sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

TRANSIÇÃO DO BREGA-POPULARESCO PARA A MPB É IMPOSSÍVEL


NÃO SERÁ A ESQUIZOFRENIA MUSICAL DE NOMES COMO CHITÃOZINHO & XORORÓ QUE VIVEREMOS A TRANSIÇÃO DA CULTURA POPULARESCA PARA A VERDADEIRA CULTURA POPULAR

Os defensores do brega-popularesco - um mercado milionário que, queiram ou não queiram seus defensores, conta com apadrinhamento explícito das elites dominantes no nosso país - acreditam que, para o grande público alcançar a MPB autêntica, terá que se feita uma transição através de ídolos popularescos mais "lapidados", como é o caso de Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Exaltasamba e Ivete Sangalo ou mesmo nomes como DJ Marlboro e Frank Aguiar.

Certamente, esta sugestão está em consonância com o que as elites poderosas sempre quiseram em nosso país: criar falsas rupturas com a ordem vigente, desde que se mantenha toda sua estrutura e até mesmo boa parte dos personagens da trajetória anterior.

Segundo os livros de História, o império brasileiro se instaurou mantendo a estrutura do Brasil colônia, coisa que nem o grito da independência de Dom Pedro I conseguiu superar. Havia a Revolução Industrial na Europa, já se expandindo do berço britânico para outros país que hoje são os mais ricos, seja a França (que havia sido histórica rival da Inglaterra), sejam os emergentes Estados Unidos. O socialismo proletário já começava a lançar suas primeiras ideias, mas no Brasil o regime escravo continuava prevalecendo, apesar dos movimentos abolicionistas.

Mas a mobilização abolicionista e, junto a ela, os movimentos republicanistas, nada fizeram para superar a estrutura imperial do Brasil do século XIX. Pelo contrário, o que se via como um novo período, a República brasileira iniciada em 1889, e o que se definia como uma aristocracia nova e moderna, a elite produtora de café, se envelheceu tão rapidamente que, num espaço de pouco mais de 45 anos, já soavam, a República e os cafeicultores, velhos e antiquados. Daí o nome de República Velha dado pelos historiadores mais renomados.

No passado recente, houve uma ruptura violenta, mas para pior. O Golpe de 1964 fez interromper todo um processo de evolução de um país. Que, em muitos aspectos, não foi recuperado na sua essência ou mesmo na aparência. Uma geração de políticos foi cassada e, de seus remanescentes, vários envelheceram e perderam o potencial idealista, e outros que eram mais conservadores se tornaram lamentavelmente caquéticos.

Mas, se toda a mobilização sócio-cultural de 1961-1964 foi reduzida a cacos pelo golpe, pela ditadura e pelo AI-5, a redemocratização do país foi orquestrada pelas mesmas elites políticas civis que pediram a derrubada de Jango e apoiaram toda a ditadura. Em todo o período de 1985 a 2002, o Brasil continuou sendo governado por herdeiros diretos do udenismo, já que sabemos que, na prática, a UDN continua existindo até hoje, apenas mudando de siglas para salvar seus princípios: ARENA, PDS, PFL, DEM.

Mas, quando Lula ameaçou, no começo de seu primeiro mandato, reconstituir o projeto político de João Goulart dentro de um contexto mais light, tão cedo vieram os abutres políticos que, se não eram diretamente ligados ao pragmatismo da dupla PSDB/DEM, estavam vinculados de uma forma ou de outra a partidos pequenos, verdadeiros parasitas políticos que se alimentam, eleitoralmente, de coligações, ou então do balaio de gatos chamado PMDB, a outra face podre herdada da ditadura, sendo o partido remanescente do regime militar.

Na música, os ídolos bregas foram diretamente respaldados pelas elites conservadoras que controlam o entretenimento e a mídia nas regiões interioranas de nosso país. E que em diversas regiões as oligarquias políticas e econômicas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e do interior brasileiro em geral se empenharam em "abrasileirar" a música brega.

Os primeiros ídolos cafonas surgiram emulando ritmos estrangeiros fora de moda e de forma bem precária e medíocre, o que dá num paralelo exato à política de Roberto Campos, Otávio Bulhões e Delfim Netto. Este projeto econômico se valia usando tecnologia estrangeira obsoleta no Primeiro Mundo, tal como os boleros caricatos de Waldick Soriano lançados no calor da Bossa Nova.

Mas as necessidades de implementar a economia e o turismo nacionais fizeram com que a música brega tivesse que se "abrasileirar" para que futuramente tenha que competir com a própria MPB no auge na primeira metade dos anos 70.

Depois, dos anos 80 para cá, enquanto a indústria pasteurizava a MPB matando-a através de um padrão tosco de mixagens e das pressões do sucesso comercial, a música brega, tomando como modelo justamente essa mesma MPB pasteurizada, tentava sobressair através do pedantismo, de breganejos com gaitinha, de sambregas com flautinha, de axés megalomaníacos, "pancadões" falsamente engajados, forrós-calcinhas falsamente regionais (aliás, nem isso: o "regionalismo", em muitos casos, era só rótulo, só marketing). Fora os ritmos "universitários" de hoje, todos com cada tendência popularesca equivalente, muito mais próximos do reacionarismo dos estudantes paulistanos ligados ao Comando de Caça aos Comunistas do que ao hoje esquecido legado universitário dos Centros Populares de Cultura da UNE.

