quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FAVELA É UM MAL CONSEQUENTE DA EXCLUSÃO IMOBILIÁRIA


EXISTE FAVELA ATÉ EM CIDADES COMO NOVA FRIBURGO (RJ)

A ideologia do "funk carioca" (FAVELA BASS) transforma a favela numa arquitetura pós-moderna. Em total desrespeito ao povo pobre, o "funk", tão defendido por pretensos intelectuais no alto de seus apartamentos de luxo frente à praia, impõe determinados papéis para a juventude da periferia. Prende o povo na favela, transforma rapazes em MC's patéticos com voz de fuinhas, transforma moças ora em popozudas apalermadas, ora em mocréias revoltadas, sem oferecer outra alternativa, apesar da engenhosa retórica dizer que "isso não é verdade". Mas o povo da favela vira refém do "funk", não pode ter vida melhor, não pode superar suas desigualdades. Tem que esperar o empresário-DJ de "funk" decidir se o povo favelado terá ou não melhorias de vida.

A favela não é solução, a favela é um problema, como está escrito no blog Caos Carioca. Isso não é uma visão fascista, até porque sabemos o quanto o povo sofre por morar nessas áreas. Pelo contrário, afirmando isso, reconhecemos que há um sério problema de habitação, um sério problema de EXCLUSÃO IMOBILIÁRIA, coisa que as autoridades até agora ignoram ou pensam de forma superficial, sem ações de caráter definitivo. Existem os projetos do PAC, as UPP's, mas são medidas insuficientes.

Sou de esquerda, mas tenho que admitir o mérito do jornalista e governador da Guanabara, Carlos Lacerda, quando, por volta da primeira metade dos anos 60, transferiu moradores de favelas localizadas na altura da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Humaitá para os atuais bairros de Vila Kennedy, na região de Bangu na altura da Av. Brasil, e Cidade de Deus, na altura de Jacarepaguá. A desfavelização é uma boa medida, embora polêmica.

As favelas surgiram com a exclusão imobiliária resultante, pelo menos no Rio de Janeiro, na destruição de verdadeiros bairros para a construção da Av. Rio Branco (inaugurada em 1905 com o nome de Av. Central) e da Av. Pres. Vargas (inaugurada em 1944). Esta última teve construção mais problemática, porque uma imensa área cheia de residências, casas comerciais e até igrejas foi posta abaixo (só restou a Candelária), enquanto o povo se deslocou para outras áreas, aliás nem todos teriam sido indenizados, porque a população sem dúvida alguma era imensa, e muita gente teve que improvisar recursos financeiros e áreas para morar. Os primeiros favelados em larga escala, a ocupar morros e terrenos baldios, vieram do antigo bairro que deu lugar à Av. Pres. Vargas.

Mas a favelização que ocorre em todo lugar no Brasil se dá pela exclusão imobiliária, atingindo sobretudo os trabalhadores da construção civil. Eles constroem belos prédios, tiram do papel projetos de engenharia e arquitetura, transformam a imaginação de engenheiros e arquitetos em realidade. Só isso deveria render maior consideração aos operários da construção. Mas, infelizmente, não é assim.

As residências construídas se transformam em produtos caríssimos que o proletariado em geral não consegue comprar. Mesmo as prestações são insuficientes diante da medíocre remuneração dos trabalhadores. Praticamente expulsos dos edifícios, eles correm para morros, correm para terrenos baldios, para os cais dos rios e lagoas, para os cantos abaixo das pontes e viadutos, e improvisam residências com material ruim, pregando um monte de madeira e juntando uma família por demais numerosa para essa pequena e improvisada residência.

Quando o dinheiro permite, esses trabalhadores substituem as madeiras por tijolos. Mas tudo fica rudimentar, ainda, e os tijolos são pregados quase sempre "nus", sem pôr cimento para cobrir a casa em si, apenas para colar um tijolo no outro. Mas até para um barraco virar uma casa mais ou menos decente, é tudo questão de sorte de obter um emprego com melhor remuneração.

As favelas se tornaram um problema por serem construções irregulares. Sem percebermos, as favelas são um subproduto dos empresários da construção civil, que pelo preço exorbitante dos apartamentos e casas expulsa os trabalhadores de uma residência decente.

