terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A corda sempre arrebenta no lado mais fraco


Como bem lembrou o amigo Marcelo Delfino, e como eu já pensava em escrever neste blog desde manhãzinha, a TV Bandeirantes pensa em demitir os operadores que deixaram vasar o comentário ofensivo do jornalista Bóris Casoy aos lixeiros.

O que mostra o quanto a TV Bandeirantes também tem de golpista, contrariando expectativas até então recentes.

Desta forma, o "líder de opinião", que enfeitava em seu blog fotos de políticos e jornalistas e fazia a linha "chapa branca" enrustida, está traumatizado porque via o Grupo Bandeirantes de Comunicação como o oásis de cidadania e democracia na grande mídia. Agora, este "líder de opinião" está chorando sem dó. O que sobra agora para ele como mídia confiável, o diário escrito por sua filhinha caçula?

Morreu autor original de sucesso de Sidney Magal


Para quem menospreza a autoria original das músicas - um dos "benefícios" renovados pelo culto ao brega-popularesco - , a música "Tenho", um dos sucessos de Sidney Magal, que foi adaptada até para comercial de celular, não é do repertório original do cantor brega, que aliás quase nunca compunha as canções que cantava.

"Tenho", na verdade, é uma versão de um sucesso do rock argentino, a música "Tengo", do recém-falecido cantor Sandro, um dos ídolos populares daquele país. Ele faleceu vítima de problemas respiratórios causados pelo consumo excessivo de tabaco.

Sandro começou sua carreira nos anos 60 e estava doente desde os anos 90.

Morre Erasmo Dias, general que ordenou invasão policial na PUC


Morreu o general Erasmo Dias, que teve atuação na ditadura militar, como Secretário de Segurança Pública de São Paulo, durante o governo presidencial do general Emílio Médici.

Erasmo Dias também ordenou a invasão policial na PUC paulista em 1977 e, em 1964, foi um dos fundadores da Aliança Renovadora Nacional, ARENA, que na prática era uma continuação militarizada da UDN.

Não deixa saudades.

MACHISMO ACABOU COM A MULHER BRASILEIRA


A DANÇARINA RENATA FRISSON, A "MULHER MELÃO", SIMBOLIZA A DECADÊNCIA QUE O MACHISMO IMPÔS À MULHER BRASILEIRA.

O machismo fez estragos sérios na mulher brasileira. E não apenas nos crimes passionais. Apoiado em todo um sistema de valores veiculados durante a ditadura militar, o machismo brasileiro, mesmo tolerando aparentemente a liberdade feminina, conseguiu determinar papéis subordinados a boa parte das mulheres brasileiras, sobretudo as de classe média baixa ou ligadas a classes populares ou grupos conservadores. E, pior, elas já sentem a situação de abandono em que se encontram.

São mulheres que vendem o corpo para a mídia, como as "boazudas" dançarinas de "funk carioca" (as tais "mulheres-frutas"), as ex-dançarinas de pagode ou as boazudas que integraram reality shows coo o Big Brasil.

Ou então são mulheres-coitadas de beleza medíocre e geralmente sem forma física, antigas donas-de-casa largadas por maridos ou namorados que se amarram na pieguice brega-romântica dos discos de Fábio Jr., Wando ou das duplas breganejas ou cantores e grupos de sambrega e forró-brega (ou forró-calcinha).

Além delas, há fanáticas de todo tipo, como as religiosas e as "boleiras" (aspirantes fracassadas a marias-chuteiras).

Todas elas, submissas a concepções machistas dos papéis sociais reservados à mulher, e integrando grandes contingentes de "solteiras" no país, conforme se pesquisa tanto no Orkut quanto em sites sobre celebridades, ou mesmo nas pesquisas pelas ruas. Todas sentindo o abandono sofrido por conta de suas personalidades superficiais, embora várias delas, desesperadas, apelem para a desculpa clichê do "preconceito" para dizer por que estão sozinhas.

Mas elas tornaram-se antiquadas dentro de uma sociedade em transformação. Mesmo dissimulando a condição determinada pelo machismo com profissões fora de casa ou mesmo com alguma emancipação, elas mantém valores e princípios que o machismo reserva à mulher.

As boazudas, por exemplo, simbolizam o "recreio sexual" dos machistas, o entretenimento "sensual" dos homens grotescos. O brutal erotismo onde o culto ao corpo é o único sentido considerado.

