sábado, 2 de janeiro de 2010

O ETNOCENTRISMO DOS DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO


Os defensores do brega-popularesco, em especial os do "funk carioca" (FAVELA BASS), sofrem de etnocentrismo, o que os coloca em situação bem difícil.

De formação tipicamente de classe média, eles se dizem "solidários com o povo", mas na verdade veem as classes populares de forma bem elitista e preconceituosa. Sim, isso mesmo, PRECONCEITUOSA, isso partindo de pessoas que falam em "ruptura de preconceitos".

O etnocentrismo se define como o julgamento da ideia do outro pelos padrões conceituais de quem o observa, que vê a realidade como ele quer ver e não como ela é de fato.

Para eles, o povo "de verdade" tem que desempenhar papéis de gente idiota, patética, de talento medíocre, não obstante ridículo e péssimo, e todos apenas fingem que essa ruindade artística é "boa" porque "vem do povo".

Só isso para explicar o porquê de não termos mais novos Ataulfo Alves, Cartola, Luiz Gonzaga, João do Vale, ou mesmo seguidores vivos de Elza Soares, Martinho da Vila, Dominguinhos e Dona Ivone Lara.

O "funk carioca" é o típico exemplo de como esse apoio etnocêntrico, de gente realmente elitista que vê o outro - no caso o povo pobre - como se fosse um bando de selvagens que, "graças a Deus", são domesticados pelos meios de Comunicação.

Daí o fascínio de certos intelectuais de elite, certas celebridades, artistas e jornalistas, quando pobres se comportam como macaquinhos de realejo, rebolando pateticamente, cantando mal, fazendo péssima música (eventualmente lapidada por pseudo-sofisticações, conforme os interesses da indústria fonográfica e da mídia).

Mas quando o povo pobre instala barricadas para reclamar do descaso do Poder Público, ou das mortes ocorridas pela falta de passarelas (que obriga os moradores a atravessar as avenidas com trânsito intenso), essas elites sentem pavor. Quando o povo faz passeatas pedindo um pedaço de terra, essas elites sentem horror. Quando o povo começa a contestar a sociedade em que vivemos, essas elites tapam seus ouvidos. São as mesmas elites que, no entanto, vão para os primeiros lugares nas plateias do Psirico, são as mesmas que chamam Alexandre Pires de "gênio" e são as mesmas que vão para os "bailes funk", desde que não se envolvam muito com a "ralé" que lá está.

Essas pessoas se julgam "humanistas", "democráticas" e "sem preconceitos". Mas a perspectiva ideológica dessas pessoas não é muito diferente daquela satirizada por Chico Anysio através de seu personagem Justo Veríssimo, aquele que diz "Quero que o povo se exploda".

Milena Machado também decepcionou


Quem também deveria dar suas desculpas aos espectadores é a jornalista Milena Machado, que também decepcionou naquele incidente com o Bóris Casoy.

Linda de morrer, Milena no entanto nos envergonhou, porque diante daquele comentário cínico, antipático, arrogante e de um puro mau gosto de Casoy sobre os lixeiros, a jornalista deu uma risada consentida.

Se ela fosse um pouco mais responsável, teria saído da bancada, ou então teria advertido ao jornalista: "Isso também não, Casoy". Em vez disso, ela se limitou a dizer "Ah, ah".

Não sei se ela está temerosa a regras superiores ou se riu por boa-fé, mas a verdade é que, com sua atitude, Milena nos decepcionou de toda forma. Traiu sua responsabilidade social, e também pôs seu carisma de musa jornalística em risco.

Nesse incidente todo, a Band, quem diria, que era o símbolo maior da mídia salvadora da humanidade brasileira, saiu com um arranhão tão violento que é difícil reparar. Mas, depois da Folha de São Paulo com aquele episódio da "ditabranda", tudo pode acontecer.

Chamem o Bóris Casoy!!


Passei pela Praia de Icaraí, na minha querida cidade de Niterói, minha terra de criação. E logo vi quanto havia de lixo, de poluição até na nossa sofrida Baía da Guanabara.

Aqui vemos o tanto que os lixeiros trabalham para deixar nossas cidades limpas, o mínimo de esforço que cada trabalhador dessa categoria faz para o bem-estar da população, para a saúde e o conforto dos cidadãos.

É bom que o sr. jornalista Bóris Casoy, com seus mais de 35 anos de profissão, um sujeito que tanto se julgava de plena moralidade para opinar os fatos do dia, que tanto queria passar o Brasil a limpo, que tanto ironizava a impunidade com a expressão "tudo acaba em pizza", e que dizia que os absurdos do país eram "uma vergonha", agora ele produziu sua própria vergonha, sujando o jornalismo e ainda por cima querendo uma pizza na sua fria desculpa aos lixeiros, no dia seguinte à sua gafe.

É bom que ele veja o trabalho digno dos lixeiros, que acima de tudo são cidadãos, possuem família e exercem um compromisso social com a população tão digno quanto a dos bons jornalistas, dos quais Bóris não parece disposto a querer fazer parte.

Mil vezes a "alienação servil" de William Bonner que, ao que tudo indica, nunca cometeria uma gafe como a feita pelo "engajado" Casoy.