sábado, 16 de outubro de 2010

DIRETOR DE TROPA DE ELITE QUER AMERICANIZAR O CINEMA BRASILEIRO



O diretor do filme Tropa de Elite 1 e 2, José Padilha, quer mudar a Lei do Audiovisual, reservando apenas ao distribuidor a responsabilidade de financiar a produção de um filme. A ideia se baseia na experiência do cinema comercial dos EUA.

Embora isso possa aliviar a carga financeira do produtor, pode ameaçar a já restrita liberdade cinematográfica brasileira, pois, 15 anos depois da chamada "retomada" do cinema brasileiro, o mercado cinematográfico é dominado pelas Organizações Globo e sua temática ainda conta com limitações à abordagem crítica, em relação ao cinema dos EUA, onde problemáticas como o jabaculê e o bullying são abordadas até em filmes comerciais. No Brasil, até mesmo a miséria é ainda vista sob a abordagem hegemônica da "cosmética da fome".

Poderiam haver alternativas de financiamento dos filmes, para que tanto produtores e distribuidores não ficassem com a sobrecarga financeira. Afinal, se deixar tudo nas costas dos distribuidores, dentro do contexto em que vive o Brasil, o cinema brasileiro terá que sucumbir ao comercialismo explícito, sem a situação consolidada há décadas do cinema dos EUA que, por mais comercial que fosse, pode inserir boas ideias nas suas histórias, ainda que numa expressão artística mercantil, de puro entretenimento.

No Brasil, não. O cinema brasileiro se tornará "americanizado", no sentido de "macaquearmos" o que há de pior no cinema estadunidense. Teremos mais Stallone com sotaque carioca, Spielberg com sotaque nordestino, fora bobagens com Xuxa e similares.

Nosso cinema correrá o risco de se tornar mais cosmético, mais mercantil, mais acrítico, em que teremos novos documentários ou cinebiografias sobre brega-popularescos e nunca mais um cinema crítico como os cinemanovistas faziam entre 1960 e 1967.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Sem contar que teremos cada vez mais filmes chapa-branca. Esse próprio Tropa de Elite 2 é um. Além de contar com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, ele contou com caveiras (soldados do Bope) de verdade, um autêntico Caveirão do Bope e um helicóptero blindado da Polícia Civil com piloto pago pelo Estado.

Vai ver, foi por isso que o filme só foi lançado depois da eleição. Se tivesse sido lançado antes, o resultado teria sido outro. Sérgio Cabral Filho não teria vencido, ou teria uma vitória mais apertada.

Quem viu o filme, sabe: o governador fictício do filme é cúmplice das milícias, tendo tido a ajuda de milicianos na campanha de reeleição.