quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ATÉ NO EXTERIOR AS MUSAS DE RIÉLITE ESTÃO EM BAIXA


O superficialismo dos reality shows é tão conhecido no mundo inteiro que existem até filmes, documentários e teses acadêmicas dedicados a eles, não para exaltá-los como "modernos fenômenos de mídia", mas para questionar o seu poder alienante, seu apelo fútil e seu vazio comunicativo.

No Brasil, as musas de reality shows e seus problemas amorosos - quando não conseguem namorar homens que foram seus colegas de "riélite" ou possuem a personalidade parecida - já mostram o quanto elas têm de vazio, mas em países como os EUA a situação não é lá muito diferente.

Lá os "riélites" também primam pela banalidade, pela futilidade. Sub-historinhas, espécie de dramaturgia precária e improvisada do nada (o que é horrível, pois o bom improviso parte não da falta do saber, mas de muito saber; o jazz, por exemplo, vingou no improviso porque seus músicos tinham talento grandioso), falam de banalidades, de conflitos insignificantes, de curtições banais, tudo insosso, sem importância, sem acréscimo algum para nossas vidas.

Os "riélites" brasileiros chegam a ser mais grotescos que os dos EUA. Lá, eles têm um verniz de "documentários", pelo menos brincam de ser documentários, com alternância de cenas gravadas e depoimentos de participantes.

Mas no Brasil, nem isso. Há a cansativa exposição de pessoas "curtindo a vida", mas num vazio tão grande que faria Ferris Bueller cair em sono profundo, talvez quebrando a monotonia com uns roncos.

Nos EUA, o tédio não chega a ser tanto, não porque é menos tedioso. É porque o caso brasileiro supera em tédio, por mais que o caso estadunidense seja tedioso.

Na vida amorosa, é claro, as "musas de riélite" acabam se dando mal, diante das classudas que hoje estão casadas. Nas notícias com as palavras-chave "hubby split" ou "husband split" (expressões que correspondem, respectivamente a "rompeu com o maridinho" ou "rompeu com o marido") ou "are dunzo" (algo como "a relação acabou") no Google, aparecem com mais facilidade as "musas" de "riélites" tipo "The Real Housewives" (cujo nome foi usado na carona cínica do seriado Desperate Housewives).

Ou seja, é muito fácil uma integrante de "riélite" se divorciar ou romper o namoro. Sobretudo quando é popozuda, porque tem muito corpo e nenhuma inteligência. Jenni Farley, do "riélite" da MTV ianque Jersey Shore, recentemente rompeu com o namorado.

Essas pretensas musas nada têm a dizer senão que fazem ginástica, vão para noitadas, mostram o corpo na praia. Mostram tanto o corpo que apelam para tatuagens exageradas ou para o uso de piercings, uma coisa que parece "arrojada", mas se trata de uma cafonice grotesca e hipócrita, porque as mulheres que usam muito isso, salvo exceções, mostram demais o corpo, de tal forma que querem esconder seus umbigos.

Não há uma referência bacana, tipo qual livro é lido, quais os filmes favoritos, e o gosto musical então, se é descrito, é o que há de pior. As entrevistas têm um quê de narcisismo oco, as "musas" só falam delas mesmas, do seu guardarroupa, das noitadas, da ginástica ou das plásticas (que podem incluir até botox no rosto e silicone nos glúteos), mas nem para descrever a estética arquitetônica das boates ou o histórico das praias que frequentam elas servem. Até porque, para elas, pouco importa se a praia é em Cote d'Azur, na França, ou no Costa Azul, em Salvador.

Por isso, os homens de bem, constrangidos com o vazio dessas mulheres, sejam as boazudas ou as pré-matronas - quarentonas vazias que, "de repente", se divorciam de seus maridos - , fogem delas como o diabo foge da cruz.

Cansados de tantas Jwoww, Pamela Anderson, Snooki ou de recatadas donas-de-casa-de-riélite que mais parecem versões ianques das nossas marias-coitadas, os homens que querem se evoluir como indivíduos nunca desejariam ter mulheres que só falam de ninharias, são narcisistas e só frequentam, de forma alienada e ególatra, as noitadas, praias e academias de ginástica, pelo culto ao corpo, às banalidades e ao fútil. Conviver com mulheres assim é como ingerir um osso duro de roer.

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