quinta-feira, 11 de março de 2010

SERIADO COM DEMI LOVATO ERROU NA TRADUÇÃO DO TÍTULO



Se os tradutores brasileiros de filmes estrangeiros fossem um pouco mais inteligentes, eles não teriam traduzido Sonny With A Chance, seriado com a cantora, atriz e mulher de nossos sonhos Demi Lovato, como "Sunny Entre Estrelas".

Afinal, que sentido tem trocar Sonny, diminutivo de Sonia, por Sunny, equivalente tanto a "solzinho" quanto a "brilhante", "ensolarado"? Pior é que os portugueses seguiram o embalo, usando essa tradução equivocada do título.

Numa tradução literal, o título original seria traduzido como "Soninha com uma chance". Mas numa tradução aproximada, levando mais em conta o sentido do que a forma da linguagem, o título mais adequado seria "A Hora e a Vez de Soninha".

Em outros tempos, "A Hora e a Vez de Soninha" seria o título usado no Brasil para o seriado da encantadora Demi.

BREGA-POPULARESCO É ARMA DA MÍDIA PARA DOMESTICAR O POVO BRASILEIRO


VOLTA ÀS ORIGENS - GRUPO DE FORRÓ-BREGA CALCINHA PRETA DURANTE EVENTO POLÍTICO EM FEIRA DE SANTANA, COM PAULO SOUTO E ACM NETO, JÁ QUE OS EVENTOS POLÍTICOS SÃO O TRAMPOLIM PARA O INÍCIO DAS CARREIRAS DESSES GRUPOS.

Poucos estão conseguindo ver o problema da música brega-popularesca como se deve. Sua gravidade é coisa que passa até em vista grossa por algumas pessoas. Estamos vendo a cultura brasileira se degradar e até se paralisar, porque seus "maiores ídolos", que são os medalhões e veteranos do brega-popularesco, agora passaram a tão somente revisitar o repertório e a se apropriar de covers, tudo isso de forma compulsiva e sucessiva de CDs e DVDs ao vivo, mostrando que não estão aí para a criatividade e disfarçando o desgaste natural com esse material marqueteiro e tendencioso.

No entanto, poucos ainda enxergam a gravidade do problema. Pior: há quem não veja problema algum, e, pelo contrário, ache tudo isso "divertido". Acham que a MPB autêntica é deprimente, "técnica demais". Até os antigos sambistas que compunham com a caixa de fósforo são tidos, pasmem, como "técnicos", "escolásticos", "academicistas". Mas se o playboy da Barra da Tijuca monta com seus amiguinhos de condomínio (de luxo) um grupo de forró-brega, eles são "expressão da periferia".

Essa avaliação esquizofrênica da cultura popular, que, infelizmente, ainda é comum, e que aparentemente não se relaciona com os problemas da mídia dominante no nosso país, preocupa. Pior: há alguns idiotas que pegam carona na crítica feita contra a grande mídia, e falam mal da Globo, da Veja, da Folha. Mas veem com gosto o Alexandre Pires no Faustão, rebolam o "funk" diante do Caldeirão do Huck e leem com gosto e com orgulho a reportagem sobre o Calcinha Preta na Ilustrada da Folha de São Paulo. E acham que isso nada tem a ver com o poderio da mídia.

Engana-se. Todo o brega-popularesco feito no país, sem exceção alguma, é expressão do poderio da mídia. É uma "cultura popular" estereotipada, caricata, superficial. E que não pode ser vista como "a verdadeira cultura popular", mesmo lotando, quase que automaticamente, plateias de auditórios, vaquejadas, micaretas, "bailes funk" e o que vier que envolva esses ídolos. Isso porque essa "facilidade" de atrair multidões se deu às custas de muita campanha da mídia. O povo acabou se acostumando mal.

A questão é essa. Por que tínhamos uma cultura popular forte, de boa qualidade, feita por gente da periferia, das roças, do interior, das classes trabalhadoras, e hoje a "cultura" vinda desses estratos sociais é de péssima qualidade? Por que tínhamos diferentes variações do samba, feitas por gente sem formação acadêmica mas com muita formação e informação musical, obtida "na carne", e hoje nossos "grandes sambistas" só fazem uma caricatura de samba de gafieira, e não raro nem chegam a fazer isso, imitando muito mal o soul norte-americano apenas com cavaquinho e pandeiro?

Por que tínhamos um baião forte, com sanfona, triângulo, bumbo, com ritmo vibrante e um cantor bem expressivo, tipo Luiz Gonzaga, e hoje os grupos que dizem atuar em nome desse estilo fazem uma gororoba enjoada que mais parece uma caricatura de disco music tocada com som de sanfona gaúcha (isso se tratando de grupos nordestinos)?

Os defensores do brega-popularesco, vendo essas questões, escrevem textos "alarmantes" convidando o povo a esquecer as questões estéticas. De Paulo César Araújo a Bia Abramo, o apelo é puramente etnocêntrico: despreza-se a qualidade artística, porque "é o que o povo sabe fazer".

O povo é manipulado pelo poder da mídia, pelo poder político dos governantes e parlamentares mais conservadores, pelo poder dos "coronéis" que controlam economicamente e também politicamente (mas aqui não no sentido partidário-parlamentar, mas de coerção, de controle social pelo mandonismo regional).

