terça-feira, 9 de março de 2010

REDE GLOBO SE EMPENHA CONTRA A MPB



Por que será que a Rede Globo faz tanto evento "cultural" com "música brasileira"? A maior corporação do Partido da Imprensa Golpista, uma das sócias majoritárias do Instituto Millenium, símbolo da mais reacionária mídia do país, é a mesma que patrocina o "inocente" Brazilian Day, e os "inocentes" eventos comemorativos em São Paulo e os eventos "cidadãos" no Piscinão de Ramos, na Cidade de Deus e até na Baixada Fluminense.

Tudo para empurrar breganejos, sambregas, funqueiros, axézeiros, entre tantas porcarias que querem porque querem se apropriar do nome "Música Popular Brasileira" e que nossos leitores sabem se tratar da música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira.

Até pouco tempo atrás, ainda havia espaço para os medalhões da MPB autêntica. Mas hoje a degradação é mais explícita, e esse golpismo cultural, ainda subestimado pelos críticos da grande mídia, já gera efeitos nocivos, transformando a cultura brasileira num fóssil mumificado.

Alguém ainda acredita que a hegemonia popularesca nada tem a ver com mídia golpista e que apenas é a cultura popular que está sendo valorizada e divulgada pela mídia? Se ainda há gente assim, quanta ingenuidade...

OBRA EM NITERÓI PODE CAUSAR ALAGAMENTOS


"VIA EXPRESSA" DA ALAMEDA SÃO BOAVENTURA, NO FONSECA, EM NITERÓI. FOTO DO AUTOR DESTE BLOG.

Especialistas afirmam que a "via expressa" da Alameda São Boaventura - na verdade, uma porção de baias exclusivas para ônibus - , no bairro do Fonseca, em Niterói (RJ), pode causar alagamentos na área em dias de muita chuva na cidade.

A obra, que seria inaugurada hoje mas foi adiada para recapeamento do asfalto, foi construída no aterro sobre o canal que atravessa o logradouro, que liga o centro de Niterói e a Ponte Rio-Niterói à rodovia RJ-104, que leva a outras rodovias destinadas à região dos Lagos.

Também não é garantia que a "via expressa" vá beneficiar o trânsito na Alameda, uma vez que não se trata de uma pista contínua, a via é estreita e o grande fluxo de ônibus urbanos pode, pelo contrário, provocar congestionamentos no local.

Isso é que dá implantar na marra o padrão "curitibano" de transporte, representando a velha fórmula do "progresso" atropelando os interesses sociais e ambientais.

MULHER MELÃO QUER SER DEPUTADA ESTADUAL


MULHER-MELÃO: UM DOS SÍMBOLOS DA BURRICE, DA VULGARIDADE E DO GROTESCO COM QUE A MÍDIA USA PARA DEPRECIAR A MULHER BRASILEIRA.

A dançarina de "funk" Renata Frisson, a Mulher Melão, aquela que - argh! - disse querer namorar um "cara legal", agora quer se candidatar ao cargo de deputada estadual, pelo PHS, Partido Humanista da Solidariedade, que, apesar desse nome simpático, não é mais do que um partido fantasmagórico de aluguel, desses que nem em tese contém um projeto político, porque é um partido vagamente "cidadão", vagamente "democrático", vagamente "defensor da justiça social", parecendo o Partido Liberal em seus derradeiros tempos.

Pois a Mulher Melão - clone piorado da Mulher Melancia, que, pelo menos, é devidamente reprovada pelos críticos da grande mídia em geral - , que tem glúteos e seios "inflados" ou "inchados" pelo silicone e que faz sorrisos de idiota, tenta sustentar sua exposição na mídia com esse verdadeiro factóide, que é concorrer para um cargo político.

Certamente, a adesão da dançarina ao cargo parlamentar mostra o caminho de emergência que uma nulidade dessas - que o blogueiro do Caos Carioca devidamente chamou de "fantoche" - , não podendo viver o tempo todo dançando os horrendos sucessos do "funk", encontrou para se manter no mundo (ou, melhor dizendo, na província) da fama popularesca no Brasil.

