sábado, 11 de dezembro de 2010

NOEL ROSA TERIA FEITO 100 ANOS



Não é fácil um músico com uma vida tão breve ser sempre lembrado nos dias de hoje.

Pois esse é o caso de Noel Rosa.

Ele nasceu há 100 anos, no então Distrito Federal, e fez da Vila Isabel o seu lugar, de vida social e sentimental.

Era boêmio, estudava Medicina, mas fazia sambas com um fino humor.

Tinha até seu jeitão meio bad boy, meio boa-praça, notado pelo então coroinha Carlos Heitor Cony.

Mas era uma figura admirável.

Era frágil. Uma doença de infância fez Noel ter queixo curto. E olha que ele era um bebê robusto.

Mas ele conviveu com muitos músicos de seu tempo. Compunha músicas sozinho ou com parcerias. Até tentou ser cantor. Mas sobretudo tocava seu violão serenamente, compondo com toda a descontração.

Fez parte do supergrupo Bando dos Tangarás, com Henrique Foréis Domingues à frente e com Braguinha entre os demais integrantes. O grupo divulgou o mais antigo videoclipe brasileiro conhecido, "Vamo falá do Norte", de 1929.

Compos muitos clássicos, como "Com Que Roupa", "Gago Apaixonado", "Não Tem Tradução", só para citar três. Suas composições, no total, são cerca de 300.

O samba de Noel Rosa era muito moderno. Tinha um quê de urbano, mas sempre em respeito ao samba original. Era apenas uma liberdade criativa.

Por isso Noel Rosa continua moderno. Sua música ainda tem um frescor de novidade.

Afinal, eram grandes tempos em que a música popular falava por si própria.

Não precisava baixar a qualidade para alcançar grande público, às custas de muito marketing e trololó intelectualóide.

A música popular era forte, de alta qualidade, de grande criação. Autêntica.

Não precisava provar que era "popular" lotando plateias em menos tempo.

Era popular porque produzia conhecimento e valores nos quais o povo se identificava plenamente.

Portanto, Noel Rosa, mesmo 73 anos depois de ter nos deixado, continua vivo em sua obra.

E viverá muito mais do que tantos pseudo-sambistas que batem ponto no Domingão do Faustão.

Viva Noel Rosa!

Um comentário:

Marcos Vinicius Gomes disse...

Sobre o queixo, ele nasceu de fórceps segundo um documentário. Gosto dele, pois ele tinha uma qualidade, um diferencial, falava da mulher sem muitos melindres. Um cronista nato em tempos de rococó. Estaria hoje fazendo músicas zombando das popozudas, teria material de sobra...