sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AMOSTRA DA DECADÊNCIA DO SISTEMA DE ÔNIBUS DE CURITIBA


SISTEMA DE ÔNIBUS DE CURITIBA: SÍMBOLO DA IDEOLOGIA TECNOCRÁTICA APLICADA AO TRANSPORTE COLETIVO

COMENTÁRIO DESTE BLOG: A reportagem é de 13 de maio passado, mas dá uma boa amostra da decadência do sistema de ônibus de Curitiba, que parte da mídia, das autoridades, empresários e até de busólogos tentam esconder. Em tempo: A demora de espera dos ônibus é consequência de uma das "virtudes" (pasmem!) do sistema tecnocrático de transporte coletivo: a escassez de ônibus nas frotas das linhas.

CURITIBA: DEMORA DE ÔNIBUS TIRAM USUÁRIOS DO SÉRIO

Demora dos ônibus que fazem o trajeto nos bairros

No segundo dia útil de funcionamento da nova linha expressa Pinheirinho-Carlos Gomes, as atenções se voltaram para os responsáveis pelo papel de "ator coadjuvante" no sistema: os ônibus alimentadores. Para a população, os alimentadores - que têm a função de levar os usuários dos bairros até as estações da Linha Verde para que então tomem o expresso - estão deixando a desejar. Segundo os passageiros, o tempo que se ganha com as viagens rápidas do Pinheirinho-Carlos Gomes é perdido em dobro na espera de um ônibus que leve a uma estação do novo expresso.

Os problemas com os alimentadores já tinham sido observados no primeiro dia útil de funcionamento do sistema. Na segunda-feira, uma das viagens da linha Xaxim-Linha Verde, por exemplo, teve de ser "enforcada".


Fonte: BOBNEWS PARANÁ, RPC

IMPUNIDADE FAVORECE UM DOS ASSASSINOS DO MENINO JOÃO HÉLIO



Faz três anos que o simpático menino João Hélio, que, com sete anos incompletos, perdeu a vida no humilhante e assustador suplício de ser arrastado pelas ruas da região de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e um dos assassinos foi beneficiado por uma das brechas legais dadas por ele ter sido menor de idade no momento do crime.

Ezequiel Toledo Lima, um dos membros do bando que assaltou a família de Hélio, hoje tem 19 anos, mas era menor quando o bando tomou o carro da família e, insensível aos apelos da população horrorizada, manteve João Hélio que, com a camisa presa na porta do veículo, teve a cabeça arrastada pelo chão durante o carro em movimento. É uma cena que, quem viu, se sentiu horrorizado e, sem dúvida alguma, foi uma das mais chocantes.

Mas o hilário disso tudo, num país marcado pela impunidade, é que Ezequiel será sustentado pelo Estado. Isso porque ele foi beneficiado por um programa de proteção a crianças e adolescentes ameaçados de morte, depois que Ezequiel recebeu ameaças de morte nos dias anteriores à soltura. Melhor fosse que ele continuasse preso.

A decisão equivocada da Justiça inspira os debates em torno da maioridade penal, já que existem casos de adolescentes cometendo crimes conscientemente. Aqui vale uma crítica severa aos movimentos esquerdistas, que alegam que a redução da maioridade penal dos 18 para os 16 anos representam a "perseguição para as classes trabalhadoras" e "uma violência contra o menor carente das classes pobres".

Mas isso não representa segregação social. Por exemplo, nos atentados cometidos por estudantes nos EUA, tratam-se de alunos de classe média que, mesmo sendo menores de idade, tiveram um rigoroso planejamento dos atentados, numa minúcia comparável ao dos estrategistas de guerra. No Brasil, também há o caso do jovem bandido que comandou o sequestro e o homicídio do casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em Mogi das Cruzes, que tinha apenas 16 anos e sabia o que estava fazendo. Hoje esse criminoso já completou a maioridade.

Será que estabelecer responsabilidade penal para menores de 16 anos que participam conscientemente de atividades criminosas é promover a "perseguição" às classes trabalhadoras e aos menores carentes? Nada disso! Não se deve confundir uma coisa com outra!

Vamos botar os pingos nos "ís", pessoal!

VIRADOURO: BOTAR CRIANÇA PARA RAINHA DA BATERIA NÃO DEU CERTO


Francamente. A escolha de uma menina de sete anos para ser rainha da ala da bateria da escola de samba Unidos do Viradouro - posto que em outros tempos pertenceu à ex-modelo Luma de Oliveira - , não deu certo.

Mesmo com o sinal verde do Juizado de Menores, a menina Júlia Lira, filha do presidente da escola de samba, Marcos Lira, é muito nova para assumir tal posição. E nem é por questões de moralismo, embora o papel de rainha da bateria expresse sensualidade. Mas, para um país que empurra a pornografia do É O Tchan e do "funk carioca" (FAVELA BASS) para a criançada, impunemente, escolher uma menina ainda pequena para ser rainha da bateria parece "natural", aos olhos dos incautos e dos pais e mães dotados de omissão e desleixo moral.

Em todo caso, a Unidos do Viradouro levou a pior no júri carnavalesco, há alguns dias, e caiu para o chamado Grupo de Acesso, espécie de segunda divisão do Carnaval carioca. Bem feito para as pretensões "generosas" do sr. Marcos Lira, que, além disso, se julgou injustiçado pelo júri.

