terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

BELAS JORNALISTAS SÃO SOLTEIRAS NA FICÇÃO. NA REALIDADE...


CAMILA MORGADO FAZ A JORNALISTA MALU TRINDADE, NA NOVELA DA REDE GLOBO VIVER A VIDA

A ficção é muitas vezes maravilhosa. Nerds se dando bem, namorando as mulheres de seus sonhos, as pessoas malvadas sempre obtendo algum prejuízo, e outras situações estereotipadas.

Na novela Viver a Vida, a personagem Malu Trindade, interpretada pela belíssima Camila Morgado (na vida real, uma das raras solteiras classudas), mostra a abordagem fictícia da jornalista de Economia. É um papel cômico, naturalmente opção da dramaturgia, o que é perfeitamente normal e saudável.

Mas o que se vê é uma situação que não corresponde realmente à realidade. Uma linda jornalista de Economia, como qualquer jornalista de outra área, solteira ou vivendo problemas na vida amorosa? Na realidade, isso não ocorre.

Normalmente as jornalistas do perfil de Malu Trindade são casadas. As exceções não conseguem reverter a regra dominante. E, se as belas jornalistas têm problemas na vida amorosa, só podem ser da rotina do casamento, pachorrenta, insossa, do tipo não fede e nem cheira, normalmente com um marido que é executivo, profissional liberal ou empresário. Que, profissionalmente, é uma beleza, mas na hora do lazer ele mal sabe discernir uma reunião de amigos com uma reunião de negócios. Ainda assim, elas continuam "carregando" o casamento, até quando for possível. Um casamento tão insosso que, se a jornalista, em uma entrevista tipo "pingue-pongue", tiver que responder sobre o ítem "homem bonito", ela dificilmente citará o próprio marido.

É até curioso que, na ficção das novelas da Rede Globo, existam boazudas casadas com policiais ou bicheiros, enquanto na realidade elas vivem a recusar pretendentes para viver o resto da vida brincando com sobrinhos ou fazendo o que mamãe e irmão orientam.

Enquanto isso, a jornalista bela e classuda vive problemas amorosos na ficção. Na realidade, a jornalista bela e classuda é a esposa brilhante do marido insosso, do sisudo empresário, economista ou dirigente de qualquer coisa que, de tão bitolado nos negócios, não consegue se livrar da mesmice dos ternos e gravatas mesmo em festas um pouco mais informais. Ou do sisudo de primeira viagem, hoje entre os 41 e os 45 anos, empresário ou profissional liberal de seus primeiros louros financeiros, cujo gosto musical é pautado automaticamente no Live Aid, independente da qualidade do cantor ou grupo idolatrado, tal qual a Era de Ouro de Hollywood para seus equivalentes hoje em torno dos 55 anos, também independente da qualidade do cantor ou grupo idolatrado.

Mas, em todo caso, sendo esses maridos insossos das belas jornalistas os homens quarentões nos seus primeiros trunfos nos negócios ou nas profissões liberais, a desaprender toda a conduta espontânea e alegre dos seus tempos estudantis. A darem um sorriso cansado e constrangedor no seu lazer sem imaginação. E já viciados em suas camisas pólo e nos sapatos de verniz, até mesmo durante um simples lanche com suas esposas e filhos, numa lanchonete de grande movimento de alguma capital.

Vamos sonhando com Malu Trindade e seu sorriso encantador, enquanto na vida real solteiras mesmo são as "solineuzas" e "norminhas" que cantarolam sucessos bregas de Fábio Jr., Alexandre Pires e Calcinha Preta.

TELECINE CULT E A ACEITAÇÃO PASSIVA DE SEUS EQUÍVOCOS


Fazem falta pessoas como o crítico de cinema Walter da Silveira e o estudioso Paulo Emílio Salles Gomes, de intelectuais como Glauber Rocha - que, antes de ter sido um cineasta dos grandes, era também um pensador de cinema - , ou mesmo de alguém não diretamente ligado ao cinema como o nosso Sérgio Porto, que às vezes adotava o codinome Stanislaw Ponte Preta.

Pois o TeleCine Cult, maior equívoco da Rede TeleCine - poderia ter mantido o nome TeleCine Clássico, seria menos pretensioso - , insiste em passar filmes comerciais como se eles fossem alternativos. Fica um quê de "superioridade imperialista" dos EUA, como nos lembrou Bruno Melo no seu blog Cultura Alternativa, uma vez.

Mas ninguém reclama. Vou na busca do Google com a palavra-chave "TeleCine Cult" e tudo fica como se tanto faz ou tanto fez. A passividade e a desinformação do pessoal é tamanha. Pior: teve uma comunidade sobre cinema alternativo no Orkut e eu fiz a queixa, de que o canal exibia filmes comerciais norte-americanos, algo que seria risível nos tempos dos antigos cineclubes. Aí veio um carinha que, para justificar qualquer absurdo, sempre minimiza o problema com desculpa. Ele logo disse que é porque, com tanto filme com sexo e violência, os filmes comerciais do TeleCine Cult pelo menos são uma "alternativa".

Essa desculpa é absurda. Principalmente se vermos que, no Canal Brasil, espécie de "primo pobre" do TeleCine Cult em termos de proposta - aproximadamente falando - , as pornochanchadas andam sendo promovidas como "relíquias cult" (!). E o TeleCine Cult, que alegra tanto marmanjão, tanto crítico sessentão que não tem mais o que reclamar, já passou Robocop, Steven Seagal, com toda a porradaria, sem cortes.

Mas até dizer que a fase áurea de Hollywood é agora "cinema alternativo" é inadmissível. Até porque gerações inteiras de cinéfilos, de críticos e de estudiosos de cinema sempre contestaram o mundo fantasioso de Hollywood. Foi para negar esse universo fantasioso que o verdadeiro cinema alternativo se desenvolveu.

Agora uns e outros são considerados por alguns idiotas como sendo a mesma coisa, e nenhuma reclamação é feita. Fica uma passividade revoltante, ridícula, de gente que se julga inteligente mas se comporta como verdadeiro banana. Se para essas pessoas, tanto faz se cinema alternativo for Luís Buñuel ou Steven Spielberg, é sinal de que algo está errado. E muito errado.

A essas alturas, dá vontade de gritar "COOOOOORRRRRRTAAAAAAAAAAA"!