Quando a Internet hoje mostra uma infinidade de artistas autênticos que não se submetem a regras mercadológicas e por isso não encontram vez na grande mídia ou mesmo em parte da mídia de esquerda que, embriagada no "funk" ou seduzida pela axé-music, se corrompe desastrosamente, os ídolos popularescos tentam correr atrás do prejuízo - o que quer que essa expressão signifique - gravando sucessivos duetos, DVDs ao vivo, covers de MPB, enquanto aparecem bajulando fãs, cantando para ricaços nas Ilhas Caras, indo para tudo que é feira de agropecuária, "visitando" o Faustão todo domingo, em verdadeiro rodízio de nomes (mas sempre eles).

Aí esses ídolos popularescos, temendo o ostracismo certo dado para quem aposta na mediocridade, tentam até chorar, e o exército de defensores, muitos deles agressivos, debochados, irônicos e caluniadores, outros apenas ingênuos e dóceis, tentam nos convencer que o caminho para a cultura popular autêntica, ou para a Música Popular Brasileira de verdade, está nesses ídolos popularescos que não criam bulhufas, e quando tentam fazer alguma coisa, soam gritantemente ruins e pretensiosos.

A verdade é que essa transição é impossível. Seria como a gente alcançar a democracia socialista através do apoio do PMDB. Não dá para apostarmos em Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Exaltasamba, Roberta Miranda, Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, DJ Marlboro, Frank Aguiar, Mastruz Com Leite, Benito di Paula nem Odair José ou Grupo Revelação para chegarmos ao paraíso social da MPB. Não dá.

O ideal para chegarmos à MPB plena e verdadeira será romper radicalmente com todos eles. E isso não significa a gente criar normas ou preceitos. De jeito nenhum.

Quem cria preceitos ou normas é o outro lado, quando transforma um grupo de sambrega como Exaltasamba num arremedo sem alma do samba de verdade. Quando, convertendo Alexandre Pires num crooner de luxo, tenta vendê-lo como cantor de MPB. O mesmo quando tentam inserir Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano num ecletismo urbano risível, ou quando tentam inserir Leonardo e Daniel nas portas dos fundos da MPB por meio de um repertório de covers românticos. Quando tenta vender Waldick Soriano como um "cantor de protesto". Ou quando tentam classificar Tati Quebra-Barraco como "musa do verão pós-tropicalista", como fez Erika Palomino nas mesmas páginas impressas ou digitais da Folha de São Paulo que apavoram os "caros amigos" condescendentes com os funqueiros. Ou quando os ídolos da axé-music se apropriam de tudo quanto é ritmo, do baião ao Rock Brasil, para forjarem um ecletismo e usurparem, em causa própria, a música brasileira como um todo.

Esses é que seguem as normas e os preceitos da "boa MPB". Tudo para garantir uma "transição" que mantenha as estruturas de poder vigentes. Como nas oligarquias que fizeram a República Velha, mas que mamavam nas tetas do Segundo Império. Como nas aristocracias que redemocratizaram o país, 20 anos depois de terem pedido uma ditadura para abafar uma mobilização social radicalmente democrática e não necessariamente vinculada ao trabalhismo ou a forças moscovitas, castristas ou maoístas. Ou como a malandragem peemedebista que mergulhava tranquila em águas tucanas, mas manteve seu bem-bom seduzindo os petistas.

Essa transição está de acordo com os interesses das elites. Está em consonância com a vontade neoliberal. "Justiça Social" dentro dos limites do poderio econômico das elites. Dentro daquilo que não atinja os privilégios dos detentores do poder. Parece "democrático", porque à primeira vista parece "pacífico" e "conciliador". Mas, na realidade, soa injusto, restritivo e inútil.

É possível uma nova MPB. Uma MPB transparente. Uma MPB com letras maiúsculas, sem usar o espetáculo como firula ou disfarce. Uma cultura popular que não seja aquela que a mídia e seus defensores (que, defendendo a mídia, tentam desmentir seu poder de controle social) desejam. Uma MPB com estética, sim, com ética, sim, e sobretudo que não confunda humildade com desleixo, simplicidade com precariedade, autoestima com prepotência.

Essa MPB praticamente não existe nas rádios. Não aparece para o Faustão. Não repercute no SBT nem na Record. Não é bajulada por professores ou antropólogos chapa-brancas. Não pinta na Caras, nem nas revistas sobre ídolos da TV. Está ausente nos rodeios e vaquejadas, feiras de agropecuária e agronegócio, nos "bailes funk", nas micaretas, não sobe nos trios elétricos. Mas é a música do futuro, para resgatar um passado onde a cultura popular não sofria as intervenções oportunistas das oligarquias que hoje controlam a mídia.

TICIANE PINHEIRO REVIVE DÉCADA MENOSPREZADA PELO MARIDO


Vemos a belíssima Ticiane Pinheiro posando para uma grife de moda casual catarinense, a Riccieri, numa roupa que lembra a combinação de elegância, jovialidade e sensualidade, com uma calça justa e uma blusa para dentro da calça.

A moda de Ticiane, filha da também bela Helô Pinheiro, evoca a moda da década de 80, a mesma década menosprezada culturalmente pelo marido da jovem apresentadora, o sugar daddy Roberto Justus, que, como outros de sua geração (Almir Ghiaroni, Edmar Fontoura, Malcolm Montgomery, Eduardo Menga), deixaram de curtir os anos 80 trancados em seus escritórios ou consultórios. Mas nem para curtir os anos 80tardiamente, com suas jovens esposas? Esses caras precisam assistir às apresentações de Roberto Frejat ou Leoni, e aprender a arejar suas almas com as músicas deles.