sexta-feira, 1 de outubro de 2010

MUDANÇAS SOCIAIS REQUEREM CULTURA DE VERDADE



A grande mídia, silenciosamente, trabalha dia e noite para que sua crise não se estenda para o âmbito cultural, ou seja, para seu braço lúdico, a ideologia brega-popularesca.

Manda seus intelectuais se infiltrarem em instituições culturais, ONG's, faculdades ou mesmo na imprensa esquerdista, para defender os "sucessos do povão" como se fossem o "novo folclore brasileiro", num discurso confuso e duvidoso que apela pelo sentimentalismo.

O progresso social do Brasil requer uma cultura de verdade, o que deixa os empresários do milionário espetáculo do brega-popularesco apreensivos.

Criou-se até um clima de quase saia-justa com a grande mídia, mas agora a mídia golpista e o brega-popularesco têm que se manter unidos.

Afinal, elogio de intelectual não enche a barriga de ídolo brega-popularesco algum.

A redução gradual de desigualdades sócio-econômicas e do analfabetismo - embora vejamos ainda um grave quadro de analfabetismo funcional, com pessoas sabendo ler, escrever mas não sabendo pensar criticamente nossa realidade - dá o tom de um novo país que, aos poucos, começa a aparecer.

Um país que é considerado uma das quatro potências emergentes do mundo.

Mas um país com resíduos ainda muito fortes da ditadura militar e do coronelismo que ainda exerce forte influência no interior do país, o modelo de "cultura popular" há décadas patrocinado pelas oligarquias nacionais e regionais, ainda garante a fortuna dos detentores do poder.

Cria-se uma ilusão de que essa pretensa cultura popular é a "verdadeira cultura brasileira", com a desculpa de que seus cantores e celebridades enchem plateias com facilidade.

Só que essa "facilidade" foi trabalhada às custas de muito marketing, de muito jabaculê, sobretudo nos últimos 25 anos. O povo pobre se acostumou mal.

O grande problema é que fica bem difícil dizer que a música brega-popularesca é "vítima de preconceito" ou que está "fora da mídia".

Essa desculpa do preconceito cansou demais, de tão batida e de tão sem sentido.

E também não tem sentido dizer que essa suposta "cultura popular" está fora da mídia, se ela aparece em rede nacional no Domingão do Faustão ou pelas bancas de todo o país na primeira página da Ilustrada da Folha de São Paulo e na capa da revista Contigo.

A cultura de verdade, que valia pela música, pela transmissão de conhecimento e pela livre formação de valores sociais edificantes, reclama sua volta.

E não quer voltar através de covers do brega-popularesco, fazendo um papel subalterno no circo do establishment da cultura de massa.

A cultura de verdade grita.

Não o grito eletrônico da televisão aberta e seu circo da cafonice.

Não o grito eletrônico das emissoras FM dos "sucessos do povão".

Não o grito de intelectuais etnocêntricos que julgam a cultura popular de longe, pelos "binóculos" das parabólicas.

Não o grito de mestres-de-cerimônias de vaquejadas, micaretas, "bailes funk", feiras de agronegócio, etc.

Não o grito de oportunistas que, tendo conta no Orkut, Facebook, Twitter e YouTube, divulgam certos ídolos cafonas primeiro nesses meios, para depois jogá-los na mídia gorda.

A cultura de verdade grita pelo silêncio do mercado. Grita quando a música está acima de qualquer apelação, quando o artista não compactua com as normas do mau gosto, da "ditabranda" do mau gosto que fascina tanto os etnocêntricos.

E esse grito ameaça calar todo o circo brega-popularesco. Esse grito ameaça transformar o milionário mercado da Música de Cabresto Brasileira em pó. O que seria um papel revolucionário, porque poria em risco interesses dominantes em jogo.

A grande mídia e mesmo seus asseclas enrustidos querem abafar esse grito, para o bem do mercado.

A MPB será ensinada nas escolas brasileiras. Elas também haverão de ensinar cidadania, respeito, mostrará a verdade histórica, estimulará o senso crítico. A cultura de verdade gritará mais forte ainda.

A sociedade cobrará mudanças e o grito hoje sufocado será bem mais forte amanhã. É esperar para ver.

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