quarta-feira, 10 de março de 2010

UM ANO DE BLOG



Este blog completa o ciclo de um ano. Não foi fácil. A entrada de um novo blog, com um novo enfoque para a realidade do Brasil e do mundo, tem boa repercussão. Mas nem todos gostavam do blog. Houve quem disparasse desaforos, de forma arrogante e desrespeitosa. Mas houve também quem gostasse, e muito, deste blog.

Afinal, a proposta do blog é avançar nesta nova tendência de retomada do senso crítico. Depois de uma década inteira, os anos 90, tido como uma atitude anti-social, capaz de fazer até perder os amigos, ter senso crítico finalmente voltou à moda, até porque boa parte da sociedade estava cansada de engolir qualquer absurdo nesta vida. Já nos basta a mordaça institucional do AI-5 e dos 21 anos de ditadura militar que combateram o único dom que faz um homem se diferir de outros animais: o pensamento.

O Kylocyclo foi o nome de um zine que havia lançado em 2000 e que durou pouco. E que era uma continuidade de outro zine, Tarantula View (Tarantula é por inspiração do último disco do grupo inglês Ride). Misturava assuntos relacionados à cultura alternativa com política e história.

A orientação do blog permaneceu a mesma. Inclusive com as "pílulas" criticando certos "micos" da mídia. Mas, com a hegemonia absoluta da música brega-popularesca e de toda mídia associada, como os programas da TV aberta e a imprensa popularesca, e ênfase do blog deixou momentaneamente de ser para o rock alternativo para ser um blog contra a hegemonia da Música de Cabresto Brasileira. Afinal, que adianta eu ouvir em minha casa, nos meus CDs, nomes como Ride, Weather Prophets, Smiths, Wedding Present, Byrds e Syd Barrett, se lá fora rola Fábio Jr., Alexandre Pires, MC Créu, Calcinha Preta e outras porcarias? Até para procurar namoradas que não curtam esse lixo todo está difícil.

Daí a detonação. E tudo isso em consonância com uma análise dos meios de comunicação, dos fatos cotidianos, que muitos blogueiros recentes, e outros veteranos mais corajosos. Estes não se confundiam nem se confundem com os chamados "líderes de opinião", verdadeiros fantoches de uma mídia intermediária, geralmente fazendo uma média preguiçosa com a imprensa escrita, num "meio-termo" ideológico entre a Carta Capital / Caros Amigos e a Isto É. Esses "líderes de opinião", que enfeitavam seus blogs com muitas fotos de personalidades políticas e jornalísticas - tomando cuidado para não encher de engravatados, para não causar reações de revolta imediatas - , além de funcionários públicos. E, entre uma crítica e outra, os "líderes de opinião" sempre elogiavam algum veículo da "mídia fofa", sobretudo rádio FM regional, com a ingenuidade de quem ainda acredita no coelhinho da Páscoa.

Os blogueiros veteranos corajosos, não. Eles são jornalistas, como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha, são independentes, não são atletas de "Ctrl + C" e "Ctrl + V" (as duas únicas teclas dos blogueiros preguiçosos) nem deslumbrados da grande mídia, e servem como farol para a atual geração de blogueiros, a criticar os desmandos da política, da cultura e da mídia, no esforço pequeno de tentar mudar alguma coisa, ou ao menos alertar para os leigos de que alguma coisa está errada.

O Kylocyclo veio para ficar. E irá gerar bons frutos. Como outros blogs que investem no senso crítico, como Planeta Laranja, Cultura Alternativa, Brasil Um País de Tolos, Fatos Gerais, Cacarejadas & Ejaculadas, Blog do Miro, Blog do Provocador, entre outros. Com suas diferenças de estilo, todos eles se unem num propósito: pôr as pessoas para pensar, desfazer as ilusões traiçoeiras que vemos na vida.

MINHA AMADA FAZ ANIVERSÁRIO



Hoje é aniversário de uma mulher que eu amo, e que foi minha colega no segundo grau.

Foi minha paixão de adolescência, que não cheguei a namorar. Ela vivia quase todo o tempo comprometida, tanto que, há cerca de 20 anos, ela está casada com outro homem e tem dois filhos.

Na minha adolescência ainda em estado bruto, foi preciso conhecer essa mulher, uma morena linda e mineira, para eu saber o que é amar uma mulher. Para saber o que é respeitar uma mulher, valorizá-la não só pela beleza física ou pelo corpo formoso, se bem que ela é lindíssima e possui belas formas físicas, mas valorizá-la pela inteligência.

Ela é uma das raras mulheres brilhantes que conheço. No Brasil, infelizmente, se degrada muito a mulher, produzindo marias-coitadas e mulheres-frutas em série, para encher os organizadores de vaquejadas, micaretas, "bailes funk", de muito dinheiro. Por isso é que, raramente, há mulheres como a que eu amo até hoje, uma morena maravilhosa. Certamente, não direi o nome dela. Não interessa a vocês e respeito a privacidade da mulher que eu amo.

A minha tristeza não é somente de não tê-la como minha esposa, numa relação que certamente seria muito proveitosa para mim, não por eu ser dependente de uma mulher como essa, mas porque uma relação dessas traz muitos benefícios e vantagens.

A minha tristeza é ver que outras mulheres similares são muito raras. E estas, em sua maior parte, também são comprometidas. O que me resta, afinal? Viver sozinho, apesar do acesso fácil às marias-coitadas na vida amorosa. Mas o barato sai caro, e não aprecio o universo cafona delas. Nada tem a ver comigo. O que elas representam é algo que me lembra o título de uma das canções dos Beach Boys, "That's not me" ("Não sou eu"). E, como diz o ditado, é melhor eu viver sozinho do que mal acompanhado.

Fico triste pela minha situação, mas levanto a cabeça e sigo a vida. Resta aqui desejar felicidades a minha doce amiga, com sua família, e desejar a ela todo o sucesso. Que ela tenha saúde, vida longa, prosperidade. Parabéns a ela, que eu amo de verdade.