quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ALEXANDRE GARCIA, REACIONARIAMENTE DESINFORMADO


ALEXANDRE GARCIA - Com tanta pose de "sabedoria", o jornalista da Rede Globo ignora que tenha havido debates para o PNDH-3 e esnoba ridiculamente o plano.

"Amplo debate nacional? Eu não ouvi falar...". Foi assim o começo do comentário do comentarista político do Bom Dia Brasil, Alexandre Garcia, numa antipatia cínica semelhante àquela de Bóris Casoy quando falou dos lixeiros.

Seu comentário é todo condenando o Plano Nacional de Direitos Humanos, o PNDH-3, classificando-o de totalitário, inimigo do agronegócio e da liberdade de imprensa. É um comentário parcial, de muito mau gosto, que gratuitamente condena o governo Lula como se o PNDH-3 fosse um subproduto de seu governo. Não é.

O PNDH-3 é a terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos. Embora as outras duas edições tenham sido elaboradas durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, uma em 1996 e outra em 2002, elas não são iniciativas sectárias dos respectivos governantes, mas projetos de vários segmentos da sociedade que, envolvendo os mais diversos assuntos, visam promover o equilíbrio social necessário para uma democracia autêntica.

Enquanto Alexandre Garcia, com seu tom esnobe e sua voz de tom pseudo-bíblico, de suposto juíz da verdade humana, desconhece que tenha havido amplo debate nacional, age assim de forma contrária à sua profissão jornalística e mesmo contra a liberdade de informação, porque ela não permite mentiras nem omissões, por ser uma liberdade responsável para atender ao interesse público.

Pois só o atual plano de Direitos Humanos teve, desde 2003, nada menos que CINQUENTA debates públicos, conferências que discutiram propostas, com participação da plateia presente, além de outras consultas públicas que contaram com 14 mil participantes e mesmo a Internet correspondia à extensão deste debate, com a versão preliminar do documento tendo sido disponível na página da Secretaria Especial de Direitos Humanos, para ser discutida pelos internautas.

Houve também 137 encontros prévios nas etapas estaduais e distrital, com várias conferências livres e pré-conferências, com participação de diversas entidades representativas, dos ciganos ao movimento negro, das mulheres aos indígenas, dos agricultores sem-terra (que mal há deles participarem, xará?) aos estudantes, enfim, um variado caleidoscópio social, num debate franco, objetivo, que nada tem a ver com a proteção à desordem ou à censura aos meios de comunicação.

Além disso, o documento do PNDH-3 contou com a assinatura de 31 dos 37 ministros do governo Lula, o que mostra o quanto o plano teve de gente debatendo e participando das discussões e da elaboração. Um projeto eminentemente democrático, diga-se de passagem.

Alexandre Garcia, em seu comentário, apenas dá uma ideia brutalmente caricata do Plano Nacional de Direitos Humanos. A impressão, para ele e outros da grande imprensa, é que o projeto só serve para proteger o vandalismo que atribui generalizadamente ao Movimento dos Sem-Terra (MST), ou para reprimir a liberdade de imprensa associada aos mais poderosos veículos da mídia (inclui não só o PiG mais explícito, mas também a "mídia boazinha", ouviram?).

Certamente Alexandre Garcia, tão dado a bancar o sábio da verdade, a dar o seu seguro juízo sobre todas as coisas, não leu ou sente qualquer alergia a planos como o PNDH-3. Seu passado de porta-voz dos generais-presidentes da "ditabranda" (como a Folha de São Paulo carinhosamente apelida seus "Anos Dourados" de 1964-1978, quando o regime militar governava explicitamente com mãos de ferro o país) não nos deixa mentir.

Certamente, se Alexandre Garcia e Bóris Casoy forem para Salvador passar o Carnaval, eles nunca devem se esquecer de procurar o Mário Kertèsz(*) na Rádio Metrópole, para os três, juntos, tomarem água de coco num hotel em Ondina e falarem, saudosos, dos áureos tempos em que os três usufruíram dos benefícios do "Brasil Grande", apoiando abertamente o AI-5, a ARENA e os militares que comandavam ou colaboravam com a ditadura.

(*) NOTA: A nossa ênfase na crítica ao astro-rei da Rádio Metrópole é para que ninguém se esqueça de que sua figura de penetração regional também é perigosa para o país, seduzindo até instituições públicas com seu pseudo-jornalismo e seu tendenciosismo falsamente militante. Kertèsz já se encrencou com políticos devido a seus comentários violentos (e, por isso, anti-jornalísticos), foi processado mas tentou se passar por vítima, num discurso falsamente esquerdista e na imagem não menos falsa de "vítima de censura".

Muita gente se enganou com a atitude do maquiavélico empresário e dublê de radiojornalista, a ponto de um inexpressivo blog montar a foto com o astro-rei da Metrópole FM com o rosto tapado por uma mordaça. O pseudo-radiojornalista é uma figura regional em Salvador, mas nem por isso o Brasil inteiro tenha que menosprezar seu caráter nocivo à mídia baiana e, talvez, à nacional.