domingo, 31 de outubro de 2010

DILMA ROUSSEFF É A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL



Foi anunciada a vitória, por antecipação, da candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, que se tornará a primeira mulher a ser presidente do Brasil, no começo do próximo ano.

A contagem, ainda em andamento, apontou margem de votos em 55,59% para Dilma, contra 44,41% para José Serra. O que indica que é difícil Serra fazer uma virada na porcentagem de votos. Os dados, colhidos há poucos minutos, foram divulgados pelo portal R7.

Com isso, a aliança de centro-esquerda mantém-se no poder, e o caminho traçado por Luís Inácio Lula da Silva, que contribuiu para a recuperação do país, terá continuidade com sua sucessora.

JÁ ESTÁ CANSANDO!!!!



A supergracinha Maria Helena Chirra é casada com um produtor musical. E, em que pese terem surgido algumas novas solteiras entre as classudas, a maioria ainda é relacionada ao universo fútil das popozudas.

Já começam a cansar a paciência de qualquer um a exibição gratuita de corpos das popozudas, que não têm coisa alguma a dizer. Em tese, Nana Gouveia é "atriz" e Priscila Pires "jornalista", mas o que elas fazem além de mostrar seus glúteos? Nada!

Vemos aqui uma nota do suspeitíssimo portal Ego - das Organizações Globo, ícone da Idade Mídia - com sua "queridinha" de 35 anos (mas parece mais uma menininha calipígia de 19 anos), em mais uma exibição de seus dotes físicos.

O portal Ego disse que apareceu uma plateia. Mas quem garante que o pessoal não foi pago para fazer figuração, ou que alguns curiosos passaram por lá, viram o que era, e foram embora sem manifestar qualquer interesse?

JUJU NÃO É A MAIS SEXY DO MUNDO



A juventude burguesa brasileira é matuta, bairrista, provinciana, mas metida a cosmopolita. Mais parecem uma versão emo da República Velha, de tão isolados e narcisistas que são.

Se eles acreditam que essas raves fajutas - que eles chamam de "baladas" - são as mais modernas do mundo e acham que o must é curtir gangsta rap e techno disco (que, na verdade, se chama italo house), então eles devem acreditar mesmo na lorota de que a revista VIP elege as mulheres mais sexy do mundo.

Reduto de pseudo-nerds, a revista VIP na verdade é uma publicação derivada da revista Exame, dedicada ao público empresarial e executivo. Mas VIP, pretensa dissidente da revista-mãe, mais parece uma publicação voltada para os adolescentes e marmanjos que só veem o valor da mulher pelos glúteos.

Algumas musas classudas aparecem na votação anual das cem mais, mas elas obtém colocações inferiores. No entanto, é impossível creditar a votação como "as mais sexy do mundo", porque ela é feita no Brasil e para o Brasil. Comparar a votação da revista VIP com a do portal AskMen, por exemplo, é covardia.

A votação prioriza mulheres que aparecem na mídia, sejam as boazudas da hora, sejam as atrizes que estão no ar na temporada. Não é um manifesto a favor do feminismo, nem uma ode à beleza feminina. E também não tem muita importância, se vermos que, em âmbito mundial, mulheres como Emma Watson e Dakota Fanning demonstram um charme e um encanto que nenhuma paniquete consegue alcançar.

As paniquetes, aliás, não são mais do que mulheres-frutas de luxo. E, com toda a segurança, nem de longe podem ser consideradas as mais sexy do mundo. Se nem para as mais sexy da província elas conseguem ser...

sábado, 30 de outubro de 2010

CAETANO VELOSO DEIXOU PRÓ-BREGAS EM SAIA JUSTA



A adesão de Caetano Veloso ao tucanato e à mídia golpista dá uma sinalização para quem defende o brega-popularesco e faz parte, tendenciosamente ou de boa-fé, na esquerda ideológica.

Foi Caetano que inaugurou essa linhagem de pensamento, de que o brega-popularesco era uma suposta rebelião cultural do povo pobre, que a mediocridade cultural seria uma "rebeldia pós-moderna", algo como uma "revolta do mau gosto contra a ditadura do bom gosto" e outras teses que hoje vemos tanto em textos de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos e outros, como em atitudes de gente como Patrícia Pillar, Nando Reis e outros mais.

De repente Caetano Veloso pulou fora, deixando a intelectualidade etnocêntrica órfã. Foi como a canária-mãe voasse para longe do ninho e deixasse seus filhotes abandonados, à própria sorte.

Conforme já comentamos, isso pode causar problemas, uma vez que a intelectualidade está sem seu líder, e por isso sua posição "progressista" na defesa do brega-popularesco, que já era contraditória e equivocada, poderá perder o seu sentido sem seu "mestre" pioneiro.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PUPILO DE OTÁVIO FRIAS FILHO CONTRA-ATACA


OTÁVIO FRIAS FILHO DEVE ESTAR ORGULHOSO - Pedro Alexandre Sanches segue direitinho as lições da Folha de São Paulo.

Mais uma vez, Pedro Alexandre Sanches, o menino de ouro de Otávio Frias Filho, parte para o ataque. E desta vez foi na Revista Fórum, da edição de outubro de 2010.

Escrevendo sobre o cantor Zeca Baleiro, Sanches mais uma vez misturou alhos com bugalhos na sua abordagem sobre cultura popular, sem distinguir os sucessos comerciais do brega-popularesco da Era Collor com os nomes que se empenharam em zelar pela Música Popular Brasileira autêntica.

Numa mesma lista, ele citou cantores do chamado "pagode mauricinho", ou sambrega - como Alexandre Pires e Leandro Lehart - , que, juntamente com os breganejos Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, faziam a festa da mídia golpista apadrinhada por Sarney e ACM e depois por Fernando Collor de Mello, com outros nomes que depois vieram para tentar um primeiro basta na hegemonia brega-popularesca vigente até então.

Note o nível da besteira escrita por Sanches: "Artistas como Adriana Calcanhoto, Alexandre Pires, Carlinhos Brown, Cássia Eller, Chico César, Chico Science, Daniela Mercury, Eduardo BiD, Fred Zero Quatro, Ivete Sangalo, Leandro Lehart, Mano Brown, Marcelo D2, Marisa Monte, MV Bill, Netinho de Paula, Pato Fu, Pedro Luís, Rita Ribeiro, Seu Jorge e Zélia Duncan construíram a solidez de suas carreiras sobre os alicerces de sempre, ou pelo menos em suas franjas."

Uma lista de alhos com bregalhos - algo como fazer uma lista de militantes esquerdistas e incluir José Serra, ACM Neto, Jorge Bornhausen, Armínio Fraga, (banqueiro) Daniel Dantas, José Roberto Arruda, Naji Nahas, Yeda Crusius, (senadora) Kátia Abreu e outros. Assim não dá, Sanches!!

Não dá para botar num mesmo balaio da MPB dos anos 90 ícones da mediocridade do sambrega, axé-music etc. Sobretudo os sambregas, gente que apenas traduz em arranjos "sambistas" as influências de Waldick Soriano - compare "Depois do prazer" do Só Pra Contrariar com "Eu Não Sou Cachorro, Não", de Waldick Soriano, cujos primeiros versos têm andamento melódico parecido - , José Augusto e Fábio Jr., ou então de Enrique Iglesias e Bobby Brown.

Faz sentido colocarmos José Serra e Geraldo Alckmin entre os maiores militantes socialistas de autoridade? Nada a ver.

Nomes como Marisa Monte, Chico Science & Nação Zumbi, Pato Fu, Zélia Duncan e outros - como o próprio Zeca Baleiro, apesar dele andar muito condescendente com o brega ultimamente - se tornaram justamente a oposição dos sambregas, breganejos e axezeiros que animaram o espetáculo lúdico da Era Collor e da Era FHC

A MPB autêntica dos anos 90 representou sobretudo a retomada do fôlego cultural depois da cafonice da Era Collor.

Portanto, mais uma vez, Pedro Sanches errou feio, muito feio, mas fez a lição de casa encomendada pelo antigo patrão e para sempre seu mestre, Otávio Frias Filho. Realidade que em nenhum momento, até agora, foi desmentida, por mais que Pedro Sanches esteja de gaiato como colunista da Revista Fórum e Caros Amigos, já que ele desceu na imprensa esquerdista de pára-quedas.

REACIONÁRIOS AINDA ACREDITAM NO "FUNK CARIOCA"


SE FUNK É CULTURA, SÓ SE FOR O FUNK AUTÊNTICO DE NOMES COMO TIM MAIA, CASSIANO E HYLDON.

De repente, vozes reacionárias reaparecem das sombras para defender suas causas com argumentações mesquinhas e pseudo-corretinhas.

Fui só escrever que Marcelo Freixo pode ser o Fernando Gabeira de amanhã para que os pregadores do "funk carioca" (FAVELA BASS) venham com o mesmo discurso de "movimento cultural" e coisa parecida.

Eles afirmam que o estilo é "perseguido", e duvidam que o "funk carioca" possua empresários. Só que as chamadas "equipes de som" do "funk carioca" são compostas por empresários, sim, e que 99,99% dos ídolos funqueiros são na verdade intérpretes tutelados e até manipulados pelos empresários.

DJ Marlboro e Rômulo Costa são empresários. Como contestar esta tese? Da mesma forma que, no tecnobrega, as "aparelhagens" também consistem numa elite empresarial, gente rica, que nos bastidores atua como dona, mesmo, dos intérpretes que fazem sucesso no estilo.

É muito mais caro montar um grupo com DJ, MC's e popozudas do que botar um favelado para tocar violão, ou montar banda com baixo, guitarra, bateria e órgão para tocar um funk autêntico.

Se o funk é considerado movimento cultural, é através de nomes como Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Banda Black Rio e outros, porque isso que está aí sendo chamado de "funk" não é funk, é miami bass, ou melhor, o "favela bass", termo sugerido pelo amigo Leonardo Ivo.

É bom que se saiba que os fenômenos do brega-popularesco - e isso vale tanto para o "sofisticado" breganejo como para o "engajado" favela bass - não consistem em movimentos culturais de verdade. Considerá-los assim é tendencioso, tanto que o título de "patrimônio" nunca houve, o que o tal "funk carioca" ganhou foi uma classificação genérica, "movimento cultural de caráter popular", obtido de graça por conta de um poderoso lobby político e empresarial.

Portanto, podem escrever muitos e muitos textos, longuíssimos, apelativos, irritados, etc, que não vai adiantar. Um ritmozinho dançante qualquer, artisticamente duvidoso, culturalmente discutível, não pode ser levado assim tão a sério, até porque isso pode repercutir mal. Aí não adianta repetir a ladainha de "perseguição", "preconceito" porque isso até o Paulo Maluf faz.

