Seu trabalho se deu durante a ditadura militar, num empenho tecnocrático que vimos em Heródoto Barbeiro e Delfim Netto. Filiou-se à ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e tornou-se prefeito biônico de Curitiba, quando assumiu a cidade pela primeira vez. Com a volta do pluripartidarismo, Lerner ficou no PDS, a encarnação seguinte da ARENA. Depois de um intervalo numa fase frouxa do PDT, voltou à direita através do PFL e hoje permanece no DEM.

Embora tenha algumas virtudes, o projeto da "curitibanização" mostra cada vez mais que não é mais do que um plano tecnocrático para o transporte, seguindo a mesma filosofia dos planos econômicos de Roberto Campos e Otávio Bulhões no governo Castelo Branco, seguidos depois por Delfim Netto nos governos Costa e Silva e Médici.

A "curitibanização" é linda na teoria, mas adota medidas anti-populares, como a redução das frotas dos ônibus (tradicional motivo de queixas dos passageiros), utopicamente resolúveis através de "vias exclusivas" e rápidas.

Transforma-se o ônibus num arremedo de trem com QI de van. O Estado controla as linhas e os transportes, mas quem arca com os reparos técnicos e os investimentos financeiros são as empresas de ônibus. As prefeituras, através das suas secretarias de Transporte, criam pára-estatais municipais ou metropolitanas que controlam as linhas, mediante investimentos técnicos e financeiros das empresas de ônibus envolvidas, que ganham status de meras sócias sem autonomia no serviço do transporte, mas em troca com poder político suficiente para, se possível, demolir casas populares para contruir vias exclusivas, mediante indenização magra para os moradores expulsos.

Cada vez mais, com o senso crítico avançando na Internet, a ilusão da "curitibanização" dos ônibus no Brasil começa a ser desfeita. Certamente, várias pessoas, iludidas com o "milagre busólogo" dos tecnocratas (a versão busóloga do "milagre econômico"), vão reagir, porque elas, mesmo não andando de ônibus, querem dar seu pitaco para o transporte coletivo que não utilizam. Mas seus argumentos frágeis, entre fantasiosos e enganosos, começam a ser contestados pelo cotidiano, sobretudo em São Paulo e Curitiba, quando as autoridades tornam-se incapazes de gerir o complicado, impopular e tecnocrático transporte coletivo "curitibanizado".

Já pensou se Eduardo Paes tentasse punir as irregularidades da Feital, Oriental e Ocidental se o sistema de ônibus carioca já tivesse padronização visual? Seria um grande desastre. Somente os técnicos e os busólogos com maior intimidade com empresas e fabricantes é que seriam capazes de identificar os ônibus.

Os passageiros comuns, não. Eles confundirão os ônibus e não saberão direito qual é o ônibus errado, porque todos seriam iguais, seria a mesmice visual que desnortearia sobretudo as classes pobres. Confusão que nem bilhetes únicos nem serviços de telefone celular resolveriam com eficácia definitiva.

A ECONOMIA DA MÚSICA BRASILEIRA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não será a música brega-popularesca, com seus ídolos da axé-music, do "pagode romântico" e do "sertanejo", com sua estrutura milionária mas qualidade artística duvidosa, que renovará a música brasileira. Precisamos discutir a verdadeira renovação de nossa música.

DO PORTAL DE LUÍS NASSIF

Nos últimos anos, as mudanças ocorridas no âmbito da música popular brasileira têm uma dimensão ainda não suficientemente aquilatada.

Essa é a principal conclusão do programa “Brasilianas.org”, gravado esta semana para discutir a economia da música.

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Antes as “majors” – grandes gravadoras internacionais – dominavam o circuito de gravações (com seus estúdios), do mercado interno (com os “jabás” para as rádios e contatos com o jornalismo cultural) e o circuito internacional (através de relações com outros países, com eventos musicais e com circuito de shows).

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Essa cadeia foi quebrada com o advento da música digital e as facilidades de gravação, levantando o véu que impedia o florescimento de uma nova geração de músicos.

O próprio sistema de “jabás” (pagamento por fora para as rádios tocarem apenas músicas previamente definidas acabou restringindo violentamente o cardápio de gêneros explorados pelas “majors”.

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O segundo elo a ser quebrado foi o da divulgação, à medida que a Internet ia se consolidando como um veículo alternativo – embora ainda não tenha a abrangência dos rádios.

