terça-feira, 30 de novembro de 2010

30 ANOS SEM CARTOLA



Os 30 anos de morte de Angenor de Oliveira, o Cartola, um dos mestres do samba brasileiro, faz todo mundo pensar.

Será que somos puristas, quando pedimos que se valorize o samba de qualidade, sem essas bobagens de sambrega e porno-pagode?

Será que somos saudosistas, preconceituosos, ultrapassados, por apenas defender o samba de qualidade?

Por que certos oportunistas cantam "não deixem o samba morrer", se eles matam o samba com suas cafonices sem sentido?

Não somos saudosistas, nem preconceituosos, nem ultrapassados quando defendemos o samba contra sua diluição.

Sabemos que a música de qualidade não fica parada no tempo e nem é isolada das influências do mundo afora.

Isso acontece com todo ritmo, até o samba, por sinal também vindo de fora.

Mas o que queremos frisar é que a evolução do samba não partirá de cantores bregas em ritmo pseudo-sambista, que nunca passam de clones de Usher com Luiz Miguel, de Bobby Brown com Enrique Iglesias, camuflados com um pandeiro e um cavaquinho.

Também a evolução do samba não partirá de conjuntos que fazem pastiche do som de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, mas não sabem o que é jongo ou caxambu, não sabem a diferença entre um samba de gafieira e um samba-de-roda, um lundu e um maxixe.

E muito menos poderemos apostar na evolução do samba através de grupos de porno-pagode, que apostam em letras chulas e em balbuciação, ou em palavras em portinglês ridículo, enquanto seus vocalistas estão mais preocupados, nas apresentações ao vivo, em enrolar a plateia e ficar sem camisa ou de sunga.

Não. O samba pede respeito.

O samba aceita uma guitarra elétrica, um órgão Hammond, um acento soul, como quiser.

O samba não fica parado, se move, se transforma, só não se perde pelo caminho.

E seu caminho não é decidido por executivos de gravadora, programadores de rádio nem produtores de TV. E nem por cientistas sociais e críticos musicais etnocêntricos.

Se o samba fez mestres como Cartola, é porque eles eram autênticos, eram verdadeiros criadores e não reles lotadores de plateias.

Cartola fazia samba por puro hobby, suas profissões eram outras, como jardineiro, contínuo.

Cartola, portanto, não era um sambista profissional.

Por isso Cartola continua lembrado até hoje. E será lembrado sempre.

HÁ 110 ANOS, MORREU OSCAR WILDE



"Um temido dia de sol / Então eu encontro você nas portas do cemitério / (John) Keats e (William Butler) Yeats estão no seu lado / enquanto (Oscar) Wilde estão no meu / (cale-se)".

Estes versos finais de Stephen Morrissey estão na letra da famosa música "Cemetry Gates", feita com as melodias docemente melancólicas do brilhante guitarrista Johnny Marr, canção gravada no disco da banda de ambos, The Smiths, chamado The Queen Is Dead, de 1986. Mostram o quanto Morrissey, nascido em Manchester mas descendente de irlandeses, admirava muito a obra do escritor Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde.

Wilde foi um escritor peculiar. Militante de um movimento estético chamado dandismo, defendia a beleza como um antídoto aos horrores da sociedade capitalista. Suas obras eram dotadas de profundo senso crítico, e Wilde era também socialista.

Há 110 anos ele se foi, com apenas 46 anos e surpreendentemente envelhecido para os padrões de hoje (Dinho Ouro Preto, por exemplo, tem a mesma idade e ainda parece um garotão; eu, com 39, pareço uns 15 a menos). Sofreu muito porque, tendo sido Wilde também um homossexual, teve problemas judiciais por causa disso. Mas isso é outra história.

O que falaremos aqui é a literatura de Wilde, pelo menos em seus aspectos principais. Uma de suas obras mais reflexivas é O Retrato de Dorian Gray, uma história de um jovem que não queria envelhecer, queria manter-se belo e jovem a vida toda, enquanto seu retrato pintado em um quadro envelhecia completamente.

Era uma obra que denunciava a obsessão pela juventude material, enquanto a velhice espiritual era mantida e até agravada. A "alma" de Dorian Gray, registrada no quadro, ficava velha e podre. Uma boa mensagem para os cinquentões sisudos que tentam camuflar seu envelhecimento existencial com esposas lindas e mais jovens.

Wilde também fez muitos contos que expressavam críticas sociais. "O amigo dedicado", por exemplo, mostra um moleiro rico e esnobe, que se apropriava das lindas flores de um formoso jardim de um rapaz pobre, chamado Johnny.

"O amigo dedicado" é uma crítica às elites, que apreciam a bela cultura do povo pobre, para depois usurpá-las. E, tal qual o moleiro que, em troca das flores, deu um carrinho de mão quebrado e inútil para Johnny, as elites brasileiras, sobretudo a intelectualidade que se diz "solidária" à cultura popular, se apropriam do patrimônio histórico-cultural das classes pobres, enquanto reservam para elas o lixo estrangeiro que irá compor o "cardápio" brega-popularesco dos próximos meses.

Sabemos muito bem que a cultura brega-popularesca que faz sucesso hoje não é a verdadeira cultura popular, mas um processo financiado e produzido pelas elites para promover a domesticação social do povo pobre, cujo antigo patrimônio cultural, obtido há mais de 500 anos (se contarmos sobretudo o legado indígena), foi usurpado por intelectuais que hoje apreciam a antiga cultura popular, trancados nos seus

"O rouxinol e a rosa", por sua vez, critica o caráter interesseiro de boa parte das mulheres e também descreve os sacrifícios do amor, através do canto de beleza triste e doloroso do rouxinol, com o espinho de uma rosa cravado no peito. Dessa forma, o sangue do rouxinol era usado para colorir uma rosa pálida, retomando nela a cor rósea viva. Mas a rosa tornou-se um presente inútil que o jovem apaixonado por uma moça iria lhe oferecer, já que a moça foi conquistada por outro homem, o filho da camareira, que lhe ofereceu diamantes e jóias.

Wilde também escreveu poemas - o primeiro deles, o premiado "Ravenna", inaugurou sua carreira literária - e ensaios sobre socialismo. Fez também palestras bastante aplaudidas, devido à pertinência de suas ideias e à habilidade de seu discurso. Wilde, que naqueles tempos era inglês (a Irlanda estava vinculada ao Reino Unido da Grã-Bretanha), era um dos mais prestigiados intelectuais europeus.

Vale a pena se aprofundar na obra de Oscar Wilde. Além do mais, no Brasil ele teve um grande discípulo, o jornalista, escritor e também dândi João do Rio (ou Paulo Barreto, como ele assinava como repórter), um dos grandes intelectuais brasileiros e brilhante cronista da sociedade fluminense e carioca (a cidade do Rio de Janeiro era o Distrito Federal), e eu pude ler um livro de João do Rio sobre a vida em Petrópolis e a tradução que ele fez de O Retrato de Dorian Gray de Wilde.

EVA LONGORIA PÕE A CAMISA PRA DENTRO



Estas fotos são do ano passado, mas mostram o que uma mulher classuda e fascinante é capaz de fazer.

A deliciosa Eva Longoria, que recentemente retornou à vida de solteira, também é sócia do clube das mulheres que usam a camisa para dentro da calça, equilibrando - não custa repetir - sensualidade e charme.

É um traje considerado comportado, mas que seduz de uma forma leve e bonita. Mostra a formosura física sem exibir demais. É sexy sem sucumbir ao vulgar.

E olha que Eva Longoria possui um estigma de mulher sensual, mas sempre e totalmente fora de qualquer contexto de vulgaridade. A morenaça dá uma boa lição para muitas brasileiras "sensuais", que cansam demais por "mostrar demais" o corpo e ainda expõem o reacionarismo machista de defensores (as) das musas da vulgaridade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LESLIE NIELSEN E MARIO MONICELLI



Nos últimos dois dias, o cinema perdeu o ator canadense Leslie Nielsen, 84 anos, que fez, nos últimos anos, divertidas comédias policiais, e o cineasta italiano Mario Monicelli, 95 anos, diretor do inesquecível filme O Incrível Exército Brancaleone.

Fica a lembrança deles e a gente lhes envia nossa gratidão pelo talento de cada um.

O DESGASTE DO BREGA-POPULARESCO


BANDA CALYPSO E CASSETA & PLANETA - O brega-popularesco se relaciona com a grande mídia, ela é seu DNA.

A longa era do brega-popularesco, a pretensa "cultura popular" da grande mídia, vive hoje seu momento de impasse, devido ao natural desgaste de seus ídolos e estilos.

O brega-popularesco teve um longo período de sucesso hegemônico, de pelo menos 25 anos, se contarmos apenas a influência das rádios FM dominadas por oligarquias regionais e por emissoras de TV aberta de cunho populista, como o SBT.

Essa longa hegemonia chegou ao ponto de ofuscar a Música Popular Brasileira, fazendo com que até mesmo o cantor Belchior usasse um factóide que nos pegou desprevenidos.

Afinal, o autor de "Como Nossos Pais", sucesso na voz de Elis Regina, havia aparentemente desaparecido da mídia, de forma misteriosa, quando depois foi descoberto de que a notícia não era mais do que um protesto do cantor contra o desprezo que recebia da mídia, que se ocupa em divuglar a música cafona e seus derivados.

O natural desgaste de toda uma linhagem da música cafona, que começou com arremedos de boleros e serestas fora do contexto e, depois se desdobrou em caricaturas de Jovem Guarda e samba rock (o "sambão-jóia") e, em seguida, no aparecimento de tendências como o breganejo, a axé-music, o sambrega e o "funk carioca", além de seus derivados, é algo que não pode passar despercebido.

Não é por acaso que essa linhagem musical que se alimentou da politicagem conservadora e do jabaculê das emissoras de rádio e TV, nos últimos anos, teve que recorrer ao socorro de intelectuais simpatizantes, como cientistas sociais e críticos musicais, para uma desesperada legitimação de seus ídolos e tendências.

Mas o desespero ocorre de tal forma que essa defesa, antes feita dentro dos espaços da grande mídia, tentou recorrer também à mídia de esquerda, na medida em que a grande mídia, alinhada a uma ideologia direitista, começava a ser desacreditada pela opinião pública.

Tudo é feito para salvar a ideologia brega-popularesca da decadência, apesar dela mostrar seus efeitos. Uma cantora de axé-music foi violentamente vaiada quando uma de suas apresentações iniciou-se depois de muito atraso. Cantores de sambrega e breganejo têm que alimentar suas carreiras com factóides nas colunas sociais.