Tem que se levar em conta a lição que o twist deu nos anos 60. Porque o ritmo foi moda durante um bom tempo mas, quando deixou de fazer sucesso, ninguém se autopromoveu às custas da Contracultura e tentou vender o twist como um "movimento cultural de caráter popular". Chubby Checker foi cuidar de sua empresa de doces e ficou na dele.

Além do mais, o "funk carioca" tem que agradecer à grande mídia golpista que o acolhe feito um filho adotivo. Com tantos anos aparecendo em tudo quanto é veículo das Organizações Globo, essa choradeira de "preconceito", "perseguição" e similares que os defensores do "funk carioca" fazem não passa de malcriação e arrogância.

Me lembro de uma argumentação demagoga de um DJ funqueiro, dado a escrever textos longamente mal-escritos, que disse o seguinte: "melhora a educação que o funk melhora". Só que ele quebrou a cara, porque com a rentabilidade que o ritmo obtém em suas apresentações e eventos - alguns caros, como os que DJ Marlboro fez numa boate zona sul em São Paulo - , daria para botar tudo que é favelado na escola. Por que nada disso foi feito, depois de quase dez anos de campanha pseudo-engajada dos funqueiros?

Melhor aceitarem as críticas e terem mais humildade, do que bancarem os valentões e recusarem ser criticados. Senão vai todo mundo de castigo abraçar seu mestre José Serra depois do próximo domingo.

SABEMOS DE QUEM OS CINQUENTÕES SISUDOS SE INSPIRARAM NO COMPORTAMENTO


HUMPHREY BOGART, ao lado de Audrey Hepburn - Os cinquentões brasileiros na sua última criancice em copiar os homens maduros da Hollywood dos anos 40-50.

Sabemos como os empresários e profissionais liberais nascidos no Brasil da década de 50 se inspiraram para desenvolver um comportamento sisudo e obsessivamente "elegante" e "maduro", que os faz afastar até mesmo das colunas sociais que antes os acolheram com triunfo.

Nas suas últimas reservas de imaturidade, eles se inspiraram na imitação pura e simples dos galãs da Hollywood dos anos 40 e 50. A inspiração veio de filmes que eles viram em reprises televisivas ou cinematográficas na infância e na adolescência, o que os põe em situação complicada sobretudo quando se casam com mulheres bem mais jovens.

Imagine Humphrey Bogart casado com Jennifer Aniston. Nós temos Almir Ghiaroni e Geórgia Worhman. Ou então James Stewart com Alicia Silverstone. Temos Eduardo Menga e Bianca Rinaldi. Ou então Bing Crosby com Drew Barrymore? Sirva-se de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro. E por aí vai.

Fica muito estranho. Homens nascidos nos anos 50 mas que se identificam com os anos 40 não pela nostalgia saudável, mas por um saudosismo pedante que os faça serem mais respeitáveis diante de antigos patrões ou colegas mais velhos. A maturidade forçada, a elegância obsessiva, que eliminam o prazer, a espontaneidade e os torna "sérios demais".

Isso quando eles se casam com mulheres que foram adolescentes nos anos 80 e possuem referenciais culturais bem mais modernos. Eles nem se interessam sequer pelos referenciais delas. Não querem se rejuvenescer.

Talvez seja a ânsia da aposentadoria precoce: caprichar no cabelo grisalho, nos ternos pretos, nos sapatos de verniz bem engraxados, nas regras de etiqueta seguidas com extremo rigor, nas poses imitadoras dos antigos galãs de Rolyud (o termo não é meu, é de Glauber Rocha, crítico do cinema comercial estadunidense - não é, pessoal do TeleCine Cult?).

Festas de carnaval nostálgico no Copacabana Palace, ao som de orquestras tocando "Cheek to Cheek" em arranjos burocráticos. Almoços formais no Yate Clube e similares. Palestras didáticas no Hotel Transamérica. Apropriações pedantes no gosto musical de artistas respeitáveis como Nat King Cole, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald (com Benny Carter e outros, vale lembrar!), Charles Aznavour e outros.

Tudo imitação dos homens chiques e granfinos que eram muito prestigiados até os anos 50, mas que hoje soam muito antiquados, até cafonas. Daí ser menos chocante que um Eduardo Menga tivesse se casado com uma Nana Gouveia, por exemplo, do que por uma Bianca Rinaldi.

Pior é que Justus, Ghiaroni, Menga e qualquer outro similar ainda eram bebês cercados de seus brinquedinhos quando a rebelião juvenil do rock'n'roll deu xeque nos valores da sisudez amadurecida. Numa sociedade cada vez mais próxima de James Dean do que de Humphrey Bogart, o ideal de glamour, maturidade e elegância masculina, que ainda tentou um revival nos anos 70 (do qual a geração Justus-Ghiaroni se inspirou para moldar o comportamento atual), tornou-se datado e antiquado diante das mudanças da sociedade.

Mais grave disso é que, como sabemos aqui, a geração Justus-Ghiaroni é a mesma geração de Evandro Mesquita, Serginho Groisman e Lobão (que, um pouquinho mais moço que o dr. Ghiaroni, com idade para ser amiguinho de brincadeiras, trabalha na MTV). Ou seja, se uns se mantiveram num padrão de "maturidade", "elegância" e "seriedade", outros se amadurecem sendo joviais, elegantes nos trajes informais e sérios mantendo o senso de humor.

Isso tudo nos faz pensar o que é a maturidade. É certo, falam do ridículo da obsessão em parecer jovem a vida toda. Mas não seria isso uma forma apenas equivocada de ser jovial na meia-idade e na velhice?

Afinal, a maturidade obsessiva também tem suas criancices.

Coroas que não querem perder a barriga porque acreditam que ela cresceu sob influência lunar.

Coroas que, em almoços formais, brincam de fazer crônica política e, nas conversas, disputam quem é o mais pedante, seja em qualquer assunto, da História às Artes.

Coroas que imitam os galãs da fase áurea de Hollywood, como se isso pudesse lhes fazer respeitáveis.

Coroas que, na tenra infância, não podiam brincar de bonecas, mas hoje adotam tal atitude, se casando com mulheres mais jovens cujo ideal de juventude lhes causa nojo ou desprezo.

Coroas que até lançam romances para explicar suas ideias sobre Administração, Direito ou Medicina, mas que fogem das colunas sociais para que ninguém compare eles com rapazes como Reinaldo Gianecchini, Selton Mello, Rodrigo Santoro e Fábio Assunção que aparecem constantemente nas colunas sociais.

Coroas que aprenderam a lição da maturidade pela metade, porque só aprenderam a respeitar os mais velhos, mas esqueceram que também devem respeitar os mais jovens.

Coroas que, sobretudo, querem ser aos 55 anos homens bem diferentes do que eles eram aos 22 anos, a ponto de consultarem seus álbuns de família e não se reconhecerem mais em fotos do passado.

Para piorar, os coroas "amadurecidos" de 55 anos parecem estar brigados com o que eles mesmo eram aos 22. Parecem pessoas diferentes. Isso não é assumir o amadurecimento. Pelo contrário, mais parece uma paródia daquela ideia mal-interpretada de que todo ser humano tem uma etapa na vida.

Ora, se um dia sou criança, noutro sou jovem, depois sou adulto e velho - e eu estou perto de completar 40 anos, que será no ano que vem - , por que eu tenho que deixar de passear de bermudão e tênis, de cair na gargalhada ao ver um humorístico, de comer biscoitos porque eu gosto?

O fato de que eu tenho diferentes etapas etárias não significa que eu deixe de fazer aos 40 aquilo que me dava prazer de fazer aos 16. Quando ando nas ruas, ando do mesmo jeito que eu andava aos 15 anos. Vejo Vila Sésamo não por saudosismo, mas porque gosto.

Imaturidade não é, portanto, ter espírito jovem a vida toda. Isso é maturidade. É estar em harmonia com as várias etapas da vida, é ser si mesmo, e não querer ser pessoas diferentes em cada etapa de faixa etária.

Imaturo é querer ser velho e maduro na forma, mas imaturo no conteúdo. É ter 55 anos e brincar de ser idoso, querendo impressionar os mais velhos. É carregar demais na elegância e no pedantismo maduro.

Imaturo é querer tapear os mais jovens com uma pretensa sabedoria que é frouxa e sem autoridade, porque profissionalmente é uma beleza, mas na hora do lazer, da vivência social, os cinquentões granfinos e "influentes" se mostram ao mesmo tempo alienados, pedantes e até mesmo os referenciais que eles adquiriram na juventude lhe escapam, pois é possível que eles nem se lembrem de nomes como Gene Krupa, Dwight Eisenhower, Gloria Swanson e Dick Haymes, por exemplo.

Por isso mesmo é que, por mais que Eduardo Menga e Almir Ghiaroni, ou similares, carreguem na sua seriedade e maturidade, num estilo de comportamento tido como "sofisticado" mas que é, no fundo, antiquado, por mais que eles pareçam "comedidos" (mas não o são na sisudez de vestir, de sentir e de agir), são pessoas como Serginho Groisman, que chegou aos 60 anos antes dos sisudos, que amadurecem verdadeiramente.

Posso amadurecer se eu começar a andar de skate aos 40 anos. Se eu ver muitos desenhos animados, se eu dançar o pogo em eventos de rock, se eu tomar refrigerante nas tardes de domingo, se eu ler quadrinhos, se eu rir alto, se eu sair às ruas de bermudão e tênis.

Isso porque amadurecer, mesmo, é ser você mesmo e se evoluir naturalmente no aprendizado da vida. Esqueça o rigor da etiqueta, das posturas forçadamente elegantes, dos clichês de maturidade. Isso não traz lições de vida. Pior do que a "obsessão pela eterna juventude", é a obsessão pelo amadurecimento forçado. Michael Jackson e Almir Ghiaroni são duas faces de uma mesma moeda inútil e sem valor.

Amadurecer não dispensa de curtir os prazeres da vida, nem de seguir a jovialidade a vida toda. Porque o verdadeiro amadurecimento está no desenvolvimento do caráter, do humilde aprendizado, do senso de autocrítica, do desenvolvimento da alegria e do bem-estar espiritual.

Daí que Ferris Bueller, o personagem de Curtindo a Vida Adoidado, é muito maduro. Talvez, aparentemente, se é jovem uma vez na vida, biologicamente falando. Mas é possível ser jovem sempre sem soar imaturo, porque é mais natural viver e estar em harmonia consigo mesmo, do que querer ser outra pessoa em nome do sucesso sócio-profissional.

