quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CORDEL DO FOGO ENCANTADO ENCERRA ATIVIDADES


O GRUPO PERNAMBUCANO CORDEL DO FOGO ENCANTADO COM O EX-VOCALISTA LIRINHA, TERCEIRO A PARTIR DA ESQUERDA DA FOTO.

O grupo Cordel do Fogo Encantado, do vocalista e compositor Lirinha (José Paes de Lira), marido da supergracinha Leandra Leal, anunciou o fim de suas atividades.

Apesar do clima de tristeza, o fim foi bastante amigável, encerrando uma carreira de 11 anos e três LPs.

O motivo do fim é a necessidade de Lirinha, que, além de músico, é também ator de teatro, de investir em novas experiências artísticas. Depois de Chico Science, Lirinha é um dos grandes nomes da geração recente de Recife dos últimos 25 anos.

Portanto, numa época em que os "grandes nomes de nossa música" são os popularescos que disfarçam sua impotência artística gravando DVDs de revival não-assumido, covers ou participando de discos-tributos, é de louvar a vontade e a coragem de Lirinha de renovar-se artisticamente. Fica o pesar do fim de uma banda como o Cordel, mas seu ex-vocalista continuará dando preciosas contribuições à Música Popular Brasileira autêntica.

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS PREJUDICARÁ POPULAÇÃO POBRE


CAIO MONDEGO - O TRANSPORTE "ÁGUA COM AÇÚCAR" DE SÃO PAULO TEM SIMILAR EM TESTE EM VÁRIAS CIDADES DO PAÍS, INCLUINDO RIO DE JANEIRO.

Recentemente, esteve em teste, no Rio de Janeiro, o longo ônibus da CAIO Mondego, articulado, similar aos que rodam em São Paulo, que está em teste em várias cidades do país. Pelo seu aspecto bonito e aparentemente prático - é um ônibus longo - , ele pode ser considerado o ônibus "água com açúcar", usado para tranquilizar ou tentar tranquilizar aqueles que ficam perplexos com a expansão do tecnocrático modelo curitibano de transporte coletivo. Afinal, o transporte pode ser ruim, mas tem o lindo Mondego, por sinal há muito castigado pelas superlotações no sistema paulistano. Este truque influiu até para uma pesquisa tendenciosa envolvendo uns minguados dois mil e tantos paulistanos, publicada no portal G1.

A ameaça da padronização visual dos ônibus do município do Rio de Janeiro, medida que é o carro-chefe de um modelo "curitibano" feito para ostentação turística durante os eventos esportivos de 2014 e 2016, é pior do que se pode imaginar. E bem pior do que o que os mais pessimistas podem imaginar.

Simplesmente porque a padronização visual será NOCIVA para a população pobre do Grande Rio, sobretudo a numerosa população da Baixada Fluminense que vai muito para a Cidade Maravilhosa.

Imagine, por exemplo, na Pavuna, a Viação Pavunense, a Auto Diesel, Transportes América, Erig Transportes e a Viação Vila Real exibindo o mesmo visual. As pessoas pegando o 779 Pavuna / Madureira, da Viação Pavunense, pensando pegar a 942 Pavuna / Penha, da Erig Transportes. Ou as pessoas pegando, na Praça 15, o 474 Jacaré / Jardim de Alah da Empresa de Transportes Braso Lisboa, pensando ser o 455 Méier / Copacabana, da Viação Verdun.

O pessoal da Baixada sofrerá mais, porque ficará muito mais confuso. E não adianta o prefeito Eduardo Paes estender o bilhete único para as linhas municipais, ampliar benefícios, botar CAIO Mondego até na linha 904 Vicente de Carvalho / Praça Dois, porque os transtornos que a população sofrerá isso não irá compensar.

Não se trata apenas de dinheiro perdido, mas de tempo perdido. E pode haver passageiros indo para os bairros errados, correndo o risco de serem rendidos por traficantes, ou então pacientes que, por causa dos ônibus errados, demoram para irem ao hospital certo, e acabam morrendo antes do socorro (que já demora um bocadão).

