segunda-feira, 1 de novembro de 2010

INTELECTUALIDADE CAI EM CONTRADIÇÃO EM RELAÇÃO AO BREGA-POPULARESCO


Na defesa da música brega-popularesca - ou Música de Cabresto Brasileira - , a intelectualidade cai em grande contradição. Não se pode creditar, neste caso, que isso vem por conta de abordagens diferentes, até porque a abordagem é uma só, e a orientação para apoiar a mediocridade musical dominante na grande mídia é muito grande.

Num momento, vemos os exemplos de ideólogos do "funk carioca", de Hermano Vianna a Marcelo Salles, ou do tecnobrega, como Pedro Alexandre Sanches e Ronaldo Lemos, emprestando para os ritmos popularescos referências político-histórico-culturais que os intérpretes desses ídolos e sobretudo o seu público consumidor desconhecem completamente.

As comparações aos "fenômenos" do "funk" e do tecnobrega - que, na verdade, são fundamentados na domesticação do povo pobre - a referenciais que vão de Antônio Conselheiro a Malcolm McLaren, de Zumbi dos Palmares a Oswald de Andrde, são completamente irreais, porque esses referenciais são de conhecimento privativo da intelectualidade que prega tais apologias. E há também a tese do antropólogo baiano Roberto Albergaria de que as popozudas em geral são "feministas", quando na verdade essas moças nem sabem o que isso realmente se trata.

A contradição vai quando as críticas à Música de Cabresto Brasileira se tornam mais enérgicas, aí vemos que a intelectualidade abre a guarda, dá de ombros e vem com desculpas que se opõem às alegações citadas no parágrafo anterior: "É porque o povo gosta", "É porque é isso que o povo sabe fazer".

Vemos como exemplos a alegação de Malu Fontes, professora da UFBA, que a respeito do arrocha, alegou que é isso o que o povo baiano "sabia fazer". Leonardo Sakamoto, por sua vez, declarou inútil que o povo pobre volte a fazer e apreciar baiões autênticos, sambas autênticos e músicas caipiras de verdade. E o misterioso Patolino, do Blog do Patolino, disse que (a música brega-popularesca) é "o que a maioria gosta".

Quer dizer, de um lado se atribui, à mediocridade cultural dominante, uma série de referenciais intelectuais que intérpretes e público desses estilos popularescos desconhecem, mas que são de profundo conhecimento da intelectualidade apologista.

De outro, porém, essa intelectualidade dotada de um etnocentrismo "cordial", adota outro discurso conformista, como se quisesse justificar a mediocridade cultural pela predestinação do povo pobre em ser burro, grosseiro, condenado sempre à expressão do mau gosto, a pretexto de que supostamente está acostumado a tudo isso e que não tem condições de fazer algo diferente e melhor.

Em outras palavras, a intelectualidade se comporta como uma madame de prédio de luxo que, quando quer agradar seu cachorrinho, o elogia como se ele fosse um ser humano dotado da mais expressiva sabedoria. Mas, quando esse cachorrinho está fedorento e defeca no meio da sala, a madame, toda dondoca, logo tenta dizer para seus amigos e amigas: "esse cachorrinho não tem jeito mesmo".

Essa intelectualidade etnocêntrica ainda vai causar problema para si mesma.

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