quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BUSOLOGIA CARIOCA DE LUTO







Claro, um prefeito que maltrata as populações pobres, persegue os trabalhadores informais e derruba favelas não para construir casas populares dignas, mas para liberar o serviço dos empreiteiros, não pode ser considerado herói.

Pois se até o cartunista Carlos Latuff parodia Eduardo Paes - o que mostra o quanto é falsa sua postura pseudo-progressista - , então a coisa é mais séria ainda.

Mas agora Eduardo Paes está contente. Os ônibus agora começam a circular todos iguaizinhos. Sem cara, sem identidade visual, sem autonomia operacional.

As empresas de ônibus cariocas continuam existindo formalmente, mas foram reduzidas a meras oficinas e fiadoras da paraestatal que passa a se destacar até no visual, a VIAÇÃO CIDADE DO RIO DE JANEIRO, num processo de encampação branca, onde existe a concentração de poder nas Secretaria Municipal de Transporte, através da paraestatal, apenas sustentada pela iniciativa privada.

E, para que a medida aparentemente faça sucesso, a Fetranspor provavelmente andou distribuindo brindes e lanches para certos busólogos "indecisos", que nem tem coragem de desmentir direito que receberam "benefícios" do patronato. Eles nunca se manifestaram a favor da padronização visual quando a medida foi lançada, por isso a adesão de última hora dá um bom indício dessa manobra.

Enfim, o Golpe de 1964 chega tardiamente à busologia carioca. A julgar de dois interessados, o arquiteto paranaense Jaime Lerner e o prefeito carioca Eduardo Paes, eles têm um passado político nebuloso, ligado às facções mais retrógradas da política brasileira. Lerner foi udenista quando jovem e durante muito tempo foi da ARENA, partido do qual era ligado quando lançou o projeto de transporte coletivo de Curitiba, fonte para o projeto implantado por Eduardo Paes, este um tucano enrustido, porque sempre estará ligado ideologicamente ao PSDB.

PETIÇÃO CONTINUA NO AR

Sabemos que a busologia carioca está de luto, e cada vez mais se esgotam os prazos dos amantes dos ônibus fotografarem os veículos que ainda gozam de identidade visual. Duro é fotografar um enquanto ao lado dele já passa um ônibus com visual padronizado, ou melhor, FARDADO MESMO.

Os passageiros das classes populares serão os mais prejudicados, e muita gente está irritada com a medida, que só vai complicar as coisas, por mais que os barões da Fetranspor e as "dalilas" do Alexandre Sansão (como podemos chamar os adeptos da padronização visual) digam o contrário.

Por isso, a petição que eu fiz contra a padronização visual dos ônibus cariocas continua. Só que ela precisa de mais gente, de mais adesões. Independente de se gostar ou não de ônibus, a medida pode ser apoiada visando o perfil do político Eduardo Paes em si, um político anti-popular, que governa para os ricos, para os turistas, para os empreiteiros e dirigentes esportivos. E que persegue trabalhadores, moradores de rua, favelados, em vez de oferecer melhorias e dignidade para suas vidas.

O endereço da petição é este abaixo. Anotem e divulguem para muito mais gente:

http://www.petitiononline.com/alexfig2/petition.html

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