terça-feira, 16 de março de 2010

SEU JORGE REBAIXADO A "PISTOLÃO" DE ALEXANDRE PIRES



A MPB autêntica, muitas vezes, é obrigada a prestar vassalagem ao império brega-popularesco, que, aliás, comemora 20 anos junto com a posse de Fernando Collor de Mello, padrinho artístico de Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo, Só Pra Contrariar (fase Alexandre Pires), Raça Negra, todo o "funk de raiz", Kaoma e outros ícones do esgoto musical brasileiro.

Pois agora o talentoso e esforçado Seu Jorge, elogiado até por David Bowie (que gostou das versões que o carioca gravou das músicas do inglês), um dos poucos nomes da MPB autêntica a penetrar na mídia, tem um péssimo serviço para prestar: vai gravar dueto com o cantor brega Alexandre Pires.

Como todo medalhão do brega-popularesco, Alexandre Pires vive a fase de ora lançar muitos discos ao vivo, ora gravar covers em tributos e duetos em discos de carreira. Pois o pretensioso fundador do Só Pra Contrariar, fortemente influenciado pela breguice de Sullivan & Massadas (cuja comparação com o pupilo destes dois, o cantor José Augusto, chegou a irritar, inexplicavelmente, um internauta reacionário), vai lançar um álbum de estúdio, e aí encaixou o recurso do dueto, rebaixando Seu Jorge a mais um "pistolão" para o ídolo sambrega de Uberlândia.

Lembrando que todas as constatações que aqui se faz de Alexandre Pires não soam ofensivas, nem caluniosas e nem preconceituosas, são constatações baseadas em pesquisas e observações cautelosas, afinal sou jornalista e não estou aqui para babar ovo de quem quer que seja. Se o som do Alexandre Pires soa igual ao José Augusto ou é um cruzamento de Bobby Brown com Alejandro Sanz, a culpa não é minha. Não vou fingir que ele é um "grande sambista" se não ouço samba de verdade na música dele. Sinto muito.

Quem não gostar dos comentários escritos neste blog, caia fora e vá ter o que fazer na sua vida, em vez de espinafrar O Kylocyclo.

MÍDIA GOLPISTA E BREGA-POPULARESCO: O AVAL DA EDITORA ABRIL



A mesma Editora Abril que, através de Veja, criminaliza os movimentos sociais da forma mais grotesca e escancarada possível, é uma das responsáveis diretas pela pasteurização da cultura popular brasileira, juntamente com as Organizações Globo e a Folha de São Paulo.

Sim, e essa mídia é justamente a que organiza, de forma bem assumida, as mobilizações do Instituto Millenium, do qual seus donos, os Civita, Marinho e Frias, são seus maiores patrocinadores.

A Abril tem uma revista chamada Contigo, dedicada às fofocas da TV (setor que não deve ser confundido com o de Caras, que é colunismo social em forma de revista; em outras palavras, uma coisa é Nelson Rubens, outra é Imbrahim Sued), e que costuma fazer propaganda escancarada dos ídolos da Música de Cabresto Brasileira. Sobretudo os mais "nobres": Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, DJ Marlboro, e sobretudo os medalhões da axé-music, que tem até camarote exclusivo da revista Contigo e suas celebridades compradas.

Sim, é o apoio da grande mídia ao brega-popularesco que não deve ser confundido com uma "inocente" divulgação. Enquanto a mídia fofa e a parte corrompida da mídia de esquerda apoiam o brega-popularesco como um rato que, vendo uma ratoeira, se impressiona com o queijo posto na armadilha, a grande mídia veste a camisa do brega-popularesco, mentora que é de toda essa pasteurização da cultura popular em moldes conhecidos como cafonas, de todo um modelo de estereotipação e domesticação do povo, através da adoração fanática por ídolos de gosto duvidoso.

Para fortalecer a campanha midiática de pasteurização, a Contigo publica revistas especiais sobre os ídolos popularescos de maior sucesso, e aqui vemos Chiclete Com Banana e Zezé Di Camargo & Luciano com seus volumes com títulos bem apelativos: Chiclete Com Banana - Uma Paixão e Zezé Di Camargo & Luciano - Dois Corações e Uma História. Títulos feitos para fisgar o público pelo sentimentalismo, que também é o outro lado do sensacionalismo, que é o lado piegas, choroso, a exploração barata da comoção humana, base de todo fanatismo.

PLANO COLLOR FEZ 20 ANOS ONTEM


Mas hoje faz 20 anos em que o povo começou a sentir os efeitos nefastos do Plano Collor, com o confisco da poupança dos brasileiros, o fim sem compensação da Embrafilme e a explosão da música brega-popularesca, sem falar da substituição dos produtos brasileiros pelos importados.

E teve idiota no Orkut comparando Fernando Collor a Juscelino Kubitschek. Pode?