BAIANO E OS NOVOS CAETANOS: EM MEMÓRIA DE ARNAUD RODRIGUES


O RECÉM-FALECIDO ARNAUD RODRIGUES FEZ COM CHICO ANYSIO UM INTERESSANTE PROJETO HUMORÍSTICO-MUSICAL, BAIANO & OS NOVOS CAETANOS.

Às vezes juntar humor e música dá certo. Na maior parte das vezes não gera produtos geniais, mas eles conseguem estar acima até mesmo de muita coisa levada a sério demais.

Nomes como Spinal Tap, uma paródia de uma banda de rock pesado, o projeto musical dos comediantes do Monty Python, os Rutles (paródia dos Beatles apadrinhada pelo Monty Python mas feita por outros comediantes) e o brasileiro Massacration, que faz heavy metal de verdade apesar da atitude humorística (seus integrantes são o mesmo grupo de humoristas Hermes & Renato). E mesmo o Casseta & Planeta, cujos LPs são mais discos de comediantes, também conta com músicos de verdade (sem falar que um dos integrantes, Reinaldo Figueiredo, que interpreta, entre outros, o Osama Bin Laden e o Rubinho Pé de Chinelo, também é músico de jazz, a sério).

O caso do Baiano & Os Novos Caetanos, paródia do movimento tropicalista e de seus derivados - o nome tira um sarro com Caetano Veloso e os Novos Baianos - , é um destaque na música brasileira. Projeto de Chico Anysio com Arnaud Rodrigues - humorista que fez aquele personagem cego em Roque Santeiro e que faleceu há três dias num naufrágio em Tocantins - e outros músicos, a banda lançou dois LPs, um em 1974 e outro em 1975, e depois outro em 1982.

A sátira aos Novos Baianos, presente no som, teve até um hit: "Vô Batê Pa Tu", que, pelo título, tenta parodiar os dialetos africanos, quando seu sentido implícito (mas nem tão escondido assim) está na crítica à ditadura militar, que em 1974 estava no auge das ações dos torturadores do DOPS e do DOI-CODI, que até 1976 faria, entre muitas vítimas, dois prisioneiros cujas mortes influenciaram o desgaste da fase extrema do AI-5, o jornalista Wladimir Herzog, da TV Cultura de São Paulo, e o sindicalista Manuel Fiel Filho.

Embora a sonoridade não tenha sido revolucionária, Baiano & Os Novos Caetanos, musicalmente, eram até mais sérios que, por exemplo, a atual axé-music, só para citar um ritmo que, realmente, parodia musicalmente os Tropicalistas, levando o legado dos pós-modernistas baianos ao ridículo. Compare Baiano & Os Novos Caetanos com Chiclete Com Banana, por exemplo, na maior prova de avaliação musical, a audição de CDs. Se concluirá, com a máxima segurança, que a banda de Bell Marques é que é uma grande piada.

ARNALDO ANTUNES FEZ CRÍTICA À TECNOCRACIA



"O passageiro de ônibus quer apenas conforto e rapidez". "O ouvinte de rádio quer acima de tudo prestação de serviço e informação". "Na vida amorosa, a mulher tem que escolher como marido o homem que possa sustentá-la e protegê-la".

Estas e outras frases expressam o ideal de racionalidade da tecnocracia. Uma tecnocracia que trata o povo como uma massa disforme, destinada a ter apenas o básico para sua sobrevivência.

O ideal tecnocrático tem seus defensores entusiasmados, às vezes provocadores, não raro autoritários. Num país ainda subdesenvolvido como o Brasil, a tecnocracia é uma espécie de religião salvadora que promete milagres e respostas para todas as questões humanas. Isso não é verdade, mas muita gente acredita assim e tem argumentos verossímeis - mas, com um olhar mais atento, contraditórios - para defender o ideal tecnocrático, não com essa denominação. A "religião" tecnocrática não se considera tecnocracia, prefere usar o rótulo de "cidadania". Para difundir esse monstro abobalhado chamado "cidadão", sem cara, sem forma, mas feito para representar os interesses tecnocráticos atribuídos supostamente ao povo.

Pois Arnaldo Antunes havia escrito uma letra criticando a tecnocracia. Poucos perceberam. Trata-se de "Comida", cuja música Arnaldo, então integrante dos Titãs, também fez, em parceria com Sérgio Britto e o falecido Marcelo Fromer. A música foi um grande sucesso, faz parte do álbum Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas, de 1987, e teve até remix dançante. Mas ninguém percebeu a intenção da letra, aparentemente um poema concreto sem sentido.

Os primeiros versos são contundentes. A tecnocracia que só pensa objetivamente no "cidadão", no fundo, deseja apenas para o povo o supostamente básico, as necessidades imediatistas, as necessidades objetivas. Não está aí para o prazer, nem para a complexidade do ser humano com suas novas necessidades subjetivas. Daí os primeiros versos, contundentes: "Bebida é água, comida é pasto". Vejam a letra:

COMIDA (Arnaldo Antunes - Sérgio Britto - Marcelo Fromer)

Bebida é agua
Comida é pasto
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte,
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer

Bebida é agua
Comida é pasto
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade

Bebida é agua
Comida é pasto
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte,
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer

Bebida é agua
Comida é pasto
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade

Desejo,
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade