quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

GARIS MOVEM TRÊS AÇÕES CONTRA BÓRIS CASOY E BAND



Miguel Arcanjo Prado, do portal R7

O Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores de Empresa de Prestação de Serviço de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo) e a Fenascon (Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes) informaram ao R7, por meio de sua assessoria, que entraram com três ações judiciais nesta quarta (6) contra o jornalista Boris Casoy e a Band.

As ações foram motivadas pelos comentários feitos pelo jornalista no Jornal da Band do último dia 31, quando ele ofendeu em rede nacional toda a categoria de trabalhadores.

Francisco Larocca, advogado dos dois órgãos de representação responsáveis pelas ações, ambos presididos por José Moacir, afirmou que deu entrada aos processos nesta quarta (6), no fórum João Mendes, na Sé, região central de São Paulo. Ele explicou as ações:

- Nós vamos propor uma ação civil pública para indenização por danos morais em favor de toda categoria em âmbito nacional contra a Band e o Boris Casoy, já que o comentário do âncora foi ouvido por todo o Brasil. Também vamos entrar com uma ação de reparação civil contra o Boris e a Band em nome dos dois garis que apareceram na reportagem e que foram ofendidos, Francisco Gabriel e José Domingos de Melo, ambos trabalhadores de São Paulo. E também vamos mover uma ação criminal contra o jornalista Boris Casoy por crime de preconceito.

O advogado informou que prefere não estipular o valor da indenização e deixará isso nas mãos do juiz. Ele informou que há cerca de 360 mil trabalhadores da limpeza urbana em todo o Brasil, que ganham um piso em torno de R$ 800.

- Prefiro esperar que os juízes analisem e mencionem qual seria o valor cabível. Vamos deixar essa questão para os magistrados.

Dr. Francisco Larocca ainda afirmou que os garis brasileiros não se deram por satisfeitos com o “tímido pedido de desculpas feito pelo jornalista no dia seguinte”.

- O pedido de desculpas só não basta. De jeito nenhum. Ele faz uma ofensa daquelas e depois faz uma desculpa burocrática e de forma tão tímida? Não estamos preocupado só em valor financeiro, que será destinado ao fundo dos trabalhadores. Nós queremos uma retratação judicial. É muito simples ofender e depois pedir desculpas.

Ainda segundo o advogado, os garis Francisco Gabriel e José Domingos de Melo passaram o primeiro fim de semana de 2010 recolhidos em suas casas, com vergonha da humilhação pública a que foram expostos.

O R7 procurou a assessoria de imprensa da Band e contou sobre as três ações movidas pela representação dos garis. A assessoria da emissora informou que não comenta o caso até que seja notificada judicialmente.

A decepção do Grupo Bandeirantes


Os fortes rumores de que a TV Bandeirantes ameaça demitir os operadores que deixaram vasar os comentários do jornalista Bóris Casoy mostram que é mais um grupo de mídia que cai de seu pedestal, numa queda bem mais vergonhosa do que outros veículos de mídia mais reconhecidos como reacionários.

Muitos viam no Grupo Bandeirantes de Comunicação um oásis de cidadania dentro do tendenciosismo comercial da grande mídia. É verdade que isso não passava de mito e ia a certos exageros - havia quem achasse que o Grupo Bandeirantes era mídia de centro-esquerda - , mas esse mito se deu nas circunstâncias de crise da ditadura militar.

Afinal, o Grupo Bandeirantes, junto ao grupo Folha, haviam feito, há cerca de trinta anos, as façanhas de difundir vozes e expressões opositoras ao regime militar, de uma forma ou de outra. Isso colocou tais veículos no circuito da mídia progressista, que eu defino como "mídia boazinha" ou "mídia fofa" (neste caso para contrapôr ao reacionarismo aberto da chamada "mídia gorda"). Além disso, da forma que o Grupo Bandeirantes defendia o produto jornalismo, dava a impressão de que os diretores do grupo queriam fazer a "Revolução Francesa" no Brasil através do trabalho jornalístico. Fernando Mitre virou um mito, como em outros tempos eram mitos Gilberto Dimenstein e Heródoto Barbeiro.

Só que com o efeito dominó derrubando a grande mídia, seja a mídia gorda ou a mídia fofa, em caráter regional (Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, e Rádio Metrópole, de Salvador) ou nacional (Globo, Folha, Veja, CBN), as decepções com a grande mídia em geral se acumulam, a ponto de se falar no Partido da Imprensa Golpista (PiG, com o "i" em minúsculo em alusão ao portal iG - Internet Group - que, para quem não sabe, tem o Grupo Bandeirantes como sócio).