Está mais do que óbvio que a política do nosso país está um cacos, e isso se deu por culpa da ditadura militar, uma vez que, antes de 1964, se boa parte dos políticos não era totalmente íntegra, ainda havia alguns políticos bastante íntegros e mesmo os políticos meio duvidosos tinham projetos para a nação, mesmo de cunho reacionário. Pelo menos discutia-se ideias, projetos, propostas, tanto por parte da direita quanto da esquerda.

O que a Mulher Melão vai fazer como deputada estadual será um mistério. Espera-se que ela não seja eleita. Mas, se for, por conta de todo um lobby tramado pelos empresários-DJs do "funk" (que acham ótimo haver mais um representante do gênero em cargos políticos), ela receberá a orientação desses empresários, que ditarão as propostas que ela terá que defender na Assembléia Legislativa do RJ, até redigindo previamente os projetos de lei que Renata tomara como "de autoria dela".

Mas tem um ponto positivo para a carreira parlamentar da moça. Quem sabe ela encontre algum senhor do PHS que venha a pedi-la em casamento, pois, no raciocínio da moça, deve ser um "rapaz legal", talvez porque os caras do CQC (programa humorístico da Bandeirantes) que entrevistaram a moça devam ter dito que os parlamentares lidam com leis. E "legal" também é uma palavra relacionada com leis.

O OUTRO LADO DA MÍDIA GOLPISTA



Certamente, os questionamentos em torno da mídia golpista dão ênfase nos veículos que integram o Instituto Millenium (espécie de IPES repaginado), como a Globo, Folha, Estadão e Veja. E que, na análise crítica da mídia, é consenso de que essa facção da mídia é a mais reacionária e mais explicitamente conservadora.

Mas não devemos definir o veneno da cobra pela mordida. Há uma mídia direitista, silenciosa, que é tão conservadora quanto a outra mas fica quieta. Mas ela não vai aos fóruns do Instituto Millenium, não se associa a instituições como esta, não criminaliza o tempo todo os movimentos sociais. Quieta, prefere investir no lado cor-de-rosa da sociedade neoliberal, com reportagens tolas sobre movimentos em shopping centers ou em noticiar pesquisas banais como as que indicam que homens com mais de 40 anos tendem a coçar o nariz mais durante o sono do que as mulheres na mesma faixa de idade.

Com o showrnalismo light, a "mídia boazinha" é a cobra adormecida da grande mídia. Por razões concorrenciais, ela fica de fora da mídia claramente golpista. São cobras venenosas dormindo em silêncio, nas suas tocas. Seu showrnalismo feliz, alegre, conforta e tranquiliza a facção mais frágil dos críticos da grande mídia, que encaram a "mídia boazinha", ou "mídia fofa" - em comparação com a "mídia gorda" simbolizada pelo quarteto "fantástico" da Globo, Folha, Estadão e Abril - com um deslumbramento quase infantil.

É como se, para estes críticos frágeis, o Papai Noel, através da "mídia fofa", trouxesse de presente para ele o "bom jornalismo". Com notícias substanciais como a madame inglesa que oferece um café da manhã reforçado para seu cãozinho poddle, com direito a uma cadeira própria e guardanapos. Se for no rádio (em FM, como reza o mundo tecnocrático), depois de debates inúteis sobre o sexo do PMDB e entrevistas com professores universitários analisando a relação dos buracos nas ruas de São Paulo com a reunião dos sacerdotes do Vaticano.

O "líder de opinião", que pertencia a uma safra mais acomodada de blogueiros, hoje apagada por uma geração com maior apetite de senso crítico, que é a atual e da qual este blog faz parte, fazia seu teatrinho de senso crítico em seus blogs cujos textos eram todos enfeitados com fotos de personalidades políticas, jornalísticas e estatais, sempre alternando autoridades como prefeitos e governadores com funcionários públicos em camisas de botão, ou jornalistas de camisas de gola, gesticulando com a boca aberta para dar tom de movimento aos blogs.