Mas, para as autoridades, o que é o sofrimento da população diante do interesse turístico que é a prioridade delas? E o que é, para os tecnocratas do transporte coletivo, o sofrimento da população diante das certezas absolutas dos projetos tecnocráticos, baseados em operações matemáticas e guiados pela reputação artificial dos diplomas de pós-graduação? Afinal, o que é a experiência vivida nas ruas, diante da burocrática formação dos tecnocratas que se acham juízes máximos da humanidade?

Infelizmente, há pessoas dotadas dessa cegueira elitista que ainda vai lhes trazer sérios e dolorosos remorsos no futuro.

BANDA CALYPSO INICIARÁ "CARREIRA" DE DISCOS REVISIONISTAS


Iniciando o mesmo destino dos ídolos do brega-popularesco, seja na axé-music, breganejo, sambrega etc., a Banda Calypso - numeroso grupo em que apenas o casal prinicpal aparece nas fotos - passará a viver de DVD's e da eterna revisita do seu repertório. O grupo lança CD e DVD ao vivo, comemorativo dos dez anos de carreira.

O grupo, sabemos, tornou-se sucesso dentro de uma manobra que enganou muita gente direitinho, até o professor neo-golpista Eugênio Raggi. Enquanto a mídia golpista vendia o fenômeno paraense como se fosse underground, com direito a gravadora (pseudo) independente e tudo, o grupo na verdade se valeu por três estratégias:

1) O jabaculê (no sentido de propinoduto, não merchandising) nas rádios FM em geral.
2) O contrato com uma gravadora dita "independente" (mas, sem dúvida alguma, sem qualquer relação com a filosofia indie, que no Brasil tem a Baratos Afins como símbolo maior), ligada a grupos empresariais poderosos do Pará.
3) A venda de discos a preços baratinhos, para atrair a curiosidade dos leigos.

Com isso e o som calcado na música de Odair José de forma mais acelerada, somado a uma atitude pseudo-regional, o grupo tornou-se hype e ganhou o apoio imediato das Organizações Globo, eminência parda do Partido da Imprensa Golpista.

Mas, passados alguns anos, incluindo até mesmo rumores de separação do casal Joelma e Chimbinha (creio que deve ser para plantar notícia e chamar a atenção dos fãs), o grupo iniciará a mesma carreira que os popularescos veteranos, de Chitãozinho & Xororó ao Grupo Molejo, de Alexandre Pires a MC Leozinho e de Chiclete Com Banana a Latino, fazem para se manter na mídia: gravar sucessivos álbuns ao vivo, muitos covers, um monte de enrolação que não passa de revival mal-disfarçado dos tempos áureos de sucesso na mídia.

É bom lembrar que a Banda Calypso já lançou um disco de versões acústicas de seus sucessos, além de outro em dueto com os Paralamas do Sucesso (!), talvez por lobby de Hermano Vianna, que pelo jeito prefere o Chimbinha ao hermano Herbert.

A Banda Calypso, repito, já dá amostra de que, como os demais ídolos popularescos, irá disfarçar o natural desgaste artístico de sua mediocridade musical com muitos discos ao vivo, acústicos, duetos, covers, tributos e outros recursos oportunistas.

Afinal, o tempo deles já passou mas eles insistem em tapear a esterilidade musical deles. E tem gente que acha que eles representam o "novo" na nossa música. Quanto cinismo! Assim, a música brasileira será condenada à eterna enrolação dos ídolos popularescos, que ainda por cima farão rodízio entre si no Domingão do Faustão (a Banda Calypso vai aparecer no programa dia 14 próximo). E haja Caras, Quem Acontece, Multishow, Noite Preta FM tentando relançar esses mofados popularescos como sendo "sempre novidade".

Sal de frutas, por favor!!

LÉO SANTANA DIZ QUE NINGUÉM RECLAMOU DO "REBOLATION"


Sem dúvida alguma, o vocalista do horrendo grupo Parangolé nunca leu este blog.

FÃS DE WHITNEY HOUSTON REPROVAM APRESENTAÇÃO


Veja o que é a dita "boa música" que as rádios de gagá contemporâneo empurram arrogantemente para os brasileiros em geral. A "good music", "classics music" e qualquer outro rótulo-baboseira que for.

Pois a melosa cantora Whitney Houston está sendo processada pelos próprios fãs, depois que ela teve um desempenho lamentável em uma apresentação recente na Austrália. A dita "diva" parava entre uma música e outra, confundia os músicos e não demonstrava rendimento no palco.

Irritados, os fãs querem processar a produção do espetáculo, irritados com a performance da entertainer, com o fim de recuperar o dinheiro pago nos ingressos.

Arrogante, um promotor do evento esnobou os revoltados, dizendo que se eles quisessem ouvir a Whitney Houston de vinte anos atrás, que comprassem seus discos. Se bem que, cá para nós, Whitney nunca foi grande coisa, nunca saindo daquela música para embalar casais em moteis de rodovia.

PiG NA BAHIA NÃO SE RESUME À MÍDIA CARLISTA


O Partido da Imprensa Golpista, na Bahia, é algo que até agora não foi devidamente analisado pelos seus críticos. Os blogueiros baianos, sobretudo aquela geração mofada dos "líderes de opinião", sofrem de um certo paulistocentrismo e imaginam que mídia grande só existe no eixo Rio-São Paulo, ignorando que existe também poderio midiático regional. Afinal, na mídia também vale considerar as esferas federal (as grandes redes), estadual (os grupos regionais) e municipal (as sucursais ou os grupos mais regionais ainda).

Este paulistocentrismo, que é considerar que as artimanhas da grande mídia se limitam aos grandes centros (Rio, São Paulo e, quando muito, Brasília), equivale mais ou menos a dizer que a mídia imperialista só existe no Primeiro Mundo e que no Brasil só existe mídia cidadã. Grande equívoco. Felizmente, Porto Alegre é uma das poucas cidades em que o vício paulistocêntrico encontra seu inferno astral.

Quando muito, os críticos baianos da mídia golpista se limitam a considerar apenas a ação da Rede Bahia, grupo de comunicação ligado aos herdeiros do senador Antônio Carlos Magalhães e que é composto, pelo menos em Salvador, do jornal Correio (ex-Correio da Bahia), da TV Bahia (canal 11), da rádio de gagá contemporâneo Globo FM e da emissora popularesca Bahia FM. Como se só o fato do falecido senador, que havia sido também deputado federal, prefeito de Salvador e governador da Bahia, ter sido um dos maiores "coronéis" da Bahia em seu passado recente, inocentasse a mídia restante.

Não é assim. Primeiro, porque existe um jornal conservador que, no plano ideológico, equivale aos perfis da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo juntos. Trata-se do jornal A Tarde. Até fiz dois testes para trabalhar lá, mas a realidade é essa mesma, um jornal de certa forma conservador, embora bem mais discreto nas suas posturas que os jornais paulistas. É uma espécie adormecida de PiG.

Segundo, porque as "rádios AM em FM" que certos blogueiros, tão atrapalhadamente equivocados, tratavam como se fosse "mídia de esquerda", deslumbrados com o denuncismo que desmitifica antigos tótens políticos do interior da Bahia, e com a relativa receptividade a entrevistar sindicalistas e professores universitários.

E aí verdadeiros tubarões que hoje comandam a mídia golpista baiana com mais empenho do que o cansado Antônio Carlos Magalhães Jr. e seu filho "emocrata" ACM Neto, um bravateiro ainda sem o carisma do avô.

Aí não dá para entender por que os "líderes de opinião" baianos, tão posudos em se autoproclamar "a mídia de esquerda baiana", ou os "grandes críticos da mídia golpista" locais, em endeusar Marcos Medrado, Mário Kertèsz e Pedro Irujo, três chefões da mídia gordíssima locais, ou inocentar a família Rebouças (dona da franquia baiana do Grupo Bandeirantes) por qualquer atitude medio-golpista.

