domingo, 21 de fevereiro de 2010

BIG BROTHER BRASIL SEGUE A LÓGICA DA MÃO-DE-OBRA BARATA


BIG BROTHER BRASIL OU PiG BROTHER BRASIL? PERGUNTE AO PEDRO BIAL NASCIMENTO, DO INSTITUTO MILLENIUM.

A decadência nem sempre se manifesta pelo repúdio maciço das massas. A crise nem sempre se manifesta através do fracasso mais explícito. A ruína, por si só, nem sempre se manifesta pela miséria e destruição explícitas. Muitas vezes a decadência, a crise e a ruína se expressam sob um verniz de sucesso retumbante.

É o caso da nossa TV aberta. A nossa decadente programação continua prevalecendo, faturando, conquistando anunciantes, apesar da estupidez. E muitos desses programas são líderes de audiência, e nem por isso deixam de ser decadentes. É porque o próprio contexto social em que vivemos é decadente. A crise de valores é que permite que se camufle a crise dos nossos meios de comunicação com um aparente sucesso.

O Big Brother Brasil é a expressão típica dessa decadência. Em sua décima edição, o programa, após o término de cada edição, promove todo um hype em cima de seus ex-integrantes, a maior parte deles simbolizando o vazio existencial da alienação, da curtição como um fim em si mesmo.

Existem exceções, mas essas exceções já tinham seu lugar ao sol antes de entrarem no BBB, como Jean Willys, que foi jornalista no Correio da Bahia, em Salvador, e Grazi Mazzafera, que foi Miss Paraná.

Mas a regra é a imbecilidade, o vazio, a superficialidade, seja de um Kleber Bam Bam, seja de uma Priscila Pires. É a falta do que fazer, é a exposição na mídia de gente que não tem o que dizer, que não tem o que fazer, cujo sentido da fama é, simplesmente, nenhum.

Mas o que muita gente ainda não percebe é que o Big Brother Brasil segue a mesma lógica da mão-de-obra barata no mercado profissional. Um "riélite chou" que nem pode ser chamado de reality nem de "realidade", na forma do nosso idioma, porque se trata de pura ficção, pura encenação.

Há um cenário, há personagens arbitrariamente agrupados, desepenhando um papel que dificilmente pode ser realmente autêntico. Trata-se, pura e simplesmente, de uma sub-dramaturgia da pior espécie, só que sem roteiro, sem argumento, sem atores capacitados. É uma sub-novela de ultimésimo escalão, cuja única "alteração" no "roteiro" se dá por conta das dicas que o diretor dá para cada integrante através do "ponto", que é um minúsculo fone no qual quem aparece no programa recebe "sugestões" da direção.

A lógica da mão-de-obra barata, uma das manobras tradicionais do capitalismo, se justifica por isso. Sem atores capacitados, o "riélite" pode recrutar pessoas anônimas ou famosos decadentes, porque custa mais barato. Sem roteiros nem argumentos, não precisa investir nas equipes de roteiristas, articulistas ou dramaturgos. Tudo fica aleatório, mas tendencioso: improvisa-se um "cotidiano" do nada e, dependendo da audiência, o diretor "orienta" seus "atores" para alterarem ou reforçarem aquela conduta que fez aumentar os pontos no Ibope.

Ao vermos que o apresentador do Big Brother Brasil, Pedro Bial, antes um moderno poeta performático, vestiu a camisa do neoliberalismo de forma mais escancarada possível - o que não causa surpresa, diante dos também ex-modernos Hermano Vianna, Patrícia Pillar e Regina Casé, a apoiar o golpismo cultural brasileiro - , através de sua atuação no INSTITUTO MILLENIUM, cabe aqui nossa pergunta: o nome do programa é BIG BROTHER BRASIL ou PiG BROTHER BRASIL?

CONSÓRCIOS DE EMPRESAS DE ÔNIBUS SÃO OLIGARQUIAS MONTADAS PELO ESTADO


Certas coisas são estranhas. Alguns "busólogos" comemoram o estabelecimento de consórcios de empresas de ônibus para servir o transporte coletivo numa dada cidade ou região metropolitana. Falam mil argumentações tecno-moralistas, do tipo "o transporte será mais ágil e disciplinado" e até se irritam quando são contrariados.

Mas, assim como, no ditado popular, quando a esmola é demais o santo desconfia, na nossa realidade, quando a animação é maior que a festa, é porque alguém quer tirar vantagem com isso.

Observando bem, os consórcios de empresas de ônibus, elemento do padrão "curitibano" de transporte coletivo, modelo tecnocrático implantado, ainda na ditadura militar, na cidade de Curitiba (PR) por tecnocratas que certamente mamavam das benesses do acordo MEC/Usaid e hoje se escondem sob siglas partidárias esquerdistas, como o PDT, para enganar o eleitorado, enquanto dizem para seus iguais "Não, não vou para aquele seminário do Instituto Millenium. O que é que o pessoal vai falar de mim? O Bial está correndo um grande risco, o cara foi até poeta performático...".

Consórcios de empresas de ônibus são OLIGARQUIAS montadas pelo Estado, mediante interesses estratégicos relacionados a uma zona de bairros. Grupos empresariais antes autônomos são agrupados pelo poder político municipal, mediante um acordo entre cavalheiros, e aí formam-se grupos empresariais unidos não necessariamente pela associação administrativa, mas pelo poder político.

Sabemos que, no modelo "curitibano-paulistano" de transporte coletivo, o Estado detém uma empresa paraestatal que controla o sistema de ônibus, como se fosse uma antiga estatal de ônibus, mas com maior concentração de poder político. A padronização visual dos ônibus expressa esse poder, é uma propaganda deste poder.

Com isso, as diferentes empresas de ônibus numa dada cidade ou região metropolitana deixam de ter autonomia operacional, se limitando apenas a investir no aspecto financeiro e técnico das mesmas. Em São Paulo, a empresa de ônibus, de fato, é a SPTrans, que controla as linhas, repito, tal qual uma estatal do transporte coletivo, e compra os ônibus novos para a renovação das frotas, as empresas particulares é que vem com o dinheiro da compra e com o aparato técnico para fazer manutenção ou reparo dos ônibus.

As empresas de ônibus perdem a autonomia operacional nas linhas de ônibus, pois até os pedidos de renovação de frota dependem da avaliação técnica dos tecnocratas do transporte e dos técnicos da Secretaria de Transporte e da paraestatal operadora. Olha a tecnocracia aí, gente!!!!

Por outro lado, os empresários de ônibus AUMENTAM a pressão política na administração municipal. O que significa que, nesse "maravilhoso" modelo "curitibano-paulistano" de transporte coletivo, os empresários de ônibus podem até manobrar para eleger os candidatos de seu interesse.

Além disso, podem haver até medidas antipopulares que podem prevalecer por conta dos interesses dos empresários de ônibus e dos tecnocratas do transporte coletivo. Como, por exemplo, demolir prédios históricos de grande valor histórico-cultural para a construção de vias exclusivas para ônibus, ou na destruição de praças públicas e áreas de lazer para o mesmo fim.

Mas como o beneficiado disso tudo é um ente fictício, criado pela imaginação tecnocrática, chamado "cidadão", tudo fica "lindo" e "perfeito" no discurso e nas exposições retóricas dos técnicos e dos seus adeptos, até mesmo em fóruns da Internet, que não raro geram verdadeiras batalhas argumentativas.

Mas, na prática, porém, as imperfeições aparecem. E já dá para perceber como os empresários de ônibus de Curitiba se preocupam tanto em censurar a imprensa local para esconder os graves defeitos que o sistema apresenta nos últimos anos.