sábado, 16 de janeiro de 2010

O APOIO DA FOLHA DE SÃO PAULO À DITADURA


Altamiro Borges, em seu blog, faz lembranças duras e, para uns incômodas, sobre o passado da Folha de São Paulo como propagandista do Golpe de 1964 e como colaboradora, com muito gosto, com a ditadura militar.

Sim, a "moderna" Folha de São Paulo, tida como "esquerdista" durante um bom tempo, entre a campanha das Diretas Já e as vésperas do governo FHC, quando a Falha de São Paulo - não é erro de digitação, o termo é Falha mesmo - deixou cair sua máscara. Bem antes do direitista Pimenta Neves, por muito tempo fantasiado de discípulo de Cláudio Abramo na Folha da Tarde (brecha "esquerdista" do grupo Folha), "comemorar" seus 42 anos de jornalismo cometendo um crime passional.

Pois Altamiro, ao comentar sobre o documentário Cidadão Boilesen, sobre o empresário Henning Boilesen, dinamarquês naturalizado brasileiro e dono do Grupo Ultra (Ultragás, Ultralar), que não apenas financiou ações de tortura como colaborou com a Operação Bandeirantes (Oban), embrião do DOI-CODI, participando ele mesmo de algumas sessões de tortura e divulgando até mesmo um aparelho de tortura que ele mesmo criou.

Henning Boilesen foi sequestrado e morto, em 15 de abril de 1971 (nessa época eu era um bebezinho de quase um mês de vida em Floripa), por integrantes da Ação Libertadora Nacional e do Movimento Revolucionário Tiradentes, grupos de esquerda.

Pois, informa Altamiro (eu ainda não vi o filme), que o grupo Folha colaborou com os torturadores, enviando alguns veículos para transporte de prisioneiros da Oban. O pai de Octavio Frias Filho - também colunista da revista Piauí, que certos lunáticos acreditam ser "de esquerda" - , Octavio Frias de Oliveira, foi propagandista explícito da ditadura, financiou a repressão, defendeu até o AI-5 e fez parte do coro dos que queriam apenas que os censores de seus veículos fossem gente do próprio jornal, não por se oporem à ação militar, mas porque o processo de enviar material para a Censura Federal, em Brasília, atrasaria os trabalhos da mídia. Mas a Folha de hoje não parece diferente da de 1964, tanto que a ditadura que ela apoiou foi considerada pelo jornal suave demais, através do termo "ditabranda" dado ao regime militar. Talvez a Folha quisesse um misto de nazi-fascismo com governo Pinochet para a ditadura militar.

Só lendo o blog de Altamiro Borges para ver um pouco dos horrores da Folha de São Paulo, que se travestiu de "moderna" e "progressista" depois de ter expulso de seu quadro jornalistas de esquerda, mesmo experientes e competentes. Detalhes desta "faxina" estão no livro Showrnalismo de José Arbex Jr., à venda nas livrarias.

FALHA GEOGRÁFICA


Esta foto foi publicada no blog Vi O Mundo, de Luiz Carlos Azenha, por sugestão de Conceição Oliveira.

Mostra uma gafe da Folha de São Paulo quanto à geografia. A foto dá a crer que o jornal foi fotografado na rotativa de impressão.

A gafe mostra o Estado da Bahia com a cidade de Angra dos Reis creditada no seu território. E, no lugar do Estado do Espírito Santo, há o Estado do Rio de Janeiro.

A "vizinhança" da Bahia com o Rio de Janeiro é uma gafe muito conhecida dos turistas dos EUA, sobretudo nos tempos de Carmen Miranda (1909-1955), durante seu sucesso no país de Tio Sam, na década de 40. Isso se deu por causa de uma má interpretação do fato de ter sido uma cantora carioca (embora nascida em Portugal, Carmen foi criada no Rio de Janeiro e iniciou carreira nesta cidade) que gravou músicas do compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008).

Daí para os estadunidenses acharem que Bahia e Rio de Janeiro eram vizinhos, é um pulo. Se fosse assim, como disse meu irmão Marcelo no blog Planeta Laranja, a mudança de residência de Salvador (onde morei de 1990 até 2008) para Niterói teria sido menos sofrida.

Mas a Folha de São Paulo, um importante jornal brasileiro, compartilhar da burrice de ianques alienados? E creditar Angra dos Reis, cidade do sul fluminense, como se fosse um município baiano? E colocar o Estado do Rio de Janeiro em território capixaba?

Francamente, é a Falha de São Paulo. A Falha da Folha. Mais uma das trapalhadas da mídia gorda, juntando a de Bóris Casoy e da Lúcia Hippolito.

Lúcia Hippolito de pileque?


