segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

LIVRO DE PAULO CÉSAR ARAÚJO NÃO REABILITOU ÍDOLOS BREGAS


Aparentemente, o livro Eu Não Sou Cachorro Não, de Paulo César Araújo, ganhou uma reputação de aparente unanimidade, fazendo com que os pioneiros da música brega alcançassem um status nobre na Música Popular Brasileira, certo? E que a repercussão do livro se estendeu no sucesso estrondoso dos ídolos cafonas, certo?

Errado nas duas questões. O sucesso do livro nada representou para a imagem dos ídolos bregas nem significou um revigorado sucesso dos mesmos.

Nem o sucesso deste livro conseguiu passar para seus subprodutos, como os tributos Eu Vou Tirar Você Desse Lugar, dedicado ao repertório de Odair José, e Eu Não Sou Cachorro, Mesmo, dedicado aos cafonas em geral, que apenas ganharam elogios da crítica (crítica que, cá para nós, está longe de ter aquela inteligência crítica da geração Bizz de 1985-1990).

Os frutos do sucesso do livro não conseguiram crescer. Odair José lançou um disco de músicas inéditas que teve fraquíssima repercussão. O reforço de Patrícia Pillar ao livro de PC Araújo, o documentário Waldick, Sempre No Meu Coração, não fez o filme virar um blockbuster e o próprio Waldick Soriano, nos últimos anos de vida, também não ganhou sucesso estrondoso.

Que ninguém diga que isso se deu porque o brega é "cult", "alternativo", "maldito" ou outros rótulos devidos. Isso é desculpa esfarrapada. E também contradiz à própria obsessão dos defensores dos ídolos cafonas em creditar o gênero brega como "a verdadeira música popular". Sinal de quem julga as coisas pela emoção sem medo de se contradizer.

O brega surgiu para fazer sucesso comercial, mesmo. Veio para ganhar dinheiro, e só. Veio para entreter durante um tempo e desaparecer sem deixar marcas. O brega nunca teve fins artísticos, nunca teve objetivos culturais, foi apenas o hit-parade de um Brasil coronelista que os intelectuais acomodados nas capitais do Sul e Sudeste não conseguem compreender, e julgam o brega conforme seu dócil etnocentrismo de ver o povo do interior como um bom selvagem e achar que música popular tem que ser medíocre mesmo, apenas fingindo que essa mediocridade "não existe", embora seus elementos sejam afirmados por esses mesmos intelectuais.

REMÉDIO AMARGO - Isso tudo mostra o quanto o sucesso do livro de PC Araújo é uma farsa. A música brega, através das pregações deste livro, se tornaram, para a maioria das pessoas, como um sinônimo de remédio amargo. É aquele remédio que todo mundo adora recomendar para os outros, a pretexto de muitos benefícios, mas que as próprias pessoas não têm coragem de tomar.

É por isso mesmo que a maioria dos defensores da música brega, como de todo o brega-popularesco, na verdade não têm a menor coragem de ouvir aquilo que dizem tanto defender.

NÃO SOMOS NÓS QUE QUEREMOS REGRAS PARA A MÚSICA POPULAR


Não somos nós, que, rejeitando toda a música brega-popularesca que domina o país, desejamos impor regras para a música popular a ser feita no país.

Não somos nós que queremos ditar preceitos, regulamentos, procedimentos. Mas aqueles que defendem todo esse universo brega-popularesco que faz sucesso nas rádios.

Tudo parece "natural" e "espontâneo" na música de Waldick Soriano, Odair José, Gretchen, Sullivan & Massadas, Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, É O Tchan, DJ Marlboro, Calcinha Preta, Chiclete Com Banana, Psirico, MC Créu e tantos, tantos outros. Mas todos eles seguem, na verdade, todo um padrão premeditado pela indústria cultural desde os tempos da ditadura.

São os defensores do brega-popularesco que impuseram normas para a música popular a ser feita no país. São eles que determinaram que o povo tinha que adotar um comportamento pateticamente feliz, se comportar feito idiotas que são felizes por coisa nenhuma.

São esses defensores que determinaram que o povo tinha que cantar mal e compor pior ainda para fazer uma "verdadeira canção popular". São eles que determinam a conduta frouxa dos artistas, a submissão deles para com a indústria cultural, a prática de tolices como dançarinas rebolando demais por motivo nenhum.

E nós, coitados, somos tidos como "normatistas" e "burocratas" só porque reclamamos porque as favelas aparentemente não veem surgir um novo Ataulfo Alves, um novo João do Vale, um novo Jackson do Pandeiro.

Mas os defensores do brega-popularesco, que tanto se orgulham em defender a "pureza na cultura popular", mal conseguem disfarçar seus preconceitos etnocêntricos, e eles, como um Bóris Casoy para a cultura popular, tratando as classes pobres como bobos alegres, macacos de realejo, bons selvagens, numa atitude paternalista que eles, logo eles que condenam o "paternalismo" dos outros, têm em sobra.

Quem recebe regras para fazer uma "boa música popular" é um Alexandre Pires, um Belo, que seguem direitinho os preceitos estereotipados associados a uma MPB em crise. Quem segue regras determinadas é um Calcinha Preta, é um MC Créu, ou mesmo os bregas "de raiz" da linha do Amado Batista, que acham que um ídolo popular tem que ter necessariamente voz de fuinha.

São esses ídolos que fazem uma música totalmente calculada, o problema é que o marketing de muitos anos fez as pessoas se acostumarem mal e pensarem que esses ídolos são espontaneamente populares. Não são mesmo.

Eduardo Paes desistiu da padronização visual dos ônibus?


Na entrevista de ontem para o jornal O Globo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, falou de seus planos para o sistema de ônibus na cidade. Fora a novidade do Transcarioca, Paes apenas se limitou a afirmar que vai licitar as linhas de ônibus do município.

Sabemos que essa licitação não vai alterar muito o panorama, a não ser para determinadas linhas de ônibus, como as da Zona Oeste, com serviço predominantemente irregular. Mas a maior parte das empresas vai apenas regularizar burocraticamente a situação. Por exemplo, a Real Auto Ônibus vai continuar servindo suas linhas para a Zona Sul, como 126, 127, 128, 170 e 172, além da família 179 para a Alvorada (inclui variantes).

A princípio, Eduardo Paes não falou sobre a padronização visual dos ônibus (cujo prazo para estudo termina este mês), medida que causa ampla rejeição da maioria esmagadora de busólogos e que vai prejudicar os passageiros de ônibus do Grande Rio, que correrão mais risco de pegar ônibus errado (coisa que o bilhete único não vai resolver, até porque tem o outro aspecto da perda de tempo).

Paes, no entanto, deixou inferir que a "curitibanização" - modelo de gestão de transporte que está por trás da padronização visual, que envolve uma empresa estatal que irá controlar o serviço de ônibus, enquanto as empresas se limitariam aos aspectos técnicos e financeiros dos ônibus - do sistema de ônibus é uma tarefa complicada, através da afirmação que o transporte é um setor muito difícil de ser administrado pela Prefeitura.

Sabe-se no entanto que, em cidades como São Paulo, Curitiba, São Carlos e São Luís o padrão "curitibano" de transporte não evita o colapso do sistema. E que vários busólogos já começam a admitir, de forma bastante objetiva, que a padronização visual traz mais prejuízo do que benefícios, até mesmo a "camuflagem" de empresas de ônibus ruins, além da inevitável confusão dos passageiros sobre qual ônibus pegar.