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O terceiro elo a ser quebrado é o de circuitos internacionais. Antes, poucos eram os empresários capazes de organizar uma turnê internacional para um artista. Com a formação de redes de relacionamento especializadas, surgiu uma nova geração de jovens empresários em outros países, que passaram a solicitar artistas brasileiros. Ainda é um movimento pequeno, não sistematizado, mas que está criando massa crítica para ações públicas mais articuladas.

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Somado à questão do direito autoral, dos downloads de música, desenhou-se uma nova realidade não apenas para a música alternativa como para as próprias “majors”.

A primeira mudança é o fim dos grandes popstars. O circuito de shows tornou-se extraordinariamente oneroso, exigindo massas cada vez maiores de públicos. A multiplicidade de novos talentos, as novas formas de formação de imagens de artistas faz com que, em vez de um mercado concentrado em grandes estrelas tenha-se o mesmo mercado dividido por uma legião de artistas médios.

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Todo esse estoque de novas armas, de guerrilhas internéticas, de identificação de novos segmentos será utilizado não apenas pela música alternativa como também pela “majors”.

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E aí se entra nas estratégias de internacionalização da música popular brasileira. Ainda hoje, os ecos internacionais da música brasileira repousam em Carmen Miranda (pegando os mais antigos), na bossa nova e na geração dos popstars que hoje em dia estão com mais de 60 anos – Caetano, Gil, Milton, João Bosco, Djavan, Chico.

Não há uma “marca Brasil” nova para facilitar a abertura de novos mercados para a nova geração. Aliás, marca existe, mas ainda não se transformou em política estratégica.

Hoje em dia, a juventude mundial compartilha um conjunto de valores – meio ambiente, afetividade, sensualidade, musicalidade – que é a própria cara do Brasil.

Falta apenas uma ação concatenada para que esses valores ajudem a música brasileira a conquistar o mundo.

VIA EXCLUSIVA DA ALAMEDA CAUSA ENGARRAFAMENTO DE NOVE QUILÔMETROS


VIA EXCLUSIVA DA ALAMEDA CAUSA ENGARRAFAMENTO COM REFLEXOS EM SÃO GONÇALO.

O que é a tecnocracia. Sempre pensando no "cidadão", o simpático boneco que os tecnocratas tanto falam, representando a sua visão elitista da sociedade.

Pois a inauguração da via exclusiva de ônibus, em Niterói - na verdade, baias destinadas ao tráfego dos ônibus - , sobre o tradicional canal da Alameda São Boaventura, causou um intenso engarrafamento, que atingiu nove quilômetros, e se estendeu até mesmo na região do Colubandê, em São Gonçalo.

Muitos passageiros de ônibus, revoltados, saltavam dos veículos para andar a pé, vendo que o trânsito continuava paralisado. É o grito dos autênticos cidadãos que recusam assumir o papel de bonecos para os projetos dos tecnocratas que vivem trancados em seus escritórios e acumulam diplomas de cursos e seminários (muitos dos quais são eles mesmos os expositores), mas que não possuem vivência social autêntica.

Enquanto isso, sempre aumenta o número de automóveis circulando nas ruas das cidades em todo o país. Como os comerciais da TV influenciam tanto... O PiG também põe os pés na estrada.

CLUBE MILITAR INSISTE NA SUA VISÃO DO GOLPE



O Clube Militar lançou ontem uma exposição intitulada "Revolução Democrática de 1964".

Pelo que se sabe, os milicos que defenderam e sustentaram a ditadura têm sua visão sobre o golpe, que prevaleceu como oficial durante anos.

O golpe militar foi feito no dia primeiro de abril, mas para não gerar trocadilhos com o Dia da Mentira, retardaram a data para 31 de Março.

O golpe é considerado por eles "Revolução de 1964", e a ditadura chegou a ser classificada como "governo revolucionário".

Ou eles ficaram isolados demais nas casernas, ou eles tratam o War College (escola estadunidense que inspirou a Escola Superior de Guerra) como se fosse o mundo encantado de Walt Disney.

PODE PARECER BRINCADEIRA...



...mas os músicos Jorge Ben Jor e George Benson fazem aniversário no mesmo dia, o dia de hoje, 22 de março. Ben Jor nasceu em 1942 e Benson, em 1943.

E pensar que Jorge Ben acrescentou o Jor ao seu nome artístico para não ser confundido, nos EUA (onde a música do cantor carioca é apreciada, sobretudo "Mas Que Nada", divulgada pelo niteroiense Sérgio Mendes), com o músico estadunidense que se apresentou no Rock In Rio I e cuja carreira é marcada pelo jazz fusion e pelo funk autêntico, além das baladas românticas de grande sucesso.