O amadurecimento sempre anda de mãos dadas com a coerência.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

BUSOLOGIA CARIOCA DE LUTO







Claro, um prefeito que maltrata as populações pobres, persegue os trabalhadores informais e derruba favelas não para construir casas populares dignas, mas para liberar o serviço dos empreiteiros, não pode ser considerado herói.

Pois se até o cartunista Carlos Latuff parodia Eduardo Paes - o que mostra o quanto é falsa sua postura pseudo-progressista - , então a coisa é mais séria ainda.

Mas agora Eduardo Paes está contente. Os ônibus agora começam a circular todos iguaizinhos. Sem cara, sem identidade visual, sem autonomia operacional.

As empresas de ônibus cariocas continuam existindo formalmente, mas foram reduzidas a meras oficinas e fiadoras da paraestatal que passa a se destacar até no visual, a VIAÇÃO CIDADE DO RIO DE JANEIRO, num processo de encampação branca, onde existe a concentração de poder nas Secretaria Municipal de Transporte, através da paraestatal, apenas sustentada pela iniciativa privada.

E, para que a medida aparentemente faça sucesso, a Fetranspor provavelmente andou distribuindo brindes e lanches para certos busólogos "indecisos", que nem tem coragem de desmentir direito que receberam "benefícios" do patronato. Eles nunca se manifestaram a favor da padronização visual quando a medida foi lançada, por isso a adesão de última hora dá um bom indício dessa manobra.

Enfim, o Golpe de 1964 chega tardiamente à busologia carioca. A julgar de dois interessados, o arquiteto paranaense Jaime Lerner e o prefeito carioca Eduardo Paes, eles têm um passado político nebuloso, ligado às facções mais retrógradas da política brasileira. Lerner foi udenista quando jovem e durante muito tempo foi da ARENA, partido do qual era ligado quando lançou o projeto de transporte coletivo de Curitiba, fonte para o projeto implantado por Eduardo Paes, este um tucano enrustido, porque sempre estará ligado ideologicamente ao PSDB.

PETIÇÃO CONTINUA NO AR

Sabemos que a busologia carioca está de luto, e cada vez mais se esgotam os prazos dos amantes dos ônibus fotografarem os veículos que ainda gozam de identidade visual. Duro é fotografar um enquanto ao lado dele já passa um ônibus com visual padronizado, ou melhor, FARDADO MESMO.

Os passageiros das classes populares serão os mais prejudicados, e muita gente está irritada com a medida, que só vai complicar as coisas, por mais que os barões da Fetranspor e as "dalilas" do Alexandre Sansão (como podemos chamar os adeptos da padronização visual) digam o contrário.

Por isso, a petição que eu fiz contra a padronização visual dos ônibus cariocas continua. Só que ela precisa de mais gente, de mais adesões. Independente de se gostar ou não de ônibus, a medida pode ser apoiada visando o perfil do político Eduardo Paes em si, um político anti-popular, que governa para os ricos, para os turistas, para os empreiteiros e dirigentes esportivos. E que persegue trabalhadores, moradores de rua, favelados, em vez de oferecer melhorias e dignidade para suas vidas.

O endereço da petição é este abaixo. Anotem e divulguem para muito mais gente:

http://www.petitiononline.com/alexfig2/petition.html

POSTURAS E "POSTURAS"



Os defensores da música brega-popularesca costumam dizer o seguinte: "Você não precisa gostar de fulano ou de sicrano, mas tem que respeitá-los (sic)".

Entenda-se "respeitá-los" como aceitar que tais nomes da mediocridade musical brasileira usurpem a MPB e ponham os verdadeiros artistas da música brasileira - que não lotam plateias, mas produzem arte para marcar na posteridade - à margem até mesmo de seus próprios espaços.

Prefiro ser mais coerente. Prefiro dizer "Todos têm direito de ouvir a música brega-popularesca que quiser, só não pode se atrever a dizer que isso é a verdadeira MPB".

O brega-popularesco já tem seus espaços: os programas do Fausto Silva, Raul Gil, o Caldeirão do Huck, as novelas da Globo, o caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, as revistas Caras e Contigo, a seção de "cultura" da revista Época.

Portanto, não existe necessidade que seus ídolos apareçam em espaços da MPB autêntica, como os programas Viola Minha Viola (TV Cultura) e Samba Social Clube (MPB FM), por sinal cantando música dos outros, porque seus repertórios autorais são muito ruins.

E é bom reconhecer que a música brega-popularesca está sim dentro da grande mídia. Se alguns ídolos não aparecem toda hora na grande mídia, no entanto foi nela que se formaram seus referenciais de linguagem. A grande mídia sempre é a escola dos ídolos bregas e neo-bregas.

MARCELO FREIXO PODE SER O FERNANDO GABEIRA DE AMANHÃ


MARCELO FREIXO HOJE PARECE UM TROTSKISTA, MAS NADA IMPEDE QUE ELE SEJA UM FUTURO GABEIRA (FOTO DIREITA, COM JOSÉ SERRA).

Diante da nossa análise sobre a grande frente ampla que gira em torno da centro-esquerda brasileira, apostamos na tese incômoda de que boa parte das adesões de hoje podem se dissolver e mudar de lado sem qualquer aviso prévio.

Vemos o "fenômeno" Marcelo Freixo, deputado pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), um ex-professor de História que se tornou político e um dos maiores defensores do "funk carioca" na política fluminense.

Aparentemente, é uma figura em ascensão, badalado como um político "corajoso", embora sua postura em relação ao trotskismo - ideologia de que se baseia o PSOL - se torna um mistério. De fato, realizou medidas em defesa dos direitos humanos, mas, no caso do "funk carioca", preferiu estar do lado dos empresários que controlam esse tipo de entretenimento, fundamentado na domesticação do povo pobre do Grande Rio.

O que causa estranheza é o fascínio que a Rede Globo e outros veículos da mídia conservadora têm por ele, que recebe tratamento VIP nessa mídia. Isso lembra o caso do também político Fernando Gabeira, que teve um passado de grande honra.

Fernando Gabeira foi um jornalista que se tornou famoso por participar do sequestro do embaixador estadunidense no Brasil, Charles Elbrick, em setembro de 1969, militou no MR-8 (quando era ideologicamente ligado a Che Guevara, já que o Movimento Revolucionário Oito de Outubro tem seu nome relacionado ao dia em que Che foi morto, em 1967), fez parte do PT e também defendeu os direitos humanos, como jornalista, exilado e político. Não concordo com sua defesa das drogas, mas até essa causa está ligada ao passado contracultural do jornalista.

Gabeira, por fazer críticas a Lula, também passou a sr badalado pela grande mídia. E, há algum tempo, passou a ser também articulista da Folha de São Paulo, o que influiu seriamente na sua guinada à direita, assim como Marcelo Madureira e Arnaldo Jabor na Globo (e Arnaldo também na Folha e Estadão).

Fernando Gabeira virou capa de Veja, virou queridinho da mídia golpista, e, com todo o passado de esquerdista histórico que teve, passou a apoiar um José Serra que hoje nem sequer é sombra daquele líder estudantil de 1964, sendo apoiado até pelos medievalistas da TFP e do Opus Dei.

Marcelo Freixo hoje é badalado pela Rede Globo, inspirou personagem no filme Tropa de Elite 2, da Globo Filmes, têm a simpatia da Folha de São Paulo.

Por outro lado, o PSOL, surgido de uma dissidência do PT - de onde Freixo também veio, a exemplo de Gabeira - , não é um mar de rosas de concordância, tendo também suas divergências internas.

Até que ponto os rumos da política podem virar não se sabe, mas se Marcelo Freixo tiver alguma divergência séria com a cúpula do PSOL, sabemos com certeza que, se ele vir a mudar de partido um dia, certamente não será o PC (Partido da Causa Operária). Mas nada impede que ele um dia mude o plano ideológico, ainda que de forma bem sutil. É esperar para ver.

SER DE ESQUERDA NÃO É COMO TORCER POR UM TIME


Há muito puxa-saquismo em torno da esquerda, e muita gente pensando que pode ser esquerdista porque isso é bonito ou isso é igual a torcer por um time de futebol.

Por isso vemos verdadeiras aberrações, nos últimos oito anos, de pessoas que acreditam em valores direitistas mas que adotam uma postura aparentemente de esquerda.

Além disso, já prevenimos que a grande frente ampla que se acercou de Lula desde a campanha eleitoral de 2002 e que hoje envolve a campanha de sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, não é de toda composta por forças naturalmente progressistas.

É só rememorarmos a História e todos os seus emaranhados para identificarmos o quanto, ao longo do tempo, houve tanta gente tendenciosa na frente ampla de centro-esquerda. gente que originalmente nada tinha a ver com a causa esquerdista mas que hoje apoia Dilma, escreve para Caros Amigos, finge odiar a mídia golpista em comentários forçadamente contra a Rede Globo e seus símbolos, e por aí vai.

Nem falamos só de Fernando Collor, José Sarney e Paulo Maluf, políticos corruptos que, em 1964 (Collor era adolescente, mas a posição política de seus pais lhe diz muito), eram radicalmente contra João Goulart (que tinha um projeto político parecido com o de Lula e Dilma) e defenderam abertamente a ditadura militar.

Falamos também de Jaime Lerner e Mário Kertèsz, que até eram udenistas-arenistas na juventude, mas não foram marcados por isso. Falamos também de Pedro Alexandre Sanches, cria da Folha de São Paulo. Falamos de Eugênio Arantes Raggi, "polêmico" professor mineiro de textos claramente reacionários. Falamos de Wagner Montes, do mesmo background popularesco do pró-tucano Roberto Jefferson, o programa O Povo Na TV, do SBT.

Há muita gente estranha na festa petista, tal como naquelas comédias juvenis dos EUA em que um pacato adolescente faz uma festa, convida os amigos e de repente chega tanta gente que até os mais estranhos entram na casa e abrem a geladeira. Certamente a festa provoca estragos e quem vai arcar com o prejuízo é o tal adolescente.

A preocupação com essa frente ampla, com os possíveis traidores, não é minha. Outro blogueiro progressista, Raphael Garcia, do blog do Tsavkko, se preocupou com a presença do PMDB na chapa política petista. Isso porque é tanta gente que diz apoiar a causa do reformismo petista que não são poucos os oportunistas que pegam carona na causa em busca de vantagens pessoais.

O grande problema é que, passado o fim da festa, ou seja, na próxima semana, que serão as votações do segundo turno, haverá a contabilização do movimento, podendo haver futuros traidores. Gente que havia escrito nos fóruns de Internet que Dilma é legal e até a chamava de "pitéu", de repente, vira o jogo e demonstra apoio entusiasmado a José Serra.

