quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

YOUTUBE NÃO É MÍDIA ALTERNATIVA



Um dos grandes erros na Internet é o mito de que as chamadas "redes sociais" digitais são consideradas "mídias alternativas", como se quisesse criar um maniqueísmo tolo entre as grandes broadcastings da televisão, do rádio, dos jornais e da indústria fonográfica e o Orkut, Facebook, Twitter e YouTube, as principais "redes sociais" de que mencionamos.

Rolou ontem à noite o evento em que os ídolos do tal "sertanejo universitário" - vulgo "Irmandade Filhos de (senadora) Kátia Abreu" - fizeram uma apresentação ao vivo através do YouTube, portal de vídeos ligado ao Google.

Através desse evento, deve rolar aquele ridículo hype, que os ideólogos da Música de Cabresto Brasileira fazem - vide o tecnocrata Ronaldo Lemos no seu livro sobre tecnobrega, feito em parceria com Oona Castro - , de que os ídolos do brega-popularesco agora só fazem sucesso em função das "redes sociais".

Há muito exagero e inverdades nessa tese. Primeiro, porque as "redes sociais" ainda estão longe de definir diretamente o sucesso estrondoso de qualquer fenômeno. Tanto que, se este faz um gigantesco sucesso, é somente depois que a grande imprensa noticia suas relativas e limitadas façanhas no YouTube, em que ser viesto por 500 pessoas num só dia já é considerado um sucesso.

Segundo, porque a música brega-popularesca faz sucesso mesmo, e pra valer, através de emissoras de rádio FM e TV aberta ligadas a grupos dominantes. Mas, como a opinião pública começa a pressionar negativamente contra a grande mídia, os ideólogos do brega-popularesco, malandros, agora tentam dizer que fulano não fez sucesso, está fora da mídia, vende discos e lota plateias porque seu vídeo no YouTube foi visto por 100 internautas na primeira hora de publicação.

A paranóia deles chega ao ponto de dizer que se o ídolo tal aparece na Globo, mas também aparece na Rede Record, então ele está fora da grande mídia. Absurdo!

A malandragem discursiva é tanta que as histórias de pescador dessa intelectualidade chegam a dizer que a dita "música sertaneja" nunca teve espaço na mídia. Como? O que é o Domingão do Faustão da Rede Globo, a Ilustrada da Folha de São Paulo, a revista Caras, dando espaço para breganejos, sambregas, axézeiros, funqueiros etc? Eles são grande mídia, são espaços de entretenimento ligados diretamente aos interesses do Partido da Imprensa Golpista!

Ora, o ritmo popularesco mais investido e claramente patrocinado pelo poder latifundiário (aliado fiel dos barões da grande mídia), não pode ser considerado anti-mídia. Fui ao Blog Livre e dei uma bronca ao Neuton por ele ter incluído um vídeo de uma cantora de "sertanejo universitário", por ela ser protegida do PiG (que Neuton tanto critica) e ter ganho até tema na novela da Globo.

Terceiro, o YouTube é uma mídia tão heterogênea que dizer que ela é "mídia alternativa" é, no mínimo, uma grande burrice. Tanto eu quanto o militante do Opus Dei podemos, igualmente, ter conta no Google e publicar vídeos no YouTube.

Classificar YouTube como "mídia alternativa" requer situá-lo numa postura ideológica de combate à grande mídia. Isso não tem sentido algum. O YouTube é neutro, como o Blogger, também do Google, também é. Há tanto blogs progressistas como blogs reacionários hospedados pelo Blogger. Logo, também tem vídeos progressistas e reacionários no YouTube.

Além disso, as "redes sociais" que podem transmitir valores progressistas que abalem as estruturas da grande mídia, podem também transmitir comentários ultrareacionários, como o caso recente da estudante Mayara Petruso, que divulgou no Twitter um comentário fascista pedindo o afogamento do povo nordestino.

Tentaram usar as "redes sociais" para promover o rótulo falsamente vanguardista do tecnobrega, e, resultado: os cantores tecnobregas apareceram até na ultradireitista revista Veja, que tratou os ídolos muito bem, algo que os leitores de Caros Amigos e revista Fórum deveriam tomar conhecimento.

Portanto, as "redes sociais" são mídia neutra. Não são de esquerda nem de direita. São apenas ofertas de espaço para pessoas comuns transmitirem sua mensagem. Pessoas vindas dos mais diversos planos ideológicos, diga-se de passagem.

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