Através desse controle, que deturpa, degrada e corrompe os valores e referenciais sociais do povo brasileiro, é produzida uma "cultura musical" de caráter populista, caricata, estereotipada, que de popular mesmo só tem o apelo chamativo, mas não produz conhecimento nem se garante para a posteridade. É uma "cultura" esquizofrênica, medíocre, calcada na mentalidade mercantilista do hit-parade norte-americano, que se traveste de "novo folclore brasileiro" ou "verdadeira cultura popular" para perpetuar-se na mídia.

Essa obsessão de perpetuidade na mídia não pode ser confundida com perenidade artística, até porque não se pode ver arte, nem cultura, nem produção de conhecimento social, nem de valores sociais perenes, nessa música medíocre que, passados uns três ou quatro sucessinhos tocados até a exaustão nas rádios, se alimentará depois apenas com covers ou CDs ou DVDs ao vivo sucessivos, para disfarçar o esgotamento natural desses ídolos.

Por conseguinte, essa obsessão de perpetuidade dos ídolos popularescos não se alimenta mais pura e simplesmente pelo mercado jabazeiro das rádios. É preciso aliciar a intelectualidade, que por sua vez cria um discurso, às vezes persuasivo, noutras agressivo (podendo ser ofensivo às vezes, vide os Eugênio Raggi e Olavo Bruno da vida), para tentar legitimar esse universo musical.

Só que esse discurso em nada enobrece tais "artistas", antes é mais um desejo dessa intelectualidade de participar do bacanal da grande mídia, de forma bem enrustida. Tentam desmentir o máximo que fazem o jogo da grande mídia, mas no fundo querem um lugar no júri de um programa de auditório da TV aberta, querem uma "comissão" (em dinheiro) pelo trabalho feito, querem se autopromover com falsas polêmicas (falsas, porque coisa ruim não rende polêmica, apenas uns apoiam e outros, mais sensatos, não).

Pelo contrário, a retórica que defende os ídolos popularescos se dissolve, feito castelo de areia, na medida em que os CDs são tocados. Na medida em que a música de qualidade duvidosa desses ídolos popularescos é tocada, sem qualquer recurso de exploração biográfico-marqueteira dos mesmos, sem qualquer retórica "científica" em defesa deles.

Cedo ou tarde, as armadilhas da mídia através dessa intelectualidade são desarmadas. E prova-se que o brega-popularesco é uma forma de domesticar o povo, transformando as classes populares em multidões ingênuas, passivas, patéticas, conformistas e submissas. Porque o circo popularesco tem essa missão: amestrar os selvagens, para benefício dos políticos, empresários e "barões" da grande mídia nacional e regional, e para o bem etnocêntrico dos intelectuais em busca da fatia do bolo dos detentores do poder.

COREY HAIM, 1971-2010



É uma pena que um talentoso ator morre por conta das drogas. Ontem Corey Haim, ator do divertidíssimo filme Sem Licença para Dirigir, lamentavelmente foi encontrado morto. Tinha a mesma idade que eu, 38 anos.

Me lembro de um episódio que eu tive com colegas da Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Era 1992, eu tinha 21 anos e estava no Farol da Barra, esperando os colegas para um trabalho de aula na Faculdade de Comunicação, uma reportagem para uma matéria. Aí alguns colegas decidiram que queriam fumar maconha na Faculdade, aproveitando que não havia aula da matéria então, e me chamaram para ir com eles. Tentei dizer não, mas eles insistiram e aí eu me fiz de ingênuo e fui com eles.

Peguei carona com eles de carro e fomos para a FaCom. Eles subiram afoitos para procurar uma sala para fumar o "baseado", enquanto eu, fingindo estar meio bobo, zanzando pelo corredor, esperava eles entrarem na sala e fecharem a porta. Quando ouvi o barulho da porta sendo fechada, sai do prédio da FaCom, que então ficava no bairro do Canela, e imediatamente fui embora, me dirigindo ao ponto de ônibus próximo à Faculdade de Educação para pegar o transporte para casa.

Me livrei da encrenca. Felizmente não houve problema algum para mim. Os colegas devem ter imaginado que eu era um bobão, e creio que pouco deram por minha falta. Além disso, drogados, não perceberiam minha ausência, tão "ocupados" com a curtição deles.

Mas, infelizmente, há pessoas que se fraquejam e, nos bastidores da fama, alguém indica alguma droga para um ator ascendente consumir, e ele adere, achando que vai levar a melhor com isso. Não vai. Há muitos casos de tragédias, e a de Corey Haim é mais um. Ele já fazia papéis em filmes menores, e as drogas agravaram o ostracismo. Ele chegou a sofrer um derrame cerebral em 2001 e tentou reabilitação 15 vezes. Médicos suspeitam que Corey teria morrido por overdose acidental de remédios.

Fica a tristeza pela perda de um talentoso ator, que foi parceiro do xará Corey Feldman, principalmente no citado filme. Pena, porque Sem Licença para Dirigir era muito engraçado, sobretudo por conta de Haim, que não passa no curso de motorista e tem que fazer um trambique para dizer que passou no exame e assim ganhar a chave do carro.