sábado, 30 de janeiro de 2010

GOLPISMO CULTURAL: BREGA-POPULARESCO FAZ REVIVAL DE SI MESMO


FESTIVAL DE VERÃO - Evento de Salvador (Bahia) serve de "arena" para os ídolos da axé-music, ritmo do brega-popularesco famoso pelo seu caráter marqueteiro.

prevenimos aos leitores de que a Música de Cabresto Brasileira - a suposta "música popular" que faz sucesso nas rádios e na grande mídia - está decadente. Pois, por trás de todo este aparato de "música em alta", de um suposto grande prestígio e de uma popularidade supostamente espontânea, há todo um esquema de marketing que mascara a mediocridade musical reinante.

Afinal, os ídolos popularescos já não lançam uma grande música de sucesso. E mesmo os ídolos mais novos só conseguem passar uma sensação de novidade - mesmo dentro de sua mediocridade artística - em no máximo três LPs.

O que se vê, por trás de uma aura de "sucesso permanente e inesgotável", é um monte de enrolação por parte dos ídolos de axé-music, breganejo, sambrega, "funk carioca", forró-calcinha e o que vier por aí, sem excluir os tais "universitários".

Afinal, os ídolos popularescos nada produzem de novo depois de seus momentâneos sucessos musicais. Ficam gravando uma sequência suspeita de discos ao vivo, alguns deles precoces. Gravam versões de músicas estrangeiras e covers que variam de clássicos manjados da MPB autêntica a até mesmo antigos sucessos da música brega. Pior: essas covers chegam mesmo a ocupar metade dos "novos CDs" desses artistas.

Fora isso, haja duetos, aparições frequentes na televisão, tributos oportunistas dos mais diversos. É Prêmio TIM de Música aqui, Festival de Verão ali, programa de auditório acolá. Sobretudo quando há a menor ameaça de ostracismo ou desgaste. Aí, haja notas pagas do tipo "Banda de axé tal incendeia verão em Cabrobró de Pirijipe", "Dupla breganeja comove multidões em Nhemnhemnhém do Sul", "Cantor de sambrega empolga platéia em Piramboca do Oeste".

Tudo é feito para manter esses ídolos - sim, os "grandes ídolos" de nossa música - em cartaz na grande mídia. Da aparição de qualquer um deles numa reportagem "entusiasmada" de Caras até a defesa tendenciosa de um etnólogo aos funqueiros ou pagodeiros da temporada.

A época dos ídolos popularescos foi na década de 90. Ou antes, nos anos 70 e 80, ou pouco depois, até 2002. Depois de 2002 o brega-popularesco se repete como uma farsa, sob novos rótulos e até novas estratégias de mídia, mas sempre a mesma mediocridade musical travestida das diversas formas.

O esgotamento musical é evidente, apesar das aparências procurarem sempre negar o contrário. A música brega dos anos 60 e 70 praticamente não consegue criar novas grandes músicas. Se elas surgem, são sempre a sombra pálida dos sucessos do passado. O brega-popularesco dos anos 80 também não cria novos grandes sucessos.

Pois mesmo os breganejos e sambregas de 1990 não conseguem criar algo novo. Os vocalistas solo tornam-se praticamente crooners, gravando discos de canções alheias ou versões de músicas estrangeiras, e, quando lançam material novo, são apenas rotineiras faixas de trabalho que anos depois caem no esquecimento.

É ESSA A MÚSICA POPULAR QUE QUEREMOS? - A grande queixa é essa. Será que vamos ficar 55 anos com essa mediocridade musical dominante? Será que temos que ser reféns desses ídolos popularescos só porque eles supostamente representam a "alegria" e a "simpatia" do povo brasileiro?

Onde está a música popular autêntica, de gente realmente do povo, música há muito transformada em peça de museu, cuja força estava na própria música em si? Onde está aquela linhagem que os Centros Populares de Cultura, num amplo debate público, queria resgatar e que a ditadura militar abortou? Existir a música autêntica até existe, mas não tem o menor espaço na mídia.

Enquanto isso, temos que aguentar ídolos domesticados que só servem para lotar rodeios, micaretas, "bailes funk", vaquejadas, exposições de agro-negócios e programas de auditório. Meros lotadores de plateias, que disfarçar suas músicas medíocres com sorrisos arreganhados, com beijinhos e abraços aos fãs, e com todo um esquema de marketing defensivo e até ofensivo, pois no meio do caminho sempre aparecem uns Olavo Bruno ou Eugênio Raggi, fora tantos "orkuteiros" do mal, com o mesmo apetite reacionário do Comando de Caça aos Comunistas em combater abordagens críticas e realistas.