A Bandeirantes, no entanto, não era considerada PiG pela própria mitologia que até pouco tempo atrás cercava a companhia (considere-se, em conjunto, incluindo tanto a TV Band como a Rádio Bandeirantes e a Band News FM), por mais que essa mitologia seja exagerada (afinal, como um grupo de engravatados pode ser tutor ou guia maior de toda a opinião pública?). Até o fato da TV Band ter um programa de debates, o Canal Livre, o único na TV aberta comercial, fortalece a mitologia.

Mas com os recentes ataques do jornalismo da Band aos trabalhadores sem-terra, sem distinguir os alhos dos bugalhos que surgem com o rótulo de "MST", começavam a fazer tremer o mito "iluminado" do grupo midiático. Embora com uma abordagem "racional" que a revista Veja é incapaz de adotar, o reacionarismo da Band neste sentido já fazia a intelectualidade sentir um frio nas espinhas.

Agora, com a tolerância para com Bóris Casoy e a possível cumplicidade com o jornalista, apesar do comentário dele ser de responsabilidade pessoal do mesmo, já que a punição será feita aos operadores que deixaram vasar o comentário, e não o jornalista, que mal conseguiu convencer com pedidos de desculpa e com a aparente admissão da "bobagem" que fez, a Band arranha sua imagem seriamente.

Claro que isso soa novidade para quem não viveu o período anterior ao golpe militar, quando as posturas golpistas eram defendidas até por veículos que, duas décadas depois de 1964, passavam a imagem de "mídia boazinha".

A moderna Folha do projeto arrojado de 1984-1990 é a mesma Folha precocemente caquética, mal nascida de uma fusão de três jornais, que defendeu o golpe de 1964 e a manutenção da ditadura (que, a princípio, seria um governo provisório). Por isso faz sentido haver uma Folha que fale não em ditadura militar, mas em "ditabranda militar".

A progressista TV Band do jornalismo reflexivo e da prestação de serviço à cidadania, do mesmo grupo da Rádio Bandeirantes que "briga pelo cidadão", correspondia à mesma caquética Rádio Bandeirantes de Adhemar de Barros (o "rouba mas faz") que com sua mulher organizou marchas religiosas ultra-conservadoras que pediam a queda de Jango e sua substituição por generais, sem temer que eles transformassem o Brasil num grande quartel, tudo para varrer políticas progressistas que então se ascendiam (independente de se associarem ou não ao janguismo) e eram associadas maldosamente ao comunismo.

Pois o Grupo Bandeirantes que se mobilizou para pedir o Golpe de 1964 só podia mesmo manter um jornalista como Bóris Casoy, que em 1968 havia frequentado reuniões do Comando de Caça aos Comunistas, grupo que incendiou a sede da UNE, invadiu teatros para espancar atores e invadiu rádios para destruir equipamentos, além de brigar com universitários progressistas a ponto de matar um deles, e de sequestrar e matar um padre progressista.

A grande mídia, pelo jeito, é um grande arranha-céu em chamas. Muita coisa grave ainda vai acontecer.

Band News FM de Curitiba demitiu jornalistas por motivos ideológicos


Essa notícia tem um tempo, foi em março de 2009, mas mostra o quanto é a mídia grande diante do mercado profissional. Mostra o quanto é fácil defender o "cidadão" nas ondas do rádio, mas dentro do próprio mercado radiofônico, o buraco é mais embaixo.

Para quem não mora em Curitiba - cidade até bem organizada e simpática, mas também é a cidade do insosso transporte coletivo que já não é futurista faz tempo - , o empresário que detém a fraquina Band News na capital paranaense, é um banqueiro e dirigente esportivo paranaense, filiado à direita política local, e que havia comprado a CBN FM Curitiba, rádio que surgiu, também por franquia, quando um outro dirigente esportivo desmontou a histórica rádio de rock Estação Primeira.

Depois de 1996, quando surgiu a infame CBN Curitiba (que a princípio deixou muita gente deslumbrada, enquanto até surfistas se queixavam do fim da Estação nas revistas especializadas), veio outra rádio de rock, a menos comercializada e mais comercial 96 Rock, que há poucos anos atrás deu lugar à franquia Band News.

Pois o banqueiro Mallucelli - lê-se "maluquéli"? - ordenou em março passado que demitissem jornalistas que fossem contrários ao político Roberto Requião. O primeiro a dançar na cadeira foi o diretor de redação Gladmir Nascimento. Depois foram a âncora do jornal da manhã, Denise Mello, e as repórteres Daiane Figueiró e Patrícia Thomaz e mais três jornalistas em solidariedade também pediram o boné.