Enquanto a intelectualidade tenta recorrer à mais manjada desculpa do "preconceito", mesmo diante do sucesso estrondoso de vários desses ídolos, o desgaste no entanto se evidencia mais e mais. Afinal o "preconceito" era apenas a alegação de que esses ídolos, com todo o sucesso de plateias lotadas, CDs vendidos e grande audiência na mídia, não eram levados a sério pelos especialistas e apreciadores de MPB autêntica.

Mas esse "preconceito" não fazia sentido para aqueles que não gostam de brega-popularesco por justamente ouvirem seus ídolos através da vizinhança, dos camelôs, dos supermercados e grandes lojas de atacado e varejo, da zapeada pela TV e pelo rádio, da Internet, etc.

Portanto, não podem ser preconceituosos aqueles que não gostam de tal coisa porque a provaram, porque a conhecem. Ninguém tem preconceito porque não gosta de algo sabendo por que não gosta. E aqueles que gostam sem saber do que se trata? Seriam eles desprovidos de preconceito? Evidentemente, não.

O PORQUÊ DO DESGASTE

Um dos pontos comuns do discurso apologista em relação à Música de Cabresto Brasileira - a modelidade musical da "cultura" brega-popularesca - , feito por jornalistas, cientistas sociais e celebridades, é que boa parte deles aconselha para que esqueçamos as questões estéticas em torno de suas músicas, que constituem os chamados "sucessos do povão" há 46 anos em evidência nas emissoras de rádio brasileiras ligadas a grupos dominantes.

Isso é uma incoerência, que mascara certamente a invalidade da Música de Cabresto Brasileira, porque a estética é um dos elementos primordiais da linguagem artística, da comunicação expressiva.

Além disso, desprezar a estética e aceitar uma "cultura qualquer nota", só porque ela faz sucesso, esconde outras preocupações, como o fim do faturamento do mercado popularesco, que movimenta vários milhões de reais por ano, além do verdadeiro preconceito com as classes populares, apenas em tese representada por essa "cultura".

Esse preconceito se deve pelo julgamento ao mesmo tempo esnobe e paternalista dos defensores do brega-popularesco: eles dizem que "é isso que o povo gosta", "é isso o que a maioria do povo sabe fazer". Preconceitos que vem da própria intelectualidade, como Eduardo Sander (Blog do Patolino) e Malu Fontes (professora da UFBA).

O desgaste do brega-popularesco se dá pelo fato dos chamados "grandes artistas", sobretudo os de axé-music, breganejo e sambrega (só para dizer as tendências mais "sofisticadas"), dificilmente se sustentarem no sucesso, depois dos seus primeiros anos de popularidade.

Contrariando a tendência dos verdadeiros artistas, que se tornam cada vez mais autorais ou consistentes com o evoluir da carreira, os ídolos da música brega-popularesca, passados cinco anos de sucesso, passam a alimentar suas carreiras com uma discografia predominantemente de discos ao vivo ou de duetos, além de um repertório em boa parte de covers, quase transformando os cantores, tidos como "grandes criadores", em meros crooners.

A coisa é tão grave nesse processo de "música paralizada brasileira" que cantores com 20 anos de carreira se comportam como se ainda fossem semi-amadores ou meros aprendizes de música brasileira. E como eles podem sustentar o estigma de "criadores" se eles se concentram nos covers oportunistas de canções da MPB autêntica?

"SERTANEJO UNIVERSITÁRIO" PODE SER A ÚLTIMA CARTADA

Na Música de Cabresto Brasileira, a última cartada envolve a mesma música "sertaneja" que puxou a hegemonia do brega-popularesco no imaginário popular, há 20 anos.

A suposta "música sertaneja", na verdade diluição da música caipira em clichês do gênero, acrescidos de elementos do country e dos boleros e mais próximo da música brega de Waldick Soriano e Odair José, é o estilo brega-popularesco (ou "neo-brega", como são as tendências "populares" vindas após Sullivan & Massadas) que recebe maior investimento financeiro, por ser patrocinado pelas grandes oligarquias que dominam o latifúndio e o empresariado associado dos Estados do interior do país, sobretudo de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

O breganejo que se tornou sucesso nos anos 80 e 90 simbolizou a expressão dos interesses da geração latifundiária incentivada pela ditadura militar na chamada "Revolução Verde", que era a aplicação dos princípios do "milagre brasileiro" para a agricultura. Mas, nos últimos anos, surgiu uma outra geração, reflexo da demanda dos novos barões do agronegócio - incentivado pelo governo Fernando Henrique Cardoso - , cuja trilha sonora é o chamado "sertanejo universitário".

Considerada última cartada da Música de Cabresto Brasileira, ante o sério desgaste movido por todas as suas tendências ("todas" não é exagero algum, pois não existe "menos medíocre"), a música "sertaneja universitária" adota um discurso semelhante ao dos jovens políticos do partido DEMOCRATAS (DEM), quando lançaram este novo nome do então Partido da Frente Liberal.

Da mesma forma que os "democratas" do DEM falavam em "cidadania", "modernidade", "transparência" e "moralidade", os músicos do "sertanejo universitário" falam em "cultura", "evolução artística", "sofisticação", "simplicidade" e outros pretextos. Os "democratas" juram não serem de direita nem neoliberais. Os "sertanejos universitários" juram não fazerem música por dinheiro. Mas, tanto no caso como em outro, a prática desmente o discurso.

A onda de "sertanejo universitário", aliás, gera uma quantidade enorme de duplas que já se fala na saturação do estilo no próximo ano. Por mais que duas ou três duplas continuem prevalecendo no mercado, todo o processo de pompa e pretensiosismo, que apenas recicla a cafonice musical dentro dos padrões atuais do comercialismo norte-americano, o estilo pode se tornar o canto de cisne da onda brega-popularesca.

Um sinal disso está no pedido de socorro desesperado que os "novos sertanejos" fazem à intelectualidade, que já inventa mentiras como dizer que o estilo não tem espaço na grande mídia. A lorota se dá através da interpretação equivocada de um projeto dos organizadores da Festa do Peão Boiadeiro de Barretos (SP), de lançar novas duplas pela Internet.

O próprio evento de Barretos é, em si, respaldado pela grande mídia, a lógica é a mesma da "Garagem do Faustão" do programa Domingão do Faustão da Rede Globo. Além disso, o evento de Barretos é patrocinado diretamente pelos latifundiários paulistas, associados à UDR e ao DEM, firmes aliados da grande mídia.

GRANDE MÍDIA ESTÁ NO DNA DO BREGA-POPULARESCO

Aliás, um dos grandes equívocos da defesa da Música de Cabresto Brasileira, e que vai render uma péssima reputação à intelectualidade que estabelece este discurso - afinal, que são os "queridinhos" Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e Hermano Vianna diante dos tigres intelectuais da Europa e dos EUA, com maior nível de desconfiômetro aos mecanismos da mass culture? - , é dizer que os ídolos do brega-popularesco "não estão na grande mídia".

Não vamos aqui detalhar todas as desculpas usadas por essa intelectualidade apologista brasileira, já que outros textos já mostram várias delas. Mas é um grande contrasenso dizer que tais ídolos "não estão na grande mídia" só pelos pretextos de que alguns são contratados por selos fonográficos pequenos (erroneamente chamados de "independentes", porque sua filosofia continua dependendo dos valores mercantis das grandes gravadoras), ou porque outros não aparecem na Rede Globo.

Ou então aparecem verdadeiras lorotas, grande asneirol do tipo "fulano faz sucesso na Globo, mas também aparece na Record, logo ele está fora da grande mídia". Nem precisamos comentar tamanho absurdo, que, pasmem, arranca aplausos de "focas de circo" quando ditos por certos intelectuais em palestras.

É um grande contrasenso porque a grande mídia está no DNA do brega-popularesco. É isso o que os propagandistas do tecnobrega, um dos últimos hypes da Música de Cabresto Brasileira, não conseguem entender.

De que adianta, por exemplo, um grupo de forró-calcinha não aparecer na Rede Globo, gravar por um selo regional, se sua formação é justamente através da Xuxa, do Domingão do Faustão, do hit-parade brega das rádios "populares"? A grande mídia está no DNA, está no sangue, está no estado de espírito desses intérpretes que pouco se preocupam em romper com o "sistema".

Além do mais, o "funk carioca" e o tecnobrega tanto venderam uma falsa imagem de "discriminados pela mídia" que ganharam as graças da mídia golpista, que deu todo o espaço a esses estilos, de forma explícita e entusiasmada demais para que alguém negue o apoio da grande mídia a esses nomes.

O brega-popularesco, aliás, não pode viver fora da grande mídia, porque foi esta que o fez crescer e aparecer. Romper com a grande mídia seria um suicídio porque a Música de Cabresto Brasileira, não sendo cultura de verdade - afinal, apesar de lotar plateias com rapidez e facilidade, não possuem os quesitos da verdadeira cultura, como produção de conhecimento e transmissão social de valores humanos - , simplesmente morre sem o apoio grão-midiático, além de prejudicar a reputação de mídias alternativas que os acolherem em dado momento, já que os brega-popularescos, sendo ídolos comerciais, nunca poderiam ser considerados como vanguarda cultural. Até porque eles são retaguarda.

O brega-popularesco, além disso, não pode recusar, nesse momento de crise, que em sua trajetória sempre se beneficiou das forças do poder político, econômico e midiático, sem as quais o ostracismo era o futuro certo.

Na sua mediocridade, a Música de Cabresto Brasileira provou não ser mais do que um ente sem vida própria que, em algum momento, precisou parasitar a MPB e a intelectualidade para sobreviver. Só que esse pretensiosismo só acabará acelerando ainda mais o desgaste, principalmente em tempos de evolução social que vivemos e que pede uma cultura de verdade e de boa qualidade.

domingo, 28 de novembro de 2010

MAIS UMA REFLEXÃO ACERCA DA VULGARIDADE FEMININA



Tudo é tão fácil no universo do brega-popularesco. Moças associadas ao brega-popularesco, como fãs ou como celebridades, sempre "solteiras", "disponíveis", "despretensiosas" na vida amorosa.

Só que a coisa está feia. Por que, no Brasil em que a mais famosa top model é uma mulher muito bem casada, em que jornalistas se casam com muita facilidade com empresários e profissionais liberais, e quase nenhuma atriz lindona consegue ficar mais de três meses sem namorado, boazudas ou marias-coitadas ficam sempre sozinhas, "porque arrumar homem é difícil"?