A luz dos ídolos popularescos é imensa, mas é artificial, é falsa e cega quem dela se servir. O bom-mocismo dos ídolos popularescos camufla a péssima música que fazem. Esses "artistas" nunca têm grandes clássicos, nem trabalhos definitivos, nunca têm discos conceituais que fossem guardados na memória, mas aí tanto faz, porque esses álbuns têm os mesmos sucessos de trabalho que aparecerão várias vezes nos próximos CDs/DVDs que lançarão ao longo do tempo.

Sem saber, eles fazem revival de si mesmos. Eles parecem estar em alta e passam uma falsa aura de "novidade" ou "atualidade", mas eles já estão passados, dos breganejos veteranos que enganam até historiadores de MPB à banda de axé-music cujas músicas só falam dela mesma, da funqueira feiosa que "quebrava barracos" ao cantor de sambrega que conquistou até um antigo presidente dos EUA.

Até quando eles vão nos enganar gravando discos quase todos de covers, duetos, tributos, discos ao vivo para disfarçar sua impotência criativa, não se sabe. Mas o marketing maciço dos referentes ídolos só faz sentido quando existe uma mídia que os protege e que domina o povo. O golpismo cultural está aí, desafiando a indiferença dos que pensam que o golpismo se limita à esfera política-econômica-midiática. Até porque é a própria mídia golpista que trabalha esses ídolos.

A cultura brasileira está em perigo, e não adianta salvar a política brasileira se temos uma cultura brasileira tão doente e enfraquecida.

DOIS VERÕES


Pois é, continuando nas comparações, vemos a primeira foto com Priscila Pires, ex-BBB, pelo jeito parecendo feliz ficando pra titia, nadando junto a seu sobrinho, enquanto espera se vai ficar com seu "eleito" para, quem sabe, uma linda história de amor de apenas 25 dias, ou vai ficar caçando os pobres nerds que nunca iriam perder tempo com as tolices do Big Brother.

Na segunda foto, vemos a excelente atriz Maria Flor, estrela do brilhante e engraçadíssimo seriado Aline - baseada na divertida história do cartunista Adão Iturrusgarai - e também ótima atriz dramática, junto ao seu namorado de um bom tempo (ou seja, bem mais do que "apenas 25 dias"), Felipe Continentino.

Tudo bem que garotas legais podem ficar comprometidas, casadas, etc etc etc. Mas existem dois problemas: enquanto moças cafonas, sejam as marias-coitadas que ficam só rezando ou escutando CDs de Fábio Jr., Alexandre Pires e Bruno & Marrone, sejam as boazudas cuja razão existencial está nos glúteos polpudos (quiçá siliconados, talvez com celulite), têm o maior medo de assumir novas relações ou perturbam o sossego de homens inocentes só porque eles moram com as mães ou lancham suco com biscoitos em casa nas noites de sábado, por outro lado quase não sobram garotas legais disponíveis em nosso país.

Definitivamente, Brasil não é França.

DOIS CARNAVAIS


Vejam como são as coisas.

Na primeira foto, vemos a modelo Nana Gouveia usando pouca roupa e rebolando quase feito uma dançarina de pagode num ensaio de uma escola de samba de Nova Friburgo.

Então eu pergunto: é esse o tipo de mulher que procura "caras legais" para namorar? Nana só fica fazendo isso: saias curtinhas, exercícios de ginástica, biquíni sumário na praia, tops curtos até em dia de inverno (só houve uma exceção), rebolados grosseiros e mais do mesmo. Sempre as mesmas coisas. Ela procura um cara legal, mas ela não está sendo legal co mtudo isso.

Na segunda foto, à direita, vemos a atriz Leandra Leal - com a ressalva de que é casada com um cara admirável, o grande músico Lirinha, a honrar a música pernambucana com seu Cordel do Fogo Encantado - sendo madrinha do bloco carnavalesco Cordão da Bola Preta. Sim, porque muita gente incompetente na mídia disse que era o Cordão do Bola Preta, quando o gênero é feminino, "da" Bola Preta. Esses incompetentes devem ter visto muito programa humorístico com turistas caricatos na TV.

Voltando à Leandra, ela não iria "rebolar até o chão". Faria seu bailado discretamente, como uma moça legal deveria fazer. De forma simples e bela.