quarta-feira, 6 de outubro de 2010

JESSICA ALBA COMPROU DISCOS DOS BEATLES



Hilary Duff, fã dos Smiths, Elaine Bast fã de Jesus & Mary Chain, fulana adorando Bossa Nova, sicrana adorando Clube da Esquina, beltrana fascinada por Durutti Column.

E agora Jessica Alba fã dos Beatles. Com direito a Magical Mystery Tour, White Album e até Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, o álbum que o quarteto de Liverpool gravou na mesma época em que Syd Barrett e seu Pink Floyd gravavam, noutra sala do Abbey Road, o Piper At The Gates of Dawn.

E ainda tem a ex-colega minha que é fã de Toninho Horta e Flávio Venturini, o que mostra que seu entendimento de Clube da Esquina vai bem além do "feijão-com-arroz" que a Globo permite passar para o grande público.

Enquanto isso, só temos a lamentar que, enquanto as mulheres comprometidas tendem a possuir um bom gosto musical, as que sobram no "mercado" das solteiras, em sua grande maioria e sobretudo no Brasil, possuem um gosto musical no mínimo tenebroso.

Pouco adianta se essas encalhadas "também gostam de MPB", porque isso, além de demonstrar um apreço secundário aos mestres da nossa música, as músicas são sempre as mesmas que a grande mídia libera para elas curtirem.

Por exemplo, de Milton Nascimento, elas só conhecem "Canção da América". De Elis Regina, umas três músicas. De Djavan, "Oceano", e, quando muito, "Meu Bem Querer" e "Samurai". De Flávio Venturini, se "aquele programa romântico" da FM popularesca se decidir tocar, é tão somente "Todo Azul do Mar", que ele gravou com o 14-Bis.

Beatles, Smiths, John Coltrane, então, são totalmente desconhecidos para essas bobas-alegres que vão para eventos de forró-brega ou compõem as plateias para os DVDs de duplas breganejas, ídolos do sambrega ou cantoras de axé-music.

Isso se torna grave quando no Brasil vemos o império das FMs popularescas, dominados pelas diversas oligarquias regionais do nosso país, e que determinam o gosto musical do povo pobre (e também da classe média baixa), o mesmo que os intelectuais etnocêntricos tão "generosamente" creditam como "a expressão legítima das periferias".

E, quando essas marias-coitadas, marias-bobeiras, boazudas etc. "também ouvem MPB", dá para perceber que não é com entusiasmo. Não é algo que elas veem como próprio de suas vidas. Elas "gostam" de Milton Nascimento como se ele fosse um cantor nascido na Escandinávia, veem como algo distante, alheio a elas.

Enquanto isso, são os horríveis cantores de sambrega, breganejo, forró-brega, tecnobrega, "funk carioca" (as marias-coitadas costumam ouvir o "melody", mas dá no mesmo) e outras barbaridades que se tornam prioridade no gosto musical dessas moças.

Mas os executivos, empresários, profissionais liberais, produtores e diretores de cinema e esportistas, entre outros felizardos, podem ouvir música de qualidade junto com suas belíssimas mulheres.

Nós, homens comuns, até podemos ouvir música de qualidade junto com as garotas jecas, mas no dia seguinte elas fazem questão de transformar o toca-CD num verdadeiro depósito de lixo. E ainda pulam de alegria quando a música de qualidade é depreciada pelos covers tendenciosos dos ídolos do breganejo, forró-brega, axé e sambrega.

Tudo porque elas não passam de marionetes da grande mídia (Domingão do Faustão, sobretudo).

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

Alexandre, sabe quem faria setenta anos de idade agora no sábado? JOHN LENNON! Por favor, não se esqueça de escrever nenhum texto sobre ele!
O sonho de ver os quatro Beatles reunidos acabou há trinta anos, mas o sonho de ouvir as músicas deles não vai acabar JAMAIS! É exatamente isso que a atriz Jessica Alba está fazendo!

O Kylocyclo disse...

Já estava pensando nisso há algumas horas. Mas valeu o recado.