O caso mais recente é o da moça desta foto, Karol Loren, que diz estar solteira porque "está difícil arrumar homem". Karol tem 23 anos - mesma idade da Hilary Duff, por exemplo - , que afirma estudar design, ser atriz e ter criado sítio na Internet para mostrar que tem conteúdo.

Tudo bem, se fosse só o que diz o parágrafo anterior, isolado do resto do texto. Mas o problema, e bota problema nisso, é a função que ela assumiu recentemente, que é o de dançarina do tenebroso, do horripilante grupo É O Tchan, um dos maiores pilares do machismo brasileiro, que já esteve associado à pornografia infantil e à pedofilia, e cuja música chega a ser risível de tão ruim.

Na verdade, Karol está solteira devido aos compromissos contratuais que não a permitem conhecer os pretendentes que existem, no meio social dela. Vale lembrar que, por ela ser dançarina do Tchan, estou fora dessa. Ela não faz o meu tipo.

Quanto a acusações de pornografia infantil e pedofilia, não podem ser culpa minha - como não sou culpado pelas gafes cometidas por Solange Gomes, por exemplo - , afinal sou solteiro e sem filhos e, se tivesse um filho eu nunca teria feito como certos pais irresponsáveis que, há quase 15 anos atrás empurravam impunemente para seus filhos o erotismo gratuito do É O Tchan, que, em outros tempos, teria seus discos impressos com a tarja avisando "Proibido para menos de 18 anos".

Além disso, as acusações não foram dadas por mim, mas por sociólogos e comunicólogos conceituados, muitos anos antes desse escriba que faz O Kylocyclo colocar algum escrito na Internet. São pensadores preocupados com a formação psicológica das crianças através da exibição gratuita, aleatória, descontrolada e, sobretudo, irresponsável da sexualidade através do espetáculo grotesco do É O Tchan.

Portanto, sou completamente inocente de tais acusações, mas também não posso ser condescendente com a vulgaridade feminina, mesmo quando as moças que se envolvem em "atividades" calipígias tentem negar a vulgaridade de uma forma ou de outra, seja estudando faculdade, indo para a Disney World, posando de Betty Boop ou coisa parecida.

Afinal, essas moças simbolizam o machismo ainda resistente na velha mídia golpista. Não é por uma aparente falta de sombra de um homem que fará boazudas de toda ordem bancarem as pretensas "feministas". Isso porque, de uma forma ou de outra, elas estão a serviço de valores machistas, ideologicamente dependem e defendem valores próprios da supremacia masculina, mesmo sendo dispensadas do convívio e do sustento masculino.

Não adianta a moça dizer que, com a exploração midiática do corpo, paga a faculdade ou sustenta sua mãe, seu irmãozinho mais novo ou seu afilhado, enquanto as jornalistas de televisão, muito longe desse circo de vulgaridade, esbanjam também sensualidade, mas oferecem muito mais conteúdo. Pois muito antes de Karol Loren querer ser alguém na vida, musas como Fabiana Scaranzi e Leilane Nëubarth já provaram isso de forma mais brilhante e espontânea, quando a referida nova dançarina do Tchan ainda nem havia tirado as fraldas.

O grupo É O Tchan é simplesmente horrível, abominável, constrangedor, nojento. Se o etnobundólogo que tenta servir suas paçocas folhistas, suas cassetas-planetárias enrustidas para os caros amigos da imprensa esquerdista acha que o É O Tchan é o nosso Velvet Underground, problema desse etnobundólogo.

Comparar a banda de Lou Reed, com suas caras de poucos (mas verdadeiros) amigos com os bobos-alegres do Tchan não faz sentido algum, ainda que renda aplausos das focas de circo e dos blogueiros-patolinos e dos sakamotos-fukuyamas da vida. É bom deixar claro que o grupo baiano tem muito mais a ver com o Milli Vanilli, no sentido de que é uma armação horrenda.

Cal Adan "governa" o Tchan com mãos de ferro, ele é o dono do grupo. Portanto, nada de "folclore", nada de "expressão das periferias", nada de "verdadeira cultura popular". É tão meramente "cultura de massa", no sentido analisado pelos teóricos norte-americanos da Comunicação, apoiados pelos alemães da Escola de Frankfurt que passaram a ensinar nas escolas estadunidenses, no seu exílio.

Quanto a mim, prefiro viver só. Não vou namorar uma moça que, por mais que pareça ser direita, se associe a esse mundo de mediocridade cultural, vulgaridade, domesticação social. Já me desiludi muito na vida. Não vou me servir às ilusões dos outros.

Se as mulheres que eu desejo namorar já estão casadas com outros homens, e as que sobraram na vida, quase sempre, nada têm a ver com minha personalidade, não as aceitarei. E sou muito mais homem por isso.

Porque, se a mulher nada tem a ver com minha personalidade e está a fim de mim, eu tenho todo o direito de dizer não. Se é para eu dar um fora na pretendente que não me agrada, dou mesmo. E sou mais corajoso assim.

Pior são os machistas que, covardes, com medo de dizerem não a uma mulher, preferem dizer não às prestações, quando a boazuda da hora perder a forma e a beleza física, se transformando numa matrona ranzinza e mandona. Eles não são machos o suficiente para dizerem não a mulheres que não vai lhes fazer crescer como seres humanos.

Aí os machistas preferem o "não" em fiado, ou em prestações mal pagas, através da infidelidade conjugal e da fuga do lar nas tardes e noites alcoólicas, no bar, na desculpa dos serões do trabalho ou vendo futebol com os amigos e muitos engradados de cerveja.

Tudo isso pelo simples medo de dizer uma palavrinha com três letras e um acento no meio.

sábado, 27 de novembro de 2010

A "MÚSICA CAIPIRA" DA GLOBO NEWS



Enquanto os blogueiros patolinos, os sakamotos-fukuyamas e os paçocas-folhistas começam a acreditar que a suposta "música sertaneja" de chitões, zezés e companhia nunca tiveram acesso à grande mídia, a Globo News, ícone do Partido da Imprensa Golpista, mostra sua visão do que ela acha o que é "música caipira".

Numa propaganda que anuncia o especial sobre o tal "sertanejo universitário", o clipe do comercial da Globo News mostra uma roça e toca a bela música "No Rancho Fundo", mas na infame e oportunista regravação da dupla Chitãozinho & Xororó, protegidos da Rede Globo e da revista Caras. É lamentável que a linda composição de Lamartine Babo e Ary Barroso não seja relembrada por cantores da MPB autêntica, sobretudo por nossa inesquecível Elizeth Cardoso, uma das melhores cantoras da nossa história.

Através desse clipe, o texto fala que a "música sertaneja" mudou, e mostra logo os ícones do tal "sertanejo universitário", que só em blogs como O Kylocyclo você se informa de que se trata da trilha sonora dos novos condes e viscondes do agronegócio, da mesma forma que o breganejo "clássico" de Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo e Daniel são a trilha sonora dos tradicionais barões do latifúndio, "filhos" da Revolução Verde da ditadura militar.

É até estarrecedor que certos blogueiros "progressistas" - os tais blogueiros-patolinos etc - , na sua paranóia em defender a mediocridade brega-popularesca "porque a maioria do povo gosta" e "porque é isso que o povo sabe fazer", já comecem a acreditar que os breganejos - eles chamam de "sertanejos" - não tenham espaço na grande mídia.

Se deixarmos, esse pessoal todo - cujo lobby foi capaz de banir um vídeo em que Waldick Soriano, conservador de direita, esculhambava o feminismo e defendia a ditadura militar - vai logo dizer que Chitãozinho & Xororó só fez sucesso por causa das "redes sociais", como se o Twitter e o YouTube já tivessem existido em 1987.

A cada dia cai a ficha quanto o apoio do Partido da Imprensa Golpista à Música de Cabresto Brasileira, a suposta "cultura popular" que aparece nas rádios FM "mais populares" e na TV aberta. Afinal, se o mercado quer que a cultura popular seja um chiqueiro, é bom deixar claro que toda porcaria sempre tem porco. Toda porcaria sempre tem que ter o PiG junto, dando guarida.

A ideologia brega-popularesca, seguramente, não representa o novo em matéria de cultura popular, porque é mais do que explícito o apoio que ela recebe da velha grande mídia.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CASSETA & PLANETA, URGENTE VAI ACABAR


ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO NO CASSETA & PLANETA - Humorístico era vitrine para ídolos do brega-popularesco protegidos pelo PiG. Só os blogueiros-patolinos e os jornalistas-paçocas não sabem disso.

O programa Casseta & Planeta, Urgente, da Rede Globo de Televisão, sairá do ar depois de 20 anos. O programa termina com o encerramento da temporada atual, em dezembro.

Nesse caminho todo, o programa mudou, um de seus integrantes, o carismático Bussunda, faleceu durante a Copa de 2006, e nos últimos anos a conduta do grupo voltou-se ideologicamente para a direita política.

Muita gente já reclamava de que o programa não estava tendo o mesmo pique de antes. E nem era pelo fato de Bussunda ter falecido, até porque, já naquela época, o programa já estava passando por um período de desgaste. É por causa de vários fatores, como o próprio padrão comercial da programação da Globo, que influiu negativamente no grupo que outrora havia marcado com seu humor de roupagem jornalística e televisiva.

A situação dos cassetas foi tal que um de seus integrantes, Marcelo Madureira, simplesmente se esqueceu que era comediante e, no evento recente do Instituto Millenium, no qual o casseta é uma espécie de membro informal, ele simplesmente se portou de maneira muito mal-humorada e ranzinza, sem contar sequer uma piada. Por comparação, no Encontro de Blogueiros Progressistas, de plano ideológico oposto, mostrou o jornalista de economia Luís Nassif, que já rompe o estigma de sisudez com sua simpatia e linguagem didática, tocando samba e chorinho com muita dedicação e amor à música.

Marcelo Madureira teve ainda o agravante de, ao lado do reacionário colonista Diogo Mainardi, de Veja, chamar Lula de "vagabundo", num comentário que até teve suas tiradas de humor, mas de um humor malfeito, de piadas que são mais cínicas do que engraçadas.

Ultimamente, o programa dos Cassetas também serviu de vitrine dos ídolos brega-popularescos - com ênfase na axé-music e no breganejo - que também visitam o Domingão do Faustão, mas que hoje sofrem o incômodo de estarem vinculados à mídia golpista que os acolheu e os fez crescerem, já que a própria mídia golpista começa a ser desacreditada, além de não convencer alguns jornalistas falarem bem desses mesmos ídolos na mídia esquerdista.

