terça-feira, 12 de outubro de 2010

A FARSA DA "MÚSICA INFANTIL" DE XUXA E SIMILARES



Lamentáveis anos 80 em que a politicagem brasileira moldou as bases do entretenimento popularesco que impediram com que a redemocratização fugisse do controle das elites.

O machismo brecou o avanço das conquistas femininas.

A direita evitou que a redemocratização promovesse a curto prazo uma neo-janguização da sociedade brasileira.

A mídia criou uma ideologia popularesca que domesticasse o povo pobre.

A intelectualidade era tomada de pelegos fisiologistas que mantiveram as mesmas lições tecnocráticas dos tempos da ditadura, e que, por outro lado, procuravam atrapalhar o quanto podiam nas pesquisas sociais de diversas matizes.

Para a criançada, afastavam-se as lições de Vila Sésamo e a fantasia lobatiana do Sítio do Picapau Amarelo, para empurrar os infantes à Fantástica Fábrica de Chocolates do Xou da Xuxa.

Woompa-woompa-woompa-dee-doo! A gaúcha de corpão sedutor vinha antecipar a adolescência para a criançada promovendo o consumismo vazio em vez de ensinar valores sociais relevantes.

A criançada era exposta à sensualidade precipitada. Não que as crianças não tivessem sensações de sexualidade. Tem, sim. Eu mesmo me lembro que tinha, nos anos 7o. Mas, por ela ser delicada e em formação, a exploração da mesma pela mídia se torna muito perigosa.

Afinal, Xuxa preparou a criançada para coisas piores. Preparou para o fenômeno pornográfico do É O Tchan, também exposto para quem era criança nos anos 90. E, na década seguinte, para coisas mais grotescas ainda, como o "funk carioca".

Mas, para quem era criança entre 1986 e 1990, Xuxa já fez seus estragos. Criou uma multidão de marmanjos e moçoilas que, atualmente, exibem sua burrice, arrogância e alienação de forma tão hipócrita, esquizofrênica mas convicta, que os fazem se achar "inteligentes" por nada.

Essa geração, em sua maioria, consome música brega-popularesca, não se dispõe a ler livros, frequenta de forma obsessiva as noitadas, não tem uma visão coerente do mundo, e só embarcam em qualquer causa vanguardista por puro oportunismo.

Com isso, se fazem de esquerdistas, mas expressam valores de direita.

Se fazem de humanistas, mas expressam valores fascistas.

Usam uma retórica cheia de clichês libertários e altruístas, mas adotam posturas sociais autoritárias e egoístas.

São pessoas alegres e espirituosas, quando todo mundo concorda com elas.

Mas, quando alguém discorda, essas pessoas reagem com fúria e sarcasmo violento, às vezes com chantagens ou represálias.

Se acham diferentes, mas são sempre iguais em sua mesmice orquestrada pela grande mídia.

Se acham alternativos, mas sentem obsessão doentia para o mundo do "só sucesso".

Se enchem de gírias, de tatuagens, de roupas arrojadas, cabelos pintados etcetera, para disfarçar as personalidades retrógradas que são.

Nem todo mundo tornou-se como eles. Houve crianças nos anos 80 que eram desviadas pelos pais da influência nociva do Xou da Xuxa.

A própria Xuxa só tardiamente tentou "se corrigir", só porque sua filha nasceu.

Aí tentou fazer programas "educativos", que não deram certo.

De repente, foi um ícone popularesco que primeiro se desgastou, num efeito dominó que deve atingir ídolos posteriores. Mas que a Rede Globo tenta salvar.

Isso depois que os estragos foram feitos.

A criançada dos anos 80, em sua maioria, não teve infância.

Teve uma adolescência antecipada que, até agora, continua, já na condição de retardada.

As festinhas infantis de todo sábado se converteram na obsessão pelas boates.

Festas que perdem a graça de tão rotineiras.

Mas esse pessoal respira mesmice. Procura o prazer que foge deles. Procura o sentido da vida, sem sentir.

E quando a desilusão vem e seus acessos de raiva passam, os "filhos" do Xou da Xuxa, hoje, só encontram o tédio e a depressão. A companhia que eles quiseram ter por trás das emoções baratas.

4 comentários:

Lucas Rocha disse...

Será que o pior programa da história da sexagenária televisão brasileira, chamado "Big Brother Brasil", se expôs impunemente para o público infantil em todas as dez edições do mesmo jeito que a trilogia "Xou da Xuxa", É O Tchan & "funk carioca"?

Marcos Vinicius Gomes disse...

Eu só discordo do primórdios dessa indústria. Chacrinha já distribuía seus bacalhaus nos anos 60 (sempre achei que havia uma supercondescendência com ele, vindo desde astros popularescos chegando aos lumiares da MPB que o freqentavam). Jacinto Figueira Jr já fazia história nessa época também. A Jovem Guarda dava seus voos nos 60 com seus carrões num país de paus de arara. Eu vejo os anos 80 mais como a profissionalização dessa indústria em níveis internacionais

O Kylocyclo disse...

Marcos, você não entendeu.

Eu não falei que o brega-popularesco surgiu a partir de Xuxa, mas a ampliação de seu processo.

Eu mesmo escrevi que a ideologia popularesca vem de muito tempo, em vários textos. Mas foi nos anos 80 que ela atingiu seu nível hegemônico. Foi o que eu quis dizer.

Marcelo Pereira disse...

Hoje a Xuxa, talvez por críticas como as feitas neste blog, por muitas pessoas, está metida a "carola" e hoje em dia nem sequer aparece de calça comprida justa.

Podem até me achar cruel, mas no caso dela, observando o grande estrago feito nos jovens que hoje começam a mandar no país, é de pura hipocrisia. Talvez se ela voltasse a sensualidade (ainda é uma mulher linda e bem gostosa), estaria bem mais sincera e honesta consigo mesma.