Neste teatrinho, ele até publicava queixas por e-mail de uma esposa de um vereador de Cabrobró de Pirijipe denunciando que o marido recebe ameaças de morte por denunciar a corrupção do partido direitista local. Algo para disfarçar o paulistocentrismo desse arqueo-blogueiro, para o qual o inferno da grande mídia se limita ao ramal "Av. Paulista - Jardim Botânico (via Jacarepaguá)". Só que ele alterna denúncias deste tipo com notas banais sobre a corrupção de sua região, geralmente copiadas da imprensa local, e comentários deslumbrados sobre tal rádio FM ou emissora de TV que faça o preceituário da "mídia fofa" em geral.

Aí, se a rádio Falcatrua & Maracutaia FM contratou "aquela" equipe esportiva e o proprietário da rádio é desafeto de certos dinossauros políticos da região, o arqueo-blogueiro de senso crítico anoréxico - mas que cumpriu o dever de casa "baixando" a lenha na Rede Globo em texto disfarçadamente copiado da Carta Capital - é todo amores com esta rádio, com seu dono, elogiando até a secretária que recebeu o arqueo-blogueiro em sua "inocente" visita à sede da emissora. Pessoas assim até reconhecem certos tipos de cobras venenosas, mas outras cobras venenosas preferem ser por elas consideradas como "minhocas inofensivas".

Até que no mundo ensolarado de guloseimas da mídia fofa chegam nuvens cinzentas anunciando o temporal. E aí, vemos a "mídia boazinha" fazendo coisas de deixar a mídia golpista de cabelo em pé. Os ataques da TV Bandeirantes ao Movimento dos Sem-Terra, a violência verbal de Mário Kertèsz (antigo udenista-arenista) da Rádio Metrópole, de Salvador, contra os esquerdistas baianos que ousavam apoiar a rádio, as campanhas da revista Isto É em favor de Fernando Collor de Mello. A Isto É também atacou o MST. Em muitos casos, a "mídia boazinha" concretiza na prática o que para os articulistas de Veja e da Folha apenas sonham em fazer.

E o que dizer da imprensa populista, popularesca, que imbeciliza a população pobre exaltando a alienação do futebol, das mulheres-frutas e do Big Brother Brasil? Não seria ela integrante da mídia golpista, por desviar o debate público das classes trabalhadoras para a discussão vazia das intrigas que os mentirosos personagens do BBB fazem ou deixam de fazer no programa? Com BBB, mulheres-frutas, bobagens futebolísticas a imprensa popularesca chega a fazer muito mais do que os capatazes dos latifundiários no empenho para a dissolução dos movimentos sociais.

Não nos esqueçamos que a Folha de São Paulo, há 25 anos atrás, integrava a "mídia boazinha". Havia apagado seu passado em defesa do Golpe de 1964, do AI-5 e mesmo da tortura de presos políticos no Brasil, através da armação do "Projeto Folha", que virou paradigma dominante de jornalismo no Brasil, cujo modelo poderia ser traduzido até pelo rádio e pela TV.

Quanta gente se iludiu com o Projeto Folha. Quantos indivíduos comuns de classe média sentiam a vaidade de tomar o café da manhã com a Folha de São Paulo a tiracolo, se achando "intelectuais" só porque apreciam o "bom jornalismo". Falando hoje, parece um absurdo, mas parecia que era ontem que a Folha de São Paulo e seu executivo yuppie, Otávio Frias Filho, simbolizavam o ideal de modernidade, progresso e vanguarda de ideias que todo cidadão sonhava apoiar e perseguir.