Por isso, os cassetas, que continuarão unidos e pensarão num novo programa para a Globo, não farão muita falta. Eu mesmo não via o programa há várias semanas, depois da grosseria de Marcelo Madureira, que irritou até o responsável da maior comunidade a favor do Casseta & Planeta no Orkut. Mas, depois de dezembro, Marcelo Madureira terá mais tempo para falar mal do que ele conhece como "Dilma Roskoff" nas palestras do Millenium.

Até porque o mercado de humor anda e já existe uma nova geração como Marcelo Adnet (por enquanto mal-aproveitado no Comédia MTV, mas o cara é muito bom) e Bruno Mazzeo, que fazem os cassetas parecerem retrógrados como a própria velha mídia que o "bombeiro guerreiro" defende desesperadamente.

BUZZCOCKS E ADOLESCENTS TOCARAM NO BRASIL




Quem gosta do genuíno punk rock se empolgou quando estava no Clash Club, casa noturna de São Paulo, para assistir a dois grupos veteranos do punk rock, a californinana The Adolescents e a banda de Manchester, The Buzzcocks.

Os Adolescents estavam lançando seu mais novo disco, The Fastest Kid Alive, lançado neste ano, enquanto os Buzzcocks preferiram se concentrar nos três primeiros álbuns, Another Music in a Different Kitchen (1978), Love Bites (1978) e Singles Going Steady (1979).

Enquanto os Adolescents são da geração surgida no início dos anos 80, na vertente conhecida como hardcore (nem sempre compreendida pela rapaziada de perfil médio no Brasil), os Buzzcocks correspondem à primeira geração punk, surgida na famosa cidade industrial inglesa, em 1976, na mesma época em que este que lhes escreve, com cinco anos de idade, ficava em casa com os brinquedinhos e ia para a escola na Venda da Cruz, em Niterói.

Os dois grupos não adotavam uma postura rigorosamente politizada. Digo rigorosamente, porque no fundo eles também tinham uma visão crítica da sociedade, apenas era diferente, mas não menos substancial, do que a militância de Jello Biafra dos Dead Kennedys (que inspirou Zack de La Rocha, do Rage Against The Machine, um grupo de hip hop com rock pesado, mas com filosofia plenamente hardcore).

Só que, infelizmente, no Brasil toda uma mídia manobrista (no pior sentido) fundiu a cuca da rapaziada daqui e hardcore aqui é entendido mais como um crossover entre programa humorístico e roquinho acelerado.

Aqui vale até uma bronca. Todo mundo fala mal do Restart, diz que Restart é isso, Restart é aquilo, mas tudo isso começou com os "emos de macho", os proto-emos musculosos, tatuados, com caras de mau e jeito cínico, tipo Raimundos, Baba Cósmica e até barbaridades como Virgulóides e Ostheobaldo e, mais recentemente, o Hardneja Sertacore, para não dizer do CPM 22.

Esse pessoal todo agora diz que é "rardicór mermo", mas sua mentalidade alienada abriu caminho para grupos como Restart, que apenas levam às últimas consequências o que aqueles que faziam "emocore de macho" defendiam e acreditavam. Mas, como diz o ditado popular, "toma que o filho é seu", o Restart é apenas um filhote mais infantil do que os protoemos dos anos 90.

Fico com os Buzzcocks, os Adolescents e outros veteranos do punk rock. Eles acreditavam num som mais empolgante, no tempo em que o progressivo se perdia num academicismo e pompa extremados. Também gosto de rock progressivo, mas reconheço que é um saco ter que bancar o músico erudito em ensaios intermináveis, que de tão cansativos fazem eliminar a emoção, em detrimento do aperfeiçoamento técnico.

O punk rock autêntico em nenhum momento defendeu a mediocridade cultural. Seu som simplista de três acordes básicos era apenas a reação contra o eruditismo exagerado, mas a criatividade sempre esteve em primeiro lugar. A metodologia era meio Glauber Rocha, que disse que cinema era ter uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O punk rock era mais ou menos isso.

O Brasil ainda tem que aprender muito. Até tivemos cenários punk vibrantes, genuínos e tão instigantes quanto o dos EUA e Reino Unido. Mas o problema é a sociedade de nível médio que, além de pensar que hardcore é uma tradução de A Praça É Nossa com guitarra, baixo e bateria, ainda pensa que os brega-popularescos que aparecem no Domingão do Faustão e até na revista Veja "são como os punks" porque são supostamente rejeitados pela intelectualidade especializada.

Rejeitados, os brega-popularescos, pela intelectualidade? Fala sério! O que tem de intelectual defendendo funqueiros, breganejos, axézeiros etc não está no Twitter. E que comparação possível pode ser dada aos "sucessos do povão" ao punk rock, se os "artistas" do brega-popularesco são submissos com o "sistema" e aparecem felizes nos ambientes da mídia golpista?

O Brasil não pode se comportar como o inferno astral do senso crítico. Até o punk rock nos dá a lição da consciência crítica. Cabe aprendermos.

PETER HOOK REGRAVARÁ CANÇÕES DO JOY DIVISION COM SUA NOVA BANDA



Depois de tentar uma banda de baixistas, a Freebass (com Andy Rourke, ex-Smiths), o ex-New Order Peter Hook montou outra banda, The Light, que conta com a cantora Rowetta, que havia feito parte dos Happy Mondays, como vocalista.

Hook, brigado com os ex-parceiros do New Order e Joy Division, Bernard Sumner e Stephen Morris, afirmou que vai gravar músicas da lendária banda do vocalista Ian Curtis, no primeiro EP do Light.

As músicas são "Insight", "New Dawn Fades", "Pictures" e o clássico "Atmospheres", uma das mais melancólicas músicas do Joy Division.

"Pictures", por sua vez, é uma obscura canção que a banda de Manchester havia gravado em 1978, num compacto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

NOVA BANDA DE LIAM GALLAGHER ANUNCIA PRIMEIRA TURNÊ



A nova banda de Liam Gallagher, Beady Eye, já lançou seu primeiro compacto, "Bring The Light" - música muito boa, bem ao estilo do rock inglês safra 1967-1972 - , e anuncia sua primeira turnê pela Europa. Ela acontecerá em março de 2011.

Os locais de apresentação são:
Glasgow Barrowland (March 3, 4)
Manchester O2 Apollo (6, 7)
London Troxy (9, 10)
Paris Casino De Paris (13)
Cologne Live Music Hall (14)
Milan Alcatraz (16)
Madrid La Riviera (18)
Amsterdam Paradiso (21)
Brussels Ancienne Belgique (22).

Talvez para o grande público daqui citar os locais não influi muito, já que o Beady Eye não irá se apresentar em vaquejadas, micaretas, "bailes funk" etc.

Mas citar esses locais serve para mostrar como é atuante o cenário musical do Reino Unido, onde se pode ver apresentações ao vivo até sob a luz do dia. E, de noite, grandes apresentações como a do Beady Eye irão empolgar o público.

O Beady Eye é a banda formada por Liam Gallagher e outros integrantes do Oasis, logo após a saída de Noel Gallagher, que, aparentemente, seguirá carreira solo (a não ser que ele forme outra banda, o que não é impossível).

A banda de Liam também conta, na formação, com o ex-integrante do Ride, Andy Bell, que já estava há um bom tempo no Oasis.

REVISTA VEJA HAVIA ADERIDO AO TECNOBREGA



Ninguém percebeu, mas a famigerada edição de Veja, do dia 13 de outubro de 2010, que mostrava na capa Dilma Rousseff em declarações supostamente contraditórias, mostrava um fato contundente: Veja ADERIU de vez ao tecnobrega.

Pronto. Toda a mídia golpista aderiu ao ritmo paraense da Música de Cabresto Brasileira, já que esperava-se que a mais conservadora delas, a revista Veja, aderisse. E aderiu.

Não há mais desculpa de que o tecnobrega "não tem espaço na grande mídia". TODA, repetindo, TODA a grande mídia aderiu ao ritmo paraense.

Quem leu com atenção a referida edição de Veja - quase todos os blogueiros progressistas correram para ler a edição, para questionar a capa - percebe que, na seção relacionada às frases e entrevistas com celebridades, a entrevistada em questão foi a cantora Gaby Amarantos, que meses atrás havia sido capa da revista Fórum, na boa-fé de sua equipe editorial.

O tecnobrega apareceu nos programas da Rede Globo, na Folha de São Paulo, na revista Contigo, no Estadão, etc, e só faltou a revista Veja para a velha grande mídia, sem que viva alma se dê conta, dar o maior apoio ao tecnobrega.

E, para quem fica dizendo o tempo todo, até hoje, que o tecnobrega "segue sem espaço na grande mídia" - há lunáticos que ainda pensam que o "funk carioca" nunca teve espaço na mídia - , desde o começo do seu sucesso a grande mídia dá espaço ao ritmo. O jornal paraense O Liberal, ícone da mídia golpista paraense, fez um texto exaltando o ritmo, bem antes da revista Fórum aderir ao jabaculê.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SISTEMA DE TRANSPORTE DE CURITIBA PODE ESTAR À BEIRA DO COLAPSO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O desgaste de um modelo marcado pelo poder concentrado das Secretarias de Transporte, pela confusa e arbitrária padronização visual que torna os ônibus fardados e confunde os passageiros, entre outras desvantagens, está cada vez mais evidente. Não se trata de uma falha pessoal de um secretário aqui ou de um diretor ali, mas do próprio projeto original, lançado por Jaime Lerner durante a ditadura militar.

A situação é tão grave que políticos, empresários de ônibus e tecnocratas tentam abafar a crise, arrumando desculpas, e é incrível que ainda haja gente que tenha mais medo de ver Jaime Lerner perder credibilidade do que de ver um cidadão pobre morrer a caminho do hospital por ter pego um ônibus errado devido à padronização visual.

Sistema de transporte de Curitiba pode estar à beira do colapso

Da Revista do Ônibus

Um dos sistemas de transportes mais importantes do país, que já foi referência para outras cidades vem sendo alvo de críticas nos últimos meses. Estaria Curitiba a beira de um colapso no transporte? A afirmação vem de um rodoviário da cidade que terá sua identidade preservada. De acordo com o motorista, muitas das reclamações sobre velocidade não são reais, já que o sistema de velocidade máxima é controlada nos ônibus da cidade, onde os veículos segundo ele não passam de 60km/h.

Ainda segundo o rodoviário que é motorista na cidade, as tabelas de horários estão sendo mal confeccionadas, com horários apertados, obrigando os motoristas a acelerar o tempo de viagem, em alguns casos causando acidentes já noticiados aqui na Revista do Ônibus. Ainda de acordo com o rodoviário, muitos motoristas estão se afastando do serviço devido ao tenso trabalho estressante, sobrecarregando todos, já que de acordo com o rodoviário a inclusão de novos profissionais ocorre de forma lenta.

