terça-feira, 26 de janeiro de 2010

MÍDIA GOLPISTA QUER EMPASTELAR A CULTURA BRASILEIRA


Mais uma vez advertimos aos críticos da mídia golpista que prestem atenção também às armadilhas que se montam relacionadas à cultura.

Ninguém está prestando atenção devidamente ao universo brega-popularesco, que é a arma que a mídia golpista usa para enfraquecer socialmente o povo brasileiro.

Lamentavelmente, até mesmo parte da mídia alternativa, por ingenuidade, ou parte da mídia que se opõe diretamente à mídia golpista, por questões de concorrência, acabam por defender o universo brega-popularesco, numa malo-disfarçada visão etnocêntrica de contemplação da cultura popular.

Há desde tablóides pseudo-esquerdistas como Piauí - que ainda tentou negar que os jornais policialescos Expresso e Meia-Hora são grotescos - até revistas "intelectuais" da mídia gorda, como Bravo, que fez um texto sobre o "funk carioca" que a intelligentzia burgo-marxista gostaria de escrever.

Há desde pessoas crédulas como a turma que faz eventos culturais cariocas (Fundição Progresso, Circo Voador e o festival Humaitá Pra Peixe) até fascistas como o professor mineiro Eugênio Raggi. Há desde intelectuais acreditando que o brega-popularesco é a "autêntica rebelião do povo" até outros intelectuais que, canastrões, fazem verdadeiras propagandas de ídolos popularescos travestidos em textos científicos ou em teses de pós-graduação.

Enquanto isso, os barões da mídia golpista riem em gargalhada ruidosa, riem como ninguém riria mesmo da mais engraçada anedota. Acham que a esquerda e seus teóricos e mensageiros são totalmente ingênuos, porque seu combate se resume a uma única trincheira: as armadilhas do cenário político, econômico e midiático.

Quando se pensa em cultura, se pensa em sistema de valores, crenças, papéis sociais, arte, rituais e outras atividades sociais, caraterísticos de um povo. Por isso a cultura de um povo fortalecido é algo que incomoda seriamente as autoridades neoliberais e todos aqueles que se comprometem em manter a causa das classes dominantes.

Por isso mesmo é que, com todo o apoio que o mainstream do pensamento esquerdista brasileiro dá ao "funk carioca" e a outras tendências do brega-popularesco - aqui não esquecemos dos pseudo-sofisticados Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e Chiclete Com Banana, por exemplo - é um bom gancho para a reação esnobe de direitistas como Olavo de Carvalho ou mesmo os vejistas Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.

No caso particular do "funk carioca" (FAVELA BASS), é constrangedor que a esquerda produza uma retórica tão bela para o estilo, cheia de mil artifícios discursivos para promover o estilo como se fosse algo sofisticado, engajado e vanguardista, quando a realidade do universo funqueiro, seja nos tais "bailes funk" e na "música" em si, mostra que o estilo não passa de um grande lixo que a grande mídia explora com prazer para manipular o povo pobre.

Isso acaba transformando o "funk" numa camisa-de-força do povo pobre, que se torna refém do ritmo, forçadamente associado às favelas, impondo determinados papéis para os pobres assumirem, seja como patéticos MC's seja como idiotizadas "cachorras" ou "mocréias raivosas". O "funk" defende os mais baixos valores sócio-culturais e esta ideia nada tem de moralista.

Por essas e outras, a mídia golpista está tranquila. Podem haver mil blogs falando mal do comentarista político tal, do governador tucano qual, do economista reacionário acolá, que os barões da mídia golpista estão tranquilos. Eles sabem que seus porta-vozes dão oferecem suas caras a tapa. Até nos bastidores da mídia golpista seus profissionais sabem o quanto são odiados.

Enquanto os críticos da mídia golpista se deslumbram com um Alexandre Pires cantando no Faustão, com os remelexos das mulheres-frutas, com a cafonice careta de Waldick Soriano, com as grosserias dos "bailes funk" ou mesmo com o country enrustido de Chitãozinho & Xororó, os barões da mídia golpista estão tranquilos.

Isso porque o brega-popularesco é a degradação cultural do povo brasileiro, é a "cultura da mediocridade". E o povo, enfraquecido culturalmente, torna-se mais fácil para ser dominado pelas classes detentoras do poder.

EMPRESÁRIOS, EXECUTIVOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS SÃO OS HOMENS MAIS CHATOS DO MUNDO


Falamos da realidade da nova mulher mundial, em que as chamadas boazudas - mulheres que se limitam a desempenhar o papel de "gostosas" - começam a ficar em baixa, enquanto outras mulheres, mais intelectualizadas, unem beleza e formosura física com charme e inteligência.

Em contrapartida, os homens sofrem um processo diferente, mas também dão conta à transformação de valores. Isso porque os homens que começam a ter problemas de reputação e carisma são justamente aqueles supostamente associados a um universo de charme e inteligência.

São os empresários, executivos e profissionais liberais (médicos, engenheiros, advogados etc). Aparentemente, eles poderiam até estar ligado ao universo das chamadas mulheres-alfa - justamente as que são hoje mais valorizadas, e que combinam beleza e inteligência - , e muitos são até casados com várias delas.

Mas por que os homens que carregam na elegância e no espírito de racionalidade andam decaindo, enquanto as mulheres aparentemente do mesmo universo andam em ascensão?

