segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A VERGONHOSA OMISSÃO DA MÍDIA ESQUERDISTA AOS PROBLEMAS DA CULTURA


FESTA DE BARRETOS, EM EDIÇÃO DESTE ANO - Maior arena dos ídolos "sertanejos" patrocinados pela mídia golpista e pela UDR.

A maior herança da ditadura militar, das forças reacionárias e das elites dominantes do nosso Brasil, sob o silêncio da opinião pública, segue seu curso, deixando os barões da grande mídia tranquilos.

Enquanto, no plano político, a mídia esquerdista oficial estabelece posições arrojadas, no plano cultural a omissão é muito grande em relação ao império do brega-popularesco.

Defende-se, tão estranhamente, um modelo de "cultura popular" trabalhado pelos mesmos barões da grande mídia, sobretudo pela contratação de "colunistas" que, mesmo fazendo propaganda desses mesmos "sucessos do povão", viram queridinhos da mídia esquerdista.

Sabemos que o brega-popularesco, essa suposta "cultura popular" que domina nas rádios FM e na TV aberta, em nenhum momento pode ser considerada de fato uma autêntica cultura popular, porque suas caraterísticas, que envolvem desde uma personalidade submissa de seus ídolos - é só comparar os cantores de breganejo e sambrega com Chico Buarque, por exemplo - até a baixíssima qualidade artística (defendida sob um suspeitíssimo apelo de "desprezo às questões estéticas").

A situação é tão grave que até mesmo a verdade histórica é completamente violada. Não bastasse termos que acreditar, às custas dessa intelectualidade, que a pseudo-cultura "popular" é a "verdadeira cultura do povo", esquecendo seu passado de muito jabaculê e politicagem por trás, manobras como ocultar o passado direitista de Waldick Soriano ou mesmo mentiras que hoje surgem como a de que os "ídolos sertanejos" estão "fora da grande mídia", envergonham uma intelectualidade que deveria zelar pela cultura autêntica, em vez de defender o mercadão dos "sucessos do povão" que agrada muito os barões da grande mídia.

É muito grave que o Brasil, com um patrimônio cultural acumulado com tanto sacríficio, com muito suor e sangue, nos úlitmos 500 anos, seja refém de uma mentalidade brega-popularesca que, pelo menos, não deveria ser defendida nos espaços midiáticos de esquerda. De uma "cultura" alimentada durante as últimas décadas pelo jabaculê e pela politicagem e que agora vende a mais hipócrita imagem de "cultura das periferias".

Isso contradiz muito a reputação da mídia de esquerda, e cobranças vêm pelos bastidores, sobretudo pelo envolvimento de dois colunistas da revista Caros Amigos com a mídia golpista. Um, pelo seu passado ligado à Folha de São Paulo. Outro, porque faz o jogo duplo de escrever para Caros Amigos e aparecer na Rede Globo, além de possíveis rumores de que fale mal da esquerda pelas costas.

Até agora ninguém explicou por que um cara como Pedro Alexandre Sanches faz na mídia esquerdista, lançando livros pela Editora Boitempo, escrevendo para Carta Capital, Caros Amigos e Revista Fórum. Ele não é naturalmente alinhado com a ideologia esquerdista. Pelo contrário, ele continua tendo a mesma mentalidade de jornalista da Folha de São Paulo, e defende os mesmos ídolos brega-popularescos que a própria mídia golpista defende abertamente.

Até agora ninguém explicou isso, e Pedro é questionado constantemente por aqui que isso reflete até na busca do Google quando, já na segunda página, aparecem os textos contestadores. Fica uma omissão que só pode causar problemas. Talvez já esteja causando problemas, pois Sanches torna-se uma presença incômoda na imprensa esquerdista, na medida em que defende os mesmos "ídolos populares" que expressam os interesses da mídia golpista, como Ivete Sangalo e Alexandre Pires.

Cria-se um impasse nos bastidores, um desequilíbrio de forças ideologicamente suspeitas dentro da mídia esquerdista, mas ninguém fala, ninguém dá um pio, o clima de omissão faz com que abra caminho para reações direitistas futuras.

Que jogo de interesses faz com que não se defenda uma cultura popular de qualidade e, tão somente, se tente legitimar uma pseudo-cultura que, só por ser dominante há décadas no gosto popular, não quer dizer que seja legítimo, autêntico ou indiscutível.

PRECONCEITOS DE ELITE DISFARÇADOS: O POVO É "BOM" FAZENDO COISAS RUINS

"É o que a maioria gosta", "É o que o povo sabe fazer". Essas desculpas são apoiadas pelo lugar-comum da "ruptura de preconceitos", um pretexto que na verdade esconde um preconceito muito maior do que aquele que supostamente se combate.

Afinal, acredita-se que o povo só é capaz de fazer coisas ruins, mas se é obrigado apenas a se fazer crer que essas "coisas ruins" são "boas", num claro disfarce dos preconceitos de elite.

Sim, porque isso desmascara completamente aqueles que, no âmbito político-econômico, se dizem solidários aos movimentos sociais. Desde, é claro, que os movimentos sociais sejam longe daqui, seja nas Cordilheiras dos Andes, no oeste sul-americano, seja em Israel ou no Haiti.

Quando muito, é tão somente de forma hipócrita, como o tal "funk de raiz" que de funk e de raiz não possui coisa alguma. Afinal, esses "militantes", perdendo uma boa oportunidade de ficar quietos, deveriam defender, sim, o som de Cassiano, Hyldon e Gerson Combo, já idosos, sem qualquer seguidor, e botar o pessoal das favelas para aprender música, tocar violão, guitarra, baixo, bateria, instrumentos de sopro e órgão, fazer melodias e não fazer essa palhaçada que parodia uma cantiga de roda com uma letra "de protesto" que não protesta coisa alguma.

Daqui a alguns meses, acredito que a situação vai complicar. Afinal, depois da festa petista, o bloco de aliados é enorme demais para ser sempre coeso. Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Altamiro Borges, Senhor Cloaca e outros devem estar vigilantes sobre possíveis traíras na festa esquerdista.

Os maiores traíras, certamente, sairão quando avançarem as conquistas sociais, e também daqueles que defendem a "cultura" brega-popularesca. Porque são eles os mais temerosos de uma verdadeira mobilização popular: aquela em que o povo pobre não é tratado como se fosse um animal doméstico tal como vemos na suposta "cultura popular" das rádios e TVs.

Mas até quando vai essa omissão toda? Será que o pessoal vai fingir que não sente mal estar, porque o que importa é o que está estabelecido? Até quando vão ter que engolir esse impasse?

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