Acidentes constantes, veículos velhos e com falta de manutenção, além de inúmeros assaltos e pequenos furtos vem deixando o sistema com baixa credibilidade na cidade. Outro fator que vem deixando o trânsito lento é o crescente número de veículos nas ruas da Curitiba, prejudicando quem precisa utilizar os ônibus, já que os coletivo enfrentam trânsito lento principalmente nas linhas centrais.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

20 CDS DE CHICO BUARQUE SERÃO VENDIDOS NAS BANCAS



Desta vez parece que será em todo o país e não somente em São Paulo e na Região Sul do Brasil. Será lançada a discografia básica do cantor e compositor Chico Buarque, de Chico Buarque, de 1966, até Carioca, de 2006. Serão 20 CDs, que serão vendidos nas bancas de todo o Brasil.

O primeiro título a ser lançado será Chico Buarque 1978, que chegará às bancas na próxima sexta-feira, 27. O título será lançado em preço promocional, de R$ 7,90. Os outros títulos serão vendidos a R$ 14,90.

Cada CD vem com a capa na concepção artística original e com um livro explicativo relacionado a cada título. Títulos como Construção, de 1971, Sinal Fechado, de 1974 e Meus Caros Amigos, de 1976, estão incluídos na coleção.

NOAM CHOMSKY REPROVA A MEDIOCRIDADE CULTURAL



A intelectualidade que defende o brega-popularesco, seja o "funk carioca", o tecnobrega, o brega original, deve estar tremendo de pavor. Pedro Alexandre Sanches deverá perder o sono, tal qual Paulo César Araújo, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos, Bia Abramo, Marcelo Freixo e tantos, tantos outros.

Pois um dos mais conceituados intelectuais de esquerda, o linguista e analista político estadunidense Noam Chomsky, elaborou uma lista de estratégias de manipulação da mídia golpista - vão lá no Mingau de Aço conferir - onde um dos ítens desmonta toda a campanha em prol da mediocridade brega-popularesca, em prol da pretensa "cultura popular" que domestica as classes pobres.

Esse artigo mostra o quanto a mídia grande, através da usina de entretenimento popularesco, cumpre muito bem o papel descrito no ítem abaixo:

ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

O grande problema é que essa mediocridade cultural ainda é trabalhada por nossos cientistas sociais, críticos musicais e vários blogueiros como se fosse o "verdadeiro folclore popular brasileiro". Ora, vão lamber sabão, intelectuais de (bre)gabinete!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A RELAÇÃO ENTRE DANIELLA PEREZ E SÉRGIO PORTO



Qual a relação que existe entre a saudosa atriz Daniella Perez e o também saudoso escritor Sérgio Porto, além do falecimento prematuro?

Os dois nunca se encontraram na vida, Sérgio havia morrido quando Daniella nasceu e, aparentemente, nenhum contexto social os uniu mesmo indiretamente.

Aparentemente, porque Daniella Perez tem muito a ver com Sérgio Porto, até mais do que se imagina. E não é porque Daniella daria uma doce e meiga Certinha do Lalau, não.

É porque o alter ego de Sérgio Porto, Stanislaw Ponte Preta, escreveu uma série de livros, interrompida com o adoecimento trágico do autor em 1968, chamada FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País). Os livros mostravam uma série de absurdos ocorridos no território brasileiro, que se tornaram lendários retratos da hipocrisia social tão conhecida no anedotário popular nacional.

Pois mais um episódio se somaria, tranquilamente, a esse FEBEAPÁ: o assassino de Daniella Perez, o ex-ator Guilherme de Pádua, fez uma palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí, com o tema "Ressocialização".

É um grande exagero que assassinos, por mais que pareçam arrependidos, sejam considerados ressocializáveis, a ponto de realizarem palestras nesse sentido. Quando os juristas mais renomados falam em ressocialização de criminosos, o máximo que se admite fazer é converter traficantes de drogas em cidadãos honestos.

Crimes como homicídio são por demais chocantes para serem considerados "ressocializáveis". Mas os dribles na lei fazem com que homicídio não seja considerado crime hediondo, mas tão somente "crime doloso", permitindo a assassinos com algum status sócio-econômico sejam definitivamente tirados da prisão, sob o pretexto de "liberdade condicional por serem réus primários" (mas alguns reincidentes são assim beneficiados).

Imagino como Sérgio Porto teria escrito a nota sobre a palestra do assassino de Daniella Perez:

"No último dia 18, esteve sentado, não no banco do réu, mas na cadeira de palestrante, na secção da OAB em Teresina, no Piauí, o cidadão de nome Guilherme de Pádua. Não se trata de um cidadão comum, mas de um outrora ator que tirou a vida da colega Daniella Perez, esposa de outro ator mas colega de Guilherme numa novela então corrente da TV Globo, em fins de 1992.

Guilherme foi convidado porque a OAB entendeu que assassinos impunes são 'ressocializáveis', havendo um certo exagero na hipótese de recuperação de criminosos. Até porque, por outro lado, moleques que roubam frutas no armazém por estarem com fome são condenados, na prática, à prisão perpétua, sem qualquer sentença condicional. Apesar da prisão perpétua não estar prevista na Constituição, mas que se reserva, informalmente, para os pobres cidadãos pobres que cometem certos delitos.

Acrescentamos ao ocorrido uma certa divergência que Guilherme expressa a respeito da nossa palavra "besteira". Este vocábulo, caro leitor, nos é compreendido no sentido de cada absurdo que nossa sociedade têm que engolir no dia-a-dia. Mas Guilherme atribuiu como 'besteira' o assassinato que cometeu contra a jovem inocente e meiga atriz, a pretexto de que cometeu um errinho de nada, um ato de menor importância.

A atitude de Guilherme encontra similar na do jornalista Pimenta Neves, que, quando tirou a vida de sua colega Sandra Gomide, há dez anos, se apressou em telefonar para os colegas do Estadão para dizer que 'cometeu uma besteira'.

Diante do espetáculo do ardente jornalista, só mesmo um colega de sobrenome Vaia foi substituir Pimenta no Estadão. O último ato da tragédia montada por Pimenta não poderia ser sucedido de outra forma: por Vaia."

PARA A FOLHA DE SÃO PAULO, ODAIR JOSÉ É "ARTISTA CULT"



Acabei de escrever, para o blog Mingau de Aço, um texto em que a Editora Record, que publicou o panfletário livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo - que vai virar documentário, sob o nome de Eu Vou Tirar Você Deste Lugar - , se indignou com a premiação dada a um livro escrito por Chico Buarque, pelo Prêmio Jabuti de Literatura.

A Record (que, pela sua iniciativa, fez PC Araújo se transformar em "deus" mesmo com o jeitão canastrão-charlatão de tal escritor), chegou a se aliar a Reinaldo Azevedo - o retrogradíssimo colonista da caquética revista Veja - para pedir a Chico Buarque de Hollanda, uma das brilhantes figuras intelectuais da atualidade, a devolver o prêmio. A Record acusa Chico de ter ganho o prêmio por "favorecimento" e "motivos políticos de diversas naturezas".

Consultando a Folha On Line - tenho que estar a par do PiG, tive que jantar pão com bebida láctea vendo o tecnobrega no Domingão do Faustão (mas aí é porque meus pais assistem ao programa) - , vi que Odair José pretende gravar novo disco.

Nada contra artistas de qualquer nível lançarem novos discos. É direito de qualquer um. Mas o problema é que o Brasil é o único que tenta promover os antigos ídolos da música comercial como se fossem "rebeldes injustiçados", numa campanha cafajeste de evitar que seus discos durmam em lojas de sebos de discos. O problema é a promoção de discos de certos artistas como se tais lançamentos fossem a "salvação da humanidade planetária".

Imagine se Chubby Checker, cantor do tolo mas ainda divertido twist, fosse promovido como "ícone da Contracultura"? Lá nos EUA, ele é tratado como um cantor comercial comum, que faz revival de sua carreira, mas se ele fosse brasileiro só faltaria dizer que ele enfrentou sozinho os tanques que se dirigiram ao comando do 2º Exército, no Rio de Janeiro, no dia do golpe de 1964.

Mas, num país onde os medíocres Ice MC e Double You, se fossem brasileiros, seriam ícones "bolivarianos" por conta da "esquerda festiva" (laboratório dos "neocons" de amanhã) que não desconfia da presença do demotucano Pedro Alexandre Sanches, o sempre discípulo de Otávio Frias Filho, na Caros Amigos e Revista Fórum, é certo que os futuros seguidores do Marcelo Madureira também ficam animadinhos quando alguém fala que a música brega "agora é cult".

Só mesmo a Folha de São Paulo e alguns deslumbrados. Mas a retórica é tão habilidosa que a campanha consegue animar uma boa plateia. Paulo César Araújo nem é lá grande escritor - vai um José Ramos Tinhorão, mesmo com seus ataques à Bossa Nova, e dá um banho - , mostra um semblante pouco confiável e sinistro, mas o cara vira um "deus" aplaudido pelas "focas de circo" que dominam o establishment intelectualóide brasileiro. Tudo porque tentou transformar Waldick Soriano em "cantor de protesto".

Só mesmo a Folha de São Paulo, ela mesma, "paladina da liberdade de imprensa e da democracia", mas que ofereceu seus próprios carros para os torturadores da ditadura militar transportarem presos políticos, para dizer que os ídolos cafonas "lutaram contra a ditadura militar".

Mas ninguém desconfia. Quando o assunto é entretenimento, a Folha de São Paulo parece uma santinha. Mas até no entretenimento ela transmite seus valores retrógrados, com uma sutileza que pouca gente percebe. Até porque os hoje dissidentes já saíram da Folha faz muito tempo.

Só para sentir a gravidade da "cultura" brega, que foi apoiada, sim, pela ditadura militar, as empregadas domésticas, há 50 anos, ouviam música de qualidade: Jorge Veiga, Noite Ilustrada, Dalva de Oliveira, Dóris Monteiro, Robertinho Silva, Agostinho dos Santos, Jackson do Pandeiro. Ouviam até Miles Davis, Louis Armstrong, Nat King Cole.

Mas hoje tudo isso está trancafiado nos armários das madames e dos doutores, temerosos de que o povo, recuperando sua cultura, realize uma revolta popular sem precedentes.

A burguesia, neste sentido, está tranquila. Afinal Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo e companhia se esforçam para tentar evitar que o povo pobre faça cultura popular de qualidade. Sob as bênçãos da Folha de São Paulo, queiram ou não queiram certos "caros amigos".