O grande risco é esse. A frente ampla perdeu o PV, que em parte passou a apoiar o tucanato político. E tem pessoas encrencadas do PMDB, PTB ou mesmo direitistas acampados no PDT e PSB. Nem todo mundo é solidário como se diz, nem todos se identificam naturalmente com a causa. Alguns traidores virão, e o maior temor é que eles podem provocar estragos.

Mas isso não se dá somente no caso do PT. E o "fenômeno" Marcelo Freixo, estranhamente tão queridinho da Rede Globo de Televisão que o faz parecer mais um convidado do RJ-TV? Será que ele é tão socialista assim como seus colegas Heloísa Helena e Plínio de Arruda Sampaio? Ou será que Freixo não passa de um neoliberal de apelo populista querendo tirar vantagens pessoais numa legenda marxista?

Ser de esquerda significa ter princípios socialistas. Que se opõem, de todas as formas, aos princípios do neoliberalismo. Por exemplo, defender o socialismo no âmbito político e econômico mas ser neoliberal no âmbito cultural, é uma incoerência.

Na busologia, na cultura popular ou na mídia, quem quer que adote uma postura neoliberal mas se diga "simpático à causa esquerdista" estará mentindo. Também não adianta dizer que "isso nada tem a ver", porque o claro pretensiosismo se desmascara na hora H.

Enquanto é moda ser "de esquerda", tudo parece maravilhoso. Por conta da suposta adesão à esquerda, o Brasil é um país mais socialista que Cuba, Equador, Bolívia e Venezuela juntos. Mas, na verdade, não é assim.

A adesão à esquerda, muitas vezes, não se dá pela natural identificação com a causa, mas com a ideia, típica do "jeitinho brasileiro", de muita gente antiquada se passar por "moderna", visando sobretudo obter vantagens pessoais.

Por isso, vamos esperar janeiro de 2011 para percebermos quem realmente está do lado da esquerda, porque os possíveis traidores virão. Muita gente vai pegar os louros da festa esquerdista e voltará para a direita para dela não saírem. Não sou eu que digo, são as lições da História que nos advertem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SELENA GOMEZ PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



Se as pretensas "musas" não fazem, outras mulheres fazem. E quem aparece com a camisa para dentro da calça é a livre, leve e solta Selena Gomez, a garota bacana e belíssima que está por trás do ídolo teen do canal Disney. A foto é de 2008, o que mostra o quanto Selena já podia mostrar de charme e encanto.

Selena é uma das novas musas, musas autênticas, que são muito mais do que um rosto bonito e um corpão formoso, que mostram sua sensualidade sem descambar para o grotesco, patético ou vulgar.

Além do mais, a atriz de Feiticeiros de Waverly Place é considerada uma das mulheres mais charmosas de sua geração. É só ver suas apresentações com sua banda Selena Gomez & The Scene e conferir cada gesto, cada olhar e cada movimento que a encantadora atriz e cantora faz. É para ficar maravilhado por essa mulher. Com certeza.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

COMERCIAIS DE CERVEJA LANÇARAM DEFINIÇÃO DE "FALSO NERD"



Já deu para perceber que aquilo que aqui no Brasil se chama de "nerd", na prática, pouco tem a ver com o filme Vingança dos Nerds. Como também pouco tem a ver com Buddy Holly, com Devo, com Morrissey.

Geralmente são rapazes que adoram cultivar uma barba, adoram rodadas de cerveja e ver partidas de futebol. E, estranhamente, fazem mais sucesso entre a mulherada do que se pode cogitar num nerd autêntico.

Como no Brasil há a mania do pretensiosismo, de pseudo-esquerdistas, pseudo-alternativos, pseudo-altruístas, pseudo-excluído social etc, ser "nerd" virou mais um pretensiosismo. Basta qualquer garanhão biriteiro passar mais de duas horas num computador e ver filmes de ficção científica e, pronto, se criar um blog supostamente "nerd" este acaba fazendo mais sucesso do que se pode cogitar num blog autenticamente nerd.

E logo sabemos de onde a mídia brasileira se inspirou para fazer o tipo pseudo-nerd, esse estranho ser com barbinha por fazer, fanático por birita e sem qualquer experiência de solidão afetiva.

Simples. Foram os comerciais de cerveja que esboçaram essa coisa sem pé nem cabeça que se conhece oficialmente como "nerd".

É certo que os nerds de Vingança dos Nerds tomavam uma cervejinha, mas nada daquela coisa religiosa dos garanhões que enchem a cara até no café da manhã. Se os nerds autênticos tomam cerveja, é de vez em quando, e noutras situações eles podem tomar sucos, bebida láctea, café, refrigerantes, chás etc.

Quanto a mim, bebida alcoólica não é minha especialidade. E, pessoalmente, acho cerveja uma espécie de vitamina de dipirona, com aquele sabor de Novalgina com espuma. Totalmente sem graça.



Sabemos que os comerciais de cerveja tratam o jovem brasileiro feito um imbecil, num recurso sutil para atrair o público adolescente (a lei não permite, mas a molecada, por ser impulsiva, é ótima demanda para as indústrias de cerveja).

E tomem comerciais "engraçadinhos", cara chato com voz fanha dizendo "um cervejão, ão-ão" e um grupo de biriteiros no estádio enquanto suas namoradas (lindíssimas!!!!!!!!!!!) estão em casa para "roubar" o estoque de cerveja dos caras.

Você junta o perfil de homem pateta do comercial de cerveja, põe óculos nele, faz ele ficar mais tempo no computador, criando blogs supostamente "nerds" (tipo Judão), desses que, na opção de musas, são mezzo Nicole Bahls, mezzo Leandra Leal, faz ele ver filmes de ficção científica durante quatro horas seguidas (dá para ver dois longas).

E aí, pronto: temos um pseudo-nerd, que mais parece um mauricinho mais cínico e barbudo, tão "identificado" com Vingança dos Nerds como Reinaldo Azevedo (temível colunista de Veja) com os blogueiros progressistas.

Aí temos um garotão, ão-ão, que adora um cervejão, que só vê um jogão, que não sabe se prefere boazudas ou classudas, mas que, de ão-ão-ão, só não conhece a solidão. O que significam os versos de "Heaven Knows I'm Miserable Now", de Morrissey, para ele? "Um casal de namorados, de mãos dadas, passa perto de mim / E o céu sabe que eu sou miserável agora"... Para o pseudo-nerd, esses versos não existem. Ele prefere as grosserias do Axl Rose.

Sem falar do Buddy Holly, o sagrado Buddy que morreu para salvar a humanerdade. Para o pretenso nerd, ele parece como o Beethoven da juventude alienada. Da mesma forma que os jovens alienados pensam que Beethoven não é mais do que um cachorro são-bernardo, os pseudo-nerds pensam que Buddy Holly não passa de nome de música do Weezer.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LATIFUNDIÁRIOS FAZEM DOIS "ESPETÁCULOS"



Os latifundiários fazem dois "espetáculos" diferentes no nosso país, mas igualmente feitos em nome dos interesses dos grandes proprietários de terras, as elites dominantes mais antigas do país e um dos maiores obstáculos para a justa distribuição de terras do nosso grande país.

Um é o Sertanejo Pop, ocorrido no último fim de semana na Chácara do Jockey, em São Paulo, que contou até com a canja dos comediantes do Casseta & Planeta (cada vez mais demotucano), Hélio de La Peña e Beto Silva. Depois tem blogueiro pseudo-progressista dizendo que o "sertanejo" não tem espaço na grande mídia e nada tem a ver com o poder coronelista que explicitamente patrocina as "duplas sertanejas", das veteranas às emergentes (incluindo aquelas que "só aparecem" no YouTube).

Outro é o confronto entre indígenas e pistoleiros no Sul da Bahia, que provocou a morte do índio José de Jesus Silva, de 37 anos, baleado por pistoleiros, no município de Pau Brasil. Os índios querem a posse de uma área de 47 mil hectares, direito reconhecido pela Funai, mas contestado pelos fazendeiros da região, que entraram na Justiça pela posse do terreno.

Vale lembrar que a mídia golpista, sobretudo Veja, trata os índios como "criminosos", com base na tese neoliberal do "direito à propriedade" reservado às oligarquias detentoras do poder político e econômico.

Como se vê, isso é Brasil. Um Brasil triste, dominado pelas elites.

domingo, 24 de outubro de 2010

SOS EMERGÊNCIA VOLTA HOJE



O ótimo humorístico SOS Emergência, retorna hoje à grade da Globo. A criativa comédia, idealizada por Marcius Melhem, também comediante, se baseia no cotidiano do fictício hospital Isaac Rosemberg.

Com um ótimo elenco - que inclui os excelentes Ney Latorraca, Bruno Garcia, Marisa Orth e outros, entre os quais o pitéu Fernanda de Freitas - , o seriado conta agora com Ellen Roche, que demonstra ser uma garota legal, no elenco fixo.

Felizmente, a concorrência com o frouxo Pânico na TV não intimida a equipe que produz o excelente seriado.

CELIBATO FEMININO NO POPULARESCO SERIA FORMA DE PROMOVER A "LIMPEZA SOCIAL"


É PROIBIDO NAMORAR - Mulheres que são referência, de uma forma ou de outra, na mídia popularesca, como a dançarina Juliane Almeida, a apresentadora Xuxa e Nana Gouveia, recusaram pretendentes a pretexto da "carreira".

Algo está muito estranho no universo de referências do brega-popularesco, sejam eles grotescos ou piegas (quando "comportados"). Enquanto é alto o índice de celibato de várias mulheres associadas a esse universo, regiões famosas pela maioria masculina na população, como o Norte e Centro-Oeste, passam a ser estranhos redutos de solteironas.

São regiões em que estilos da música brega-popularesca mais fazem sucesso, como o breganejo e o forró-brega, e onde a penetração da MPB autêntica é simplesmente nula. São regiões dominadas pelo latifúndio e pelo coronelismo político, tendo sido históricos cenários de conflitos de terra e de pistolagem.

Mas o que preocupa é o altíssimo índice de solteiras, neo-solteiras e celibatárias em geral, que chegam a recusar pretendentes que pudessem se afinar a elas ou que tenham aparência atraente, dentro desse sistema de valores baseado na domesticação do povo pobre.

Seria muito longo dizer todos os casos dessas celibatárias. Mas o fato recente, da apresentadora Xuxa - que nunca pertenceu ao rol das popozudas, mas se associa ao universo popularesco nos referenciais comportados e piegas - , que recusou namorar um grande ídolo da música breganeja, evitando assim a formação de um casal de sucesso nos meios de comunicação, é algo muito difícil de entender pelo fato em si.