Daí veio 2002 e Folha mostrou-se novamente reacionária, em certos momentos até mais retrógrada que o Estadão - o jornal dos Mesquita que em 1932 havia comandado a revolta de Nove de Julho da burguesia paulista - , defendendo a dupla PFL-PSDB (hoje DEM-PSDB), e, mais recentemente, agravou seu reacionarismo chamando a lamentável experiência da ditadura militar brasileira de "ditabranda", como se ela tivesse sido coisa pequena (mas não foi, ainda que consideremos que a ditadura chilena de Augusto Pinochet tenha sido pior que a brasileira, porque lá foi AI-5 o tempo inteiro). E hoje, vemos Otávio Frias Filho - o "inocente" colaborador da "esquerdista" revista Piauí - comandando o Instituto Millenium junto com os Mesquita, Civita e Marinho, depois que o Projeto Folha tornou-se o "modelo" de jornalismo a ser seguido.

O próprio Grupo Bandeirantes de Comunicação tem passado tão sombrio quanto a Folha. Foi uma empresa do político corrupto Adhemar de Barros, avô materno do atual proprietário João Carlos Saad. Adhemar patrocinou, com sua esposa, a maior das marchas Deus e Liberdade que pediram o golpe militar de 1964, a do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 19 de março daquele ano, furiosa manifestação contra os movimentos sociais em ascensão na época no Brasil.

Recentemente, o grupo contratou Bóris Casoy, que estava do lado mais golpista em 1968, o mesmo Comando de Caça aos Comunistas que estava no IPES, nas marchas Deus e Liberdade e tudo, que praticou vandalismos na UNE (sua sede foi incendiada por seus membros) e na Rádio MEC do Rio de Janeiro e até sequestraram e mataram um padre pernambucano. E Bóris fez comentários grosseiros contra garis que vasaram por uma falha dos operadores de áudio. E o que a Bandeirantes, "paladina da cidadania", fez? Protegeu Casoy e demitiu os operadores. Ou seja, na prática, garis e operadores de áudio foram atacados na Band, tal qual o MST.

Mas a Band não vai ao fórum do Instituto Millenium, não faz as mesmas campanhas da Folha de São Paulo (com exceção às contra o MST), por isso "não é mídia golpista". Mas Eliane Catanhede trabalha na Band News FM. E agora, "líderes de opinião"?

Essa fé de certos críticos da grande mídia na "mídia fofa" se equipara na credulidade que certos militantes ou intelectuais de esquerda tinham, há cinquenta anos, na burguesia nacional na luta contra o imperialismo. "Não, a burguesia nacional pensa no nosso país, ela está no lado dos trabalhadores, dos movimentos sociais", diziam esses crédulos. Ignoraram eles que a burguesia nacional, em boa parte dela, estava associada ao IPES e aos movimentos reacionários que realizaram o Golpe de 1964. E que se tornou, não obstante, entreguista, com seus empresários-fetiche vendendo ações para grupos estrangeiros.

Como se vê, a cobra venenosa não se conhece pela sua mordida. A cobra venenosa se conhece pelo seu veneno.

CATÁSTROFES E AXÉ-MUSIC


FOTOS DO TERREMOTO QUE ATINGIU O CHILE, HÁ POUCOS DIAS

É revoltante ver que a axé-music usar metáforas relacionadas à catástrofes ambientais para justificar sua supremacia. Falam do sucesso dos ídolos como se eles fossem "furacões". Suas apresentações são comparadas a terremotos. Isso sem falar da terrível expressão "sair do chão", cujo significado subliminar é, por si só, trágico, já que homem não voa e "sair do chão", então, significa morrer.

A axé-music é, portanto, o ritmo popularesco que gosta de brincar com fogo. Certa vez, um palco caiu num evento com o grupo Chiclete Com Banana. O que será que poderia ter ocorrido se, na ocasião do terremoto do Chile, ocorresse uma micareta com os grupos baianos da axé-music? Afinal, eles se acham os donos da MPB, os donos da cultura brasileira, os donos do Brasil, os donos do mundo, que imagina-se micareta até no norte da Noruega. Quer dizer, isso se o povo de lá fosse tolo e aceitasse se render à prepotência megalomaníaca dos axézeiros, o que na verdade não ocorre. A qualidade de vida dos norueguenses é alta demais para eles sucumbirem a qualquer tolice.