Durante o programa de Roberto Nonato - um dos jornalistas que sente alergia violenta de rádio AM - , a comentarista Lúcia Hippolito - conhecida por aparecer no telecomercial da CBN dando "comício" no Vale do Anhangabaú (SP capital) - , convidada para comentar alguns pontos do Plano Nacional de Direitos Humanos, referentes ao anteprojeto da Comissão da Verdade, saiu de sua postura habitual e, gaguejando, mal conseguia expor sua opinião para Roberto Nonato, e, não bastasse isso, ela, em vez de chamá-lo de Nonato, chamou-o de Lolito mais de uma vez.

Muita gente comentou se Lúcia estava embriagada durante o comentário, mas há quem diga, também, que ela estava nervosa diante do PNDH, que também prevê restrições aos abusos cometidos pela grande mídia, postura combatida pela CBN, por razões óbvias.

Aqui está o texto e, mais abaixo, o áudio para conferir. E dar boas risadas de um desses grandes momentos do jornalismo "sério".

Nonato: Oi, Lucia Hippolito, boa noite!
Lucia: Boa noite, Nonato. Boa noite, ouvintes da CBN.
Nonato: Ô, Lucia... O presidente Lula assinou o decreto que cria o grupo para elaborar o anteprojeto da Comissão da Verdade, sobre violações de direitos no regime militar. E, para tentar resolver aquela crise entre os ministros da Defesa e dos Direitos Humanos, o texto não usa a apalavra "repressão", Lucia. É uma tentativa de apagar o incêndio entre os ministros, né?

Lucia: Olha, Lolito. Eu... eu... eu, particularmente, acho uma coisa muito complicada. Acho que o presidente... cometeu um... um erro político... no sentido de cooo... de cometer um... um mooonte de... de... de... erros.... De... de... de criar um monte de empresas..., um monte de brigas nesse problema. Agora, eu acho o seguinte: desse ponto de vista exclusivo... das... das... ele num... das, das... dos direitos humanos, do ponto de vista dos direitos humanos... eu vou dizer uma coisa para você... é...

Nonato: Ô, Lucia... A gente vai tentar refazer o contato para voltar daqui a pouco em melhores condições.

Lucia: Éééé... esse... o telefone tá piscando... tá... ele tá cortando a linha... (desligam o som).

Nonato: Tá, ok. Só um instantinho por favor. Seis horas e trinta e oito minutos, daqui a pouco a gente volta.


A incoerência de um professor golpista


Quem lê este blog sabe quem é o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, um reacionário que se acha o juiz maior da cultura brasileira e o proprietário absoluto da verdade da cultura de nosso país.

Defensor do brega-popularesco, principalmente de nomes como Waldick Soriano, Alexandre Pires, Belo e Banda Calypso, Raggi também é conhecido por odiar a MPB autêntica produzida entre 1930 e 1968, por ele associada à ideologia nacional-populista da Era Vargas.

Tão metido a saber das coisas, Raggi me espinafrou duramente no fórum Samba & Choro, que eu, indignado, resolvi sair. O que ele desconhece é que a tão "odiável" MPB autêntica dos tempos do Estado Novo - ele odeia de Carmen Miranda a Robertinho Silva, que ele classifica de ultradireitista (!) - ganhou seu espaço nos meios de comunicação da época graças à atuação, na esfera da cultura brasileira, não somente da geração da Semana de Arte Moderna de 1922, que participou do então Ministério da Educação e Saúde de Vargas - e que o político gaúcho não pôde em todo dominar nem manipular - como também de renomados artistas que atuaram na Era de Ouro do rádio brasileiro, como Henrique Foréis Domingues, o Almirante, e o famoso Luís Gonzaga.

Mas Raggi, na sua cegueira, deve achar que Almirante e Gonzagão eram funcionários do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) ou então agentes do truculento Filinto Müller, o chefe de polícia do Estado Novo que, como senador da ARENA na ditadura militar, faleceu num acidente aéreo em 1973 no mesmo avião em que estava o cantor Agostinho dos Santos, outro expoente da fase odiada pelo professor Raggi.

A incoerência de Raggi é tal que ele tentou usar uma frase de Jorge Ben Jor - "É o povo quem comanda o show e assina a direção" - para defender os ídolos popularescos. Só que Paulo César Araújo, escritor que Eugênio Raggi se considera um mestre, acha que Jorge Ben Jor é "defensor da ditadura militar", porque compôs "País Tropical" durante os tempos do AI-5.