BIG BONINHO BRASIL



Deu no blog de Fabíola Reipert, do portal R7:

"Boninho é tão raivoso que chega a dar medo...

E quem paga o pato são as pessoas próximas a ele.

A cena deprimente que ele protagonizou neste sábado (20), em um shopping carioca, comprova que o barraqueiro diretor da Globo está cada vez mais descontrolado.

Ele simplesmente saiu correndo atrás de um fotógrafo porque não queria flashes. E ainda ficou discutindo e chamando a atenção em público.

(...)

A mulher dele, Ana Furtado, ficou com tanta vergonha que se escondeu atrás da filha, tadinha."

Se for para ter um comportamento assim, seria melhor que Boninho se separasse de Ana Furtado e se casasse com a ex-BBB Anamara, que, dizem, também é chegada a um pavio curto.

Seria mais adequado: uma ex-integrante do BBB, convertida a primeira-dama do programa. Por outro lado, até eu seria mais discreto e simpático nas minhas saídas com Ana Furtado e sua filha, se caso a apresentadora do Vídeo Show fosse minha mulher.

Boninho é especialista em transformar nulidades anônimas em celebridades, mas ele, como celebridade, não consegue se portar diante da presença dos fotógrafos. Ele até fez o caminho inverso, uma celebridade que se transformou numa nulidade com os mesmos recursos psicológicos da "galera" do BBB.

Não estou defendendo totalmente os fotógrafos, que também cometem seus abusos na captura de imagens de famosos, mas se comportar feito um brucutu só complica a vida do esquentadinho da ocasião, visto como antipático, arrogante e inseguro.

Certamente, as câmeras do tal shopping center devem ter registrado as gafes do irritado diretor, que, certamente, se sentiu o próprio integrante do riélite chou que dirige.

domingo, 21 de novembro de 2010

SOLTEIRAS LEGAIS TAMBÉM APRECIARAM FESTIVAL PLANETA TERRA



Ainda é pouco, mas é alguma coisa. Várias das atrizes que atualmente vivem uma fase de solteirice, como Maria Flor, Débora Falabella, Mayana Moura e Mariana Ximenes, também foram ver o festival Planeta Terra, que, entre tantas atrações cult, apresentou ao público brasileiro bandas legais como a francesa Phoenix e a australiana Empire Of The Sun. Bandas que eu, pessoalmente, curto bastante.

Só as duas da foto, Maria Flor e Débora Falabella, pelo menos, têm conhecimento de causa para irem espontaneamente ao festival. Portanto, não se trata daquele jabá que micaretas, vaquejadas e "bailes funk" fazem contratando atores que, se passando por "fãs" desses estilos da Música de Cabresto Brasileira, na verdade estão obedecendo obrigações contratuais, como a própria Samara Felippo deixou vazar, no ano passado. Ou seja, são celebridades a serviço da propaganda dos eventos de brega-popularesco em questão.

No caso do Planeta Terra, o background cult de Maria Flor, protagonista do ultracult seriado Aline, e de Débora Falabella, que acabou de sair de um casamento com um músico de rock, dá a elas uma mostra de sinceridade para ver as bandas de rock e de MPB vanguardista.

Quantitativamente, o número de solteiras famosas ou não nesses eventos pode não se equiparar ao de eventos de agropecuária e coisa e tal. Mas, qualitativamente, faz a maior diferença. Dá para encontrar, com algum esforço, uma moça bem bacana que se equipare, intelectualmente, as casadíssimas Larissa Maciel e Elaine Bast, por exemplo. É muito raro encontrar solteiras legais, mas que seja num Planeta Terra e não no Carnaval da Bahia nem na festa anual de Barretos.

O QUE É UMA MOÇA LEGAL - CONTINUAÇÃO



Já mostramos o caso de Leandra Leal no festival Planeta Terra - o que nos faz chorar, se lembrarmos que as paniquetes e enigmas como Lucilene Caetano, só para dizer as boazudas "mais radicais", vão para vaquejadas e micaretas (argh!) - , e agora mostramos o caso de outra atriz de Passione, Larissa Maciel, também famosa por sua deslumbrante beleza, inteligência e ótimos referenciais.

Só para dar água na boca, na edição deste mês da revista Seleções do Reader's Digest, há uma seção intitulada Eu e Minhas Preferências, que mostra o que cada celebridade anda apreciando de livro, CD, filme e sítio da Internet.

Pois olha o que Larissa citou como seus referenciais:

LIVRO: O livro de ouro da mitologia, de Thomas Bunfinch. Bunfinch (1796-1867) foi um escritor e estudioso em mitologia, nascido nos EUA.

CD: Kind of Blue, de Miles Davis. Nem precisamos dizer que músico é este, grande mestre do jazz. O disco é de 1959.

FILME: A Vida dos Outros. Filme alemão de 2006, dirigido e escrito pelo cineasta Florian Henckel von Donnersmarck. Filme de arte, mesmo, dos mais reflexivos.

WEBSITE: The Sartorialist - http://thesartorialist.blogspot.com. Blog estadunidense sobre moda.

Depois eu vejo o Orkut e a maioria das moças que estão lá preferem apreciar péssimos referenciais. Grupos de sambrega, duplas breganejas, livros de autoajuda, sítios da Internet sobre... Bobagens? Ou comunidades do Orkut do tipo "Rio qdo (quando) cai o alfinete no chão". E ainda se acham as mais sabidas e que seus (péssimos) referenciais estão sempre em alta. Coitadas... Marias-coitadas...

Isso é o que a mídia faz estragando as mentes da maioria das moças comuns. Tenho que ser politicamente incorreto, mesmo, porque a situação não está para brincadeira. A maioria das mulheres que virtualmente se interessaria por mim tem referenciais que são um horror.

São essas moças que se encontra facilmente em feiras de agropecuária, que recusam os pretendentes de seus sonhos para ficar com rapazes esquisitos que, embora pacatos, divergem totalmente do perfil cultural dessas garotas.

Infelizmente, essas moças não dão sequer para conversa. O que eu vou conversar com elas? Somente receitas de bolo, buracos nas ruas, qualidade do pão e outras banalidades? Com uma mulher inteligente, eu conversaria sobre isso e muito mais. Só que mulher inteligente disponível é coisa muito rara de se ver no Brasil.

sábado, 20 de novembro de 2010

O QUE É UMA MOÇA LEGAL



Leandra Leal aparece nesta foto no festival Planeta Terra, evento onde predominam bandas de música de qualidade, incluindo nomes recentes da MPB autêntica e do Rock Brasil, algumas bandas alternativas e outras próximas disso.

Em eventos assim não aparecem as boazudas, popozudas e similares. Nem mesmo as tão "cult" paniquetes e nem as "descoladas" ex-BBB's aparecem nesses eventos. Elas vão mesmo é para as micaretas, vaquejadas, tocar percussão em banda de axé-music ou cantar com as terríveis duplas de "sertanejo universitário".

Até para ir a um ensaio de escola de samba, essas boazudas estão mais preocupada com o exibicionismo de si mesmas do que com a música que rola nesses locais.

Já Leandra, sabemos, possui um bom gosto musical, é uma mulher inteligente e muito legal para se conviver. Por isso é que uma preciosidade dessas, bastante concorrida, atualmente tem namorado.

Isto é Brasil.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

EVA LONGORIA ESTÁ SOLTEIRA



Enquanto no Brasil as mulheres mais charmosas e belas dificilmente ficam disponíveis na vida amorosa, eis que um dos mais falados divórcios do mês envolve uma das morenas mais quentes de Hollywood, a atriz de Desperate Housewives Eva Longoria.

A estonteante gata decidiu se separar do jogador de basquete Tom Parker - a foto em questão se refere a uma das últimas saídas do casal - porque ele provavelmente a teria traído com a mulher de outro esportista.

Apesar do chororô - ou do trololó, queiram uns - do jogador, Eva decidiu iniciar o divórcio. É o segundo casamento desfeito da atriz, de 35 anos e corpinho de 25. Por sinal lindíssima e maravilhosa.

MINGAU DE AÇO DIVULGA SEGUNDO VÍDEO


A "fauna" do Partido da Imprensa Golpista, agora com personalidades de diversas regiões, aparece neste vídeo promocional do blog Mingau de Aço - http://mingaudeaco.blogspot.com.

Além de relembrar eventos como a golpista Marcha da Família Unida Com Deus pela Liberdade, em 1964, a campanha ditatorial em cima da Copa do Mundo de 1970, e da tragédia da Plataforma P-36, na Bacia de Campos, o vídeo também mostra personalidades do passado, como Richard Nixon, Cabo Anselmo, Roberto Campos e ACM, além de citar nomes pitorescos como o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, o empresário baiano e dublê de radiojornalista Mário Kerèsz, o comunicador catarinense Luiz Carlos Prates e a universitária paulista Mayara Petruso, que fez um comentário discriminatório em relação aos nordestinos.

Há também as musas do PiG, as balzacas Nana Gouveia e Solange Gomes, que prestam grande serviço para a manutenção dos valores machistas no nosso país.

É um vídeo que mostra os valores e personalidades que, de uma forma ou de outra, estão relacionados ao Partido da Imprensa Golpista.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O "UFANISMO" DA FAVELA



Em nome do "politicamente correto", a grande mídia faz, desde um bom tempo, uma propaganda ufanista relacionada ao povo das favelas.

Trata-se de um "orgulho de ser pobre" que, à primeira vista, parece ser dotado de boas intenções, mas não é mais do que expressão de um lado da ingenuidade de algumas pessoas de origem pobre, incluindo ativistas sociais, e, de outro, do cinismo das elites e mesmo de intelectuais etnocêntricos, com seu paternalismo "dócil" com as classes pobres.

Afinal, a necessidade de valorizar o povo pobre e fazer ouvir sua voz é conduzida de maneira equivocada, além de mostrar contradições que em nada contribuem para resolver de fato a pobreza no nosso país.

Tudo isso porque esse ufanismo nada mais faz do que estimular a vaidade por nada. "Vivo na favela, logo tudo é bom", é o que diz essa campanha. Em vez de estimular o povo a agir por melhorias concretas, cria-se um conformismo - afinal, "ser pobre é legal" - que pode resultar até em arrogância (o favelado sentirá que não pode ser criticado porque "ele é pobre"), além de esconder as injustiças e mesmo os desastres e riscos que existem nas precárias moradias dos morros.