Mas, voltando ao terremoto. Certamente teria sido um evento trágico, triste, de deixar as pessoas gritando de pânico, desesperadas, vendo que boa parte dos foliões ou, talvez, alguns músicos de axé-music, teriam morrido na ocasião. Só que a terra tremeu, literalmente, o palco balançou, as casas caíram, ao pé da letra.

A axé-music é um dos ritmos mais perversos do país. Transforma a alegria numa mercadoria, uma alegria fascista que não pode ser contrariada. Se for, os defensores da axé-music reagem com fúria. Fúria maior do que se imaginaria com os Hell's Angels ou os nazi-punks, até agora as facções de "rebeldes" associadas à fúria mais violenta.

A insensibilidade dos axézeiros com o sofrimento humano, e mesmo com as dificuldades amorosas de muitos rapazes que não se encaixam no padrão viril, rico e robusto dos machistas, torna a hipótese de uma chicleteira namorar um nerd uma grande hipocrisia, uma grande mentira. É mais fácil e realista um nerd brasileiro namorar uma atriz francesa.

O universo da axé-music é associado aos equivalentes brasileiros daqueles valentões fanáticos por esporte e ginástica, fanáticos pelo culto ao corpo, pela bebedeira e pela obsessão por festas. Como é que um inocente rapaz que não se enquadra nos padrões dominantes vai usufruir dos "benefícios" do carnaval axezeiro?

Na verdade, o que ocorre é o seguinte: é como se uma fraternidade de marombeiros valentões chamasse os nerds para um ritual de humilhação mais sutil. Os nerds recebem gozação, e são jocosamente acariciados pelas garotas que namoram os marombeiros. É toda uma saudação falsamente amistosa, até que os nerds caem numa armadilha e coisas como cair numa lama de esterco podem acontecer.

Mas, no Brasil politicamente correto, tudo é "cidadania", e o que eu descrevi no parágrafo anterior é balela, marolinha. Não, é a realidade nua e crua. Como também é realidade a ruindade artística do "funk carioca" (FAVELA BASS), que cada vez mais piora seu som, na mesmice de juntar sons de sirene com batida que imita o galope de um cavalo e, com isso, o MC mais parecendo um robô repetindo palavras faladas. E depois querem seus defensores dizer que o "funk" é rejeitado hoje como o samba foi há cem anos atrás. Quanta tolice!

Tivemos recentemente três terremotos que acabaram com muitas vidas e causaram danos materiais sérios, resultando em grave prejuízo financeiro. Um foi no Haiti, depois o do Chile e, mais recentemente, na Turquia. É certo que, oficialmente, terremotos não existem no Brasil, embora o solo castigado pela aridez em várias regiões do Nordeste brasileiro causem tremores de terras.

Mas isso não significa que tenhamos que desprezar as catástrofes que ocorrem em outros países, a ponto de creditar como "terremoto" um mero espetáculo de axé-music. Já ocorrem os tais ciclones extra-tropicais, cuja definição de "furacões" ainda causa problema, mas ainda se fala de Ivete Sangalo e Psirico como se eles fossem os "furacões da Bahia".

Furacões e terremotos têm poder destrutivo. E qual o poder destrutivo dos "furacões" e "terremotos" da axé-music? O de destruir a tristeza, dããããã? Nada disso! O poder destrutivo se refere à cultura brasileira, aos valores sócio-culturais, empastelados pela axé-music e sua "alegria" de fachada, que quer que nos submetamos a esse espetáculo, quer que sejamos escravos dessa alegria fabricada, movida a álcool ou, quiçá, outras drogas, uma alegria que não consola, que não conforta, que não confraterniza, uma alegria tirânica para a qual só temos que nos render feito vassalos, como se tivessemos que nos comportar exemplarmente num ritual de faraós ou déspotas.

Por isso mesmo é que a tragédia da axé-music se revela depois da ressaca. E as quartas-feiras do carnaval baiano tendem a ter mais cinzas.