quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CONSELHO PARA EDUARDO PAES: DESISTA DA PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS


Com R$ 80 milhões de reais destinados ao sacrilégio de pintar os ônibus cariocas com visual padronizado, a exemplo do "stalinismo de mercado" do transporte coletivo de Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, poderia investir em outras coisas realmente necessárias, como novos concursos públicos e, quem sabe, num novo concurso para novos policiais, para reforçar a segurança na Cidade Maravilhosa.

Uma boa sugestão seria destinar esses R$ 80 milhões para a despoluição da Baía da Guanabara, cujo vergonhoso estado de sujeira não será compensado com ônibus iguaizinhos para turista ver e para confundir os passageiros de ônibus.

O argumento de que a verba sairia dos bolsos dos empresários de ônibus não serve de desculpa, até porque os empresários do setor poderiam também ajudar a despoluir a Baía da Guanabara, contribuindo assim com uma atividade social que beneficiará a todos.

Agora, pelo amor de Deus, não dá para admitir que um prefeito prefira pintar os ônibus iguaizinhos, enquanto não consegue despoluir as águas que banham várias cidades do Estado do Rio. Isso é uma burrice que, sem dúvida alguma, vai custar muito caro para a imagem do Rio lá fora.

Acorda, Dudu Paes!! Ou terá que indenizar os passageiros de ônibus, um a um, por pegarem ônibus errados e por contraírem doenças nadando nas sujíssimas águas fluminenses.

PETKOVIC DEFENDE SOCIALISMO EM PROGRAMA DE ANA MARIA BRAGA


O jogador Dejan Petkovic, sérvio naturalizado que atualmente joga no Flamengo, fez defesa do regime socialista no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga, uma das ilustres personalidades da mídia gorda da Rede Globo de Televisão.

Ana Maria Braga, como provocação, perguntou ao craque sobre como é nascer num país "com tanta dificuldade". E eis que Petkovic respondeu: "Quando nasci não tinha dificuldade nenhuma. Era um país maravilhoso, vivíamos um regime socialista, todo mundo bem, todos tinham salário, todos tinham emprego. Os problemas aconteceram depois dos anos 80".

Certamente, esta declaração simples nunca seria incluída no horroroso "funk" feito em suposta homenagem ao jogador, em que, diante de um monte de palavreado, se solta o refrão repetitivo "É o Pet, é o Pet...", a exemplo daquele jingle eleitoral da campanha para a Prefeitura de Salvador de 2008, quando o PT e o PMDB despejaram o mesmo refrão conforme o número de registro do partido: "É 13, 13, 13, 13..." ou "É 15, 15, 15, 15...".

Isso porque o "funk" é a menina dos olhos das Organizações Globo, integrante do Partido da Imprensa Golpista, e tudo que for reacionário e conservador. E Ana Maria Braga é conhecida também por ter participado, junto com Hebe Camargo, Ivete Sangalo e Zezé di Camargo naquela campanha "Cansei", caricatura daquelas marchas Deus e Liberdade que pediram a derrubada de Jango em 1964.

SAMBREGA TAMBÉM TEM REACIONÁRIO


Opa, a indústria de reacionários não para de criar seus esquentadinhos.

Um desocupado foi descontar todas suas frustrações pessoais em cima de nosso blog, com raiva deste blog. O infeliz atende pelo nome de Cristian e, se ele não for algum assessor ou divulgador de ídolos de sambrega nem trabalhar em alguma emissora de rádio ou TV, só pode ser um mal-amado que levou bolo em algum evento de sambrega.

Diz ele, no mais pré-histórico português: "vc comenta essas coisas pq ñ gosta do verdadeiro pagodão, a coisa boa da vida. Palhaço...".

Provavelmente o carinha, verdadeira marionete da mídia, quis defender o tal do Alexandre Pires, incomodado com os textos informativos que vão contra suas ilusões.

Pelo jeito, o pai do tal Cristian deve ter militado, nos anos 60, no Comando de Caça aos Comunistas, para ter um filho tão reacionário.

Escute aqui, Cristian, se não gosta deste blog, não leia! Vá procurar outra coisa para fazer. Palhaço é você! Na próxima, Cristian, mostre-me a carteirinha do Partido da Imprensa Golpista ou do fã-clube do Diogo Mainardi, viu?

O VERDADEIRO MESTRE DE ALEXANDRE PIRES


O CANTOR ALEXANDRE PIRES E SEU MESTRE MAIOR, O CANTOR BREGA JOSÉ AUGUSTO

Alexandre Pires se diz influenciado pelos grandes sambistas e cantores de MPB. Oportunista, tentava nos fazer crer que ele era influenciado por Maysa, Wilson Simonal, Agostinho dos Santos, Ataulfo Alves, Tom Jobim, Paulinho da Viola, Marquinhos Satã, e o que vier.

No entanto, é só ouvir seus CDs - ironicamente, este artigo está sendo escrito quando a vizinhança toca um sucesso de Alexandre Pires, aquele que começa "tô fazendo amor com outra pessoa", um dueto do dito cujo com Alcione - que tais "influências" são clara, explícita e escancaradamente desmentidas.

As VERDADEIRAS INFLUÊNCIAS de Alexandre Pires, como a própria canção - que, numa pesquisa, vi que o título é "Depois do Prazer" - , de uma breguice dolorosa, indica, são todas de cantores bregas.