Isso cria sérios transtornos. A população revoltada das favelas vê alguns de seus filhos ainda mais revoltados investir na carreira criminosa. As construções irregulares se tornam perigosas para o meio-ambiente, porque destruíram muitas áreas verdes. Criam um cenário grotesco e lamentável, a ponto das favelas localizadas no Vidigal, Zona Sul carioca, serem vistas até na praia de Piratininga, em Niterói. As favelas também criam um visual incômodo em outras cidades, como pude ver na área de Pernambués e Saramandaia, em Salvador.

Não dá para bancar o pseudo-liberal e achar, com certa demagogia cínica, que as favelas são um paraíso da arquitetura pós-moderna mundial. Também não dá para bancar o fascista moralista e condenar os favelados ao suplício. É preciso pensar a desfavelização e a inclusão imobiliária com coragem e objetividade, sem emotividades baratas seja de esquerda ou de direita.

É preciso criar uma política habitacional intensa, rápida, com ações a serem tomadas de imediato, com reuniões e debates rápidos mas produtivos. Tudo para resolver rapidamente uma situação que é calamitosa, porque o povo sofre muito, até durante as chuvas, que causam enchentes ou deslizamentos de terras, ou em situações de curto-circuito (por conta de instalações de energia elétrica clandestinas), como em várias favelas de São Paulo, quando incêndios fizeram os favelados perderem até o pouco que tinham.

A inclusão imobiliária terá que ser uma ideia urgente, uma prioridade para autoridades, pesquisadores, técnicos. Seja para recuperar o meio-ambiente destruído por construções irregulares, seja para dar residência às classes populares, seja para reordenar a estrutura urbana das cidades, e outras coisas mais que o debate público, se for feito de forma efetiva e constante, irá trabalhar.

Ficar conformado com a ideia de favela trabalhada pelo "funk" só vai abrir caminho para o reacionarismo daqueles que pouco se preocupam com a moradia para o povo. Nem uma coisa nem outra são válidas.

Planalto e Supremo planejam intervenção no Distrito Federal


PAULO OCTAVIO, EX-GOVERNADOR INTERINO DO DF, NÃO CONSEGUIU HERDAR A COMPETÊNCIA, A INTEGRIDADE E O CARISMA DO AVÔ DE SUA ESPOSA

Ontem Paulo Octavio renunciou ao governo interino do Distrito Federal e se desfiliou do DEM, o estranho partido direitista chamado apenas de "Democratas" e que, na prática, é mais uma continuação moderna da trajetória da União Democrática Nacional (UDN), o temível partido composto pelos avôs da garotada do DEM. A UDN existiu nos tempos de glória de Juscelino Kubitschek como governador mineiro e presidente da República.

Mas Paulo Octavio, marido da neta de Juscelino, não herdou a competência, a integridade nem o carisma do falecido ex-presidente. Ele foi apenas um empresário entre tantos, fechado nos seus ternos ou nas suas camisas pólo, nas fotos de eventos noticiados na revista Caras. Eu, francamente, não imaginaria, no entanto, que ele se envolveria no escândalo de corrupção comandado pelo então governador José Roberto Arruda, hoje preso. Corrupção que tornou-se conhecida como o "Mensalão do DEM".

Paulo Octavio saiu do DEM expulso pela cúpula do partido, sempre a preservar sua estrutura desde que se livrou de siglas anteriores, seja UDN (que, numa suposta isonomia aos demais partidos cassados pela ditadura, se "extinguiu" pela ação do AI-2), ARENA, PDS, PFL.

E agora o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal pensam em intervir no Distrito Federal, conforme prevê a Constituição, em casos de improbidade administrativa. No momento, o terceiro suplente passou a assumir interinamente o governo do DF, o presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima, do Partido da República (PR). Com Arruda preso, Octavio afastado e Leonardo Prudente, o antigo presidente da Câmara, afastado de tal função, Lima é ligado ao ex-governador Joaquim Roriz e ao próprio Arruda.

Se afastado, Wilson Lima pode ser sucedido pelo presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Níveo Gonçalves, mas ele não tem interesse em assumir o mandato. Daí a hipótese de Supremo e Governo Federal intervirem no Estado, diante dessa desordem política.