sábado, 27 de novembro de 2010

A "MÚSICA CAIPIRA" DA GLOBO NEWS



Enquanto os blogueiros patolinos, os sakamotos-fukuyamas e os paçocas-folhistas começam a acreditar que a suposta "música sertaneja" de chitões, zezés e companhia nunca tiveram acesso à grande mídia, a Globo News, ícone do Partido da Imprensa Golpista, mostra sua visão do que ela acha o que é "música caipira".

Numa propaganda que anuncia o especial sobre o tal "sertanejo universitário", o clipe do comercial da Globo News mostra uma roça e toca a bela música "No Rancho Fundo", mas na infame e oportunista regravação da dupla Chitãozinho & Xororó, protegidos da Rede Globo e da revista Caras. É lamentável que a linda composição de Lamartine Babo e Ary Barroso não seja relembrada por cantores da MPB autêntica, sobretudo por nossa inesquecível Elizeth Cardoso, uma das melhores cantoras da nossa história.

Através desse clipe, o texto fala que a "música sertaneja" mudou, e mostra logo os ícones do tal "sertanejo universitário", que só em blogs como O Kylocyclo você se informa de que se trata da trilha sonora dos novos condes e viscondes do agronegócio, da mesma forma que o breganejo "clássico" de Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo e Daniel são a trilha sonora dos tradicionais barões do latifúndio, "filhos" da Revolução Verde da ditadura militar.

É até estarrecedor que certos blogueiros "progressistas" - os tais blogueiros-patolinos etc - , na sua paranóia em defender a mediocridade brega-popularesca "porque a maioria do povo gosta" e "porque é isso que o povo sabe fazer", já comecem a acreditar que os breganejos - eles chamam de "sertanejos" - não tenham espaço na grande mídia.

Se deixarmos, esse pessoal todo - cujo lobby foi capaz de banir um vídeo em que Waldick Soriano, conservador de direita, esculhambava o feminismo e defendia a ditadura militar - vai logo dizer que Chitãozinho & Xororó só fez sucesso por causa das "redes sociais", como se o Twitter e o YouTube já tivessem existido em 1987.

A cada dia cai a ficha quanto o apoio do Partido da Imprensa Golpista à Música de Cabresto Brasileira, a suposta "cultura popular" que aparece nas rádios FM "mais populares" e na TV aberta. Afinal, se o mercado quer que a cultura popular seja um chiqueiro, é bom deixar claro que toda porcaria sempre tem porco. Toda porcaria sempre tem que ter o PiG junto, dando guarida.

A ideologia brega-popularesca, seguramente, não representa o novo em matéria de cultura popular, porque é mais do que explícito o apoio que ela recebe da velha grande mídia.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Com a expansão da TV por assinatura para a classe C, A TV Globo tratou de impor sua visão da Música de Cabresto Brasileira para seu canal de notícias. Se a Globo News ainda estivesse disponível apenas para as classes A e B, talvez ainda estivesse falando da MPB e da música caipira apenas por seus artistas autênticos.

A facção golpista da grande imprensa acha que a MPB deva ser prestigiada apenas diante da clientela das classes A e B, que não representam ameaça alguma para a mídia golpista. Para as classes C, D e E, querem destinar apenas a Música de Cabresto Brasileira, como uma forma de domesticação.

Marcelo Delfino disse...

Fiz uma propaganda básica deste blog e do Mingau, aqui:

www.orkut.com.br/CommMsgs?cmm=56537673&tid=5544326170948872085&na=3&nst=11&nid=56537673-5544326170948872085-5544347418152085397

www.okylocyclo.blogspot.com

Não é implicância com o fânqui. Eu tenho embasamento.

Tenho um amigo jornalista chamado Alexandre Figueiredo, editor do blog acima e também do novo blog Mingau de Aço (link disponível no outro blog). Há anos ele escreve sobre as relações de Poder da Música de Cabresto Brasileira com a fina flor da direita e do Partido da Imprensa Golpista, ou seja: Globo, Abril, Folha e Estadão.

Entenda-se por Música de Cabresto Brasileira todos os gêneros popularescos que a direita política empurra há décadas para a domesticação da população pobre de nosso país: sertanejo, axé, brega, forró eletrônico, acocha, aparelhagens, pagode mauricinho e também o fânqui carioca.

Não me comovo com o discurso de perseguido dessa cambada da Música de Cabresto Brasileira. Eles estão no Poder há décadas. Todos eles têm espaços generosos nos cadernos dos jornais (até nos outrora respeitáveis Segundo Caderno e Ilustrada da vida), nas revistas, nas FMs movidas a jabá, na TV aberta e até em alguns canais da TV fechada, naturalmente da Globosat: Globo News e Multishow.

Mas um dia a casa cai.