Entre famosas e não-famosas, entre piegas e popozudas, as mulheres do Brasil brega-popularesco sucumbem a um celibato quase "suicida", a ponto de haver até, na vida noturna dos subúrbios e roças, um tipo arrogante de suposta encalhada: as marias-bobeiras, que dão fora até nos homens mais atraentes e gentis, enquanto mentem, nas redes sociais da Internet, que os homens têm medo delas.

A solteirice "irremediável" dessas mulheres, remanescentes atualizados de perfis femininos ditados outrora pelo velho machismo (as mulheres piegas que eram escravas do lar, e as mulheres "sensuais" feitas para o recreio sexual machista), pode não ser justificável em si, mas um fator bem sutil e cruel pode estar por trás disso.

Trata-se do desejo das elites, que controlam a grande mídia e que dominam as classes populares através de todo um sistema ideológico de entretenimento brega-popularesco, em promover uma "limpeza social" através do "congelamento" amoroso dos vários tipos de mulheres envoltas nesse padrão ideológico.

EVITAR NOVOS FILHOS - A "difícil" vida amorosa dessas mulheres, para as quais, na verdade, não faltam pretendentes - desde que eles sejam do próprio meio social delas - , seria um plano secreto da grande mídia para evitar que elas tenham mais filhos, fazendo com que as classes sociais associadas oficialmente ao perfil brega-popularesco, as classes C, D e E, passem por um gradual processo de decrescimento e congelamento.

Com isso, as elites esperam que, entre as classes média baixa e baixa, a população jovem diminua, através do celibato das mulheres que as desestimula a ter filhos - ou, em certos casos, a ter novos filhos - , evitando assim a renovação da população das classes mais baixas.

Juntando a isso o fato de que é nessas classes onde a mortalidade de jovens é a mais alta em todo o Brasil, causada sobretudo pela violência, a manobra da mídia brega-popularesca em promover o celibato de mulheres que sirvam de referência de sucesso para as moças da periferia ou da classe média baixa é feita justamente visando esse "controle" da natalidade.

Num país onde os maiores ícones de beleza, como Gisele Bündchen e Ana Paula Arósio, são mulheres bem casadas, e que nas classes mais abastadas se estimula totalmente para que as mulheres nunca fiquem sem namorado, o insistente celibato no lado mais "cafona" da população não pode ser creditado como a "liberdade" das mulheres em optar pela solteirice.

CANÇÕES QUE FALAM DE TRAIÇÕES AMOROSAS - Pelo contrário, a reclamação aparente de várias delas sobre carência afetiva é notória. Mas a campanha maciça, expressa em canções de forró-brega, breganejo e sambrega que falam em desilusões e traições amorosas, em sucessos de "funk" que promovem o ódio conjugal e em músicas de axé-music e porno-pagode que sugerem um desejo sexual ao mesmo tempo deslumbrante e impossível, acaba fundindo a cuca de muitas mulheres das classes C, D e E.

Com essa verdadeira ladainha transmitida feito mantra em rádios FM de todo o país, as mulheres das classes sociais subalternas acabam sendo convencidas de que a vida amorosa não passa de uma ilusão impossível, e que nem os desejos delas são possíveis de serem realizados. Ou, quando existem, são muito belos para virarem realidade.

Por isso mesmo é que o "exército de solteiras" nas classes inferiores que, no caso das calipígias, miseravonas e popozudas, pode além disso estimular o mercado clandestino da prostituição, representa todo um apelo da mídia dominante para que as mulheres das classes populares não formem família e tenham menos filhos possíveis.

Nas comunidades pobres, desestimula-se a formação de casais dentro de seus ambientes sociais, e a mídia promove constantemente a desunião social entre os pobres, incitando as jovens a desconfiar de seus próprios vizinhos e amigos de infância, além de desestimulá-las de contrair relações amorosas dentro de seus próprios ambientes sociais, já que os homens de seus meios são promovidos pela mídia popularesca como sendo "perigosos", "infiéis", "traiçoeiros" e "violentos".

Dessa forma, as elites dominantes promovem o que se chama de "eugenia", que é o princípio racista-elitista da "limpeza étnica" em que as raças consideradas "superiores" investem na renovação genética, em detrimento das demais, condenadas ao controle rigoroso da reprodução.

E é essa "eugenia", dentro da pretensamente "livre e saudável" solteirice das mulheres envolvidas no padrão brega-popularesco, sejam popozudas ou piegas, sejam famosas ou fãs, que fará com que se faça a exclusão social pela gradual desaceleração do crescimento populacional nas classes mais baixas, numa progressiva eliminação das classes populares promovido pela grande mídia e pelo mercado perverso do entretenimento popularesco.

sábado, 23 de outubro de 2010

KATY PERRY SE CASOU!! BUÁ!!


ENQUANTO XUXA MENEGHEL, JULIANE ALMEIDA, NICOLE BAHLS RECUSAM PRETENDENTES...

A gracinha escultural Katy Perry, belíssima e super-sexy, desde a noite de ontem se tornou mais uma senhora casada. Casadíssima, com o comediante Russel Brand, em cerimônia realizada na Índia.

Buá!

Enquanto isso, em Terra Brasilis, a "rainha" Xuxa Meneghel, maior ícone "feminista" segundo as marias-coitadas, perdeu a chance de ouro de ter o seu Jesus Luz, o Vítor Chaves da dupla Vítor & Léo.

Juliane Almeida, do É O Tchan, também perdeu a chance de ouro de ter sua alma-gêmea, o rebolation man Léo Santana, do Parangolé.

E Nicole Bahls perdeu sua chance de ouro de ter carreira internacional, de ser a "Gisele Bündchen" das popozudas, ao recusar namorar o rapper boa-praça Akon.

Sejam popozudas ou marias-coitadas, o que reina aqui é o estranho celibato, o medo até de namorar sósias de Reynaldo Gianecchini que tenham várias fazendas de criação de gado. Acabam virando marias-bobeiras, cujo esporte é recusar os homens de suas vidas e depois mentir para a mídia e para a Internet que os homens têm medo delas.

Não se sabe por que cargas d'água o universo popularesco de famosas e não-famosas está repleto de supostas encalhadas, de celibatárias convictas, de divorciadas convertidas em dublês de solteironas.

Será o medo da mídia gorda de que Xuxa assuma um romance e faça todas suas fãs fazerem o mesmo, esvaziando as boates e botecos do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e interior do país com tantas garotas namorando homens do tipo galântico de Vítor & Léo?

Ou será o medo da mídia gorda de que a quebra do celibato das fãs e celebridades popularescas em geral signifique a quebra do rígido controle de natalidade nas classes econômicas mais baixas, adiando a "limpeza social" tão sonhada pelas elites?

REDE GLOBO PREFERE CONFIAR EM IMAGENS DE PÉSSIMA RESOLUÇÃO



É ridículo que, em detrimento da informação, a palavra do "amiguinho" valha mais do que a coerência do fato.

Na última semana, houve um protesto dos militantes do PT contra a campanha de José Serra no bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, que gerou confronto com os seguranças e militantes do PSDB, além de resultar num incidente com o candidato, aparentemente atingido por um objeto redondo, muito provavelmente uma bolinha de papel.

A Rede Globo, ao noticiar o incidente, mostrou a reportagem feita pelo SBT que afirmou ser uma bolinha de papel o objeto que atingiu a cabeça de José Serra. Mas a emissora dos irmãos Marinho preferiu pôr em dúvida a tese, falando em um "objeto estranho", exagerando na reação do candidato, que passou a mão na cabeça depois do incidente.

Motrando uma imagem de péssima resolução, supostamente tirada do celular de um repórter da Folha de São Paulo, a Globo anunciou que Serra teria sido atingido por um objeto perigoso, duvidando que seja uma mera bolinha de papel.

Tsavkko escreve que o vídeo poderia ter sido feito por um militante do PSDB, mas eu mesmo já escrevi para ele informando da constatação da Globo. Se bem que, Folha ou PSDB, Globo ou PSDB, tanto faz, praticamente é tudo a mesma coisa.

Num pronunciamento recente, Lula comparou o mal-estar de José Serra com o "perigoso ataque" com o episódio do goleiro chileno Roberto Rojas. Vendo que um foguete sinalizador foi jogado para o gramado, perto da trave onde estava Rojas, ele tirou do bolso uma navalha e se cortou, e aí fingiu ter sido atingido pelo foguete, o que fez o jogo ser suspenso e o time todo sair de campo, com Rojas sendo socorrido pelos médicos. Era uma partida entre as seleções do Chile e do Brasil, em 1989, para a copa de 1990, jogo realizado no estádio carioca do Maracanã.

Depois a farsa foi descoberta, o time chileno foi punido de não participar de jogos oficiais durante cinco anos, e a responsável por ter atirado o foguete foi uma mulher chamada Rosemery Mello, que teve seus poucos minutos de fama, como a "fogueteira do Maracanã", tendo até posado para a Playboy.

Mas, como não havia portal Ego - olhem as Organizações Globo aí! - para dar guarita para as boazudas naqueles tempos, Rosemery caiu no ostracismo. Se tivesse portal Ego já naquela época, talvez ela aparecesse tanto na mídia quanto a autêntica musa e beldade substancial Luíza Brunet.

Rosemery não pararia um só momento, nas suas repetidas exibições corporais na praia, nas noitadas e nas quadras de escola de samba, com direito a "pagar calcinha", a mostrar decotes "avantajados" ou a "acidentalmente" deixar uma peça de roupa cair para mostrar seus "dotes" corporais.

Roberto Rojas, no entanto, também está relacionado ao mesmo Estado de São Paulo de José Serra, porque anos depois atuou como treinador do time do São Paulo.

IDEOLOGIA BREGA SURGIU COMO "HIGIENIZAÇÃO" SOCIAL


NA "CULTURA" BREGA, O POVO É CONDENADO A "PRODUZIR" UMA "CULTURA" ENTREGUISTA EM CONDIÇÕES DE MISÉRIA E SUBORDINAÇÃO SOCIAL.

Há uma tese, bastante equivocada, de que Getúlio Vargas promoveu a "higienização cultural" do Brasil, transformando sambas, baiões e modinhas de viola em meros jingles do Estado Novo.

É um grande exagero, porque apenas algumas músicas foram adaptadas para a propaganda da ditadura varguista. E isso se limitou apenas às letras, mas praticamente toda a arte, toda a concepção rítmica e melódica dos ritmos populares originais estava lá, com todo o estilo caraterístico de seus respectivos artistas.