Simples. Isso porque a supremacia masculina do machismo, que há anos reservava para o homem que exerce liderança econômica e profissional um papel de prestígio e poder, começa a se esgotar. E a maioria esmagadora dos homens que exercem atividades como empresário ou executivo, ou que assumem profissões liberais, já começa a decair por sua personalidade sucumbir a um estado lastimável de superficialidade, sobretudo na hora do lazer.

Profissionalmente, são homens dotados de experiência, liderança, iniciativa, com uma visão objetiva de sua área. São empresários que exercem seu trabalho de liderança e empreendimento. Executivos que administram projetos em suas empresas. Médicos que conhecem as mais novas técnicas de tratamento de doenças de sua especialidade. Engenheiros que estabelecem projetos divulgados em seminários bem-sucedidos. Advogados que se sobressaem com as vitórias judiciais de seus clientes.

No lazer, no entanto, eles falham, e muito. Quando passeiam com suas esposas e filhos, ficam mais preocupados com o molho de chaves que está em sua mão, é a chave de casa, do carro, da caixa postal, etc. Ou então com a coleção de cartões, principalmente de crédito. Mas, não só nessas saídas como em outros eventos de lazer, eles agem com muita superficialidade, tornando-se verdadeiros chatos, da forma de vestir até a conversa com os amigos, onde o pedantismo se torna evidente.

Afinal, eles concentram tanto suas vidas em suas profissões que, em compensação, passam a falhar na hora do lazer. Nas conversas, tentam dar a impressão de que sabem mais de Política, Economia e Negócios. Na hora de vestir, só calçam bermuda e tênis quase que por obrigação, para caminhadas na orla e passeios turísticos. Mas, até num passeio informal num shopping center, eles recorrem aos sisudíssimos sapatos de verniz. E usam camisas pólo em situações em que uma camiseta simples cairia melhor.

Por isso mesmo é que, apesar do mesmo universo social, uma jornalista que se destaca por sua inteligência e desenvoltura, soa bem mais interessante que seu marido empresário, que já começa a ser visto como uma incômoda sombra da atraente mulher, tanto que simplesmente aparece pouco nos eventos sociais. Discrição? Talvez. Mas a verdade também é que há também um pouco de arrogância, por parte do empresário, de não dar satisfações à sociedade. Preferem se isolar no seu mundinho de ternos e gravatas, smokings, uísques e champanhes e "bate-papos" sobre Política, Economia e Negócios, com direito a comentários pedantes sobre Teatro e Música.

Quando elegante, a mulher torna-se criativa, alegre, expressa vida, encanto, simpatia. Mas, quando o homem, salvo honrosas exceções, prioriza a elegância, até com certo exagero, mostra-se monótono, sisudo, quase triste, expressando mesmice e até mesmo arrogância, antipatia ou anacronismo. Pior: os homens obsessivamente elegantes - certamente não estamos falando daqueles realmente elegantes - falam em "moderação" na forma de se comportar e se vestir, quando moderação é a última coisa que eles pensam em adotar. São capazes de usar terno e gravata só para lançar um livrinho que escreveram, num programa de entrevistas da TV.

SISUDOS E BOAZUDAS - Daí que, ironicamente, os empresários, executivos e profissionais liberais, apesar de casados com atrizes, jornalistas e modelos muito atraentes e inteligentes, nivelam sua personalidade com as ex-dançarinas de pagode, dançarinas de "funk", boazudas de reality show e atrizes calipígias. Isso pode causar horror a eles, mas é essa a realidade.

A superficialidade dos homens sisudos, de um lado, e das mulheres boazudas, de outro, se assemelha perfeitamente. Na verdade, eles e elas assumem seus respectivos e diferentes papéis dentro da ideologia machista. Eles evitam elas, por medo, e elas evitam eles, também por medo. Mas num evento teatral tanto eles quanto elas expressam o mesmo pedantismo. O médico que cita Guimarães Rosa no seu livrinho não difere da ex-dançarina de pagode que tenta ler Clarice Lispector.

No machismo, os homens "importantes" se envolvem em negócios, profissões liberais, finanças. Neste caso o homem é reconhecido por sua "racionalidade", por suas "atividades". E as mulheres, quando não viram escravas do lar, fazem o papel de "gostosonas" para o recreio sexual dos homens. Em outras palavras, o machismo determina que o homem seja valorizado pelo seu "intelecto", e a mulher, pelos seus "dotes físicos".

Por isso o medo recíproco dos homens sisudos de encarar mulheres boazudas é o medo de encararem o espelho de suas existências. É o medo de duas faces da mesma moeda machista se encontrem. O homem sisudo prefere fazer o papel do marido poderoso, mas "banana", da sofisticada esposa, e a mulher boazuda prefere viver sua "infância feliz" medrosa de seus pretendentes.

Mas, no fundo, no fundo, Donald Trump e Pamela Anderson vivem no mesmo mundo. Como os empresários, executivos e profissionais liberais mais sisudos vivem no mesmo universo das mulheres-frutas, ex-dançarinas de pagode, e boazudas de reality show. A mesma falta de visão de mundo, a mesma inclinação para a mesmice, o mesmo sub-intelectualismo de última hora, para enganar os amigos nas festas cerimoniais.