sábado, 4 de dezembro de 2010

NÃO É FÁCIL SER LEILA DINIZ


LEILA DINIZ: ELA NUNCA FOI VULGAR, APENAS FOI OUSADA EM SEU TEMPO.

Infeliz da mulher vulgar que serve aos valores do machismo e diz que é feminista.

Já vimos muita lorota neste sentido.

Fulana é dançarina, mas é "feminista" porque não tem marido.

Sicrana é funqueira, mas é "feminista" porque fala mal dos homens.

A vulgaridade feminina das boazudas de plantão anda declinando, em séria crise, irritando os editores dos portais que publicam fotos delas.

Há 15 anos atrás, uma única dançarina do É O Tchan assustava com a exaltação do grotesco glúteo.

O PiG quis transformar Carla Perez na sua resposta tardia à Leila Diniz.

Com o tempo, multiplicaram-se as popozudas, até chegar ao mercadão dos glúteos da grande mídia.

O Partido da Imprensa Golpista explora as mulheres-objetos, mas finge que isso não é com ela.

A intelectualidade etnocêntrica também finge que o espetáculo dos glúteos siliconados e sacolejantes não é negócio da grande mídia.

Tem que suprir o mercado de popozudas, com a Solange Gomes vestida de "freira sexy" para benzer os sacramentos do machismo da mídia golpista.

Proibidas de ter namorados - ou, pelo menos, de ostentar oficialmente namorados e maridos - , as "musas" calipígias acham que vida de feminista ou de mulher emancipada é mole.

Basta remexer os glúteos, vestir roupas "sensuais demais", exibir seus corpos turbinados nas boates, praias e ensaios de escolas de samba, dispensar qualquer sombra conjugal masculina e, pronto. Logo pensam que, por não terem homem por perto, são "feministas".

Acham que é moleza ser uma Leila Diniz. Como se a saudosa atriz tivesse sido uma popozuda, uma mulher vulgar. Não foi.

Leila apenas queria conviver com amigos homens. Falar sobre assuntos de interesse masculino, ser enérgica, ir aos bares com os amigos, sem deixar de ser mulher.

Leila não ficava rebolando em grotescos grupos de porno-pagode, para depois entrar na faculdade e tirar onda.

Leila não dizia que odiava ler livros para depois dizer que era "inteligente".

Leila lia livros, se informava, era uma mulher decente. Apenas adotava um comportamento mais arrojado.

Leila não ficava o tempo todo usando roupas justas, decotes generosos, não "pagava calcinha" nem "pagava cofrinho". Mostrava o corpo conforme o contexto, livremente, porque também não era obrigada a mostrar o corpo o tempo todo.

Leila era musa porque era livre. Porque era mulher consciente de sua missão de vida. Porque desafiava o moralismo da época, enquanto por outro lado não descambava para a vulgaridade.

Por isso Leila Diniz era mulher na medida certa.

Por isso ser Leila Diniz não é uma tarefa fácil.

E, certamente, é uma tarefa difícil de fazer para as popozudas de hoje.

Difícil, não somente. Digamos que é impossível, mesmo.

As popozudas seguem o machismo que Leila Diniz não queria seguir.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Seriam os sisudérrimos "metrossexuais" as versões masculinas das boazudas?