Superestima a intervenção de Getúlio Vargas na cultura brasileira, a ponto de reacionários como Eugênio Arantes Raggi julgarem que toda a MPB feita entre 1937 e 1968 é subproduto da manipulação varguista e suas ramificações comunistas, como se a MPB fosse fundada a quatro mãos por Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes, o que é um absurdo.

Só que os defensores dessa tese delirante esquecem que Vargas, antes do Estado Novo, contava com uma equipe de intelectuais da escola modernista - como o genial pesquisador Mário de Andrade, também poeta e escritor - , que estabeleceu estudos que difundissem os verdadeiros ritmos populares brasileiros, cuja difusão continuou de uma forma ou de outra, mesmo com o abandono de alguns projetos devido ao Estado Novo.

Isso se deu porque, se não mais tínhamos as pesquisas de Mário de Andrade sobre o folclore brasileiro, tivemos depois, na época áurea do rádio brasileiro, verdadeiros pesquisadores culturais, divulgadores da verdadeira canção brasileira, como Luiz Gonzaga e Henrique Foréis Domingues (o Almirante), este um ex-membro do Bando de Tangarás (que também teve Braguinha e Noel Rosa), deram sua grande contribuição para mostrar o rico patrimônio cultural em que vivemos.

A tão falada "higienização social" que costuma-se atribuir a Getúlio Vargas, na verdade, ocorreu durante até pouco antes da ditadura militar, já na crise do segundo governo varguista, eleito democraticamente.

O latifúndio patrocinou os primeiros ídolos que depois seriam considerados cafonas, e, mais adiante ainda, bregas. Eram arremedos de cantores de serestas, caricatos, estereotipados, que na verdade faziam um engodo que misturava elementos da música romântica italiana, dos boleros e mariachis mexicanos e da country music dos EUA, num estilo deturpado e medíocre que nada teve de brasilidade.

Era a "higienização social" que os latifundiários que, mais tarde, defenderam e patrocinaram o golpe militar de 1964, a ditadura e o AI-5, buscando enfraquecer culturalmente o povo pobre para evitar que se explodam revoltas populares. Ou, ao menos, neutralizar o avanço das Ligas Camponesas, um dos principais movimentos sociais dos anos 50.

Junto à música caricata, estereotipada e apátrida, simbolizada acima de tudo por Waldick Soriano, veio todo um padrão de comportamento que o poder dominante determinou para o povo, condenando-o ao subemprego, à prostituição, ao alcoolismo, e, sobretudo, à domesticação contínua que permita paliativos de ascensão econômica sem exercer uma cidadania crítica, firme e forte.

Os defensores da hegemonia brega tentam insistir na ideia de que ela é a "cultura popular pura". Grande engano. Mas podemos ver isso no sentido irônico, uma vez que as classes dominantes, através da cafonice cultural, tenta eliminar do povo suas raízes culturais autênticas, numa ação que as entidades policiais que reprimiram o samba, por exemplo, nunca imaginaram fazer.

Tirou-se do povo aquela brasilidade autêntica, aquela diversidade genuína que reconhecia no samba uma série de ritmos variantes que expressavam a riqueza desse ritmo afro-brasileiro (como o coco, maracatu, jongo, maxixe, caxambu, samba-de-roda, chorinho e gafieira) ou na música caipira verdadeira uma linguagem realmente interiorana, com seus cateretês, modinhas etc. Ou o baião autêntico, o xaxado autêntico, os ritmos do agreste nordestino que tinham sua expressão de regionalidade verdadeira.

A ideologia brega acabou com tudo isso. A ditadura militar e o latifúndio investiram pesado nos ídolos cafonas, num processo que hoje atinge o ápice do poder dominante, tanto que até mesmo intelectuais têm medo de que a hoje música brega-popularesca caia no ostracismo, tamanho é o mercado milionário que ela movimenta.

O horror dessa intelectualidade é o mesmo dos parlamentares do Primeiro e Segundo Impérios, quando se falava na abolição da escravidão. O horror de ver baiões autênticos e sambas genuínos serem retirados dos acervos de professores e jornalistas e serem devolvidos para o povo pobre, que, recuperando sua cultura hoje esquecida, pode rearticular-se para uma mobilização social sem precedentes. O mesmo argumento quando se falava que a abolição da escravatura iria transformar o Brasil numa guerra civil entre negros e brancos.

A ideologia brega só forjou uma brasilidade caricata a partir de 1970, com o sambão-jóia, que não era mais do que um arremedo cafajeste do samba-rock (que, apesar do nome, era a fusão do samba com a soul music), e a "música sertaneja", já corrompida pelo tendenciosismo mercadológico dos mariachis, countrys e boleros estereotipados, e dos vocais esganiçados que eram muito mais caricatos que as duplas caipiras humorísticas do rádio dos anos 40.

Com medidas relacionadas ao Turismo e à Economia, dentro do contexto político conservador da ditadura militar, outros ritmos brega-popularescos foram surgindo, uns investindo na falsa regionalidade, outros no entreguismo estilístico (que não pode ser confundido com "antropofagia", porque esta não dispensa a soberania nacional na assimilação cultural de tendências estrangeiras).

Vieram a lambada, a axé-music, o forró-brega, o breganejo propriamente dito (continuidade da diluição da música caipira nos anos 70), o "funk carioca" (com seu entreguismo estilístico), entre tantos outros derivados (como o arrocha e o tecnobrega) que não passam de derivados dos demais.

Cria-se uma "cultura popular" baseada na domesticação do povo pobre, no controle social da grande mídia, que é agora quem transmite "conhecimentos" e "valores" que, segundo a ótica do poder, devem ser assimilados e seguidos pelas classes populares.

Seja a música estereotipada, medíocre e apátrida, defendida por conta de uma visão paternalista e etnocêntrica que atribui à cultura popular a ideia de "mau gosto", traindo toda uma tradição de cultura de qualidade antes existente. Seja a imprensa policialesca, que difunde o pitoresco e o grotesco em seus valores sociais mais baixos. Seja pela exploração da vulgaridade feminina, da ingenuidade das famílias pobres, da grosseria quase cavernosa dos homens, pela erotização gratuita e aberta das crianças. Tudo isso a grande mídia faz dentro da perspectiva brega-popularesca, estabelecendo o controle social e a alienação que permitem a manutenção do privilégio dos detentores do poder.

Tudo isso também serve para isolar social e culturalmente as elites, que agora se acham "donas" do rico patrimônio cultural do povo brasileiro. Patrimônio que o próprio povo é proibido de usufruir e renovar.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CONTINUA A CENSURA AO CASO WALDICK SORIANO



Até agora, não reapareceram os vídeos da entrevista de Waldick Soriano à jornalista Marília Gabriela, o programa TV Mulher, da Rede Globo, em 1983, quando o cantor brega defendeu a ditadura militar e reprovou o feminismo.

Na busca do Google, há ainda os respectivos linques, mas eles dão para uma página do Globo Vídeos informando que estes vídeos não pertencem ao catálogo do portal.

Os vídeos, segundo o crédito da busca do Google, foram divulgados, na sua versão digital, em 16 de setembro de 2008, sendo portanto um carregamento muito recente para que tais vídeos sejam excluídos do acervo, já que, no próprio portal Globo Vídeos, há arquivos mais antigos, de 2006 e 2007, que continuam disponíveis.

A hipótese mais provável, conforme divulgamos antes, é que os vídeos foram retirados por motivo de censura, uma vez que há dois fortes lobbys envolvendo Waldick Soriano, um ligado à atriz Patrícia Pillar, estrela da Rede Globo que produziu e dirigiu um documentário sobre o cantor, e Paulo César Araújo, que escreveu um livro sobre os ídolos bregas, incluindo o mesmo cantor.

Esse lobby lançou uma versão "oficial" que mitifica Waldick Soriano, erroneamente creditado como um "artista moderno", "cantor de protesto" ou mesmo "ícone vanguardista e esquerdista", quando, na verdade, Waldick foi sempre um artista da retaguarda, conservador e machista.

Mas há quem queira manipular a História como se ela fosse uma massa de modelar, sem escrúpulos em submeter o passado à mitificação fictícia.

SE O VIRACASAQUISMO DOS PAGA-PAUS VIRASSE CAPA DA VEJA



E eles se achavam a facção mais "conscientizada" e "moderna" da juventude brasileira.

Até o pessoal do Jornal do Brasil não ia com a cara desses "roqueiros" de butique. Que hoje defendem tudo aquilo que diziam odiar.

BOAZUDAS BRIGONAS AUMENTAM CRISE DAS "MUSAS" CALIPÍGIAS


NÃO SE ILUDA: NICOLE BAHLS TAMBÉM TEM PAVIO CURTO.

A crise que envolve as chamadas popozudas e similares se agrava seriamente, como se elas fossem o "José Serra do feminismo". Depois de Solange Gomes aparecer vestida de freira, causando indignação na maior parte da sociedade, Nicole Bahls se envolveu em confusão na quadra da Mangueira com a igualmente popozuda Renata Santos.

As duas acabam engrossando a lista de boazudas encrenqueiras e temperamentais, como Joana Machado, Dani Sperle, a própria Solange Gomes, Anamara, Priscila Pires, a ex-Mulher Caviar Eliza Pereira, Renata Banhara, entre tantas e tantas outras.

O que mostra o quanto essas atrações do machismo lúdico popularesco se tornam a cada dia mais decadentes, apesar da badalação obsessiva da grande imprensa. Elas não têm o que dizer, se limitam apenas a mostrar seus corpos feito carne de rua, simbolizam o falso feminismo na "cultura" brega-popularesca e são vendidas como se fossem "modelos" a serem seguidos pelas moças da periferia.

Enfim, elas representam tudo de ruim, fisicamente exageradas e cuja beleza facial de alguma delas não convence nem empolga, já que suas personalidades são o supra-sumo do superficialismo, para não dizer coisa pior, como o desprezo de Solange Gomes à literatura.

A onda das musas calipígias já está perto do fim e elas nem sequer se preparam para o dia em que deixarem de ser "musas". Poderiam se casar com empresários e profissionais liberais mais ricos e mais velhos, formarem família e, pelo menos, ter um ostracismo um pouco mais digno. Mas, se elas insistirem em continuar fazendo o que fazem, vão acabar como Gretchen e Rita Cadillac, que, de tão decadentes que elas estão, nenhum homem mais as quer para namoro, sobretudo os homens legais.

MÍDIA GOLPISTA NÃO QUER CULTURA DE VERDADE


FAUSTO SILVA - Por mais magro que ele se torne, ele continuará sendo "mídia gorda".

A mídia golpista não quer a difusão de cultura autêntica para nosso povo.

A mídia golpista quer sensacionalismo, noticiário policialesco, popozudas e música brega-popularesca.