"CLASSE MÉDIA" DA FAVELA - Uma dessas contradições é que o "ufanismo da favela" é que os verdadeiros beneficiados dessa campanha não é todo o povo favelado, mas apenas uma parte "emancipada" dela, uma espécie de "classe média" dos favelados, que tem antena parabólica, algum conforto, participação relativamente ativa no processo de consumo e cujos jovens podem pagar um clube de subúrbio para irem a um evento popularesco. O que inclui também passagens de ônibus - às vezes, mais de um entre a casa e o clube noturno - , dinheiro para lanche e sobressalente.

Ou seja, esse ufanismo, que no fundo investe tão somente no mito da "periferia legal", só remete mesmo a uma parte do povo favelado que possui água encanada, energia elétrica - alguns ainda através de "gatos" - , possuem antena parabólica e assiste à TV paga (através da "gatonet"). Ou seja, uma parte da favela que goza de alguma visibilidade.

É claro que isso tem seu aspecto positivo, porque parte do povo pobre conquista alguns benefícios, mesmo de maneira "torta" (seria bom, por exemplo, se tivesse energia elétrica legalizada e acesso ao serviço legal de TV paga). De certa forma, é uma multidão capaz de comprar uma cesta um tanto mais que básica, podendo fazer até churrasco nos fins de semana e feriados.

Mas isso ainda é pouco, e o maior problema é que a mídia grande e os intelectuais etnocêntricos superestimam esse progresso social como se fosse a perfeição alcançada. No entanto, isso é insuficiente, vide o outro lado da favela, o outro lado que continua pobre, continua excluído mesmo da visão ufanista da "favela legal" e ainda está sujeito a tragédias ligadas à violência ou a desastres naturais que ameaçam suas casas mal construídas e mal situadas em áreas de risco.

Em primeiro lugar, também não se pode confundir consumo com qualidade de vida. Uma coisa é a prosperidade econômica, a participação no mercado de consumo, coisa que até a ditadura militar prometia para a população. Outra coisa é a qualidade de vida, que inclui a garantia de direitos humanos, que envolve elementos que vão muito além da capacidade de comprar mais coisas.

A sociedade é bastante complexa e é muito simplório e até hipócrita falar em participação na sociedade de consumo como se fosse a conquista da qualidade de vida. O poder aquisitivo é apenas um aspecto menor da qualidade de vida, isso é óbvio.

Há muita coisa a resolver nas favelas. Aliás, a própria favela é um problema, não pelo povo em si, mas pelas condições precárias em que o povo favelado vive, mesmo a parte relativamente próspera desse povo.

A desfavelização, por isso, não é uma forma de discriminar os favelados, muito pelo contrário. Através da desfavelização, pela construção de casas populares, procura-se resolver o problema das moradias precárias que os pobres são obrigados a construir, diante da exclusão imobiliária, já que os apartamentos são muito caros para as classes trabalhadoras poderem comprar, ainda que através do aluguel.

A doação de prédios e apartamentos vazios para pessoas com nível delicado de pobreza - sobretudo quando são famílias numerosas - também é uma boa alternativa de moradia, que pode trazer qualidade de vida para as classes populares. Mas isso vai contra interesses de empreiteiros, de grupos políticos conservadores e mesmo de setores preconceituosos da classe média, que acham que doar um apartamento para o povo pobre significa trazer a desordem para os condomínios.

Culturalmente, então, o "ufanismo" da favela comete o erro de associar ao povo pobre a pseudo-cultura do brega-popularesco, que, pelo seu caráter apátrida, estereotipado, esquizofrênico e conformista. É evidente que essa "cultura popular" dos lotadores de plateias fica muito a dever diante de um patrimônio cultural rico que as classes pobres produziram no passado.

Como comparar, por exemplo, os grandes sambistas de nossa História com certos astros do sambrega que mal conseguem fazer uma tradução brasileira da soul music norte-americana, misturando Usher com Luiz Miguel em baladas melosas e cafonas? Além do mais, muitos desses ídolos de sambrega são muito mais ricos do que muito suposto burguês da MPB intelectualizada, e tocam até em Barretos sob as bênçãos dos latifundiários.

Há muito o que discutir nesse "orgulho de ser pobre", porque ele em nada resolve na resolução das desigualdades sociais. Apenas diminui as desigualdades, mas com o preço de atrair uma parcela do povo pobre para o apoio conformista à grande mídia e a uma intelectualidade paternalista.

É preciso ver o povo da favela de maneira objetiva e não sentimental. É imprescindível deixar o povo da favela falar, dar espaço para o povo pobre, não para reafirmar a pobreza como "algo legal", nem para classificar as casas rudimentares dos morros como "arquitetura pós-moderna".

É preciso fazer a favela falar de seus problemas, de suas limitações, de seu sofrimento. E fazê-la se livrar da escravidão brega-popularesca, estimulando o desenvolvimento de sua real identidade.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"POTRANCA" DADA NÃO SE OLHA OS DENTES



O recente reacionarismo de setores até agora privilegiados da nossa sociedade é algo que se torna notório em vários episódios. Gente falando em afogar nordestinos, gangues violentando homossexuais, a mídia golpista criminalizando os movimentos sociais, entre tantas outras coisas.

O alarme faz com que estes setores partam para calúnias, ameaças, esnobismos, agressões diversas, numa espécie de bullying "ecumênico", partindo de "valentões" de diversos extratos de nossa sociedade.

Desde que os progressos sociais estabelecem limites para as elites, elas reagem da forma mais cínica e violenta que as circunstâncias permitirem. Rodas de samba já foram consideradas crimes pela sociedade da República Velha. Reivindicar melhores salários e melhores condições de trabalho - a chamada "questão social" - também era considerado "caso de polícia".

Há 57 anos, a promessa de aumento de 100% do salário mínimo pelo então ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, João Goulart - o mesmo que, presidente da República, era expulso do poder por um golpe militar - , fez os então coronéis lançarem um manifesto de repúdio, porque o aumento salarial dos trabalhadores faria as elites "declinarem" no seu confortável padrão de vida.

Daria um excelente livro só para analisar as reações das elites brasileiras em relação a progressos sociais ou ao questionamento de certos absurdos do status quo. Um histórico do reacionarismo brasileiro, para as pessoas conhecerem as campanhas reaças que aconteceram e ainda acontecem no nosso país.

O que me chamou a atenção é que, por três vezes, eu fui atacado por fazer textos contra as chamadas "boazudas", aquelas que vivem apenas para mostrar o corpo na mídia. São aquelas mesmas que só vão para noitadas, praias e ensaios de escolas de samba, para mostrar suas "formas generosas", "pagar calcinha", "mostrar demais seu corpo", "mostrar o seio por 'acidente'", "exagerar no decote" ou coisa parecida.

E, o que é pior, eu fui atacado por mulheres. Sim, existem mulheres que defendem o machismo, ideologia nefasta que se alimenta tanto pela brutalidade dos machos quanto pela vulgaridade das mulheres-objetos. Uma delas, conhecida como "marcia" (mas que poderia muito bem ser chamada de marchista), me dirigiu ameaças só porque sugeri para Solange Gomes se casar com um empresário.

Outros absurdos já li a respeito dessas calipígias, como a ideia, falsíssima, de que elas são "feministas" porque falam mal dos homens e, aparentemente, se viram sozinhas na "carreira". Isso, no entanto, é avacalhar com o verdadeiro feminismo, que nunca se baseou no ódio barato aos homens, mas sim na busca das verdadeiras conquistas sociais e da superação de todo tipo de situação inferiorizada da mulher. Coisa que as popozudas, baseadas na imagem de mulher-objeto, não se interessam em fazer.

Puxa vida, não dá mais para entender o nosso país. As popozudas cometem gafes - como dizer que odeiam ler livros e posar de "freiras" ou "enfermeiras" - , e eu é que sou culpado por isso? Ou será que eu teria que ficar calado diante de tanto absurdo? O reacionarismo de "marcia", a Machista, foi de um nível estarrecedor. Ela me perguntava se eu era mesmo homem e dizia que eu seria processado pelo que escrevi sobre Solange Gomes. Só que o que escrevi nada tinha de mais, eu apenas critiquei o espetáculo machista do portal Ego, as atitudes de certas popozudas, apenas falei a verdade.

Se alguém se sentiu ferrado com isso, foi "marcia", que certamente não é esse seu verdadeiro nome. Mas certos reacionários mostram o nome, outros se escondem. Para cada dez reacionários que expressam sua fúria, seis usam pseudônimo. Ela expôs seu machismo num comentário grotesco, ameaçador, como se quisesse me intimidar com sua fúria.

De outro lado, há mulheres não-vulgares que se casam com empresários e profissionais liberais. Há até um mal-entendido quando falo que eles são sisudos, porque fulano disse que o empresário X é "simpático" e o economista Y é "alegre", ou porque no casamento da jornalista A com o consultor financeiro B o casal dançou ao som de "Tonight's The Night" de Rod Stewart.

Mas quando digo que fulano é sisudo não é porque ele não sorri. A sisudez está no apego às formalidades, até mesmo quando elas não são exigidas. Nota-se uma diferença entre um empresário, executivo ou profissional liberal de 40, 50 anos e um universitário de 22 anos no que se diz ao lazer. O tão "bem-sucedido" profissional liberal, executivo ou empresário, tão aclamado símbolo de "sucesso" e "bom gosto", nunca se sente à vontade na hora do lazer.

Há exceções à regra, mas isso é outro caso. O que vemos é que a maioria desses homens pouco se preocupa em parecer mais joviais e informais no lazer, porque tudo que eles expressam é o sucesso financeiro, o poder sócio-econômico, o acúmulo de privilégios materiais. O lazer é apenas uma mera vitrine de sua vaidade, e um mero palco para seus gestos, procedimentos e vestimentas forçados, num ritual social burocrático.

Ou seja, não posso criticar o machismo, seja de um lado, seja de outro. Tenho que respeitar o machismo de hoje, porque ele é mais "respeitoso" e apenas busca o seu "sucesso". Dizem que isso não me ameaça, não me prejudica, mas prejudica muito.

Para se ter uma ideia, se eu quiser ter a mulher que eu tanto quero, tenho que recorrer ao SEBRAE para montar uma empresa. Agora, se eu quiser ter uma mulher fácil para conquistar, terei que ir a uma vaquejada, micareta ou "baile funk", mas essas mulheres, em personalidade, nada se afinam comigo. Digo isso na melhor das hipóteses, porque eu sei que há até funqueiras traiçoeiras, que assediam um homem pacato porque é mais "tolinho", faz a funqueira mais "mandona", é ótimo para ela fazer de gato e sapato.

