quinta-feira, 28 de outubro de 2010

MARCELO FREIXO PODE SER O FERNANDO GABEIRA DE AMANHÃ


MARCELO FREIXO HOJE PARECE UM TROTSKISTA, MAS NADA IMPEDE QUE ELE SEJA UM FUTURO GABEIRA (FOTO DIREITA, COM JOSÉ SERRA).

Diante da nossa análise sobre a grande frente ampla que gira em torno da centro-esquerda brasileira, apostamos na tese incômoda de que boa parte das adesões de hoje podem se dissolver e mudar de lado sem qualquer aviso prévio.

Vemos o "fenômeno" Marcelo Freixo, deputado pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), um ex-professor de História que se tornou político e um dos maiores defensores do "funk carioca" na política fluminense.

Aparentemente, é uma figura em ascensão, badalado como um político "corajoso", embora sua postura em relação ao trotskismo - ideologia de que se baseia o PSOL - se torna um mistério. De fato, realizou medidas em defesa dos direitos humanos, mas, no caso do "funk carioca", preferiu estar do lado dos empresários que controlam esse tipo de entretenimento, fundamentado na domesticação do povo pobre do Grande Rio.

O que causa estranheza é o fascínio que a Rede Globo e outros veículos da mídia conservadora têm por ele, que recebe tratamento VIP nessa mídia. Isso lembra o caso do também político Fernando Gabeira, que teve um passado de grande honra.

Fernando Gabeira foi um jornalista que se tornou famoso por participar do sequestro do embaixador estadunidense no Brasil, Charles Elbrick, em setembro de 1969, militou no MR-8 (quando era ideologicamente ligado a Che Guevara, já que o Movimento Revolucionário Oito de Outubro tem seu nome relacionado ao dia em que Che foi morto, em 1967), fez parte do PT e também defendeu os direitos humanos, como jornalista, exilado e político. Não concordo com sua defesa das drogas, mas até essa causa está ligada ao passado contracultural do jornalista.

Gabeira, por fazer críticas a Lula, também passou a sr badalado pela grande mídia. E, há algum tempo, passou a ser também articulista da Folha de São Paulo, o que influiu seriamente na sua guinada à direita, assim como Marcelo Madureira e Arnaldo Jabor na Globo (e Arnaldo também na Folha e Estadão).

Fernando Gabeira virou capa de Veja, virou queridinho da mídia golpista, e, com todo o passado de esquerdista histórico que teve, passou a apoiar um José Serra que hoje nem sequer é sombra daquele líder estudantil de 1964, sendo apoiado até pelos medievalistas da TFP e do Opus Dei.

Marcelo Freixo hoje é badalado pela Rede Globo, inspirou personagem no filme Tropa de Elite 2, da Globo Filmes, têm a simpatia da Folha de São Paulo.

Por outro lado, o PSOL, surgido de uma dissidência do PT - de onde Freixo também veio, a exemplo de Gabeira - , não é um mar de rosas de concordância, tendo também suas divergências internas.

Até que ponto os rumos da política podem virar não se sabe, mas se Marcelo Freixo tiver alguma divergência séria com a cúpula do PSOL, sabemos com certeza que, se ele vir a mudar de partido um dia, certamente não será o PC (Partido da Causa Operária). Mas nada impede que ele um dia mude o plano ideológico, ainda que de forma bem sutil. É esperar para ver.

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