Assim, a carreira de Alexandre Pires, na verdade, é toda calcada em cantores bregas: Agnaldo Timóteo, Odair José, Paulo Sérgio, Evaldo Braga, Wando, José Augusto, Fernando Mendes, Benito di Paula, Luís Ayrão, Michael Sullivan & Paulo Massadas, Fábio Jr. Sobretudo José Augusto, cuja elaboração musical e estilo vocal influenciaram decisivamente o ídolo sambrega de Uberlândia. Daí o cantor e autor de "Evidências" - gravada pelos amigos de Mr. Pires, Chitãozinho & Xororó - ser o mestre maior de Alexandre Pires.

Não há um único elemento de samba autêntico na música que Alexandre Pires fez, seja com o grupo Só Pra Contrariar, seja em carreira solo. Nem mesmo samba autêntico misturado. Nem com qualquer fusão pós-moderna, pós-tropicalista, pós-bossanovista, cibermodernista ou coisa parecida.

O som de Alexandre Pires é, pura e simplesmente, MÚSICA BREGA. Com toda a cafonice que se tem direito. Apenas disfarçado com alguma batida caricata de samba, que não nos engana de modo algum.

ESCLARECENDO A "ANTROPOFAGIA" DE OSWALD DE ANDRADE


Oswald de Andrade (1890-1964), um dos intelectuais da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos dois Andrades que, sem qualquer parentesco apesar do sobrenome, foram amigos do poeta e também modernista Mário de Andrade (o outro, Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundou com Mário o SPHAN, atual IPHAN), é responsável pela ideia de "antropofagia" cultural que hoje conhecemos.

A "antropofagia" oswaldiana foi lançada pela revista organizada por ele e outros intelectuais, a Revista de Antropofagia. Foi em 1928. Os números eram creditados como "primeira dentição", "segunda dentição" e por aí vai.

A inspiração do termo se deu pelo costume canibal de certas tribos indígenas. O episódio mais famoso ocorreu em 16 de julho de 1556, no litoral de Alagoas, quando o padre português Pero Fernandes Sardinha, de 60 anos, durante um naufrágio no local, foi capturado e devorado por índios da tribo caeté. Alguns historiadores, no entanto, atribuem o canibalismo aos índios da tribo tupinambá.

O que se sabe é que a antropofagia indígena consistia em devorar um ser humano não por motivos de nutrição, mas pela crença de que, alimentando sua vítima ou inimigo, o índio estaria absorvendo as virtudes do devorado, tornando-se mais forte por isso.

Na metáfora de Oswald de Andrade, a antropofagia consiste na absorção do elemento estrangeiro pela cultura brasileira. Oswald acredita na força da cultura brasileira que, diante da influência colonizadora do estrangeiro, absorve seus elementos mas reativa, renova e redimensiona suas forças locais. Em outras palavras, a cultura brasileira absorve elementos estrangeiros, mas a sua força local faz trabalhar esses elementos como força renovadora das expressões locais.

Por isso mesmo, é bom diferir a simples tradução fria e aleatória do elemento estrangeiro pela "cultura de massa" brasileira da antropofagia oswaldiana. Vamos fazer uma comparação que difere muito bem a "cultura de massa" do brega-popularesco com a verdadeira cultura moderna brasileira, a primeira sem qualquer vínculo com os princípios modernistas e a segunda com qualquer vínculo. Vamos diferir o que é antropofagia cultural e o que é entreguismo cultural.

Há dois casos de pessoas entrando numa casa. Uma é a de um grande amigo que visita uma família, outra a de um ladrão que invade uma casa. Na antropofagia, a ideia é a de um amigo que visita uma família. É alguém de fora que é recebido, fica à vontade, mas sabe muito bem que a casa não é sua. É tratado com carinho e sua visita deixa marcas na vida da família, mas é de todo modo alguém de fora, embora com influência benéfica. Já o entreguismo cultural se assemelha a um ladrão que invade uma casa, leva os pertences e apenas mantém as vítimas vivas.

Como é que vamos atribuir como antropofagia cultural os ritmos da Música de Cabresto Brasileira, se dá para perceber que sua "brasilidade" soa caricata e confusa? Além disso, classificá-la assim soa etnocêntrico, mais parece uma visão de intelectuais de classe média que julgam as expressões musicais de caráter duvidoso diante de suas lentes abastadas. Um bondoso etnocentrismo, mas ainda assim etnocêntrico: o outro sendo julgado não pelo que é, mas pelo que os intelectuais gostariam que fosse.

O "funk carioca" (FAVELA BASS) nunca seria antropofágico, porque sua "brasilidade" é frouxa e tendenciosa. Além disso, quase todos os funqueiros não têm ideia de quem foi Oswald de Andrade. Como também não teriam outros popularescos, sejam os músicos de sambrega e breganejo, claramente entreguistas no aspecto cultural, fazendo imitação de música estrangeira dentro de uma roupagem brasileira de fachada. Ouvindo, sabe-se que os breganejos estão mais preocupados em imitar (de forma bem caricata e subserviente) o country e os sambregas a soul music usando apenas uma fachada "brasileira" até por questões de mercado. A brasilidade se torna apenas um artifício para disfarçar o elemento estrangeiro dominante.

Dos ritmos recentes, o mangue beat pernambucano é o que melhor traduz as ideias oswaldianas de antropofagia. é uma rica assimilação do hip hop, do rock pesado e do funk autêntico mas dissolvida dentro de referenciais do folclore local, como o maracatu, o frevo, o coco e outros ritmos locais. A Bossa Nova também é outro caso, quando o jazz e os standards de Hollywood encontraram os elementos de samba e até baião que resultaram numa fusão musical que conquistou o resto do mundo. Nestes dois casos, os elementos estrangeiros foram assimilados, mas sobressaiu a linguagem brasileira.