Mas meu prazer, minha vontade, nada disso importa. Tenho que "perder o preconceito" em tudo, menos ao meu próprio prazer, ao meu direito de escolha. "Potranca" dada não se olha os dentes, diz a machistada autoritária e cínica.

É até engraçado que esse pessoal vale em liberdade de valores, porque eles só defendem a libertinagem associada aos valores que eles acreditam. Mas esse discurso hipócrita, "humanista" na retórica mas fascista nos princípios, mostra o quanto esse pessoal "sem preconceitos" tem de reacionário e de altamente preconceituoso.

É o reacionarismo que, nos últimos oito anos, tentou defender os valores retrógrados que faziam uma pequena elite ter vantagens, privilégios e direitos, em detrimento de uma maioria. Um reacionarismo aberto, que se utiliza da máquina midiática demotucana para atacar as forças progressistas. Ou um reacionarismo sutil, que se infiltra nos movimentos e instituições progressistas para tentar minar de dentro os avanços sociais.

Esse reacionarismo tem que ser repudiado de todas as formas, por mais que certos reaças façam uma falsa defesa das causas sociais progressistas, com discurso "humanista" e pretextos de "justiça social".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FABIANA SCARANZI SE CASOU!!! BUÁÁÁÁ!! BUÁÁÁÁÁ!!!!



Enquanto algumas famosas solteiras já engatam namoros, temos a notícia, via Caras, de que Fabiana Scaranzi se casou com o empresário Álvaro Etchenique.

Sim, a deusa Fabiana está casada novamente. Nação nerd - ou agora "nação sem nome", porque a turma do Jovem Nerd/Judão/Cervejão-ão-ão dos fãs de Stallone nos roubou o nome de nossa humilde "tribo" - , prepare-se para fazer um estoque de lenços e pegar baldes bem enormes, porque os prantos serão enormes.

Oh, dia, oh, céus... E o que nos sobram? Popozudas que cismam com a gente porque temos cara de bonzinhos? Marias-coitadas que recusam tudo quanto é pretendente de "primeira linha" (sósias do Fábio Jr., Rodrigo Faro, Eduardo Guedes, Vítor & Léo, Léo Santana) para compensar a pieguice enjoada delas cismando com nosso jeito excêntrico?

Será que vamos ter que reler aqueles poemas de Álvares de Azevedo e Junqueira Freire que animaram nossa sofrida adolescência? Será que teremos que recorrer aos discos do Joy Division, Bauhaus e Smiths? Será que temos que tomar um porre de Nescau com biscoitos Trakinas para tentar esquecer nossas mágoas?

Será que teremos que ler o blog Conversa Afiada sem lembrar sequer que seu blogueiro é parceiro de Fabiana no Domingo Espetacular?

E agora? As paniquetes não rendem conversa semelhante a de Fabiana Scaranzi! E olha que as paniquetes são tidas como as mais "intelectuais" das chamadas popozudas. Intelectuais, como assim? Fazer "reportagens" sobre esportes radicais com pouco texto, perguntas óbvias e mais imagens em ritmo de vídeoclipe? Mostrar anões escalando o Monte Everest? Tocar percussão em banda de arghxé music? Dar entrevistas sem pé nem cabeça mas que tenham sempre a desgastada gíria "galera"?

O que é melhor para fazer? Botar um empresário, economista, executivo, médico etc para andar de skate ou trancar uma paniquete numa biblioteca para ela ler tudo que for de Ciência Política, História, Sociologia, Filosofia e Artes Plásticas? Botar um empresário para ouvir Rock Brasil ou botar uma paniquete para ouvir jazz dos anos 50?

Uma coisa é certa: os prantos que os fãs de Fabiana Scaranzi sofrerão daria para extinguir completamente a seca no Nordeste brasileiro.

A LACUNA DA BIZZ E A ATUAÇÃO DAS GRINGAS



A lacuna da revista Bizz, uma das mais destacadas revistas sobre música do Brasil, é quase compensada com a atuação de duas revistas sobre música que, na verdade, são franquias de publicações estrangeiras, a Rolling Stone (revista norte-americana que já teve similar nacional "não autorizada") e a Billboard, uma espécie de "Forbes" do hit-parade mundial.

A BIZZ foi uma importante revista musical, cujo surgimento eu, adolescente, pude acompanhar. Meus pais compraram para mim o número zero da Bizz, que tinha até um flexi-disc com trechos de músicas.

Era a segunda publicação no segmento cultural-juvenil da Editora Abril, já que nos anos 70 existiu a revista Geração Pop, mais conhecida como Pop, porque esta palavra aparecia em destaque no logotipo. Eu era criancinha, mas me lembro de ter visto as capas da revista quando saía pelas ruas de Niterói e Rio de Janeiro com meus pais.



A revista Geração Pop era uma revista meio bicho-grilo, surgida pouco depois da versão "não autorizada" da revista norte-americana Rolling Stone (que contou, entre outros, com o pensador da Contracultura, jornalista e diretor teatral Luiz Carlos Maciel), esta lançada em 1971. A Pop veio no ano seguinte, 1972.

A Pop unia comportamento e cultura pop, era bacaninha mas meio safada. Certa vez foi "plantada" uma reportagem sobre punk rock que nada tinha a ver com a realidade. Era o desespero de pessoas que nem conheciam direito o movimento que agitava o Reino Unido e os EUA e que queriam soar "atuais".

Com a repercussão dessa reportagem e outros surtos de tendenciosismo barato, a Geração Pop desapareceu em 1979, enquanto pouco depois surgia a revista Roll, da editora rival da Abril, a Editora Três (da revista Isto É, que, sabemos, é rival de Veja). A Três também tinha a Somtrês, dedicada a assuntos musicais e também sobre instrumentos musicais, que sobreviveu um pouco mais que a Roll, mas também foi extinta.



A Roll era uma revista de pop, mas de fato tinha como carro-chefe o rock'n'roll, já que nem todo mundo que é pop é realmente rock (só os leigos não sabem disso). E havia dado o maior apoio à Fluminense FM, inesquecível rádio que marcou minha adolescênci (vamos ver se a Kiss FM segura a onda e expulsa os farofeiros de vez - para mim não vejo diferença em essência entre Guns N'Roses e Restart).

A Roll acabou quando a Bizz surgia, e a Bizz teve uma boa trajetória até 1990, trazendo informações musicais de várias épocas, esclarecendo toda a geração de seus leitores, como eu mesmo. A trajetória da Bizz eu coloco noutra oportunidade.

Mas sabemos que depois de 1990 a Bizz viveu uma fase horrorosa com André Forastieri, depois tornou-se uma revista panaca chamada Showbizz, que gerou tanto prejuízo que, quando a Showbizz tentou virar uma revista legal, entre 1999 e 2001 (com o nome Bizz em destaque no logotipo), faliu. E também não permitiu que a Bizz vingasse no seu breve retorno entre 2005 e 2006.

Este foi um retorno que chegou a reviver a antiga trajetória oitentista da revista, mas nas últimas edições desta fase foi "invadida" por gente da fase Forastieri. Em todo caso, a ressuscitada Bizz morreu de vez antes que o revival de 1985-1990 desse lugar ao revival das fases Forastieri-Showbizz.

Mas várias tentativas foram feitas para cobrir a lacuna da Bizz, descontando outras revistas como Rock Brigade e Roadie Crew (ambas só de rock pesado) e Dymanite (que era de rock alternativo, mas havia se tornado aos poucos "popiróque").

Tinha a General, que era muito pretensiosa porque era como se a grande imprensa brincasse de fanzine universitário. E tinha a moda do grunge e seu pseudo-alternativo, que fazia a grande mídia brasileira brincar de "indie": rádios comerciais brincando de radialismo rock (89 FM acima de tudo), grandes gravadoras forjando selos falsamente indie (como Banguela e Radical), grandes jornalistas brincando de ser zineiros, medalhões do rock se passando por bandas de garagem.

Teve também a Zero, Frente e Vírus, revistas até legais, que seguiam a mesma linha da Showbizz de 1999 a 2001. Mas elas tiveram vida efêmera. E, juntamente com a malograda ressurreição da Bizz, deixaram uma lacuna para o jornalismo musical crítico e abrangente.

ROLLING STONE E BILLBOARD

As revistas de origem estadunidense Rolling Stone e Billboard são bem antigas em seu país de origem. Mas suas versões brasileiras são muito recentes. Mesmo a versão "experimental" da Rolling Stone, entre 1971 e 1972, com uma linha editorial calcada na Contracultura, é recente em quatro anos em relação a matriz. Já a Billboard é ainda mais antiga, tendo sido lançada em 1894, quando o Brasil ainda era um país novato na sua experiência republicana.

É certo que as duas revistas oferecem farta informação sobre o mundo da música, com vantagem maior com a Rolling Stone, não só pelo fato de incluir também assuntos não-musicais, como política, mas por oferecer algum senso crítico mais apurado.

Já a Billboard, por sua vez, é uma revista sobre hit-parade, portanto, embora se esforce na abrangência da informação musical, ou na inclusão de nomes com reconhecido valor artístico, a revista soa como uma espécie de equivalente musical à Forbes, revista que se dedica às personalidades mais ricas e poderosas do mundo.

A Rolling Stone talvez canse pelos textos longos em palavras menores. Mas é a revista que mais se aproxima da abrangência musical da antiga Bizz dos bons tempos, até porque vai levemente além dos nomes de sucesso comercial, podendo, quem sabe, colocar um Hüsker Dü entre uma Beyoncé e um Restart. Ou um João Gilberto entre uma Ivete Sangalo e um Michael Jackson.

A Billboard se dedica mais ao mainstream. Serve apenas para o público médio pós-1978, que pouco conhece além do establishment do hit-parade, mesmo aquele rotulado de "alternativo" (onde a geração pós-1978 dificilmente vai além do feijão-com-arroz grunge-noise).

Portanto, a imprensa musical de hoje está melhor do que a de 2001-2002, quando, em vez de haver revistas especializadas, a juventude só tinha acesso a uns quatro críticos musicais (Tom Leão, Carlos Albuquerque, Lúcio Ribeiro e Álvaro Pereira Jr.), o que era muito pouco na busca de novidades. O que fazia o pessoal nunca ir além de um Pavement ou de um Massive Attack.

No entanto, a antiga Bizz de 1985-1990 faz falta, assim como a Roll. E a Somtrês, no que diz aos instrumentos musicais, até que foi herdada com êxito por revistas especializadas em instrumentos musicais, que continuam firmes e fortes.

E assim segue o caminho de pedras da imprensa musical brasileira.