segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"FUNK CARIOCA" NUNCA FOI DE ESQUERDA


Vamos deixar claros uma coisa. Mesmo com a esquerda política brasileira sendo problemática, isso não indica que tenhamos que associar a ela quaisquer aberrações que aparecem na realidade brasileira. Isso seria subjetivismo demais, seria sair da crítica objetiva para o ódio gratuito, puro e simples. Por isso, determinadas aberrações que aparecem no país provém mesmo da direita ideológica, mesmo quando eventualmente a esquerda passa a consentir ou apoiar.

O "funk carioca" (FAVELA BASS) nunca foi de esquerda. Infelizmente os críticos da mídia golpista, extremamente concentrados nos problemas de ordem política e econômica, são tomados pela tentação de apoiar o "funk carioca" como se tratasse de uma espécie de "Revolta de Canudos" musical. Grande erro, grande tolice.

Em primeiro lugar, devemos despir de toda essa retórica "positiva" que envolve o "funk carioca" e sabermos que "música" isso realmente representa. Há muito antropólogo, artista plástico, músico, cineasta, etc, glorificando o "funk" como se ele fosse o concorrente carioca do mangue beat. Não é. Quando muito, chega a ser apenas um concorrente carioca da ridícula axé-music, até pelo caráter imperialista de ambos.

A imagem militante e cultural e politicamente revolucinária do "funk carioca" é falsa. O "funk" nunca foi esquerdista, nunca foi revolucionário e todo esse discurso de que o "funk" é rico musicalmente é mentiroso. De rico, o "funk" tem mesmo são os empresários-DJs, com dinheiro suficiente para ajudar o povo pobre. E por que não ajudam? Recrutar uns pobres coitados para formar novos MC's, novas popozudas ou novos grupos funqueiros não adianta, até porque é tudo para enriquecer ainda mais as fortunas de seus patrões e mentores.

APOIO DA GRANDE MÍDIA - O que é muito estranho é que, quando o assunto é "funk", o discurso que os críticos da mídia golpista fazem coincide perfeitamente com o que já foi fartamente veiculado pelos veículos do Partido da Imprensa Golpista, sobretudo os ligados aos grupos Folha e Organizações Globo.

De que adianta falar mal de William Waack, Gilberto Dimenstein, Otávio Frias Filho, se quando estes falam de "funk", usam o mesmo discurso "positivo" de Caros Amigos? Dizer que esse raciocínio nada tem a ver não pode. O "funk" demonstrou ser politiqueiro, vide a reunião da ALERJ, setembro passado. Visa obter capital político, que é mais poder nas mãos dos empresários-DJs.

Também é inútil dividir o "funk" em "funk comercial" e "funk de protesto" porque "funk" é tudo igual, o mesmo tipo de som, a mesma mesmice (a redundância é proposital, para reforçar o sentido). Valesca Popozuda, ícone do "funk comercial", posa de "engajada". Mas o Mr. Catra faz a mesma coisa que o MC Créu e se acha "funk de protesto". E o "Rap das Armas" foi relançado ao sucesso com o apoio das Organizações Globo. Daí não haver sentido tanto discurso surrealista em defesa do estilo.

Por isso mesmo o "funk" nunca foi de esquerda. O "funk" é de direita. Quer prender o povo na favela, impedir as moças faveladas de buscar dignidade, quer transformar o povo pobre em idiota, com seus MC's frouxos e funqueiras e popozudas grotescas. O "funk" passou 20 anos se alimentando dos benefícios político-midiáticos de Fernando Collor, de Roberto Marinho, de políticos corruptos cariocas e paulistas, de deputados e vereados de fundo de quintal alojados em partidinhos parasitas de direita, daí que o "funk" não pode mesmo ser um movimento socialista, assim como não é movimento cultural coisa alguma.