quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PADRONIZAÇÃO VISUAL NO RJ: IMPACTO NAS AVENIDAS SERÁ NEGATIVO



No último dia 21 de setembro, quando fui para a palestra de Luiz Carlos Azenha e Mauro Santayana sobre a imprensa alternativa, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, eu pude observar o trânsito da Av. Pres. Vargas, numa das entradas do referido CCBB.

Imaginei como seria o intenso trânsito depois da padronização visual dos ônibus cariocas, com a frieza objetiva de um técnico, com uma visão objetiva que os tecnocratas do transporte coletivo, isolados em seus escritórios, nos jatinhos particulares e nos seminários da Europa, não possuem.

Pude constatar, tentando analisar os prós e contras da medida do prefeito Eduardo Paes, que a padronização visual terá um impacto bastante negativo, principalmente em avenidas movimentadas e grandes como a Presidente Vargas.

Imaginando duas hipóteses, com a padronização visual restrita às linhas municipais do Rio de Janeiro, e com a mesma medida ampliada para as linhas intermunicipais, em ambos os casos os efeitos seriam extremamente danosos para os passageiros.

Com toda a campanha informativa que a Fetranspor investirá para esclarecer o "novo" esquema, será difícil impedir que os cidadãos que transitam pelas avenidas consigam reconhecer os ônibus que irão pegar, de longe.

Esse impacto negativo já existe em cidades como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, mas os tecnocratas tentam fazer vista grossa e, infelizmente, o povo também não é estimulado a reclamar, preferindo o jogo de cintura para não embarcar no ônibus errado.

Reconhecer o ônibus de longe, ou o ônibus correto diante de diferentes ônibus circulando juntos, será muito difícil com a padronização visual. Causará até mal-estar nos passageiros. No Rio de Janeiro, o impacto será maior ainda, e o passageiro terá que ser mais atento e cauteloso. As desvantagens serão inevitáveis e bem maiores do que se pode imaginar.

Eu não sou arquiteto urbanístico, não sou engenheiro de tráfego, não tenho títulos de pós-graduação nessas áreas, não sou técnico. Mas tenho 36 anos de busologia vivida nas ruas, no cotidiano constante de passageiro, e por isso posso garantir, com toda a segurança de quem obtém a verdadeira técnica na experiência prática de muitos anos, que o projeto de padronização visual a ser imposto por Eduardo Paes está destinado ao pior dos fracassos.

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