domingo, 24 de outubro de 2010

CELIBATO FEMININO NO POPULARESCO SERIA FORMA DE PROMOVER A "LIMPEZA SOCIAL"


É PROIBIDO NAMORAR - Mulheres que são referência, de uma forma ou de outra, na mídia popularesca, como a dançarina Juliane Almeida, a apresentadora Xuxa e Nana Gouveia, recusaram pretendentes a pretexto da "carreira".

Algo está muito estranho no universo de referências do brega-popularesco, sejam eles grotescos ou piegas (quando "comportados"). Enquanto é alto o índice de celibato de várias mulheres associadas a esse universo, regiões famosas pela maioria masculina na população, como o Norte e Centro-Oeste, passam a ser estranhos redutos de solteironas.

São regiões em que estilos da música brega-popularesca mais fazem sucesso, como o breganejo e o forró-brega, e onde a penetração da MPB autêntica é simplesmente nula. São regiões dominadas pelo latifúndio e pelo coronelismo político, tendo sido históricos cenários de conflitos de terra e de pistolagem.

Mas o que preocupa é o altíssimo índice de solteiras, neo-solteiras e celibatárias em geral, que chegam a recusar pretendentes que pudessem se afinar a elas ou que tenham aparência atraente, dentro desse sistema de valores baseado na domesticação do povo pobre.

Seria muito longo dizer todos os casos dessas celibatárias. Mas o fato recente, da apresentadora Xuxa - que nunca pertenceu ao rol das popozudas, mas se associa ao universo popularesco nos referenciais comportados e piegas - , que recusou namorar um grande ídolo da música breganeja, evitando assim a formação de um casal de sucesso nos meios de comunicação, é algo muito difícil de entender pelo fato em si.

Entre famosas e não-famosas, entre piegas e popozudas, as mulheres do Brasil brega-popularesco sucumbem a um celibato quase "suicida", a ponto de haver até, na vida noturna dos subúrbios e roças, um tipo arrogante de suposta encalhada: as marias-bobeiras, que dão fora até nos homens mais atraentes e gentis, enquanto mentem, nas redes sociais da Internet, que os homens têm medo delas.

A solteirice "irremediável" dessas mulheres, remanescentes atualizados de perfis femininos ditados outrora pelo velho machismo (as mulheres piegas que eram escravas do lar, e as mulheres "sensuais" feitas para o recreio sexual machista), pode não ser justificável em si, mas um fator bem sutil e cruel pode estar por trás disso.

Trata-se do desejo das elites, que controlam a grande mídia e que dominam as classes populares através de todo um sistema ideológico de entretenimento brega-popularesco, em promover uma "limpeza social" através do "congelamento" amoroso dos vários tipos de mulheres envoltas nesse padrão ideológico.

EVITAR NOVOS FILHOS - A "difícil" vida amorosa dessas mulheres, para as quais, na verdade, não faltam pretendentes - desde que eles sejam do próprio meio social delas - , seria um plano secreto da grande mídia para evitar que elas tenham mais filhos, fazendo com que as classes sociais associadas oficialmente ao perfil brega-popularesco, as classes C, D e E, passem por um gradual processo de decrescimento e congelamento.

Com isso, as elites esperam que, entre as classes média baixa e baixa, a população jovem diminua, através do celibato das mulheres que as desestimula a ter filhos - ou, em certos casos, a ter novos filhos - , evitando assim a renovação da população das classes mais baixas.

Juntando a isso o fato de que é nessas classes onde a mortalidade de jovens é a mais alta em todo o Brasil, causada sobretudo pela violência, a manobra da mídia brega-popularesca em promover o celibato de mulheres que sirvam de referência de sucesso para as moças da periferia ou da classe média baixa é feita justamente visando esse "controle" da natalidade.

Num país onde os maiores ícones de beleza, como Gisele Bündchen e Ana Paula Arósio, são mulheres bem casadas, e que nas classes mais abastadas se estimula totalmente para que as mulheres nunca fiquem sem namorado, o insistente celibato no lado mais "cafona" da população não pode ser creditado como a "liberdade" das mulheres em optar pela solteirice.

CANÇÕES QUE FALAM DE TRAIÇÕES AMOROSAS - Pelo contrário, a reclamação aparente de várias delas sobre carência afetiva é notória. Mas a campanha maciça, expressa em canções de forró-brega, breganejo e sambrega que falam em desilusões e traições amorosas, em sucessos de "funk" que promovem o ódio conjugal e em músicas de axé-music e porno-pagode que sugerem um desejo sexual ao mesmo tempo deslumbrante e impossível, acaba fundindo a cuca de muitas mulheres das classes C, D e E.

Com essa verdadeira ladainha transmitida feito mantra em rádios FM de todo o país, as mulheres das classes sociais subalternas acabam sendo convencidas de que a vida amorosa não passa de uma ilusão impossível, e que nem os desejos delas são possíveis de serem realizados. Ou, quando existem, são muito belos para virarem realidade.

Por isso mesmo é que o "exército de solteiras" nas classes inferiores que, no caso das calipígias, miseravonas e popozudas, pode além disso estimular o mercado clandestino da prostituição, representa todo um apelo da mídia dominante para que as mulheres das classes populares não formem família e tenham menos filhos possíveis.

Nas comunidades pobres, desestimula-se a formação de casais dentro de seus ambientes sociais, e a mídia promove constantemente a desunião social entre os pobres, incitando as jovens a desconfiar de seus próprios vizinhos e amigos de infância, além de desestimulá-las de contrair relações amorosas dentro de seus próprios ambientes sociais, já que os homens de seus meios são promovidos pela mídia popularesca como sendo "perigosos", "infiéis", "traiçoeiros" e "violentos".

Dessa forma, as elites dominantes promovem o que se chama de "eugenia", que é o princípio racista-elitista da "limpeza étnica" em que as raças consideradas "superiores" investem na renovação genética, em detrimento das demais, condenadas ao controle rigoroso da reprodução.

E é essa "eugenia", dentro da pretensamente "livre e saudável" solteirice das mulheres envolvidas no padrão brega-popularesco, sejam popozudas ou piegas, sejam famosas ou fãs, que fará com que se faça a exclusão social pela gradual desaceleração do crescimento populacional nas classes mais baixas, numa progressiva eliminação das classes populares promovido pela grande mídia e pelo mercado perverso do entretenimento popularesco.

Um comentário:

Marcos Vinicius Gomes disse...

Seria interessante analisarmos essa teoria, mas ela é inconsistente, pois diminuindo a população consumidora - as suas 'gerações', diminuiria também os consumidores de tal música,associada a produtos diversos.