Pois Eugênio Arantes Raggi é seguidor de dois blogs de jornalistas que criticam o Partido da Imprensa Golpista, o de Luiz Carlos Azenha e o de Paulo Henrique Amorim. Mais uma incoerência do golpista Eugênio Raggi, mas isso deixa mais indícios de que o professor de Belo Horizonte possui algum parente trabalhando em alguma afiliada do SBT ou da Rede Record na capital mineira. Isso porque Raggi costuma inocentar a mídia das acusações de apadrinhar ídolos popularescos. Na "sabedoria" torta dele, os ídolos popularescos fazem sucesso apenas porque o ar trouxe eles para a mídia.

Eugênio Raggi, no entanto, age em completa incoerência. Ele chama o sambista Robertinho Silva de ultradireitista mas o próprio Raggi, quando compara meus questionamentos à raiva política de Luciana Genro, do PSOL, e adota no fórum Samba & Choro um discurso igualzinho ao de Diogo Mainardi na Veja, misturando pedantismo, ironias e ofensas gratuitas.

Além disso, Raggi, na medida que despeja seu rancor contra o varguismo e contra a esquerda, deixa claro que, se vivesse em março de 1964, teria defendido abertamente o Golpe de 1964, com tamanho ódio que sentiria de João Goulart.

Eugênio Raggi é um ingrato com a mídia e com os políticos que ele aparentemente fala mal. Ele deveria beijar a mão de Fernando Collor e José Sarney, e ir rezar no túmulo de Antônio Carlos Magalhães (ACM), por terem ajudado no sucesso dos "heróis" musicais do professor mineiro.

Pois, queira ou não queira o professor Raggi - que, como Paulo César Araújo, quer julgar e escrever a História do Brasil segundo sua vontade, mas a realidade demonstra que isso é impossível - , foi José Sarney e ACM que favoreceram politicamente as FMs popularescas que apoiaram diretamente o sucesso dos ídolos brega-popularescos. E foi Fernando Collor que também deu o seu apoio, assim como a Rede Globo que Raggi diz não gostar apoiou explicitamente os "heróis" do professor.

É só verificar que a Rede Globo apoiou decisivamente Alexandre Pires e Belo, assim como os ídolos breganejos. A Banda Calypso, apoiada por políticos e fazendeiros do Norte do país, também recebeu as graças da Rede Globo, ganhando até contrato da Som Livre. E Waldick Soriano - que Eugênio Raggi, na sua cegueira, parece imaginar que nunca foi divulgado por mídia alguma neste planeta e cujo sucesso deve ter surgido com o soprar do vento - ganhou um documentário de uma atriz global, Patrícia Pillar, e o filme recebeu um bom lobby da grande mídia, até nos canais pagos da Globosat, ligado às Organizações Globo.

Por enquanto, Eugênio Raggi acha que pode, ao mesmo tempo, lançar teses golpistas sobre a música brasileira autêntica enquanto protege os popularescos apadrinhados pela mídia, e brincar de "inimigo da mídia golpista". Ele pensa que, por se achar "acima do bem e do mal", tem direito a tais incoerências. Mas Raggi só dá indícios de que tem algum amigo ou parente trabalhando nas concorrentes da Rede Globo em BH e que só participa de blogs contra a mídia golpista para fazer média. Mas vai que a Rede Globo dê emprego ao protegido de Raggi e o professor muda sua postura rapidinho.

Eugênio Arantes Raggi tem que tomar cuidado com seus textos cansativos, violentos e irônicos. Porque haverá alguém que vai colocar os fragéis argumentos e a arrogância do professor mineiro em maus lençóis,

Alguém conhece esse rapaz?


Esta foto está na reportagem da revista O Cruzeiro sobre o Comando de Caça aos Comunistas, na edição de 09 de novembro de 1968 da publicação dos Diários Associados.

A foto aparece, dentro na primeira fileira vertical, de cima para baixo, como a quarta.

Caros Amigos infectada com vírus da Folha


Um novo colaborador da revista Caros Amigos deveria chamar a atenção das pessoas pelo seu passado recente.

Trata-se de Pedro Alexandre Sanches, que também havia trabalhado na Carta Capital. No entanto, ele se destacou, antes, como jornalista cultural da Folha de São Paulo.

Pedro Alexandre Sanches hoje integra o grupo dos jornalistas e intelectuais dos anos 80 que aderiram abertamente ao brega-popularesco, como Bia Abramo, Hermano Vianna, entre tantos outros. Eles acreditam na utopia de que o brega-popularesco é a salvação para a Música Popular Brasileira. Sabemos que isso não é verdade, mas eles acreditam assim.

Mas como infelizmente a maior parte dos críticos da mídia golpista só consegue enxergar os problemas no âmbito sócio-político e econômico, ninguém vai reparar que a conhecida revista Caros Amigos - que já erra feio no seu apoio ao "funk carioca" - , publicação considerada de esquerda, está infectada com o vírus da Folha de São Paulo.

Isso até que o vírus comece a crescer, dentro de algum tempo.