quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CERTAS PAÇOCAS SÓ SÃO BOAS QUANDO FRIAS


AO MESTRE, COM CARINHO...

Sabemos que Pedro Alexandre Sanches continua seguindo direitinho as lições que aprendeu na Folha de São Paulo, Época e revista Bravo (não a revista teen alemã, mas a revista intelectualóide da Editora Abril.

A MPB autêntica só é "boa" quando apreciada por uma elite especializada. Pedro Alexandre Sanches fala bem do tecnobrega e deseja que os neo-bregas protegidos pelas Organizações Globo (Fábio Jr., Alexandre Pires, Calcinha Preta, Parangolé etc) sejam reconhecidos como "grandes artistas de vanguarda". Vá entender.

Pedro Alex Sanches, no entanto, também conhece Gal Costa, conhece Itamar Assumpção e tudo o mais da MPB. Mas o cidadão comum, não.

Nem mesmo as marias-coitadas de Minas Gerais, que, se tivessem maior sorte, teriam seguramente trocado seus sambregas e sertanojos (agora a mania delas são os tais "sertanejos universitários", a trilha-sonora dos novos-barões do agronegócio) pela Bossa Nova e pelo Clube da Esquina, possuem a bagagem de Sanches e companhia.

Nem mesmo os agricultores sem-terra, que certamente se recusam a ouvir essa "música sertaneja" e o "pagode romântico" que são patrocinados pelos proprietários de terras. E ninguém é tolo para ignorar que a Festa do Peão Boiadeiro de Barretos é uma das maiores vitrines do coronelismo brasileiro, ligado a siglas temíveis como UDR e DEM e aliada fiel da mídia golpista.

Daí sabemos que o apartheid musical brasileiro não se dá quando brega-popularescos são barrados no salão da MPB, mas porque a MPB autêntica é que é barrada do conhecimento do cidadão comum, fora apenas uns poucos clássicos da MPB que aparecem na programação da Globo.

O brega-popularesco é medíocre, comercial, tendencioso, domesticado e domesticador de classes pobres. Não mereceria mesmo ser reconhecido como a "nova MPB" ou "verdadeira MPB". Pensar assim é tratar o povo feito trouxa, querer que o povo permaneça na sua inferioridade cultural, apenas acreditando que ela é "na verdade, superior".

Quanta hipocrisia.

Daí que certas "paçocas" - como a que Pedro Alexandre Sanches oferece para os Caros Amigos - só são gostosas mesmo para seus consumidores quando elas são servidas bem frias. Frias, de Otávio Frias Filho, o "intelectual" da Folha e sempre mestre de Pedro Alexandre Sanches.

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