Por isso a mídia golpista se divide entre aquela que prefere zelar pela cultura refinada para as elites, e aquela que promove a cafonice popularesca para o povo pobre.

No primeiro grupo, vemos a revista Veja e O Estado de São Paulo, que reservam seus espaços para a "sofisticação cultural" a ser apreciada pelas demandas de maior poder aquisitivo.

No segundo grupo, vemos as Organizações Globo em todos os seus veículos, incluindo a Rede Globo e o jornal O Globo, além da Folha de São Paulo e dos veículos "populares" da Editora Abril, como Contigo, Ti Ti Ti e até mesmo Caras, que mostra as elites sorridentes até para manicures e barbeiros, e que divulga também os ídolos brega-popularescos em suas páginas.

Claro que a ideia de "sofisticação" não é lá muito exata, podendo ser o engodo romântico do hit-parade norte-americano, por exemplo. Mas é sempre uma ideia formal, associada ao luxo e à pose de requinte, que se baseia essa "sofisticação".

Pois a grande mídia anda travando a retomada da MPB autêntica, o máximo que puder, restringindo a sua arte a ídolos absorvidos pela classe média alta.

É cruel, porque é como se agora o baião, as modas de viola e o samba genuínos só podem ser feitos por estudantes universitários abastados de vestuário hippie e dinheiro no bolso.

Quer dizer, se um favelado fizer hoje o que Pixinguinha fazia, é visto como um "burguês".

E se um retirante do sertão fizer hoje o que Luiz Gonzaga fez no passado, é visto como "pobre de alma burguesa".

O que é isso, companheiros? E tantos cientistas sociais, jornalistas e blogueiros ditos "progresisstas" defendendo a hegemonia brega-popularesca?

É "porque é isso que o povo gosta"? Isso mais parece lema do Edson "Bolinha" Curi, antigo apresentador de TV, do que qualquer constatação sociológica.

Será que pode ser considerada "progressista" uma intelectualidade que defende a mesmice "popular" das rádios FM "só porque o povo gosta" ou "porque é isso que o povo sabe fazer"?

Eles acabam fazendo o jogo da mídia golpista, queiram ou não queiram. Se falam a língua da Ilustrada da Folha de São Paulo, por que fazem questão de atacar o PiG?

No caso das conquistas das mulheres, essa intelectualidade parte para a hipocrisia.

Na política, louvam a sabedoria de mulheres verdadeiramente militantes que expõem suas abordagens críticas a respeito do país em que vivemos.

No âmbito da economia, elogiam a luta das mulheres das classes populares na conquista do mercado de trabalho e na busca por uma educação melhor.

Mas, no âmbito da cultura, essa intelectualidade se limita a louvar popozudas que só mostram o corpo de forma obsessiva, vazia e grotesca, sob o falsíssimo pretexto de que fazem a "militância do corpo", numa linguagem modernosa que a ninguém convence, só os crédulos.

A ideologia brega-popularesca e sua "ditabranda do mau gosto" servem ao império da grande mídia.

Não adianta dizer que uma Banda Calypso da vida está na grande mídia porque tem um "plano secreto" para destrui-la. Até porque Joelma e Chimbinha estão muito felizes nas páginas da Folha de São Paulo, Caras, O Globo e, na Rede Globo, aparecem mais felizes ainda ao lado do infame Marcelo Madureira, sócio do Instituto Millenium e amigo de Diogo Mainardi.

Queremos que volte a cultura popular de verdade, quando a arte produzida pelo povo pobre consistia na produção de conhecimentos, de valores sociais, transmitidos de família em família, de comunidade em comunidade, não é uma "cultura" que os donos de rádios FM (mesmo certas rádios "comunitárias") jogam para o povo pobre consumir.

A mídia golpista até dá gargalhadas quando a intelectualidade defende os mesmos "sucessos do povão" com argumentos modernosos irreais.

Afinal, é um grande absurdo. O que Fábio Jr. tem a ver com Che Guevara? O que o É O Tchan tem de "performático"? Nenhum fã de tecnobrega conhece o "tal" de Oswald de Andrade!

Injetar um monte de mentiras para manter essa "cultura popular" de mercado, a pretexto de parecer bonzinho com empregadas domésticas, porteiros de prédio, faxineiros e garis que são as únicas amostras da periferia que a intelectualidade conhece, porque lhe são próximas de onde ele mora, é um grande desrespeito à cultura popular.

Queremos a volta daquela cultura popular de verdade, que o povo pobre produzia até meados dos anos 60, que consistia numa identidade brasileira genuína, verdadeiramente criativa, autenticamente regional, viva, orgânica, forte, boa de se ouvir.

Afinal, não seria esta a cultura pseudo-popular das rádios FM e TVs, que nada produz senão sucessos de mercado, que não tem identidade regional alguma, nenhuma brasilidade, e se limita apenas a reproduzir o que vem de fora com alguns artifícios "brasileiros": brincar de Beyoncé para depois brincar de Clara Nunes, imitar (mal) o soul dos EUA usando batida de samba e macaquear os Bee Gees com viola sertaneja.

O progresso social do povo brasileiro, que é fato e avança gradativamente, não merece a manutenção dessa pseudo-cultura, nem que ela tenha a intervenção de arranjadores, quaisquer que fossem. Ninguém aqui quer É O Tchan com arranjos de Jacques Morelembaum, ninguém quer sambregas e breganejos vestindo terno e gravata tocando no Teatro Municipal.

Queremos uma cultura popular sincera, honesta, sem a dominação de elites que se escondem em "aparelhagens", DJs-empresários ou outros empresários disfarçados de "produtores culturais". São eles, e tantos outros, os proprietários dessa "cultura popular" que domina rádios FM e TV aberta, e essa é defendida claramente pela mídia golpista. Em todas as suas tendências. Só não vê quem não quer.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

JÁ SELENA GOMEZ É UMA FESTA. A NOSSA FESTA



Sei que soa sonoramente parecido com o da "musa" brasileira, mas a atriz estadunidense Selena Gomez, que outrora foi ícone mirim, está no lado extremamente oposto.

Charmosa, simpática, doce, deliciosa e, sobretudo, belíssima, Selena, atriz do seriado Feiticeiros de Waverly Place, do canal Disney, surpreende por juntar sua beleza simples mas sedutora, uma desenvoltura, inteligência e modéstia.

Ela também tem uma banda, Selena Gomez & The Scene, na qual se esforça em fazer um pop juvenil de qualidade. Não se envolve em escândalos, não se preocupa em forjar polêmicas, simplesmente se sobressai porque é boa atriz, porque é uma cantora e compositora esforçada (dentro do contexto do pop juvenil de sua geração, que pode não ser genial, mas é competente), e, como musa, surpreende porque é naturalmente bonita.

Vários blogs sobre mulheres famosas já mostram que Selena Gomez encanta o público masculino com uma sensualidade bem dosada. Ela faz a festa dos homens que procuram moças legais, porque representa o melhor que uma mulher pode oferecer.

Selena é uma das musas do futuro, que brilharão numa época em que as chamadas boazudas serão consideradas coisa do passado, porque a evolução da humanidade fechará todas as portas para as mulheres que se limitarem a explorar o corpo, sem oferecer algo substancial na sua personalidade.

Portanto, musas de verdade como Selena Gomez são muito bem vindas e merecem nosso apoio, admiração e carinho.

SOLANGE GOMES DEVERIA IR PARA O OSTRACISMO



É muito preocupante o caso Solange Gomes. Como é que essa mulher, de 36 anos, pode cometer tantas e tantas gafes, se tornando uma das mais chatas e até insuportáveis entre as boazudas?

Arrogante, brigona, bibliófoba, grosseira e além disso ofende as mulheres parodiando tipos batalhadores que se sacrificam por sua dignidade. Depois de ridicularizar as enfermeiras, agora ridiculariza as freiras, por incrível que pareça fazendo a festa das entidades medievais que apoiam José Serra, porque Solange Gomes, numa atitude aparentemente inversa, desmoraliza os valores morais liberais, acusados de permissividade, fazendo vir à tona a reação dos moralistas.

Ou seja, com sua atitude, Solange Gomes presta um belo serviço para a TFP e Opus Dei, por confundir liberdade moral com libertinagem, permitindo a reação moralista.

Solange parece feliz por provocar polêmica e raiva. Pensa que pode provocar protestos e raiva e se dar bem nessa. Não vai. Essa obsessão em ser "polêmica" por nada vai trazer sérios problemas para a celebridade num futuro bem próximo.

É só pôr os pingos nos "ii". Quando a saudosa Leila Diniz, famosa por sua sensualidade, causava polêmica, não era por atitudes grotescas como a de dona Solange. Era porque seu comportamento era menos recatado, e vemos que o perfil de Leila hoje corresponde ao de muitas mulheres normais, podia se enturmar com homens sem deixar de ser feminina, poderia ter opiniões próprias sem deixar a delicadeza de mulher.

Já Solange Gomes só cometeu gafes. Que "subversão" de costumes ela promete? Nenhuma, oras. Ela é a expressão do grotesco, numa estupidez pior do que qualquer loura burra. Ela já se envolveu com briga, disse que odeia livros, só vende o corpo para a mídia, e nada faz de útil, mesmo num contexto de culto à celebridade mais fútil.

Se Solange Gomes pensa no seu futuro a longo prazo, ela deveria saber que esse espetáculo das boazudas um dia vai acabar. É bom se preparar para isso, porque é inevitável. Difícil aguentar Solange Gomes fazendo esse mesmo papel patético aos 40 anos. E não haverá mais mercado para isso, porque o mercadão das popozudas já deu o que tinha que dar.

Melhor que Solange Gomes corra para se casar o mais rápido possível com um rico empresário, melhor que seja bem mais velho do que ela, e vá viver no ostracismo lá nos EUA. É a única coisa viável que ela terá que fazer, se ela não quer sofrer a decadência mais dramática.

É bom ela se retirar enquanto não se sente desmoralizada com suas próprias gafes. Cada vez mais o Brasil está menos receptivo para musas sem conteúdo. Até porque existe um monte de jornalistas de TV bem mais formosas, sensuais e atraentes que muita popozuda que tira onda na mídia. Eu mesmo vi anteontem a Leliane Nëubarth no canal Globo News e fiquei seduzido por ela. Michelle Loreto, então, nem se fala.

O circo das popozudas e calipígias já teve seu auge. Agora entrou em declínio, queiram ou não queiram veículos como o portal Ego, o jornal Meia Hora e similares.

A NOVA DIREITA DE AMANHÃ


JOSÉ SERRA, EM 1964 - Ninguém imaginaria, mas o líder estudantil que apareceu ao lado de Jango e Brizola hoje se afina mais com as elites que fizeram a passeata golpista Marcha Deus e Liberdade, naquela mesma época.

