sexta-feira, 29 de outubro de 2010

REACIONÁRIOS AINDA ACREDITAM NO "FUNK CARIOCA"


SE FUNK É CULTURA, SÓ SE FOR O FUNK AUTÊNTICO DE NOMES COMO TIM MAIA, CASSIANO E HYLDON.

De repente, vozes reacionárias reaparecem das sombras para defender suas causas com argumentações mesquinhas e pseudo-corretinhas.

Fui só escrever que Marcelo Freixo pode ser o Fernando Gabeira de amanhã para que os pregadores do "funk carioca" (FAVELA BASS) venham com o mesmo discurso de "movimento cultural" e coisa parecida.

Eles afirmam que o estilo é "perseguido", e duvidam que o "funk carioca" possua empresários. Só que as chamadas "equipes de som" do "funk carioca" são compostas por empresários, sim, e que 99,99% dos ídolos funqueiros são na verdade intérpretes tutelados e até manipulados pelos empresários.

DJ Marlboro e Rômulo Costa são empresários. Como contestar esta tese? Da mesma forma que, no tecnobrega, as "aparelhagens" também consistem numa elite empresarial, gente rica, que nos bastidores atua como dona, mesmo, dos intérpretes que fazem sucesso no estilo.

É muito mais caro montar um grupo com DJ, MC's e popozudas do que botar um favelado para tocar violão, ou montar banda com baixo, guitarra, bateria e órgão para tocar um funk autêntico.

Se o funk é considerado movimento cultural, é através de nomes como Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Banda Black Rio e outros, porque isso que está aí sendo chamado de "funk" não é funk, é miami bass, ou melhor, o "favela bass", termo sugerido pelo amigo Leonardo Ivo.

É bom que se saiba que os fenômenos do brega-popularesco - e isso vale tanto para o "sofisticado" breganejo como para o "engajado" favela bass - não consistem em movimentos culturais de verdade. Considerá-los assim é tendencioso, tanto que o título de "patrimônio" nunca houve, o que o tal "funk carioca" ganhou foi uma classificação genérica, "movimento cultural de caráter popular", obtido de graça por conta de um poderoso lobby político e empresarial.

Portanto, podem escrever muitos e muitos textos, longuíssimos, apelativos, irritados, etc, que não vai adiantar. Um ritmozinho dançante qualquer, artisticamente duvidoso, culturalmente discutível, não pode ser levado assim tão a sério, até porque isso pode repercutir mal. Aí não adianta repetir a ladainha de "perseguição", "preconceito" porque isso até o Paulo Maluf faz.

Tem que se levar em conta a lição que o twist deu nos anos 60. Porque o ritmo foi moda durante um bom tempo mas, quando deixou de fazer sucesso, ninguém se autopromoveu às custas da Contracultura e tentou vender o twist como um "movimento cultural de caráter popular". Chubby Checker foi cuidar de sua empresa de doces e ficou na dele.

Além do mais, o "funk carioca" tem que agradecer à grande mídia golpista que o acolhe feito um filho adotivo. Com tantos anos aparecendo em tudo quanto é veículo das Organizações Globo, essa choradeira de "preconceito", "perseguição" e similares que os defensores do "funk carioca" fazem não passa de malcriação e arrogância.

Me lembro de uma argumentação demagoga de um DJ funqueiro, dado a escrever textos longamente mal-escritos, que disse o seguinte: "melhora a educação que o funk melhora". Só que ele quebrou a cara, porque com a rentabilidade que o ritmo obtém em suas apresentações e eventos - alguns caros, como os que DJ Marlboro fez numa boate zona sul em São Paulo - , daria para botar tudo que é favelado na escola. Por que nada disso foi feito, depois de quase dez anos de campanha pseudo-engajada dos funqueiros?

Melhor aceitarem as críticas e terem mais humildade, do que bancarem os valentões e recusarem ser criticados. Senão vai todo mundo de castigo abraçar seu mestre José Serra depois do próximo domingo.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Noves fora o deputado Freixo, que vai é abraçar a Dilma. Com ela ganhando ou perdendo.