As marias-coitadas simbolizam as mulheres que outrora eram condenadas à vida doméstica, ao comportamento infantilizado das mulheres domesticadas pela tirania machista, às tarefas do lar, ao acanhado entretenimento do sentimentalismo piegas.

As fanáticas, por sua vez, no que diz à religião, condiz ao parágrafo anterior, quando o machismo só permitia às mulheres saírem de suas casas para irem à missa, e mesmo assim na companhia de amigas. No que diz ao esporte, corresponde, muitas vezes, à reação de pais machistas que, desejando ter filhos homens, acabam gerando filhas, e por isso, até por questão de desabafo, esses homens acabam levando suas filhas para os estádios.

Nota-se essa herança da ideologia machista seja nas moças que vão assistir a um evento de forró-brega, seja nas moças que ainda choram quando veem um ídolo brega na televisão, seja nas boazudas que, complexadas com a imagem de "objetos sexuais", tentam dar a impressão de que podem viver sozinhas, num claro comportamento infantil respaldado, por trás dos panos, pela assistência de mães e irmãos dessas boazudas. Essas boazudas afirmam querer "caras legais" para namorar ou casar, mas isso também é consequência do complexo da "prostituição midiática" a que sucumbiram.

Enfim, são mulheres que a maior parte dos homens acha difícil conviver por muito tempo. Mulheres que se dizem "sem preconceitos", que procuram "caras legais", mas que elas mesmas foram educadas pelo preconceito da sociedade brega, machista e conservadora. E que as demais mulheres julgam como chatas, ultrapassadas, passivas e alienadas. São mulheres que sucumbiram a valores antiquados, estereotipados, piegas, conservadores, e por isso mesmo deixam de ser vistas como interessantes. São mulheres que dizem não se submeterem a homem algum, mas se submeteram a uma meia-dúzia de executivos da mídia que, desde os anos de chumbo, impuseram uma série de papéis subordinados para as mulheres seguirem mesmo depois da emancipação profissional e financeira.

Essas mulheres são as grandes vítimas do machismo brasileiro.

Defensores do brega-popularesco são elitistas


Por que será que o livro Eu Não Sou Cachorro, Não de PC Araújo virou "unanimidade" e hoje não vemos Odair José sequer entre as atrações do Festival de Verão de Salvador?

Como vemos, isso se deve a um elitismo daqueles que defendem o brega-popularesco. É a síndrome do "remédio amargo", que todos recomendam para os outros, mas não têm a menor coragem deles mesmos encararem.

Ouvindo o comentário de Bóris Casoy sobre os lixeiros, é necessário indagar o que os tão "admiráveis intelectuais" dizem de suas empregadas domésticas, e se toda essa retórica em defesa de ídolos cafonas (Waldick Soriano, Odair José) ou neo-cafonas (Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano) não seria uma forma de desviar a atenção das empregadas à discografia de MPB autêntica de seus patrões.

Sim, porque deve haver um constrangimento dessa classe média "tão consciente"quando vê suas empregadas vendo, curiosas, os discos de Tom Jobim, Sílvia Telles, do Clube da Esquina, dos Mutantes, de Antônio Adolfo.

Por isso mesmo toda essa defesa desesperada do brega-popularesco não passa de uma conjunção de interesses escusos. Seja de uma classe média com medo de ver as classes pobres terem o mesmo gosto musical da MPB autêntica que aquela tem, seja dos empresários envolvidos com os ídolos popularescos que não querem perder dinheiro. Neste segundo caso, não é difícil ver que o foco do jabaculê brega-popularesco há muito se alterou, migrando das FMs para a intelectualidade. Pagar um cientista social para dizer que o "funk carioca" (FAVELA BASS) é "movimento cultural", criando toda uma mitologia delirante em torno de um ritmo chinfrim, é mais fácil que tirar doce de criança.

Por isso mesmo, não somos nós os elitistas. São essas pessoas, aparentemente desejosas que Alexandre Pires, É O Tchan, Calcinha Preta, Zezé Di Camargo & Luciano, Waldick Soriano e similares sejam "reconhecidos como MPB", que são as verdadeiras elitistas. É o medo que essas pessoas têm de que os valores sólidos da cultura popular autêntica ou mesmo da música brasileira sofisticada dos anos 50 e 60 seja apreciada pelo grande público.

É o medo da empregada doméstica daquele "simpático" etnólogo levar para si todos aqueles discos de Tom Jobim, Sílvia Telles, Antônio Adolfo, Mutantes etc que ela viu com curiosidade.