Primeiro, porque os três senhores que controlam as FMs mais esquizofrênicas de Salvador - porque se comportam como arremedos malucos de rádio AM, seja o dia inteiro ou em algumas horas - , a Nova Salvador FM, a Rádio Metrópole e a Itapoan FM, todos eles foram pupilos de Antônio Carlos Magalhães, e integravam com gosto a direita baiana apenas, em algumas ocasiões, rompendo com o "painho" conforme a conveniência política do momento. E, nessas ocasiões, pelo menos Kertèsz e Irujo (espanhol que mal sabe falar português direito), tentaram seduzir a esquerda baiana para seu domínio, conseguindo ludibriar alguns deslumbrados que, mais tarde, sentiram o peso da traição pelos mesmos aliciadores.

Já Marcos Medrado, espécie de "coronel" do subúrbio baiano, era um tradicional representante do antigo PDC (Partido Democrático Cristão) baiano, que, fundindo com o que restou do PDS depois de sua nata fundar o PFL (atual DEM), virou PPB (Partido Progressista Brasileiro) e depois PP (a mesma nomenclatura anterior, sem a terceira palavra), portanto um símbolo máximo da direita populista baiana.

Mas, quando o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (também filho de um ex-aliado de ACM, João Durval Carneiro), então no começo de sua primeira gestão, integrava o PDT (Partido Democrático Trabalhista, uma espécie de sarcófago político que nem lembra o partido brizolista de sua história original), um grupo de políticos do PP migrou de forma oportunista para o PP, baseado nos princípios eleitoreiros da infidelidade partidária, verdadeira fábrica de camaleões políticos no país.

Aí, ficou risível ver Marcos Medrado, então presidente do PPB, acomodado no PDT, um partido que em tese é populista, mas no plano ideológico oposto ao do "coronel" do Subúrbio Ferroviário, pelo menos com base no que foi o político Leonel Brizola (1922-2004). Consta-se que a má vontade de Marcos em ficar no PDT é evidente, já que ele ingressou no partido por pressão de outros carlistas enrustidos que estavam no PP. Seu papel político no PDT até diminuiu diante do que ele fazia no PP. Para compensar, Marcos Medrado fez o que o velhaco Mário Kertèsz havia feito antes: foi brincar de radiojornalista e se passar por locutor-entrevistador (obviamente às custas de perguntas e informes escritos por outras pessoas).

Da mesma forma que é risível ver a esquerda baiana e até mesmo dois fundadores do Jornal da Bahia endeusarem Mário Kertèsz como se ele fosse a fina flor da intelectualidade esquerdista, ignorando que foi ele o algoz maior do fim do Jornal da Bahia, como interventor nomeado por ACM. Só que João Falcão e Teixeira Gomes, fundadores do JBa, apoiarem Mário Kertèsz soa o mesmo que a novelista Glória Perez tratar o Guilherme de Pádua com carinho maternal.

Por isso depois o pessoal, desprevenido, teve que engolir Kertèsz atacando toda a esquerda, do PT ao PSTU, seja na sua tendenciosa Rádio Metrópole, seja no jornal (ex-revista) Metrópole tendenciosamente distribuído de graça para os soteropolitanos ("Quando a esmola é tanta, o santo desconfia"), sobretudo diante da sede de A Tarde, aparente concorrente do jornaleco "digrátis".

Quanto a outros exemplos, é bom lembrar que a família Rebouças, representante do Grupo Bandeirantes em Salvador, é famosa pelo apoio dado a Antônio Carlos Magalhães em muitos momentos. Há também, no PiG baiano, o populismo conservador da Tribuna da Bahia, a filial da Rede Transamérica (rede controlada por um banqueiro - nada mais PiG que isso), a breguice local da Piatã FM. Enfim, é o Partido da Imprensa Golpista de Salvador, o que mostra a prepotência arrogante da mídia baiana que certos críticos baianos da grande mídia se recusam a ver.