Tudo bem. Os esquerdistas hoje precisam fazer alianças com tendências de centro e até de centro-direita existentes no Brasil. Mas, passada a "frente ampla", a rotina política pode mostrar grandes surpresas. As circunstâncias poderão mostrar quem é que realmente está do lado das forças progressistas no nosso país, depois da euforia do eclético bloco de alianças.

A História é repleta delas. Daria um livro bem grosso, só para descrever, de forma mais sucinta, os diversos casos históricos que ocorreram. Desde a adesão do filho do militante comunista Maurício de Lacerda, ninguém menos que o jornalista e político Carlos Lacerda, à direitona da UDN, até casos recentes como o histérico reacionarismo do comediante Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta, mostram o quanto a direita pode se servir de gente que foi da esquerda ou gente até que nunca foi de esquerda mas embarcou na garoupa do esquerdismo a troco de vantagens ocasionais.

O caso mais contundente envolve o próprio candidato tucano à Presidência da República, José Serra. Nos anos 60, ele era um líder estudantil de esquerda católica, ligado à Ação Popular, e em 13 de março de 1964 ele era presidente da UNE (do qual foi eleito em 1963), quando participava do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, juntamente com o então presidente da República, João Goulart (que tinha um projeto político parecido com o de Lula e Dilma hoje), entre outras personalidades esquerdistas.

Ninguém imaginava, na época, que o então presidente da UNE estaria mais tarde no lado das mesmas forças político-ideológicas que, poucos dias depois do comício da Central, em 19 de março, se reúniram no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para pedir o golpe militar. Hoje, José Serra é o símbolo da mesma direita retrógrada que derrubou Jango e apoiou e sustentou uma ditadura militar de 21 anos.

Há também o caso de Cabo Anselmo, que, contam os analistas mais cautelosos, nunca foi esquerdista, apesar daquela postura falsamente socialista durante a revolta dos marinheiros. Depois, o sargento José Anselmo dos Santos, conhecido pelo tal apelido, mostrou-se cruel e traiçoeiro, dedurando colegas que foram mortos nos porões da tortura. Oficialmente, Anselmo declara que virou direitista por desilusão com a luta armada, mas há indícios fortes de que ele sempre foi um direitista a serviço da CIA, serviço de informação política dos EUA.

É até impossível que, numa gigantesca frente ampla que cerca a política petista, todos sejam naturalmente solidários a Lula, Dilma e similares.

Há muitos jovens reacionários que embarcam no esquerdismo por puro oportunismo, aparentemente porque "é bonito" ou por conta de algum "protocolo" atribuído à natureza "rebelde" dos jovens.

Há muita gente que vira "esquerdista" ou "centro-esquerdista" por modismo, por medo de assumir suas verdadeiras posturas, pela busca de vantagens pessoais ou porque viraram desafetos de lideranças direitistas. Ou porque já não fazem mais parte do mainstream político conservador.

Há vários casos assim, que aparentemente podem garantir o sucesso da vitória eleitoral progressista, mas podem dificultar sua sobrevivência. E exemplos não são poucos para vermos a parte tendenciosa dos aliados de ocasião, para não sermos pegos de surpresa numa guinada assumidamente direitista deles.

Não precisamos detalhar o caso de Paulo Maluf, Fernando Collor e José Sarney. Todos simpatizantes do udenismo há 45 anos. Nem no caso do baiano Mário Kertész (espécie de "Paulo Maluf com dendê"), o pseudo-radiojornalista que apunhalou a esquerda baiana pelas costas.

Há também pessoas como o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, numa Minas Gerais que ainda não aprendeu com os casos de Marcos Valério ou mesmo do histórico traidor dos inconfidentes Joaquim Silvério dos Reis, pelo fato da esquerda mineira não desconfiar um momento sequer do tendenciosismo do feroz reacionário que, de repente, passou a falar macio para os petistas, enquanto denuncia o pensamento da blogosfera progressista para seus amigos do Globo Esporte Minas.

Há também o caso de Pedro Alexandre Sanches, jornalista criado pela Folha de São Paulo, que caiu de pára-quedas na imprensa esquerdista, por conta de contatos profissionais com os verdadeiros dissidentes do jornal, como José Arbex Jr. e Marilene Felinto. Mas Sanches prova não ser solidário com a causa esquerdista, pois, em muitos de seus textos, ele fala do esquerdismo como um estranho no ninho, numa abordagem "distanciada" que a revista Piauí (simpática a ACM Neto e Daniel Dantas) já fazia, até acolher o próprio Otávio Frias Filho como colaborador.

Há também o ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, tecnocrata apadrinhado pela ditadura militar, o bom aluno da facção da UFPR comandada pelos punhos conservadores que levaram o reitor Flávio Suplicy de Lacerda a ser ministro de Castelo Branco e ameaçar privatizar o ensino superior e prender lideranças estudantis.

Lerner foi filiado da ARENA, prefeito biônico (nomeado pelos militares) da capital paranaense, e seu "tão moderno" projeto para o transporte coletivo foi implantado no auge da ditadura, em 1974. Nesse mesmo ano, os órgãos de tortura intensificaram os assassinatos de prisioneiros políticos ou oposicionistas da ditadura militar, vários deles ligados a grupos guerrilheiros. Desse pessoal todo, é justamente Dilma Rousseff um dos remanescentes.

Também tem o PMDB carioca, na verdade uma dissidência do antigo PFL carioca, com ramificações do PSDB local, não pela divergência de princípios, mas por desavenças puramente pessoais. Temos o ex-comunista César Maia, hoje direitista com a adesão mais entusiasmada do filho Rodrigo Maia, ambos no DEM. E temos Luís Paulo Conde, Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes, ligados a um projeto político de dedicar o Rio de Janeiro somente para o povo rico.

A REVIRAVOLTA VERDE - Uma das grandes surpresas que a esquerda não estava preparada para encarar é a reviravolta do PV na base política de apoio ao PT. Um partido considerado irmão do outro, cujas trajetórias se confundem e cujas siglas rimam na pronúncia, de repente rompeu com o grupo petista, a ponto de estabelecer alianças com o grupo rival, o PSDB, cujo máximo de "esquerdismo" que conseguiria obter para seu apoio era o PPS e setores do PTB ou até mesmo do PSB.

A ruptura pegou todos de surpresa e o jogo de baralhos direitista também passou a ser reforçado por pessoas que pareciam se inclinar ao mais sincero esquerdismo, como Sônia Francine, a bela ex-VJ da MTV que entrou na vida política. Ou mesmo a coleção de ex-esquerdistas (ou "ex-querdistas", num trocadilho irônico) passou a ser reforçada por antigos integrantes dos CPC's da UNE, como Ferreira Gullar e Arnaldo Jabor, ou pelo "independente" Fernando Gabeira, já amestrado quando virou colunista da Folha de São Paulo e ganhou simpatia dos retrógrados de Veja.

A situação é imprevisível. Não vamos apostar que a grande frente ampla que apoia Dilma e Lula possa se manter como está. Nem todo mundo entra na causa esquerdista porque passou a gostar dela, há vários que embarcam na garoupa e, quando obtém suas vantagens, simplesmente traem a esquerda e vão embora.

Para cada um Paulo Henrique Amorim (ou Rodrigo Vianna, Luís Nassif, Luiz Carlos Azenha e Hildegard Angel) que se identifica verdadeiramente com a causa esquerdista, há milhões de Pedro Alexandre Sanches, Eugênio Raggi, Mário Kertèsz, Paulo Maluf e Fernando Collor que podem parecer solidários hoje, mas serão os traidores de amanhã.

Vamos esperar as eleições e, no caso da vitória petista, o dia da posse e as primeiras medidas do governo Dilma, se ela sair vitoriosa. Vamos ver até quando a frente ampla que envolve tanto gente solidária quanto oportunista se sustentará, porque é até impossível que o grupo oportunista continue solidário até o fim dos tempos. A máscara vai cair, como em outros episódios da História do Brasil.

Por isso, a nova direita de amanhã pode ganhar a adesão dos oportunistas que, por enquanto, incham a frente ampla de esquerda nos dias atuais. Tudo pode acontecer, e é bom que se tenha autocrítica, cautela e atenção, muita atenção.

Caso contrário, as forças progressistas poderão ruir quando os traidores aparecerem e provocarem seus estragos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

REVISTA ÉPOCA CLASSIFICA SAMBA AUTÊNTICO COMO "ELITISTA"



Reportagem da revista Época mostra até que ponto chegamos.

O samba autêntico, que era produzido em grande escala nos nossos morros, agora é privilégio das elites econômicas.

Citando um estudo da USP, a reportagem e o estudo (não esqueçamos que a elite intelectual da USP gerou um padrão ideológico que produziu tanto José Serra quanto Pedro Alexandre Sanches) deixam implícito de que reclamam da baixa reputação que as ditas formas comerciais do samba possuem entre a "intelectualidade" (não aquela condescendente de Pedro Sanches e companhia, mas aquela de José Ramos Tinhorão, Sérgio Cabral pai e outros).

Em toda a abordagem, há também uma tentativa sutil de comparar o sambrega (definido sob o eufemístico crédito de samba comercial dos anos 1990) com cantores de serestas como Cauby Peixoto e Nora Ney e os "maus sambistas" dos anos 20, 30 e 40.

A preocupação em tentar reabilitar o sambrega ainda usa como pretexto o fato de que seus ídolos são rejeitados porque adotam guitarra elétrica e outros elementos "estranhos", como a diluição da soul music vista nos ídolos sambregas.

A reportagem ainda cria, com alguma sutileza, um "balaio de gatos" onde se misturam sambistas autênticos como Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal e os grupos de sambrega como Exaltasamba.

Fica subentendido que Época quer reservar o samba autêntico, de Paulinho da Viola e Martinho da Vila - vinculados à uma tradição de raízes musicais do samba - para um público mais elitizado (classe média, nível superior etc), enquanto reserva às classes pobres, criadoras originais desse samba (e das quais vieram os citados Paulinho e Martinho), uma forma diluída de samba que rola nas rádios FM popularescas.

Em outras palavras, o povo sempre fica com a cultura do "mau gosto", enquanto a cultura de qualidade é privilégio exclusivo das classes mais abastadas.

Vale lembrar que a revista Época é um dos veículos das Organizações Globo, uma das mais poderosas corporações da velha grande mídia brasileira. E difunde da mesma forma as mesmas abordagens etnocêntricas sobre cultura popular que vemos em Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos, Bia Abramo, Rodrigo Faour e outros.